Originalmente previsto para 2015, Joyride, segundo álbum de estúdio da cantora/rapper Tinashe segue sem data de lançamento. Barrado pela gravadora, sucessor do excelente Aquarius – 30º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, acabou fragmentado em diferentes lançamentos independentes, servindo de base para a mixtape Nightride, trabalho entregue ao público em novembro do último ano.

Convidada a participar do mais novo álbum do rapper britânico Tinie Tempah, Tinashe não apenas assume os versos da pegajosa Text From Your Ex, como faz da canção uma espécie de registro autoral. Difícil passear pelas batidas, sintetizadores e rimas da composição e não lembrar do som produzido pela cantora em músicas como Company. Um R&B levemente dançante, pronto para as mesmas coreografias de Slumber Party, parceria com Britney Spears.

 



Tinie Tempah – Text From Your Ex (ft. Tinashe)

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Quem esperava por um novo arrasa-quarteirões como Feel Good Inc. ou o pop melódico de On Melancholy Hill acabou encontrando algo mais em Hallelujah Money. Primeira composição inédita do Gorillaz em seis anos, a faixa que prepara o terreno para o novo álbum de estúdio do coletivo criado por Damon Albarn e Jamie Hewlett reforça o fino conceito sarcástico que há mais de uma década orienta grande parte das canções da banda.

Com versos assumidos pelo cantor e compositor inglês Benjamin Clementine, também personagem central do estranho vídeo que acompanha a canção, Hallelujah Money debate o culto e toda a adoração (quase) religiosa em torno do dinheiro. Repleto de referências políticas, o vídeo dirigido por Giorgio Testi ainda serve como um ataque ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Há poucas semanas, Noodle, uma das integrantes da banda, apresentou uma mixtape repleta de músicas compostas por mulheres fortes.

 

Gorillaz – Hallelujah Money (feat. Benjamin Clementine)

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Artista: SOHN
Gênero: Eletrônica, R&B, Alternativo
Acesse: http://sohnmusic.com/

 

A busca por um som cada vez mais pop parece ter impactado diretamente no trabalho produzido por Christopher Taylor. Três anos após o lançamento do bem-recebido Tremors (2014), álbum de estreia do SOHN, o cantor e produtor britânico está de volta com um novo registro de inéditas. Em Rennen (2017, 4AD), cada uma das dez músicas assinadas pelo artista se projeta de forma segura, detalhando angústias e confissões amargas do primeiro ao último instante da obra.

Anunciado ao público durante o lançamento da inédita Signal, ainda em 2016, Rennen segue exatamente de onde Taylor parou durante a produção do primeiro álbum de estúdio. São batidas sufocantes, sempre densas, ponto de partida para a construção de versos marcados por desilusões amorosas, confissões e medos. Um registro tocante, doloroso, porém, acessível e envolvente, efeito da sequência de vozes delicadamente tecidas pelo artista inglês durante toda a construção do disco.

Eu posso sentir isso vindo, nós nunca poderemos voltar É um incêndio no vale e está chegando para nos queimar / Como um cometa batendo no planeta / E nós somos dinossauros vivendo em negação”, canta em Conrad, um resumo da poesia romântica (e melancólica) que orienta o trabalho. A diferença em relação ao som produzido em Tremors está na forma como as vozes orientam o ritmo e batidas do trabalho, fazendo de cada verso um instrumento complementar.

Faixa de abertura do disco, Hard Liquor partilha do mesmo conceito. Perceba como a voz delicadamente se converte na base da canção, cercando o ouvinte durante toda a execução dos versos. São gemidos, samples e vozes complementares, sonoridade que acaba esbarrando em toda a sequência de obras produzidas pelo Kanye West nos últimos anos. Um poderoso estímulo para a dezena de músicas que SOHN detalha ao longo do presente registro.

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Dias após o anúncio de Fin (2017), primeiro registro em carreira solo da cantora Syd (Tha Kyd), uma das vozes no comando do coletivo The Internet, Matt Martians, também integrante da banda, anuncia a chegada do primeiro registro autoral: The Drum Chord Theory (2017). Inspirado de forma explícita pelo Soul norte-americano, Martians sintetiza parte dessas referências dentro do primeiro single do registro, a inédita Diamond In Da Ruff.

Com produção assinada em parceria com Steve Lacy, guitarrista do The Internet e também colaborador no primeiro álbum de Syd, Diamond In Da Ruff concentra o que há de mais delicioso no som produzido na presente fase do Neo-Soul. Vozes em coro, a linha de baixo suculenta, sintetizadores que apontam diretamente para a década de 1970. Uma coleção de ideias e referências que esbarra com leveza na obra de artistas como Thundercat e outros nomes de peso do Funk/R&B

The Drum Chord Theory (2017) será lançado no dia 27/01 via AWAL/Kobalt Music Recordings.

 

Matt Martians – Diamond In Da Ruff

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Artista: The XX
Gênero: Indie, Eletrônica, R&B
Acesse: http://thexx.info/

 

Dizem que estamos em perigo / Mas eu discordo … Você teve fé em mim / Eu não vou fugir / Se tudo desmoronar / Você terá sido o meu erro favorito”. Ainda que a incerteza de um novo amor sirva de base para a inaugural Dangerous, difícil ouvir o dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim e não perceber na canção um paralelo com a presente fase do The XX. Longe da zona de conforto que marca os dois primeiros discos da banda – xx (2009) e Coexist (2012) –, I See You (2017, Young Turks) encanta pela busca declarada do trio, completo com o produtor Jamie XX, em provar de novas sonoridades.

Embora íntimo do mesmo universo de referências que marcam a curta discografia da banda, como o R&B dos anos 1990 e o soul produzido na década de 1970, I See You detalha o esforço do trio em sutilmente distorcer o conceito minimalista apresentado no primeiro disco de inéditas. Em um diálogo explícito com a música pop, músicas como Lips (“Apenas o seu amor / Apenas os seus lábios”) e Say Something Loving (“Eu preciso lembrar / O sentimento escapa de mim”) se projetam como hits em potencial, aproximando o trio de um som comercial, essencialmente radiofônico.

Longe do isolamento claustrofóbico que move faixas como Crystalised, Angels e Islands, parte expressiva das canções no presente álbum encantam pela grandeza. Difícil não ser arrastado pelas guitarras e batidas eletrônicas de On Hold, composição que utiliza de samples da música I Can’t Go for That (No Can Do), faixa originalmente gravada em 1981 pela dupla Hall & Oates. O mesmo detalhamento se reflete com naturalidade logo na música de abertura do disco, efeito do som empoeirado dos metais que cobrem Dangerous durante toda sua execução.

Mesmo produzido em parceria com Rodaidh McDonald, produtor escocês que já trabalhou ao lado de artistas como Adele, King Krule e How To Dress Well, difícil não pensar I See You como uma extensão do projeto solo de Jamie XX. Do uso inusitado de samples, como Do You Feel It?, da dupla Alessi Brothers, passando pela interferência de elementos eletrônicos em On Hold e Replica – uma das melhores canções do disco –, faixa após faixa, Jamie faz do presente disco uma adaptação contida do material apresentado em In Colour (2015), estreia solo do produtor. Músicas que partem da mesma ambientação testada pelo artista em Loud Places, faixa assinada em parceria com Croft.

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As últimas semanas têm sido bastante corridas para Kehlani. Próxima de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, SweetSexySavage (2017), a cantora e produtora norte-americana segue com a divulgação de uma sequência de ótimos singles. Na recente seleção apresentada pela artista, músicas como a pegajosa Undercover, além de outras como CRZY, Distraction e Advice, músicas sempre íntimas do R&B dos anos 1990/2000.

Na trilha romântica dos últimos singles, Do U Dirty reflete todo o cuidado de Kehlani na construção dos versos e batidas. De forma lenta, porém, sedutora, Kehlani abre o próprio coração, esbarra em temas intimistas e clama pelo amor. Nos arranjos da canção, o uso contido de sintetizadores e samples atmosféricos, como se a rapper bebesse do mesmo som produzido por artistas como Tinashe, Ciara e outros nomes de peso do gênero.

SweetSexySavage (2017) será lançado no dia 27/01 via Atlantic.

 

Kehlani – Do U Dirty

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Três anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Z (2014), Solana Rowe está de volta com um novo trabalho como SZA. Intitulado CTRL (2017), o registro chega em meio a conflitos com a Top Dawg Entertainment, gravadora da artista e casa de rappers como Kendrick Lamar, SchoolBoy Q e Jay Rock. Primeira composição do registro a ser apresentada ao público, a inédita Drew Barrymore traz de volta toda a leveza que marca os registros da cantora.

Entre vozes sobrepostas e melodias que passeiam sutilmente pelo soul produzido nos anos 1970, a cantora finaliza uma de suas composições mais acessíveis em tempos. Difícil não lembrar dos instantes de maior melancolia em ANTI (2016), último registro de inéditas de Rihanna e obra que conta com a participação de SZA. Além da nova faixa, nos últimos meses a artista se revezou em uma série de obras colaborativas, incluindo parcerias com Schoolboy Q e Isaiah Rashad.

SZA – Drew Barrymore

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Sampha não poderia ter pensado em um título melhor para o single (No One Knows Me) Like The Piano. Parte do esperado primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor britânico, Process (2017), a canção movida pelo uso de pianos melancólicos, sempre intimistas, sintetiza com naturalidade os instantes de forte melancolia que há meia década alimentam o trabalho do músico. Canções como a dolorosa Too Much, de 2013, movida apenas pela voz e piano, tal qual a recente faixa.

Entregue ao público poucos meses após o lançamento da intensa Blood On Me, uma das melhores músicas de 2016,(No One Knows Me) Like The Piano indica o caminho versátil assumido por Sampha dentro do primeiro grande registro de inéditas. Com dois bons EPs em mãos – Sundanza (2010) e Dual (2013) –, e trabalhos assinados em parceria com artistas como Drake, Frank Ocean e Solange, a estreia do músico britânico ainda conta com distribuição pelo selo Young Turks, casa de artistas como The XX e FKA Twigs.

Process (2017) será lançado no dia 03/02 via Young Turks.

 

Sampha – (No One Knows Me) Like The Piano

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Mais conhecida pelo trabalho como vocalista do grupo The Internet – um dos braços do coletivo de Hip-Hop Odd Future –, a cantora/rapper Syd acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum em carreira solo. Intitulado Fin (2017), o registro previsto para o começo de fevereiro deve reforçar o diálogo da cantora com o R&B/Soul, proposta reforçada pela artista desde o EP Raunchboots, de 2011, porém, conduzida de forma coesa dentro da inédita All About Me.

Íntima do mesmo R&B eletrônico de artistas como Kelela e Tinashe, a nova faixa mostra a capacidade de Syd em dialogar com o grande público, efeito da produção segura e versos descomplicados que orientam a presente faixa. Com 12 faixas inéditas, trabalho se abre para a chegada de um time de produtores, entre eles, o guitarrista Steve Lacy, um dos parceiros do The Internet. Em novembro do último ano, a cantora apresentou a inédita Nothin, parceira com o produtor Kingdom.

 

Fin

01 Shake ‘Em Off
02 Know
03 Nothin To Somethin
04 No Complaints
05 All About Me
06 Smile More
07 Got Her Own
08 Drown In It
09 Body
10 Dollar Bills
11 Over
12 Insecurities

Fin (2017) será lançado no dia 03/02 via Columbia.

 

Syd – All About Me

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Original da cidade de Sidney, na Austrália, Cosmo’s Midnight é um projeto de R&B comandado pelos gêmeos Cosmo e Patrick. Donos de um bom EP, Moments (2015), trabalho repleta de participações especiais, caso de Sarah Midori, vocalista do trio Kero Kero Bonito, os irmãos parecem brincar com a música de diferentes épocas, principalmente o soul, o pop e a eletrônica produzido entre a década de 1990 e o começo dos anos 2000.

Mais recente invento da dupla – que ainda conta com remixes de artistas como AlunaGeorge e Destiny’s Child –, History reflete toda a maturidade do trabalho assinado pelos produtores australianos. Da letra pegajosa – “Nós temos tanta história / E tudo que você quer é foder comigo” –, ao uso descomplicado das batidas, prontas para as pistas, difícil não ser arrastado pela canção, por vezes íntima do mesmo universo de artistas como Disclosure e Snakehips.

 

Cosmo’s Midnight – History

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