Responsável por uma das melhores músicas da presente década, Bassically, a cantora e produtora Valerie Teicher anuncia a chegada do primeiro álbum como Tei Shi. Intitulado Crawl Space (2017), o registro deve ampliar ainda mais o som produzido pela artista nova-iorquina, reforçando o diálogo entre a música pop, o R&B e pequenos experimentos que há tempos acompanham o trabalho da musicista, em constante transformação dentro da recente How Far.

Mais recente single da cantora, a canção exige tempo até seduzir o ouvinte completamente. Um ato lento, deliciosamente provocante, como uma versão orgânica do mesmo R&B-Eletrônico produzido por FKA Twigs, Lydia Ainsworth outros nomes próximos. Transformada em clipe, trabalho que conta com a assinatura da produtora Dreamtiger, How Far mostra Tei Shi baleada e perseguida de carro por um assassino misterioso.

Crawl Space (2017) será lançado no dia 31/03 via Downtown/Interscope.

 



Tei Shi – How Far

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Desde o começo do ano, Lydia Ainsworth vem trabalhando na divulgação de Darling Of The Afterglow (2017). Segundo álbum de inéditas da cantora e compositora canadense, o registro deve seguir uma trilha ainda mais pop em relação ao antecessor Right from Real, de 2014. Uma mudança de direção reforçada durante o lançamento das inéditas The Road e Afterglow, porém, reforçada com a chegada de Into The Blue, novo single da artista.

Minimalista, Into The Blue segue a mesma estratégia de FKA Twigs e outros nomes de peso do novo R&B. Um jogo contrastado de batidas e vozes tratadas como instrumentos, sempre mutáveis. São encaixes sutis, como se o ouvinte fosse lentamente arrastado para dentro da faixa. Na composição dos versos, um misto de melancolia e aceitação, como se Ainsworth confortasse o ouvinte dentro desse cenário essencialmente claustrofóbico e intimista.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Into The Blue

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Frank Ocean não parece interessado em repetir o longo período de hiato que separa Channel Orange (2012) do ainda recente Blonde – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016. Poucos meses após o lançamento do segundo álbum de estúdio, o rapper norte-americano se juntou ao produtor inglês Calvin Harris e o coletivo Migos para a produção da inédita Slide. O cantor ainda assumiu o comando um programa semanal na Apple Music, projeto que serviu de base para a apresentação da também inédita Chanel.

Primeiro single de Ocean desde o lançamento de Blonde, a nova canção parece brincar com os mesmos elementos originalmente testados pelo artista no último álbum de estúdio. Estão lá os versos carregados de romantismo (“É realmente você na minha mente“), o refinamento na composição das batidas e bases, além, claro, da voz forte de Ocean, reforçada em pequenas explosões que reforçam a poesia melancólica do artista. No Tumblr, o rapper aproveitou para publicar a letra da canção e fotos produzidas para a divulgação do single.

 

Frank Ocean – Chanel

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Mais conhecida pelo trabalho em parceria com o rapper Mac Miller em Planet God Damn, música lançada como parte do álbum The Divine Feminine, de 2016, a cantora e produtora Njomza anuncia para o começo de abril a chegada do EP Sad For You (2017). São sete composições inéditas em que a artista original de Chicago deve reforçar o mesmo R&B/Soul originalmente testado em grande parte do material produzido para o soundcloud nos últimos meses.

Faixa-título do novo álbum, Sad For You delicadamente conversa com o mesmo som produzido por Rihanna, Tinashe e outros nomes de peso do pop atual. Enquanto a base da canção se espalha em meio a sintetizadores psicodélicos e uma linha de baixo sedutora, a voz forte da cantora toma conta de todas as brechas do registro. São pequenos atos instrumentais e sussurros etéreos que indicam a direção assumida por Njomza para a produção do trabalho.

 

Njomza – Sad For You

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Feel Infinite (2017) tem tudo para ser um dos grandes exemplares da música eletrônica deste ano. Basta voltar os ouvidos para músicas como To Say, You Can’t DenyReal Time e toda a sequência de faixas produzidas pelo artista nos últimos meses para perceber a força do primeiro grande álbum do produtor canadense. Um acúmulo de experiências que passa por obras como On Your Side (2013) e Ready EP (2012), e que acaba explodindo na recém-lançada True.

Quarto e mais recente single de Feel Infinite, a canção produzida em parceria com o cantor e produtor Tom Krell mostra a capacidade de Greene em misturar diferentes estilo de forma provocante. Batidas, vozes sampleadas, sintetizadores sujos e a voz característica do convidado, tão intenso que nem parece vindo do mediano Care (2016), último álbum de estúdio do How To Dress Well. Um verdadeiro aperitivo antes do prato principal.

Feel Infinite (2017) será lançado no dia 10/03 via LuckyMe.

 

Jacques Greene – True (ft. How To Dress Well)

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Em um intervalo de apenas cinco anos, Abel Tesfaye se transformou em um gigante da música Pop/R&B. Da apresentação com três obras de peso para o gênero – House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence –, passando pela entrada em uma grande gravadora com Kiss Land (2013), até alcançar o sucesso em Beauty Behind the Madness (2015), cada registro apresentado pelo cantor, compositor e produtor canadense se revela como a passagem para um mundo de sonhos, medos, delírios e declarações de amor. Uma discografia marcada pelos sentimentos.

Com a passagem do The Weeknd pelo Lollapalooza Brasil 2017 – edição que ainda conta com nomes como The XX, The Strokes, MØ e Tegan and Sara –, aproveitamos para organizar toda a obra do artista canadense em mais uma edição do Cozinhando Discografias. Da estreia com House of Balloons (2011), ao último álbum de estúdio, Starboy (2016), classificamos cada um dos registros do pior para o melhor lançamento.

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Artista: Vagabon
Gênero: Indie Rock, Alternativo, Indie Pop
Acesse: https://vagabon.bandcamp.com/

 

 

Torres com o experimental Sprinter (2015), Sadie Dupuis e os parceiros do Speedy Ortiz na dobradinha Major Arcana (2013) e Foil Deer (2015), Waxahatchee e as canções do referencial Cerulean Salt (2013), Frankie Cosmos no ainda recente Next Thing (2016). Basta uma rápida pesquisa para perceber como a mesma sonoridade explorada há mais de duas décadas na cena alternativa dos Estados Unidos continua a reverberar de forma explícita no trabalho de diferentes artistas.

Uma reciclagem sonora e estética que se revela de forma parcialmente renovada dentro do primeiro trabalho da cantora e multi-instrumentista Lætitia Tamko. Mesmo inspirada pelo som produzido por veteranos como Modest Mouse, Liz Phair e Built To Spill, a artista original de Nova York faz do recém-lançado Infinite Worlds (2017, Father/Daughter), álbum de estreia como Vagabon, um experimento controlado, curioso. Uma obra que muda de direção a todo instante.

Embora cercada por um time de instrumentistas, é Tamko que produz e grava grande parte do material. Do som climático que escapa das guitarras em Cold Apartment, ao ritmo eufórico da bateria em Minneapolis, cada fragmento do presente registro se projeta de acordo com as orientações da musicista. Vem daí a necessidade de transformar cada faixa em um objeto isolado, como um registro independente, ora íntimo do R&B de Erykah Badu, vide Fear & Force, ora consumido pelos ruídos, caso de 100 Years.

Interessante perceber na composição sensível dos versos uma forte aproximação entre grande parte das faixas. “Eu me sinto tão pequena / Meus pés mal tocam o chão / No ônibus, onde todo mundo é alto … Corra e diga a todos que Lætitia é / É apenas um pequeno peixe”, canta em The Embers, música de abertura do disco e um perfeito indicativo da poesia particular, sempre intimista, que se espalha com naturalidade ao longo da obra.

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Mesmo com 23 (!) composições lançada na versão original do extenso Drank (2017), Stephen Bruner acabou reservando algumas surpresas para as diferentes edições do novo álbum como Thundercat ao redor do mundo. É o caso de Hi, música gravada em parceria com o rapper Mac Miller, porém, reservada apenas para a distribuição do trabalho lançado pelo músico no Japão. Um pequeno acréscimo dentro do mar de canções que passeiam pelo soul, funk, hip-hop, jazz e rock psicodélico.

Naturalmente íntima do material apresentado há poucos dias por Bruner, Hi encontra na lenta composição dos elementos uma direção particular. Guitarras experimentais, a linha de baixo suculenta, samples, ruídos e pequenos entalhes atmosféricos. Uma rica paisagem sonora que se espalha de forma a completar os versos lançados pelos dois artistas. Lamentos ora musicados, ora rimados, como se Miller e Thundercat se completassem em estúdio.

 

Thundercat – Hi (feat. Mac Miller)

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Roland Tings não poderia ter pensado em um título melhor para o novo EP de inéditas que vem produzindo há alguns meses: Each Moment A Diamond (2017). Original de Melbourne, na Austrália, porém, residente na cidade de Berlim, o produtor australiano anuncia para o começo de março a chegada de uma nova sequência de músicas inéditas pelo selo Cascine – casa de artistas como Yumi Zouma, Lemonade e Chad Valley.

Parte do novo EP, a dobradinha formada por Higher Ground e Garden Piano resume com naturalidade o som colorido do produtor. De um lado, o R&B-Dance-Tropical da parceria com a cantora Nylo, música que soa como uma criação remodelada do Disclosure. Em Garden Piano, uma obra entregue ao experimento. Pouco mais de seis minutos em que as batidas de Tings dialogam com diferentes fases da música Techno, brincando com a percepção do ouvinte.

Each Moment A Diamond EP (2017) será lançado no dia 10/03 via Cascine

 

Roland Tings – Higher Ground (feat. Nylo)

Roland Tings – Garden Piano

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Artista: Thundercat
Gênero: Neo-Soul, Funk, R&B
Acesse: http://www.brainfeedersite.com/

 

De To Pimp a Butterfly (2015) e Untitled Unmastered (2016) do rapper Kendrick Lamar, passando pelo experimentalismo de The Epic (2015), álbum de estreia do saxofonista Kamasi Washington, até alcançar o trabalho de artistas como Ty Dolla $ign, Kirk Knight e Mac Miller, não são poucos os registros que contaram com a presença e interferência do versátil Stephen Bruner. Uma coleção de faixas que atravessa a obra de Erykah Badu, Vic Mensa, Childish Gambino, Flying Lotus e outros nomes de peso da música negra dos Estados Unidos.

Dono de uma bem-sucedida sequência de obras lançadas sob o título de Thundercat – The Golden Age of Apocalypse (2011), Apocalypse (2013) e The Beyond / Where the Giants Roam (2015) –, o músico californiano chega ao quarto álbum de estúdio brincando com a capacidade de dialogar com diferentes estilos e técnicas. Em Drunk (2017, Brainfeeder), cada uma das 23 faixas do disco se transforma em um objeto de destaque, conduzindo a música de Bruner para dentro de um terreno nunca antes explorado.

Melodias eletrônicas que parecem resgatadas de algum jogo de videogame em Tokyo, o R&B sombrio da psicodélica Inferno ou mesmo o som descompromissado que escapa de Bus In These Streets, música que parece pensada como a abertura de alguma série cômica dos anos 1980. Em um intervalo de 50 minutos, tempo de duração da obra, Bruner e um time seleto de colaboradores passeia pelo álbum de forma sempre curiosa, atenta, resgatando diferentes conceitos e possibilidades sem necessariamente fazer disso o estímulo para um trabalho instável.

Mesmo na estranheza de Drunk e todo o universo de possibilidades que cresce dentro de cada composição, Bruner mantém firme a proximidade entre as faixas. São variações entre o R&B/Soul da década de 1960 e o pop eletrônico que começou a crescer no final dos anos 1970. Uma mistura de ritmos temperada pelo jazz fusion, trilhas sonoras de videogame, viagens de LSD e antigos programas de TV, como se memórias da adolescência do músico servissem de base para a formação do trabalho.

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