Depois de muita expectativa, Calvin Harris decidiu apresentar ao público a tão comentada parceria com Frank Ocean e os integrantes do coletivo Migos. Intitulada Slide, a canção segue o caminho oposto a grande parte dos trabalhos recentes do produtor britânico. Uma solução de batidas, sintetizadores, rimas e vozes exploradas de forma parcialmente contida, como uma versão adaptada, pop, do mesmo som produzido por Ocean no elogiado Blonde – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

Primeira composição do cantor e produtor californiano desde a dobradinha completa com Endless, também de 2016, Slide ainda conta com o suporte do Migos, coletivo responsável por um dos grandes discos de rap deste ano, Culture (2017). Mesmo com o último álbum de estúdio lançado em 2014, Motion, Calvin Harris segue com uma rica produção de faixas. Entre os destaques mais recentes, This Is What You Came For, com Rihanna e Hype, parceria com o rapper inglês Dizzee Rascal.

 

Calvin Harris – Slide (Feat. Frank Ocean & Migos)

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Responsável por uma das melhores músicas da presente década, Bassically, a cantora e produtora Valerie Teicher anuncia a chegada do primeiro álbum como Tei Shi. Intitulado Crawl Space (2017), o registro deve ampliar ainda mais o som produzido pela artista nova-iorquina, reforçando o diálogo entre a música pop, o R&B e pequenos experimentos que há tempos acompanham o trabalho da musicista, em constante transformação dentro das inéditas Keep RunningHow Far.

Enquanto a primeira composição reflete o interesse de Teicher pela produção de um som cada vez mais próximo do grande público, detalhando versos e arranjos que dançam na cabeça do ouvinte, How For segue o caminho oposto. É necessário tempo até ser arrastado para dentro da composição. Um ato lento, deliciosamente provocante, como uma versão orgânica do mesmo R&B-Eletrônico produzido por FKA Twigs, Lydia Ainsworth outros nomes próximos.

Crawl Space (2017) será lançado no dia 31/03 via Downtown/Interscope.

 

Tei Shi – Keep Running

 

Tei Shi – How Far

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Stephen Bruner precisou apenas da inédita Show You The Way, uma parceria com os cantores Michael McDonald e Kenny Loggins, dois ícones do Soft Rock da década de 1970, para resumir o som produzido em Drunk (2017). Terceiro e mais recente álbum do músico norte-americano, o sucessor do mini-disco The Beyond / Where the Giants Roam, de 2015, indica a busca do músico por um som claramente ancorado no soul-funk-R&B dos anos 1960/1970, base de toda a discografia do Thundercat.

Em Friend Zone, novo lançamento do músico, um som marcado pela riqueza dos detalhes e versos “cômicos”. São melodias, batidas e vozes que parecem saídas de algum clássico da música dance. Uma avalanche de sintetizadores que serve de base para a curiosa letra da canção, do primeiro ao último instante marcada por um relacionamento fracassado e referências ao universo dos video games – como Diablo e Mortal Kombat.

Drunk (2017) será lançado no dia 24/02 via Brainfeeder.

 

Thundercat – Friend Zone

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Cada novo clipe de Sevdaliza se transforma em um objeto de destaque. Foi assim com o provocante vídeo de Human – um dos Melhores Clipes de 2016 –, That Other Girl e qualquer outro registro produzido pela artista iraniana/alemã. Em Amandine Insensible, mais recente criação da cantora e produtora, um novo e delicado exercício criativo. Flutuando em um fundo branco, a artista se transforma nas diferentes mulheres ao redor do globo.

São executivas, modelos, atendentes de telemarketing, sedutoras ou apenas interessadas em malhar o próprio corpo. Personagens reais, retratadas em diversos bancos de imagens, mas que surgem à medida que Sevdaliza amplia o discurso da canção, detalhando o cotidiano de diferentes personagens diariamente subjugadas em uma sociedade machista. A canção faz parte do aguardado ISON (2017), primeiro álbum de estúdio da cantora.

 

Sevdaliza – Amandine Insensible

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Bastou ao The XX o primeiro álbum de estúdio para que a banda londrina fosse capaz de conquistar uma posição de destaque dentro da cena alternativa. Brincando com as referências e diferentes aspectos da música pop – como o Soul dos anos 1970 e o R&B da década de 1990 –, cada novo registro de inéditas do grupo formado por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith joga com a emoção do público, se perdendo em meio a versos essencialmente dolorosos e intimistas.

Depois de flertar com a eletrônica e o Dream Pop em Coexist (2012), o trio abraça um som ainda mais pop dentro do terceiro e mais recente álbum de estúdio: I See You (2017). O registro é a base de uma extensa turnê que a banda vem promovendo ao redor do globo, reservando uma apresentação para o dia 25 de março em mais uma edição do Lollapalooza Brasil. Aproveitando a passagem do The XX pelo país, preparamos uma seleção com 10 músicas essenciais da banda.

Nos comentários, conta pra gente: qual é a sua música favorita do trio britânico?

 

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Artista: Syd
Gênero: R&B, Soul, Hip-Hop
Acesse: https://www.internetsyd.com/

 

Com três obras de peso nas mãos — Purple Naked Ladies (2011), Feel Good (2013) e Ego Death (2015) —, os integrantes do grupo The Internet não demoraram a conquistar um lugar de destaque na presente cena do R&B/Soul norte-americano. Um dos braços do coletivo Odd Future —o mesmo de Tyler The Crator, Earl Sweatshirt e Frank Ocean —, o quinteto de Los Angeles temporariamente se fragmenta para que cada integrante do projeto possa atuar em um diferente registro em carreira solo, ponto de partida para a construção do primeiro disco autoral da vocalista Syd.

Intitulado Fin (2017, Columbia), o trabalho de 12 faixas é uma passagem direta para o R&B produzido no final da década de 1990. Um jogo de batidas lentas, bases e versos provocantes, sempre sedutores, lançados de forma a enfeitiçar o ouvinte. Medos, declarações de amor e um fino toque de sexualidade que atravessa a obra de artistas como Aaliyah e TLC para dialogar de forma explícita com a o mesmo som produzido por Kelela, Tinashe e outras representantes recentes do gênero.

Parte dessa complexa estrutura musical sobrevive no esforço coletivo do reduzido time de produtores que acompanham Syd durante toda a formação da obra. Em All About Me e Dollar Bills, o pulso firme do parceiro de banda Steve Lacy. Na inaugural Shake Em Off, o tempero pop de Hit-Boy, produtor que já trabalhou ao lado de Beyoncé e Kanye West. Parceiro de Kendrick Lamar, Rahki garante o fechamento ideal para o disco em Insecurities. Surgem ainda músicas como No Complaints e Nothin to Somethin, faixas escritas e produzidas pela própria artista, reforçando o aspecto intimista da obra.

Centrado no cotidiano da cantora, Fin delicadamente mergulha em um universo marcado por diferentes personagens, cenas e acontecimentos que influenciaram a vida de Syd. “Cuide da família que veio com você / Fizemos tudo isso até agora e foi incrível / Pessoas se afogando ao meu redor / Apenas mantenha minha equipe ao meu redor”, canta em All About Me, um retrato intimista (e ao mesmo tempo turbulento) sobre a fama, relacionamentos complexos, família e amigos, como uma tradução detalhada da presente fase da artista.

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O conceito eletrônico assumido em The Road parece ser a base do novo álbum da cantora e produtora canadense Lydia Ainsworth. Lançada em janeiro deste ano, a faixa de abertura de Darling Of The Afterglow (2017) mostra a busca da artista de Toronto por um som marcado por ambientações atmosféricas e pequenos diálogos com o R&B, sonoridade reforçada nas batidas e vozes da provocativa Afterglow.

Sem necessariamente perder a própria identidade, Ainsworth abraça diversos conceitos originalmente incorporados por artistas como Björk, The Knife e, mais recentemente, FKA Twigs. São bases eletrônicas que se completam com a lenta inserção de um coro de vozes e outros elementos complementares, como batidas, sintetizadores e pequenas pinceladas instrumentais. Uma fuga do som anteriormente testado pela artista em Right from Real, de 2014.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Afterglow

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Artista: Sampha
Gênero: R&B, Soul, Alternativo
Acesse: http://sampha.com/

 

Do verso sampleado em Too Much, colaboração com Drake no álbum Nothing Was the Same (2013), passando pela temática racial de Don’t Touch My Hair, parceria com a cantora Solange em A Seat at the Table (2016), poucos artistas se mostraram tão ativos nos últimos anos quanto o britânico Sampha. Em um intervalo de meia década, uma seleção de faixas ao lado de Kanye West, Frank Ocean, Jessie Ware, SBTRKT e Lil Silva, isso sem mencionar dois ótimos EPs — Sundanza (2010) e Dual (2013) —, e toda uma variedade de composições produzidas de forma independente.

Com todo esse repertório e vasta experiência, difícil encarar o recém-lançado Process (2017, Young Turks) como um típico álbum de estreia. Da abertura do disco, em Plastic 100°C, passando por músicas já conhecidas, caso de Blood On Me e (No One Knows Me) Like the Piano, cada segundo do presente trabalho se projeta como uma verdadeira confirmação. Em um intervalo de 40 minutos, Sampha e um time reduzido de colaboradores parecem jogar com os versos e sentimentos, reescrevendo diferentes aspectos do Soul/R&B produzido em território britânico.

Assim como nos últimos dois EPs, Sampha faz de cada composição um fragmento pessoal, sempre intimista. Produzido em parceria com Rodaidh McDonald — produtor escocês que já trabalhou ao lado de artistas como The XX, How To Dress Well e Adele —, o trabalho de dez ser faixas espalha em meio a versos dolorosos, conceito escancarado em músicas como Under (“Eu continuo a nadar nesses olhos”) e Incomplete Kisses (“Não me abandone aqui”). Memórias, tormentos e sussurros românticos que arrastam o ouvinte para dentro de um território consumido em essência pela dor.

Quarta música do disco, (No One Knows Me) Like the Piano sintetiza com naturalidade o aspecto melancólico da obra. Trata-se de um retrato amargo do período em que a mãe do cantor enfrentou um câncer. O mesmo conceito intimista se reflete em What Shouldn’t I Be?, canção marcada por diferentes acontecimentos envolvendo membros da família do cantor — “Eu deveria visitar meu irmão”. Em Blood On Me, faixa mais intensa do disco, um tema ainda mais complexo, pessoal. Entre batidas e versos fortes, a literal descrição de um pesadelo — “Eu juro que eles cheiram o sangue em mim / Eu os ouço vindo para mim”.

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Artista: Kehlani
Gênero: R&B, Pop, Soul
Acesse: http://kehlanimusic.com/sweetsexysavage/

 

SweetSexySavage. Kehlani não poderia ter pensado em um título melhor para o primeiro álbum de estúdio. Produzido em um intervalo de quase dois anos, o sucessor da mixtape You Should Be Here, de 2015, indica um claro amadurecimento em relação ao trabalho produzido pela cantora norte-americana. Batidas e versos que se dividem entre a sexualidade, o romantismo doentio e instantes de profunda melancolia, fazendo do disco um curioso passeio pela mente e conflitos da própria artista.

Claramente influenciado pelo período de recuperação da cantora — em meados de 2016, Kehlani foi internada após uma tentativa de suicídio —, SweetSexySavage abre em meio a um pedido de desculpas da cantora (“Meus pêsames a quem me perdeu”) e até citações religiosas (“Sinto muito por você ter perdido o Deus em mim”). Fragmentos da alma atormentada da artista, sempre honesta e sensível em cada uma das 17 composições que preenchem o disco.

Longe de parecer um registro sufocado pelo caos que tomou conta da vida de Kehlani nos últimos meses, a estreia da cantora encanta pelo cuidado na produção e força dos versos. O romantismo exagerado em Undercover (“De um jeito ou de outro eu vou amar você”), conflitos amorosos em Distraction (“Eu preciso que você não queira pertencer a mim”), a força dos próprios sentimentos exaltados em CRZY (“Tudo o que faço, faço com paixão”).

Assim como nas canções de You Should Be Here, Kehlani é a grande protagonista da própria obra. Entre poemas marcados por temas intimistas, a cantora acaba estreitando a relação com o ouvinte, convidado a reviver musicalmente diversas experiências sentimentais da artista. Um bom exemplo disso está em Do U Dirty, composição que se perde em meio a delírios e conflitos recentes da cantora, ou mesmo In My Feelings, música que explode em meio a versos marcados por um relacionamento obsessivo.

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Dev Heynes não perde tempo. Poucos meses após o lançamento de Freetown Sound, último álbum do Blood Orange e 1º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016, o cantor, compositor e produtor britânico já está de volta com um novo projeto. Em parceria com Bryndon Cook, responsável pelo Starchild & The New Romantic, Heynes anuncia a inédita Hymn, primeira composição do projeto VeilHymn.

Com um pé no R&B dos anos 1990, Heynes e Cook finalizam uma canção que parece saída de algum álbum esquecido do Boyz II Men ou outro coletivo do gênero. Um misto de romantismo e melancolia, conceito explorado em grande parte da discografia do músico britânico, porém, refinado pelo jogo de vozes e arranjos contidos que se espalham no decorrer da faixa.

 

VeilHymn – Hymn

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