Artista: Bonobo
Gênero: Eletrônica, Downtempo, Alternativo
Acesse: http://www.bonobomusic.com/

 

Em 2013, poucos meses após o lançamento do mediano The North Borders, Simon Green foi convidado a assinar a nova edição da coletânea Late Night Tales. No repertório comandado pelo produtor inglês, uma verdadeiro mosaico de ideias. Entre composições “inéditas” – caso do cover de Get Thy Bearings –, a delicada adaptação do trabalho produzido por Nina Simone (Baltimore), BADBADNOTGOOD (Hedron), Shlohmo (Places) e até trechos de um poema declamado pelo ator Benedict Cumberbatch.

Sexto registro de inéditas do artista de Brighton, Migration (2017, Ninja Tine) não apenas preserva a essência versátil do trabalho lançado há três anos, como revela ao público um dos registros mais complexos de toda a trajetória do músico britânico. Com um pé na cena eletrônica do final da década de 1990, e outro no presente cenário, Green finaliza uma obra detalhada pelo uso de melodias hipnóticas, batidas e vozes orquestradas como um precioso instrumento.

Inaugurado pela sutileza eletrônica da faixa-título do disco, Migration se revela por completo logo nos primeiros minutos. Melodias sintéticas, vozes psicodélicas e pianos que encantam e crescem com maior naturalidade na melancolia de Break Apart, segunda música do trabalho e um bem-sucedido encontro do produtor com a dupla Rhye. O mesmo cuidado se reflete na extensa Outlair, terceira faixa do disco e uma espécie de resgate da IDM melódica produzida por Aphex Twin no final dos anos 1990.

Quarta faixa do disco, a instável Grains revela o lado mais experimental do trabalho. Instantes em que as batidas produzidas por Green apontam para todas as direções, revelando um som propositadamente torto, provocante. Curioso perceber em Second Sun, apresentada logo em sequência, uma completa fuga desse mesmo resultado. São arranjos orquestrais, pianos e entalhes eletrônicos que parecem pensados como a música de encerramento de algum filme ou série romântica.

Continue Reading "Resenha: “Migration”, Bonobo"

Artista: The XX
Gênero: Indie, Eletrônica, R&B
Acesse: http://thexx.info/

 

Dizem que estamos em perigo / Mas eu discordo … Você teve fé em mim / Eu não vou fugir / Se tudo desmoronar / Você terá sido o meu erro favorito”. Ainda que a incerteza de um novo amor sirva de base para a inaugural Dangerous, difícil ouvir o dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim e não perceber na canção um paralelo com a presente fase do The XX. Longe da zona de conforto que marca os dois primeiros discos da banda – xx (2009) e Coexist (2012) –, I See You (2017, Young Turks) encanta pela busca declarada do trio, completo com o produtor Jamie XX, em provar de novas sonoridades.

Embora íntimo do mesmo universo de referências que marcam a curta discografia da banda, como o R&B dos anos 1990 e o soul produzido na década de 1970, I See You detalha o esforço do trio em sutilmente distorcer o conceito minimalista apresentado no primeiro disco de inéditas. Em um diálogo explícito com a música pop, músicas como Lips (“Apenas o seu amor / Apenas os seus lábios”) e Say Something Loving (“Eu preciso lembrar / O sentimento escapa de mim”) se projetam como hits em potencial, aproximando o trio de um som comercial, essencialmente radiofônico.

Longe do isolamento claustrofóbico que move faixas como Crystalised, Angels e Islands, parte expressiva das canções no presente álbum encantam pela grandeza. Difícil não ser arrastado pelas guitarras e batidas eletrônicas de On Hold, composição que utiliza de samples da música I Can’t Go for That (No Can Do), faixa originalmente gravada em 1981 pela dupla Hall & Oates. O mesmo detalhamento se reflete com naturalidade logo na música de abertura do disco, efeito do som empoeirado dos metais que cobrem Dangerous durante toda sua execução.

Mesmo produzido em parceria com Rodaidh McDonald, produtor escocês que já trabalhou ao lado de artistas como Adele, King Krule e How To Dress Well, difícil não pensar I See You como uma extensão do projeto solo de Jamie XX. Do uso inusitado de samples, como Do You Feel It?, da dupla Alessi Brothers, passando pela interferência de elementos eletrônicos em On Hold e Replica – uma das melhores canções do disco –, faixa após faixa, Jamie faz do presente disco uma adaptação contida do material apresentado em In Colour (2015), estreia solo do produtor. Músicas que partem da mesma ambientação testada pelo artista em Loud Places, faixa assinada em parceria com Croft.

Continue Reading "Resenha: “I See You”, The XX"

Artista: Jude
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://soundcloud.com/jude-banda

 

Não faltam registros inspirados na boa safra do rock psicodélico produzido entre o final dos anos 1960 e começo da década de 1970. Trabalhos ancorados de forma explícita na obra de veteranos da música nacional – como Os Mutantes e Clube da Esquina –, ou mesmo gigantes da cena estrangeira – principalmente The Beatles e Pink Floyd. Todavia, poucos são os registros capazes de ir além da mera reciclagem de conceitos, sufocando pela completa ausência de identidade.

Prazeroso encontrar em Ainda Que de Ouro e Metais (2016, Crooked Tree Records), álbum de estreia do grupo alagoano Jude, uma seleção de músicas que vão além do empoeirado resgate de velhas ideias e melodias. Dividido com naturalidade entre a nostalgia e o frescor dos arranjos, o trabalho entregue ao público em dezembro do último ano confirma o esmero e verdadeira entrega do trio Reuel Albuquerque (guitarras, violão, baixo, teclados, programações, bateria e vocais) Fernando Brasileiro (vocais e violão) Alex Moreira (baixo e violão) em estúdio.

A cada nova composição, um precioso diálogo com o passado. Entre falsetes e arranjos descomplicados, a homônima música de abertura do disco orienta a direção seguido pela trinca de Maceió. Guitarras, pianos e batidas que se espalham de maneira sutil, detalhando um colorido pano de fundo para o canto melódico da faixa, por vezes íntima do clássico Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. O mesmo cuidado se repete ainda na divertida Vá Ser Feliz Como o Arnaldo Baptista, faixa assinada em parceria com o músico João Paulo, vocalista e líder da conterrânea Mopho.

Por falar no trabalho da Mopho, sobrevive em Ainda Que de Ouro e Metais parte da essência lisérgica e grande parte das referências que abasteceram a curta discografia da banda alagoana. Difícil ouvir músicas como Gigante de Aço e Com Olhos Serenos e não lembrar de obras como Volume 3 (2011) ou o homônimo registro de estreia do grupo – 56º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000. A mesma ambientação psicodélica, louca. Arranjos e vozes que analisam o passado de forma curiosa, porém, mantendo firme os dois pés no presente.

Continue Reading "Resenha: “Ainda Que de Ouro e Metais”, Jude"

Artista: David Bowie
Gênero: Rock, Alternativo, Art Rock
Acesse: http://legacy.davidbowie.com/

 

Repleta de alusões à morte, a poesia metafórica de Lazarus, música originalmente lançada como parte do derradeiro Blackstar (2016), último álbum solo de David Bowie, indica a direção seguida no póstumo No Plan EP (2017, Columbia / Sony). Produzido a partir de fragmentos do último registro de inéditas do cantor e compositor britânico, falecido em janeiro do último ano, o trabalho de apenas quatro faixas, três delas inéditas, mantém firme a mesma identidade do som produzido para o capítulo final do artista.

Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico inglês, o trabalho que se apresenta ao público com a extensa Lazarus lentamente abre passagem para os arranjos minuciosos da inédita No Plan, faixa-título do EP. São pouco mais de três minutos em que a voz de Bowie se espalha em meio ao saxofone denso de Donny McCaslin e sintetizadores de Jason Lindner, ambos colaboradores em grande parte das canções lançadas em Blackstar.

Rompendo com a leveza contida na faixa-título, surgem as guitarras de Killing a Little Time, terceira canção do EP. Originalmente apresentada ao público em outubro do último ano, a música dominada pelo ritmo frenético das batidas e vozes talvez seja o registro mais intenso de Bowie desde o material apresentado ao público no álbum The Next Day, de 2013. Instantes em que as guitarras de Ben Monder esbarram no saxofone de McCaslin, resultando em uma composição instável, torta.

Curioso encontrar na confessional When I Met You uma parcial fuga desse mesmo resultado. Livre do jazz-rock que movimenta grande parte do registro, a faixa de encerramento do EP parece dialogar de forma explícita com o passado. Entre guitarras compactas e vozes duplicadas, Bowie passeia pelo mesmo som testado em obras como “Heroes” (1977). Um som decidido, firme, porém, claramente inferior quando observamos o cuidado e a rica produção que marca o restante da obra.

Continue Reading "Resenha: “No Plan”, David Bowie"

Artista: De Repente, Vivo
Gênero: Pós-Rock, Experimental, Indie
Acesse: https://www.facebook.com/derepentevivo/

 

Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música é um trabalho precioso. Do momento em que tem início O Idealista, faixa de abertura do disco, cada fragmento da música produzida pelo cantor, compositor e multi-instrumentista gaúcho Juliano Lacerda se projeta de forma a confortar o ouvinte. Ambientações sutis, guitarras etéreas, sempre minimalistas, ponto de partida para a construção de cada uma das composições que recheiam o primeiro grande registro do projeto De Repente, Vivo.

Produto do isolamento do músico gaúcho, responsável pelos instrumentos, vozes e mixagem do trabalho, o registro de oito faixas revela um claro amadurecimento em relação ao EP de cinco faixas apresentado por Lacerda em 2015. Livre do parcial experimento e ziguezaguear de ideias que marcam o curto registro, cada canção do presente álbum serve de estímulo para a música seguinte, resultando na construção de um álbum homogêneo, mesmo rico em detalhes e possibilidades.

Entre temas acústicos e sobreposições eletrônicas, sempre próximas da música ambiental, Idealizações e Contratempos… encanta pela fluidez tímida e hipnótica dos arranjos. Ainda que a faixa de abertura do disco estreite a relação com o trabalho do Explosions in the Sky e outros representantes de peso do pós-rock, à medida que o álbum avança, novos ritmos e temas instrumentais escapam do som produzido por Lacerda, revelando a identidade do trabalho.

Um bom exemplo disso está na segunda faixa do disco, Se o Sol Não Nos Deixar. Em um intervalo de quase seis minutos, o músico gaúcho detalha uma fina tapeçaria eletrônica, pano de fundo para a inclusão de vozes sintéticas, uma espécie de novo instrumento nas mãos do artista. O mesmo cuidado se reflete ainda em Ecos Em Curto-circuito, quarta faixa do disco. Um jogo de melodias eletrônicas, naturalmente íntimas do trabalho produzido por artistas como Brian Eno, influência confessa de Lacerda.

Continue Reading "Resenha: “Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música”, De Repente, Vivo"

Artista: Run The Jewels
Gênero: Hip-Hop, Rap, Alternativo
Acesse: https://runthejewels.com/

 

O ritmo frenético imposto em Talk To Me parece ser a chave para entender o som produzido em Run The Jewels 3 (2016, Mass Appeal / RED). Originalmente lançada como parte da coletânea Adult Swim Singles, em outubro do último ano, a composição lentamente aponta a direção seguida pelos parceiros El-P e Killer Mike em grande parte do presente registro. Uma extensão segura da mesma poesia política/ácida aprimorado pela dupla durante a construção do elogiado Run the Jewels 2 (2014).

Previsto para janeiro de 2017, porém, lançado de surpresa no último dia 24 de dezembro, véspera de Natal, RTJ3 mostra que a dupla norte-americana continua tão explosiva (e crítica) quanto nos dois primeiros registros de inédita. Ambientado em um cenário político que se despede de Barack Obama, cada faixa do registro se projeta de forma a detalhar diferentes cenas do cotidiano estadunidense, esbarrando com naturalidade em temas como racismo, violência e sexo.

Doctors of death / Curing our patients of breath / We are the pain you can trust / Crooked at workDelivered some hurt and despair / Used to have powder to push / Now I smoke pounds of the kush Holy, / I’m burnin’ a bush”, explode a letra de Legend Has It, uma perfeita síntese da poesia versátil e permanente uso de autorreferências durante toda a construção do trabalho. Versos que se dividem com naturalidade entre o bom humor, a raiva e a rima política, sempre provocativa.

A mesma intensidade presente nos versos se reflete na composição das batidas e bases durante toda a construção do trabalho. Seguindo de onde parou em Close Your Eyes (And Count to Fuck), parceria com Zack de la Rocha no álbum de 2014, El-P finaliza um registro intenso, marcado pela sobreposição frenética das batidas, samples e sintetizadores. Um bom exemplo disso está em Panther Like a Panther (Miracle Mix), música que faz das batidas e detalhes eletrônicos um estímulo para as rimas.

Continue Reading "Resenha: “Run The Jewels 3”, Run The Jewels"

Artista: Brian Eno
Gênero: Experimental, Ambient Music, Eletrônica
Acesse: http://www.brian-eno.net/

 

Em maio de 2016, Jeremy Allen, do site FACT Magazine, escreveu uma curiosa análise sobre o lançamento de obras cada vez mais extensas. Um possível reflexo das novas regras propostas por diferentes serviços de streaming – caso de Spotify e Apple Music. Trabalhos como The Colour in Anything, de James Blake, e Views, do rapper Drake que se perdem em meio a um número excessivo de composições, muitas delas desnecessárias, produzidas apenas para aumentar a renda captada em torno do registro.

Na contramão desse “movimento”, o britânico Brian Eno apresenta o atmosférico Reflection (2017, Warp). Entregue ao público poucos meses após o lançamento do elogiado The Ship (2016), obra marcada pela experimentação e uso atípico da voz dentro dos trabalhos do produtor, o novo disco segue a trilha de obras recentes como Lux (2012), fazendo da lenta sobreposição das melodias e temas eletrônicos a base da extensa (e única) composição do disco.

Longe de parecer uma novidade dentro da discografia de Eno, o trabalho de exatos 54 minutos de duração parece seguir a trilha de outro experimento produzido pelo artista em meados da década de 1980, Thursday Afternoon. Trata-se de uma peça única, 60 minutos de duração, uma versão reduzida da trilha sonora produzida para um vídeo que registra a montagem de sete telas da artista Christine Alicino, amiga de longa data do músico inglês.

Reflection, como o próprio título indica, estabelece um precioso de diálogo musical com os antigos trabalhos de Eno. Uma delicada reciclagem de conceitos e temas minimalistas, como se fragmentos de velhos registros produzidos pelo veterano fossem cuidadosamente resgatados e espalhados de forma sutil durante toda a construção do álbum. Um novo e, ao mesmo tempo, nostálgico capítulo dentro da extensa seleção de obras ambientais produzidas por Eno.

Continue Reading "Resenha: “Reflection”, Brian Eno"

Artista: Mano Brown
Gênero: Hip-Hop, Soul, Funk
Acesse: https://www.facebook.com/manobrown/

 

Quem conhece um pouco da história dos Racionais MC’s sabe do peso da música negra produzida nos anos 1970 para formação do quarteto paulistano. Veteranos como Jorge Ben Jor, Tony Tornado e, principalmente, Tim Maia – vem do clássico Tim Maia Racional, Vol. 1 (1975) a inspiração para o nome do coletivo. Um time de artistas que acabou contribuindo para o fortalecimento das rimas e bases que há mais de duas décadas servem de estímulo para o grupo. Um permanente diálogo com o passado que cresce de forma autoral no primeiro álbum de Mano Brown em carreira solo.

Dividido entre leveza do soul, o groove e as rimas, o quente Boogie Naipe (2016) flutua de maneira nostálgica entre o som produzido há mais de quatro décadas e presente cenário. Um resgate da rica produção musical, personagens, ritmos e fórmulas instrumentais que ultrapassa o território brasileiro e esbarra com naturalidade na recente articulação da música negra dos Estados Unidos. Vozes, batidas e arranjos que funcionam como um estímulo para o ouvinte.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o registro de 22 faixas encontra no uso de versos descritivos um precioso componente de atuação. São fragmentos da noite paulistana (Boa Noite São Paulo), mulheres poderosas (Mulher Elétrica), memórias (Foi Num Baile Black) e desilusões amorosas (Mal de Amor). Mais do que uma coleção de músicas isoladas, uma espécie de ponto de encontro conceitual, atmosférico, uma casa noturna como anuncia o convidado Wilson Simoninha logo nos primeiros segundos de Sinta-se Bem Com Boogie Naipe.

Com produção assumida pelo cantor e produtor musical Lino Krizz, um dos responsáveis pelo clássico Senhorita e dono da voz em grande parte das canções do presente disco, Boogie Naipe é uma obra que investe no coletivo. Mesmo com o nome estampado na capa do disco, Brown está longe de ser o “protagonista” do trabalho, trata-se apenas de um elemento de conexão. No interior do álbum, nomes como Seu Jorge, destaque na dobradinha Louis Lane e Dance, Dance, Dance, Hyldon, Ellen Oléria, Max de Castro e o norte-americano Leon Ware, parceiro de gigantes como Quincy Jones e Marvin Gaye.

Continue Reading "Resenha: “Boogie Naipe”, Mano Brown"

Artista: Diana
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Indie Pop
Acesse: https://soundcloud.com/dianasound

 

O passado ronda as canções do grupo canadense Diana. Em Familiar Touch (2016, Independente), segundo álbum de inéditas do trio de Toronto, todos os elementos testados no inaugural Perpetual Surrender (2013) são delicadamente resgatados e espalhados ao longo do trabalho. Uma nostálgica viagem em direção ao pop dos anos 1980 e começo da década de 1990, conceito explícito em cada uma das composições que abastecem o presente registro.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o trabalho de apenas dez faixas reflete o claro amadurecimento de cada integrante da banda. Um esforço coletivo que passa pela voz melancólica de Carmen Elle e chega até os instrumentos assumidos de forma coesa pelos parceiros de banda Joseph Shabason e Kieran Adams. Um precioso exercício de visitar o passado sem necessariamente fazer disso uma clara repetição de ideias e conceitos.

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Confessions resume na programação eletrônica e sintetizadores caricatos a base de grande parte do registro. Enquanto os versos da canção se perdem em meio a declarações intimistas da vocalista – “Você mordeu sua língua / E o gosto que ele deixou em sua boca” –, musicalmente, a canção cresce, assume diferentes tonalidades e acaba apontando a direção seguida pelo grupo até a derradeira Take It Over.

Em Slipping Away, terceira faixa do disco, um instante de pura renovação. Ao mesmo tempo em que a essência “oitentista” do grupo se projeta ao fundo da canção, batidas e vozes íntimas do R&B/Soul indicam a busca do trio por uma nova sonoridade. O mesmo cuidado acaba se refletindo em Miharu, música que flutua em meio a vozes declamadas e arranjos sedutores, como se o trio resgatasse uma série de elementos típicos da música pop no começo dos anos 1990.

Continue Reading "Resenha: “Familiar Touch”, Diana"

Artista: Vários Artistas
Gênero: Pop, Eletrônica, Alternativo
Acesse: http://pcmusic.info/

 

Ouvir as canções do coletivo PC Music é como ser instantaneamente transportado para o passado. Vozes plastificadas, por vezes robóticas, melodias que vão do pop dos anos 1990 ao som produzido por gigantes da Eurodisco. Batidas pulsantes, sempre crescentes, prontas para as pistas. Uma coleção de pequenos exageros, clichês, cores e rimas fáceis que invadem a cabeça do ouvinte, grudando com naturalidade logo em uma primeira audição.

Em PC Music, Vol. 2 (2016), segundo registro da coletânea organizada pelo selo britânico, um novo resgate do material produzido por diferentes membros do coletivo nos últimos meses. Sucessor do bem-recebido catálogo entregue em 2015, obra que contou com músicas assinadas por Hannah Diamond, QT e GFOTY, o novo álbum cresce em meio a canções que brindam o ouvinte com uma interpretação esquizofrênica do pop tradicional.

Personagem central do trabalho, a cantora e produtora Hannah Diamond é quem “dita as regras” seguidas pelos demais parceiros de selo. Responsável por duas das melhores canções do disco, Fade Away e Hi, a artista britânica acaba assumindo uma posição de destaque em outras composições ao longo da obra. É o caso de Broken Flowers, música de Danny L Harle que utiliza da voz doce da Diamond, dançando em meio a batidas e sintetizadores enevoados, quase oníricos.

Outro claro destaque do trabalho está na presença de um time de artistas externos ao selo. Ainda que a canadense Carly Rae Jepsen seja o principal nome do álbum, assumindo os versos da já conhecida Supernatural, música produzida por Danny L Harle, sobrevive em Monopoly, parceria entre EasyFUN e a sueca Noonie Bao, uma das principais canções do disco. Sintetizadores frenéticos, vozes carregadas de efeitos e batidas que traduzem com naturalidade a essência da PC Music.

Continue Reading "Resenha: “PC Music, Vol. 2”, Vários Artistas"