Tag Archives: Resenhas

Resenha: “Case/Lang/Veirs”, Case/Lang/Veirs

Artista: Case/Lang/Veirs
Gênero: FolK, Indie, Alt. Country
Acesse: http://caselangveirs.com/

 

O que acontece quando você junta um time de grandes vozes femininas e uma sequência de composições marcadas pela completa melancolia dos versos? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada com naturalidade no interior de Case/Lang/Veirs (2016, ANTI-), primeiro registro em estúdio da parceria entre as cantoras Neko Case, k.d. lang e Laura Veirs e um dos trabalhos mais dolorosos que floresceram na recente safra do cancioneiro norte-americano.

Movido pelos sentimentos e pequenas exposições intimistas de cada colaboradora, o álbum encanta justamente pela pluralidade de ideias que abastecem cada uma das 14 composições do registros. Uma obra que se divide claramente entre as melodias primorosas de Veirs, esbarra nos versos alcoolizados de Case – ainda íntima do material entregue em The Worse Things Get (2013) –, e cresce íntima do grande público, efeito das vocalizações dramáticas, sempre acessíveis da veterana lang.

No decorrer da obra, um catálogo versátil de versos e temas confessionais. Músicas sufocadas pela separação, como em Song for Judee; fragmentos que indicam pequenos sorrisos depois de um longo inverno sentimental, caso de Best Kept Secret, além de composições que mergulham em um oceano de versos angustiados, marca da densa Honey and Smoke. Uma obra que se distancia de possíveis protagonistas, fragmentando as canções em diferentes épocas e histórias isoladas.

Mesmo os arranjos do disco se partem de forma a incorporar diversas fases e tendências musicais. Enquanto Honey and Smoke soa como uma típica canção do começo dos anos 1960, esbarrando no romantismo de Roy Orbinson e outros veteranos da época, em Greens of June, sexta faixa do disco, o trio busca por um som essencialmente delicado, bucólico, bastante similar ao trabalho produzido pela cantora britânica Vashti Bunyan em Lookaftering, de 2005. Continue reading

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Resenha: “The Glowing Man”, Swans

Artista: Swans
Gênero: Experimental, Pós-Rock, Pós-Punk
Acesse: https://www.facebook.com/SwansOfficial/

 

Seis anos após o lançamento de My Father Will Guide Me up a Rope to the Sky (2010), obra que deu fim ao longo hiato que silenciou o Swans na segunda metade dos anos 1990, Michael Gira e o imenso time de colaboradores continuam a surpreender o público em estúdio. Com a chegada de The Glowing Man (2016, Young God / Mute), 14º álbum de inéditas da banda estadunidense, Gira finaliza uma coleção de faixas que delicadamente transportam o ouvinte para dentro de um universo marcado pela violência, isolamento, amor e completa angústia.

Último registro da presente “encarnação” da banda, o álbum que conta com oito canções inéditas e quase duas horas de duração assume um caminho parcialmente distinto em relação aos antecessores The Seer (2012) e To Be Kind (2014). Livre do experimentalismo ruidoso que marca o trabalho lançado há dois anos, ou mesmo das ambientações góticas do álbum de 2012, Gira se concentra na produção de um som essencialmente arrastado, climático e visivelmente apoiado na repetição das vozes e arranjos. Um turbilhão de experiências que inicia de forma acolhedora em Cloud of Forgetting, porém, se encerra de maneira completamente instável na derradeira Finally, Peace.

De essência épica, The Glowing Man trata cada composição como uma espécie de obra completa. Um jogo de vozes e arranjos instrumentais marcados, por vezes cênicos, como se cada ruído tivesse um objetivo específico no interior do disco. “O equivalente musical de Ben-Hur juntamente com Ran, de [Akira] Kurosawa”, comparou Gira em entrevista à Mojo. Ainda que pareça desproporcional a colocação do músico, sobrevive no interior de cada faixa um mundo de histórias, personagens e sentimentos conflitantes que facilmente servem de ponte para a imediata aproximação do ouvinte.

São referências religiosas, como na jazzística The World Looks Red/The World Looks Black – “Follow the Sleeper Man / Follow the Maker Man / Follow the Keeper Man / Follow the Leaver Man” –; canções centradas em personagens, caso da perturbadora Frankie M.; além de composições marcadas pelo uso de referências marcadas pelo ocultismo, drogas e paisagens pós-apocalípticas. Interessante notar como todos esses elementos – referências literárias, poéticas e até versos confessionais – se amarram de forma coesa no interior da obra. Uma versão controlada do mesmo som caótico apresentado em To Be Kind. Continue reading

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Resenha: “Muzik”, Delorean

Artista: Delorean
Gênero: Electronic, Alternative, Dance
Acesse: https://www.facebook.com/dlrean

 

Com o lançamento de Apar, em 2013, os integrantes do Delorean pareciam decididos a explorar um som cada vez mais pop, comercial, como uma nova interpretação da mesma eletrônica autoral explorada nos essenciais Ayrton Senna EP (2009) e Subiza (2010). Entretanto, interessante encontrar no recém-lançado Muzik (2016, Phlex), sexto álbum de estúdio do quarteto espanhol, uma espécie de regresso ao mesmo universo de temas e referências incorporadas há meia década.

Livre de canções pegajosas e possíveis participações – como Caroline Polachek, vocalista do Chairlift e colaboradora de duas composições no álbum entregue há três anos –, Muzik se concentra na ativa relação entre os integrante da banda. Trata-se de uma obra coesa, como se cada faixa servisse de base para a canção seguinte, proposta que se reforça na forte similaridade dos sintetizadores e vozes que flutuam da abertura do disco, em Epic, até a chegada derradeira Parrhesia.

Faixa-título do disco e canção escolhida para anunciar o trabalho há poucos meses, Muzik inicialmente dança em meio a sintetizadores contidos e batidas limpas, porém, cresce lentamente, revelando ao público um segundo ato marcado pelo uso dançante dos arranjos. A mesma estrutura acaba servindo de base para outras canções ao longo da obra. Músicas como a inaugural Epic e Closer que preparam o caminho para uma explosão de sons e cores.

Levemente nostálgico, o registro de nove faixas talvez seja a trabalho em que a herança musical do grupo espanhol se revela com maior naturalidade. Difícil não lembrar da boa fase do New Order em faixas como Both e Push, composições que dialogam diretamente com a música produzida na segunda metade dos anos 1980. Um jogo de sintetizadores pulsantes, levemente embriagado pelas emanações da cena Balearic, outra grande influência dentro dos trabalhos do Delorean. Continue reading

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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades. Continue reading

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Resenha: “Love You to Death”, Tegan and Sara

Artista: Tegan and Sara
Gênero: Indie Pop, Synthpop, Pop
Acesse: http://teganandsara.com/

 

Em 2013, com o lançamento de Heartthrob, as irmãs Tegan e Sara Quin assumiram de vez a busca por um som cada vez mais pop, dançante e íntimo das experiências musicais testadas ao longo de toda a década de 1980. Entre faixas como Closer e I Was a Fool, a explícita desconstrução do material intimista incorporado nos iniciais If It Was You (2002) e So Jealous (2004), conceito que se repete em cada uma das canções do recente Love You to Death (2016, Vapor / Warner Bros).

Oitavo álbum de estúdio da dupla canadense, o registro que conta com produção assinada pelo veterano Greg Kurstin (Lily Allen, Kelly Clarkson) faz de cada fragmento musical um componente pegajoso, acessível aos mais variados públicos. Da abertura do disco, em That Girl, passando por músicas como Stop Desire e Boyfriend – dois dos melhores exemplares da música pop em 2016 –, uma coleção de faixas capazes de “seduzir” em poucos instantes.

A principal diferença em relação ao material entregue há três anos está no completo refinamento dos versos e melodias que preenchem o disco. Ao mesmo tempo em que cada canção se projeta como um típico exemplar da música pop, arrastando o ouvinte para as pistas, Tegan e Sara Quin detalham um mundo de desilusões, medos e confissões sentimentais. Histórias que ultrapassam os limites da vida particular da dupla e acabam dialogando com os mais variados indivíduos.

Você me trata como seu namorado / E confiem em mim como seu melhor amigo / Mas eu não quero mais ser o seu segredo”, desabafa o eu lírico da grudenta Boyfriend, música que explora a tumultuada história de amor de um casal que se relaciona em segredo. Já em Dying To Know, quarta faixa do disco, a dolorosa reflexão de uma personagem que acaba iludida em meio a diversas tentativas de reatar com a ex – “Eu deixei um pouco de luz na escuridão / Causar um apagão dentro do meu coração”. Continue reading

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Resenha: “Arco & Flecha”, Iara Rennó

Artista: Iara Rennó
Gênero: Rock, Alternative, Experimental
Acesse: http://iararenno.com/

 

Três anos após o lançamento de Iara (2013), obra que cobriu com guitarras o trabalho de Iara Rennó, a cantora e compositora paulistana está de volta não com um, mas dois álbuns repletos de composições inéditas. De um lado, a crueza e feminilidade do elétrico Arco, obra de nove canções assumidas em parceria com um time de mulheres que ocupam os versos e instrumentos do trabalho. No outro oposto, o complementar Flecha, disco que abraça a MPB e mostra a colaboração entre Rennó e um grupo de cantores, músicos e compositores em uma sequência de outras nove músicas.

Com Mama-me como faixa de abertura do primeiro disco, Rennó indica a forte sexualidade e temática do empoderamento feminino que ocupa grande parte das composições em Arco. “Sonha que me despe / E a festa acontece / Sem roupa nem confete / Só carne“, canta enquanto as guitarras e um jogo sujo de sintetizadores crescem ao fundo da canção. Uma espécie de preparativo para o agressivo jogo de palavras que abastece músicas como Corpo Selvagem e Vulva Viva, fragmentos extraídos do livro de poemas eróticos Língua Brasa Carne Flor, estreia literária de Rennó, além músicas que dialogam de forma explícita com a sonoridade crua, essencialmente caótica, que abastece o último álbum da cantora.

De fato, a semelhança com o som produzido em Iara é enorme. Do uso pulsante da voz em Instante ao completo descontrole das guitarras em Meus Vãos, instrumento que passeia livremente durante toda a obra, Rennó faz de Arco uma madura continuação do trabalho entregue há três anos. São quase 30 minutos em que a cantora se desdobra na construção dos arranjos e vozes, abrindo espaço para a precisa interferência da dupla Mariá Portugal (bateria/mpc) e Maria Beraldo Bastos (clarone), principais colaboradoras do trabalho e personagens fundamentais para a produção de um som essencialmente cru, urgente, completo oposto do material que detalha as canções do complementar Flecha.

Livre do minimalismo que orienta as canções de Arco, Rennó faz da segunda metade do trabalho – o lado “masculino” -, uma obra marcada pelas texturas e ritmos. Em parceria com a cantora, um time formado por Curumin (bateria, teclado, mpc e produção), Maurício Badé (percussão), Lucas Martins (baixo e violão), Gustavo Cabelo (guitarra), Maurício Fleury (teclados), Daniel Gralha (trompete e fluguelhorn) e Cuca Ferreira (sax barítono). O resultado não poderia ser outro: uma explosão de cores, vozes, texturas e instrumentos. De forma autoral, um curioso regresso ao mesmo universo de referências exploradas nas canções do DonaZica, antigo projeto de Rennó em parceria com Anelis Assumpção e Andréia Dias. Continue reading

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Resenha: “Why Are You OK”, Band of Horses

Artista: Band of Horses
Gênero: Indie, Alternative, Folk
Acesse: http://www.bandofhorses.com/

 

Desde o lançamento de Infinite Arms, em maio de 2010, que Ben Bridwell e os demais integrantes do Band of Horses vêm buscando por um som cada vez mais comercial, íntimo do grande público. O resultado dessa “popularização” da banda de Seattle está no mediano Mirage Rock, de 2012, trabalho em que encerra a parceria com o veterano Phil Ek – colaborador desde o melancólico Everything All the Time (2006) – e reforça de maneira explícita a busca da banda pela construção de faixas cada vez menos complexas, dominadas pelo uso de melodias e versos fáceis.

Em Why Are You OK (2016, Interscope), quinto registro de inéditas do grupo norte-americano, o nascimento de uma obra marcada pelo equilíbrio. Com produção assumida por Jason Lytle, vocalista e líder do Grandaddy, além de um das principais influências criativas de Bridwell, o álbum de 11 faixas mostra a capacidade da banda em produzir um som que tanto se aproxima do público médio – vide a enérgica Casual Party –, como resgata temas e elementos que serviam de base para apresentar o trabalho do grupo há uma década.

Nona faixa do disco, a acústica Whatever, Whatever parece pensada para estimular esse parcial “regresso” do coletivo. Enquanto os versos conformam a sensibilidade e completo romantismo de Bridwell – “E eu te amo muito / Seja como você quiser / Onde quer que você esteja”–, musicalmente a canção se enche de detalhes, incorporando de maneira sutil o mesmo country “alternativo” explorado pela banda até o segundo álbum de estúdio, Cease to Begin (2007). A própria faixa de abertura do disco, Dull Times/The Moon, com mais de sete minutos, indica a busca do grupo por um som menos óbvio, denso.

Como um efeito direto desse material menos eufórico, além, claro, da constante interferência de Lytle, Why Are You OK se aproxima com naturalidade de diferentes obras produzidas pelo Grandaddy e outros coletivos norte-americanos no começo dos anos 2000. Canções como a aconchegante Lying Under Oak ou mesmo a crescente Solemn Oath; faixas que poderiam facilmente ocupar um espaço em obras como The Sophtware Slump (2000) e, em menor escala, It’s a Wonderful Life (2001), de Sparklehorse. Continue reading

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Resenha: “iiiDrops”, Joey Purp

Artista: Joey Purp
Gênero: Hip-Hop, Rap, Alternative
Acesse: https://soundcloud.com/joey-purp

 

Original da cidade de Chicago, Illinois, Joey Purp passou os últimos quatro anos atuando em parceria com diferentes representantes da cena local. Artistas como Chance The Rapper, Vic Mensa, Brian Fresco, Thelonious Martin e demais integrantes do coletivo SaveMoney. Parceiros de composição desde a inaugural The Purple Tape, mixtape entregue ao público em meados de 2012, mas que voltam a se encontrar dentro do recém-lançado iiiDrops (2016, Independente), segundo e mais recente registro de inéditas produzido pelo rapper.

Movido pela parcial urgência de Morning Sex, canção de abertura do disco, o trabalho de 11 faixas lentamente se perde em um universo turbulento de rimas e versos essencialmente caóticos. Sexo, drogas, violência urbana, pequenos excessos, crimes e conquistas. Um resumo intencional de todo o catálogo de composições que Purp assume individualmente (Photobooth, Say You Do, Kids) ou mesmo em parceria (Winners Circle, Cornerstore, When I’m Gone) até o último instante da obra.

São composições que nascem como um reflexo da vida tumultuada do rapper (Winners Circle), mergulham no passado recente de Purp e seus colaboradores (Cornerstore), além de faixas que esbarram em temas políticos/sociais (When I’m Gone) de forma sempre acessível. Claramente influenciado pelo trabalho de Chance The Rapper em Coloring Book (2016) e até Kanye West em Graduation (2007), Purp finaliza uma obra que se projeta de forma comercial, “pop” mesmo na sobriedade de versos marcados pela criminalidade.

Um bom exemplo disso está em Photobooth. Composição mais “pegajosa” do trabalho, a canção movida pelo uso batidas rápidas, pronta para as pistas, sustenta nos versos um bem-sucedido catálogo de rimas sobre o mundo de falsas conquistas das redes sociais. Mais do que uma reflexão pessimista sobre a nossa sociedade e modo de consumo, um ataque direto a outros representantes do Hip-Hop de Chicago – “These niggas old, they carbon dated, these niggas fossils / These niggas fake and these niggas actors, they need an Oscar”. Continue reading

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Resenha: “Faraway Reach”, Classixx

Artista: Classixx
Gênero: Electronic, Dance, Alternative
Acesse: http://classixx.la/

 

Três anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Hanging Gardens (2013), Michael David e o parceiro de produção Tyler Blake continuam a produzir o mesmo som pegajoso que originalmente apresentou o trabalho do Classixx. Em Faraway Reach (2016, Innovative Leisure), segundo e mais novo registro de inéditas da dupla californiana, batidas, vozes e sintetizadores se projetam de forma a arrastar o ouvinte para as pistas, despejando uma sequência de composições essencialmente dançantes.

Anunciado em novembro do último ano, durante o lançamento de Whatever I Want, Faraway Reach parece seguir a trilha da canção produzida em pareceria com o rapper T-Pain. Da construção das batidas ao toque ensolarado que caracteriza toda a base instrumental do disco, David e Blake finalizam um registro quente, uma espécie de trilha sonora para o verão estadunidense, atualizando o bem-sucedido catálogo de hits entregue pela dupla em 2013.

Menos frenético em relação ao trabalho executado em Hanging Gardens, com o novo álbum, a dupla californiana se esquiva de faixas como All You’re Waiting For, bem-sucedida colaboração com Nancy Whang, para focar na produção de músicas que mesmo dançantes, assumem um conceito leve, deliciosamente pop. Uma constante sensação de Long Lost, canção assinada em parceria com Patrick Grossi, do Active Child, parece serve de base para grande parte das canções em Faraway Reach.

Obra de colaborações, o álbum se abre para a chegada de um novo time de artistas. Em Safe Inside, terceira faixa do disco, a produção de um som doce, levemente melancólico, como se a dupla californiana buscasse confortar o convidado Michael Angelakos, vocalista e líder do Passion Pit. O mesmo conceito volta a se repetir em Just Let Go, parceria com o cantor/produtor Tom Krell e uma composição que poderia facilmente ser encontrada no último álbum de inéditas do How to Dress Well, “What Is This Heart?”, de 2014. Continue reading

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Resenha: “Paraíso”, Fernando Temporão

Artista: Fernando Temporão
Gênero: Pop Rock, MPB, Indie Pop
Acesso: http://www.fernandotemporao.com.br/

Fotos: Rafael Silva

Fernando Temporão nem parece o mesmo artista que foi apresentado ao público com o álbum De dentro da gaveta da alma da gente (2013). Entre versos sóbrios, canções amargas e declarações de amor sempre delicadas, confessionais, o cantor e compositor carioca esbanja maturidade no segundo registro em carreira solo, Paraíso (2016, Independente). Um trabalho de temática acinzentada, apaixonado e ensolarado em momentos específicos, porém, íntimo de diferentes aspectos que marcam o presente cenário político/cultural brasileiro

Com Dança como faixa de abertura do disco, Temporão e o parceiro Kassin, produtor desde o álbum passado, indicam a direção assumida em cada uma das 11 faixas que recheiam o presente trabalho. São arranjos sempre precisos, marcados pelos detalhes, passagem para a interferência de convidados como o paulistano Marcelo Jeneci, influência confessa do músico carioca e responsável pela sanfona que passeia ao fundo da canção. Nos versos, fragmentos da identidade político de Temporão: “Tira a cabeça daí / Olha de frente pro perigo … Não, eu não vou saber dizer / Pra vocês não vou dizer / Sim“.

Convidado a inaugurar o disco, Jeneci é apenas um dos artistas que interferem diretamente no segundo álbum de Temporão. São nomes como Filipe Catto, responsável por parte dos versos na densa Exílios, o conterrâneo César Lacerda na trinca Sem fantasia, Afinal e Um milhão de novas palavras, além de Bruno Di Lullo (Dois), Alberto Continentino (No Ar) e Thiago Camelo (Dia de seguir, Tudo o que é tristeza). Nada que se compare ao assertivo encontro entre Temporão e a convidada Ava Rocha na composição que garante título ao disco.

Entre versos marcados pela subjetividade, Temporão e Rocha evocam o mesmo romantismo incorporado por Caetano Veloso em obras fundamentais como Qualquer Coisa (1975) e Bicho (1977). “Todo o teu território no teu rosto / Sinto o gosto, sinto amargar … Explosões sentimentais / Confissões abissais”, canta o músico carioca enquanto a guitarra passeia suavemente, pintando um delicado pano de fundo que ainda ecoa em outras composições espalhadas pela da obra.   Continue reading

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