Artista: Foxygen
Gênero: Psicodélico, Rock, Alternativo
Acesse: http://www.foxygentheband.com/

 

Em meio a conflitos declarados entre os membros da banda e uma suposta turnê de despedida, Sam France e Jonathan Rado conseguiram encontrar força para a produção de um novo registro de inéditas do Foxygen. Em Hang (2017, Jagjaguwar), quarto e mais recente álbum de estúdio da dupla californiana, todos os elementos testados no antecessor …And Star Power, de 2014, assumem um novo e delicado enquadramento, reforçando a psicodelia nostálgica que há tempos orienta os trabalhos do grupo.

Como indicado durante o lançamento de America, composição entregue ao público em outubro do último ano, grande parte do presente registro parece ancorada nos anos 1970. Melodias, vozes e arranjos que espelham o trabalho de artistas como The Rolling Stones, Lou Reed e, principalmente, David Bowie na fase Young Americans (1975), referência explícita no coro de vozes e toda a dramaticidade presente em músicas como Follow The Leader.

Distante da atmosfera “hippie” que apresentou o trabalho da banda em We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013), Hang se projeta como um registro sóbrio, maduro pela forma como os arranjos são explorados ao longo do disco. Um bom exemplo disso está em Trauma, música que flutua em meio a arranjos orquestrais, versos entristecidos e vozes em coro que transitam com naturalidade pela música gospel – elemento presente em grande parte da obra.

Curtinha, Upon a Hill talvez seja a composição que mais se aproxima dos primeiros registros da banda. Pouco mais de um minuto em que a banda se revela por completo, criando pequenas curvas rítmicas que jogam com a percepção do ouvinte. Um fragmento isolado, independente, como uma fuga do detalhamento complexo explícito em músicas como Rise Up, faixa de encerramento do disco e um imenso quebra-cabeça instrumental que transporta o ouvinte para diferentes cenários.

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Prisoner (2017), novo álbum de inéditas de Ryan Adams, tem tudo para se transformar em um dos grandes lançamentos do ano. Com um pé no rock brega dos anos 1980 – o famigerado Dad Rock –, Adams presenteou o público com duas composições de peso nas últimas semanas. A primeira delas, Do You Still Love Me?, uma canção essencialmente romântica, dramática, completa com a chegada do folk To Be Without You, entregue dias depois.

Terceiro e mais recente single de Prisioner, a inédita Doomsday parece flutuar entre o som empoeirado da primeira canção e o folk melancólico da segunda. Um ato de puro romantismo, típico dos principais trabalhos de Adams, porém, encorpado pelo uso de melodias pegajosas que parecem saídas do último álbum de estúdio do cantor, 1989 (2015), uma interpretação do trabalho de mesmo nome lançado pela cantora Taylor Swift.

Prisoner (2017) será lançado dia 17/02 via Pax Am/Blue Note/Capitol.

 

Ryan Adams – Doomsday

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De todas as canções apresentadas nas últimas semanas, JJPink White House continuam como as mais intensas e interessantes. Parte do primeiro álbum de estúdio do Priests, Nothing Feels Natural (2017), as duas faixas replicam o mesmo cuidado e energia que marca toda a sequência de músicas produzidas pela banda nos primeiros registros caseiros. Vozes, guitarras e batidas que se encontram de forma sempre caótica, explosiva.

Curioso perceber na recém-lançada faixa-título do disco uma fuga dessa mesma sonoridade. Composta durante um período de depressão da vocalista e líder Katie Alice Greer, Nothing Feels Natural fala sobre o desejo de mudança em um estágio onde todas as coisas parecem não funcionar direito. Uma poesia entristecida, ainda que esperançosa, conceito que acaba se refletindo com naturalidade na construção dos arranjos que marcam a canção.

Nothing Feels Natural (2017) será lançado no dia 27/01 via Sister Polygon.

 



Priests – Nothing Feels Natural

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Desde o lançamento de America, em outubro do último ano, que cada nova composição do Foxygen se revela como um verdadeiro acerto. Em boa fase, a dupla californiana prepara o terreno para a chegada de um novo álbum de estúdio, Hang (2017), primeiro registro de inéditas da banda formada por Sam France e Jonathan Rado desde o duplo …And Star Power (2014). Em On Lankershim, novo single do grupo, um novo achado musical.

Claramente inspirada pelo rock da década de 1970, principalmente David Bowie no clássico Young Americans (1975), a canção segue exatamente de onde o Foxygen parou em novembro do último ano, brincando com os mesmos conceitos apresentados na excelente Follow The Leader. Junto da composição, a banda aproveita para apresentar um clipe caseiro de Danny Lacy. Nas imagens, um passeio pelo centro de Los Angeles em um Mustang conversível.

Hang (2017) será lançado no dia 20/01 via Jagjaguwar.

 

Foxygen – On Lankershim

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Star Roving, esse é o título da primeira composição inédita do Slowdive em 22 anos. Ponto de partida para um novo registro de estúdio do grupo de Reading – o primeiro desde o ótimo Pygmalion, lançado em 1995 –, a canção parece seguir exatamente de onde a banda parou no meio da década de 1990. Vozes submersas, paredões imensos de guitarras e texturas produzidas a partir da atenta sobreposição de ruídos. Pouco mais de cinco minutos em que a essência do grupo britânico se revela por completo.

Formado no final da década de 1980, o Slowdive conta com um limitado, porém, rico acervo de obras. Entre os trabalhos da banda, o clássico Souvlaki (1993), um dos principais registros da década de 1990 e a inspiração para diferentes projetos do dream pop/shoegaze recentes. Em hiato desde 1995, o grupo anunciou o retorno aos palcos em 2014 com uma série de apresentações ao vivo. Com lançamento pelo selo Dead Oceans, o novo disco da banda  para os próximos meses.

 

Slowdive – Star Roving

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Artista: David Bowie
Gênero: Rock, Alternativo, Art Rock
Acesse: http://legacy.davidbowie.com/

 

Repleta de alusões à morte, a poesia metafórica de Lazarus, música originalmente lançada como parte do derradeiro Blackstar (2016), último álbum solo de David Bowie, indica a direção seguida no póstumo No Plan EP (2017, Columbia / Sony). Produzido a partir de fragmentos do último registro de inéditas do cantor e compositor britânico, falecido em janeiro do último ano, o trabalho de apenas quatro faixas, três delas inéditas, mantém firme a mesma identidade do som produzido para o capítulo final do artista.

Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico inglês, o trabalho que se apresenta ao público com a extensa Lazarus lentamente abre passagem para os arranjos minuciosos da inédita No Plan, faixa-título do EP. São pouco mais de três minutos em que a voz de Bowie se espalha em meio ao saxofone denso de Donny McCaslin e sintetizadores de Jason Lindner, ambos colaboradores em grande parte das canções lançadas em Blackstar.

Rompendo com a leveza contida na faixa-título, surgem as guitarras de Killing a Little Time, terceira canção do EP. Originalmente apresentada ao público em outubro do último ano, a música dominada pelo ritmo frenético das batidas e vozes talvez seja o registro mais intenso de Bowie desde o material apresentado ao público no álbum The Next Day, de 2013. Instantes em que as guitarras de Ben Monder esbarram no saxofone de McCaslin, resultando em uma composição instável, torta.

Curioso encontrar na confessional When I Met You uma parcial fuga desse mesmo resultado. Livre do jazz-rock que movimenta grande parte do registro, a faixa de encerramento do EP parece dialogar de forma explícita com o passado. Entre guitarras compactas e vozes duplicadas, Bowie passeia pelo mesmo som testado em obras como “Heroes” (1977). Um som decidido, firme, porém, claramente inferior quando observamos o cuidado e a rica produção que marca o restante da obra.

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Depois de um longo período de hiato, Brian King e David Prowse anunciaram a chegada do terceiro álbum de inéditas do Japandroids: Near To The Wild Heart Of Life (2017). Primeiro disco de estúdio da dupla canadense desde o elogiado Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o novo álbum fez da enérgica Near To The Wild Heart Of Life um estímulo para aguardado registro.

Em No Known Drink Or Drug, mais novo single da dupla de Vancouver, uma extensão segura da mesma sonoridade. Entre guitarras crescentes e batidas pontuais, vozes em coro servem de base para a construção de versos melódicos, mesmo ocultos em meio a pequenas camadas de ruídos. Pouco mais de três minutos em que King e Prowse estabelecem pequenos atos, resgatando uma série de elementos originalmente testados nos primeiros registros do Japandroids.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – No Known Drink Or Drug

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Poucas grupos sintetizam com tamanha naturalidade o significado da palavra “Rock ‘n’ Roll” quanto os britânicos do Led Zeppelin. Donos de uma rica sequência de obras que abasteceram o gênero entre o final dos anos 1960 e grande parte da década de 1970, a banda formada em 1968 na cidade de Londres acumula uma verdadeira coleção de clássicos.

Músicas como Stairway to Heaven, Immigrant Song, Whole Lotta Love, Communication Breakdown e outras tantas composições que continuam a servir de inspiração para o trabalho de diferentes artistas, além, claro, de trilha sonora para gerações completamente distintas de ouvintes. Em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias, a difícil tarefa de organizar toda a discografia do quarteto formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

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Casa de alguns dos projetos mais interessantes (e barulhentos) da cena nacional, o selo paulistano Sinewave acaba de anunciar a chegada de mais uma edição da clássica coletânea Sinewave Essentials. Trata-se de um resumo caótico de tudo aquilo que os produtores, músicos e artistas relacionados ao coletivo produziram entre janeiro e dezembro deste ano. Uma extensa seleção com 25 composições já conhecidas do público.

Entre as canções que abastecem o álbum, experimentos como Music For Airports (Airplanes, Hope And Sadness), do carioca Cadu Tenório, e Baião de Stoner, parte do último disco da Macaco Bong. Ambos os trabalhos fazem parte da nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. A seleção ainda conta com outros destaques, caso da hipnótica Peixe Voador, criação recente do grupo pernambucano Kalouv e faixa que chegada acompanhada com um dos melhores clipes do ano.

 

Vários Artistas – Sinewave Essentials – The Best of 2016

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Você ainda me ama?“, pergunta Ryan Adams enquanto vozes, guitarras e sintetizadores nostálgicos apontam de forma dramática para o começo dos anos 1980. Em Do You Still Love Me?, mais recente lançamento do cantor e compositor norte-americano, o ouvinte é conduzido em direção ao passado, flutuando em meio a versos dolorosos e uma atmosfera brega que parece típica dos trabalhos de Bon Jovi e outros “gigantes” do mesmo período.

A composição foi a escolhida para anunciar o novo álbum do artista, Prisioner (2017), trabalho que será entregue ao público em fevereiro do próximo ano. O registro é o primeiro disco de inéditas de Adams desde o curioso 1989 (2015), um registro feito apenas com regravações do álbum de mesmo nome produzido pela cantora Taylor Swift um ano antes. Lançado em 2014, o último disco de inéditas do cantor é um trabalho homônimo que conta com músicas como Gimme Something Good e Trouble.

Prisoner (2017) será lançado dia 17/02 via Pax Am/Blue Note/Capitol.

 

Ryan Adams – Do You Still Love Me?

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