Artista: Run The Jewels
Gênero: Hip-Hop, Rap, Alternativo
Acesse: https://runthejewels.com/

 

O ritmo frenético imposto em Talk To Me parece ser a chave para entender o som produzido em Run The Jewels 3 (2016, Mass Appeal / RED). Originalmente lançada como parte da coletânea Adult Swim Singles, em outubro do último ano, a composição lentamente aponta a direção seguida pelos parceiros El-P e Killer Mike em grande parte do presente registro. Uma extensão segura da mesma poesia política/ácida aprimorado pela dupla durante a construção do elogiado Run the Jewels 2 (2014).

Previsto para janeiro de 2017, porém, lançado de surpresa no último dia 24 de dezembro, véspera de Natal, RTJ3 mostra que a dupla norte-americana continua tão explosiva (e crítica) quanto nos dois primeiros registros de inédita. Ambientado em um cenário político que se despede de Barack Obama, cada faixa do registro se projeta de forma a detalhar diferentes cenas do cotidiano estadunidense, esbarrando com naturalidade em temas como racismo, violência e sexo.

Doctors of death / Curing our patients of breath / We are the pain you can trust / Crooked at workDelivered some hurt and despair / Used to have powder to push / Now I smoke pounds of the kush Holy, / I’m burnin’ a bush”, explode a letra de Legend Has It, uma perfeita síntese da poesia versátil e permanente uso de autorreferências durante toda a construção do trabalho. Versos que se dividem com naturalidade entre o bom humor, a raiva e a rima política, sempre provocativa.

A mesma intensidade presente nos versos se reflete na composição das batidas e bases durante toda a construção do trabalho. Seguindo de onde parou em Close Your Eyes (And Count to Fuck), parceria com Zack de la Rocha no álbum de 2014, El-P finaliza um registro intenso, marcado pela sobreposição frenética das batidas, samples e sintetizadores. Um bom exemplo disso está em Panther Like a Panther (Miracle Mix), música que faz das batidas e detalhes eletrônicos um estímulo para as rimas.

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Dois anos após o lançamento do ótimo Run The Jewels 2 – 6º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, os parceiros Killer Mike e EL-P começam a preparar o terreno para a chegada do aguardado RTJ 3. Composição escolhida para “anunciar” o novo álbum, a crescente Talk To Me concentra tudo o que há de mais intenso no trabalho produzido pela dupla. Rimas fortes e pequenas frases de efeito, a produção segura, repleta de pequenas interferências e vozes paralelas, sempre complementares.

A canção também é parte do catálogo 2016 da série Adult Swim Singles. Além da dupla, a presente edição trouxe uma série de parcerias inusitadas – como Mitski e Ryan Hemsworth na melancólica Wait –, além de músicas produzidas por artistas como Jenny Hval (Period Piece) e Dawn Richard (Serpentine Fire). A lista completa de lançamentos do projeto – que ainda conta com Vince Staples, Earl Sweatshirt, Tim Hecker e Jlin –, você encontra nos soundclod.

 

Run The Jewels – Talk To Me

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Cinco anos após o lançamento de The Less You Know, the Better (2011), Josh Davis está de volta com um novo álbum como DJ Shadow. Em The Mountain Will Fall (2016), quinto registro de inéditas do responsável pelo clássico Endtroducing….. (1996), o produtor original de San Jose, Califórnia, decidiu rechear parte das 12 canções que abastecem o disco com um time de convidados que vai do pianista alemão Nils Frahm ao duo de Hip-Hop Run The Jewels.

Para a canção assinada em parceria com Killer Mike e El-P, Davis decidiu investir pesado. No clipe da canção, trabalho que conta com a direção de Sam Pilling, somos transportados para dentro de uma sala repleta de líderes globais. A diferença? No lugar do discurso, uma seleção de rimas e ataques verbais que acabam resultando em uma pancadaria generalizada, ponto de partida para um dos melhores clipes de 2016.

DJ Shadow – Nobody Speak (feat. Run The Jewels)

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. Cinco anos após o lançamento de The Less You Know, the Better (2011), Josh Davis está de volta com um novo álbum como DJ Shadow. Em The Mountain Will Fall (2016), quinto registro de inéditas do responsável pelo clássico Endtroducing….. (1996), o produtor original de San Jose, Califórnia, decidiu rechear parte das 12 canções que abastecem o disco com um time de convidados que vai do pianista alemão Nils Frahm ao duo de Hip-Hop Run The Jewels. Passado o anúncio do novo álbum, que ainda contou com o lançamento da delicada…Continue Reading “DJ Shadow: “Nobody Speak” (ft. Run The Jewels)”

. Versos agressivos e politizados, produção concisa; diálogos com o Hip-Hop das décadas de 1980 e 1990, bases encorpadas por temas recentes, carregados de frescor. Quando a estreia do Run the Jewels foi apresentada ao público, em meados de 2013, tanto Killer Mike quanto EL-P pareciam inclinados a completar as pequenas lacunas estéticas, líricas e conceituais do parceiro. Uma extensão autoral do processo inaugurado na dobradinha R.A.P. Music. e Cancer For Cure, fragmentos individuais de cada rapper/produtor em 2012 e, ao mesmo tempo, a fagulha…Continue Reading “Run The Jewels: “Angel Duster” (VÍDEO)”

. Versos agressivos e politizados, produção concisa; diálogos com o Hip-Hop das décadas de 1980 e 1990, bases encorpadas por temas recentes, carregados de frescor. Quando a estreia do Run the Jewels foi apresentada ao público, em meados de 2013, tanto Killer Mike quanto EL-P pareciam inclinados a completar as pequenas lacunas estéticas, líricas e conceituais do parceiro. Uma extensão autoral do processo inaugurado na dobradinha R.A.P. Music. e Cancer For Cure, fragmentos individuais de cada rapper/produtor em 2012 e, ao mesmo tempo, a fagulha…Continue Reading “Run The Jewels: “Oh My Darling (Don’t Cry)””

Run The Jewels
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.runthejewels.net/

Versos agressivos e politizados, produção concisa; diálogos com o Hip-Hop das décadas de 1980 e 1990, bases encorpadas por temas recentes, carregados de frescor. Quando a estreia do Run the Jewels foi apresentada ao público, em meados de 2013, tanto Killer Mike quanto EL-P pareciam inclinados a completar as pequenas lacunas estéticas, líricas e conceituais do parceiro. Uma extensão autoral do processo inaugurado na dobradinha R.A.P. Music. e Cancer For Cure, fragmentos individuais de cada rapper/produtor em 2012 e, ao mesmo tempo, a fagulha criativa do recente projeto colaborativo.

Em Run the Jewels 2 (2014, Mass Appeal), ainda que a essência do trabalho seja a mesma do disco anterior, a estrutura que movimenta as canções é encarada de forma distinta. Antes personagens autônomos em um processo de interação, Killer Mike e EL-P passam a atuar como uma mente única, convertendo cada ato do registro em um exercício coeso e intenso. Um misto de resgate e expansão do universo temático inaugurado há poucos meses.

Violência, misoginia (“She want that dick in her mouth all day“), drogas, autoafirmação e insanidade (“I’m putting pistols in places at random places“). RTJ2 é uma colisão imensa de versos rápidos e sujos, tropeços em pessoas (Phillip Seymour Hoffman) e personagens (Scarface) moldados em uma atmosfera estranhamente melódica e perturbadora. Dentro dos limites de EL-P e Killer Milke, uma adaptação do mesmo plano caótico de Kanye West em Yeezus (2013), ou dos conceitos urbanos do Death Grips na dobradinha The Money Store e NO LOVE DEEP WEB, de 2012.

Naturalmente preciso, o álbum se sustenta em cima de 11 peças rápidas e musicalmente íntimas. Recortes cotidianos que visitam liricamente as periferias de Mike, o alinhamento irônico/cru do parceiro, além, claro de uma maior imposição comercial – traço que preenche versos e também arranjos do disco. Delineado de forma límpida, aberto ao grande público, RTJ2 é uma sequência de temas tão  agressivos quanto melódicos, preferências capaz de distorcer a atmosfera de “mixtape” instalada no primeiro álbum, garantindo ao ouvinte um cenário amplo, a ser explorado com atenção.

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. Precisa de uma única palavra para definir o trabalho do Run The Jewels em Close Your Eyes (And Count To Fuck)? Que tal “cacetada”, “porrada” ou “insana”? Da mesma forma que o material apresentado pelo duo – El-P e Killer Mike – nas últimas semanas, a nova composição mantém firme o uso das rimas, batidas e e samples, neste caso, um pequeno fragmento vocal do veterano Zack De La Rocha, vocalista do Rage Against the Machine. Intensa e íntima de tudo aquilo que a…Continue Reading “Run The Jewels: “Close Your Eyes (And Count To Fuck)” (Feat. Zack De La Rocha)”

Clipping.
Hip-Hop/Electronic/R&B
https://www.facebook.com/clppng

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista novato que invade o território dominado por um veterano está na inevitável comparação. Com três integrantes “misteriosos”, estética anárquica e uma proposta que une musicalmente Hip-Hop, Noise e boas doses de experimentos eletrônicos, o trio californiano Clipping. não tardou a ver o próprio trabalho comparado com os vizinhos do Death Grips. Contudo, ainda que a relação com o trio de Sacramento, na California, seja inevitável, a proposta lançada pela trinca de Los Angeles partilha de uma orientação completamente oposta.

Imensa colcha de retalhos sintéticos, CLPPNG (2014, Sub Pop) – estreia do rapper Daveed Diggs em parceria com a dupla de produtores Jonathan Snipes e William Hutson – é uma tentativa bem resolvida em assumir a própria identidade. Sim, a comunicação com a proposta lançada há poucos anos por Zach Hill, Andy Morin e MC Ride está por todos os lados, mas a sonoridade que vai da abertura ao fechamento do presente álbum pouco (ou nada) se assemelha ao mesmo universo. Se o Death Grips trouxe o caos, então o Clipping. veio como um registro comercial, uma espécie de tentativa em estabelecer um mínimo estágio de ordem dentro desse (suposto) estranho cenário aproximado.

Muito mais íntimo da proposta do duo Run the Jewels ou Danny Brown no ainda recente Old (2013), CLPPNG é uma obra que usa da forte comunicação com a eletrônica para resolver musicalmente seus versos. Basta ouvir com atenção faixas em que os arranjos ocupam mais espaço do que o canto/rima para perceber isso. Em Work Work, por exemplo, se os versos de Diggs ou da convidada Cocc Pistol Cree fossem deixadas de lado, teríamos em mãos um delicioso exemplar da nova IDM, talvez uma sobra dos últimos discos de Flying Lotus.

Observado com atenção, a rima é a parcela menor de CLPPNG, que durante toda a formação das músicas reforça a posição do duo Snipes e Hutson em um estágio de plena libertação criativa. Não por acaso músicas como a delicada Dream ou Summertime revelam detalhistas bases melódicas, manipulando o rapper e seus convidados como “instrumentos”. De forma matemática ou orgânica, Diggs é orquestrado com precisão ao longo de todo o trabalho, o que está longe de ser encarado como um erro, afinal, é aí que reside a verdadeira identidade do grupo.

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