Tag Archives: Rustie

Rustie: “Rapor”

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Mesmo que tenham se passado três anos desde a estreia com Glass Swords (2011), poucos produtores aproveitaram os últimos anos com tamanho acerto quanto Rustie. Autor de uma sequência de remixes, faixas avulsas e canções em parceria – incluindo criações ao lado da dupla AlunaGeorge -, o artista escocês reserva a chegada de Green Language (2014), segundo álbum em carreira, e trabalho que será mais uma vez apresentado pelo selo Warp, antiga casa do produtor.

Como passagem para o novo registro – agendado oficialmente para o dia 26 de agosto -, Rustie reforça a própria relevância com a chegada da intensa (não há definição melhor) Rapor. Naturalmente fragmentada em pequenos atos – ascendentes e econômicos -, a canção segue a trilha do mesmo detalhamento encontrado em músicas como Surph e After Light do disco passado. Um cruzamento inteligente que perverte Grime, Hip-Hop e Dubstep dentro das harmonias características que solucionam a base do produtor.

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Rustie – Rapor

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Disco: “Reality Testing”, Lone

Lone
Electronic/IDM/Hip-Hop
https://www.facebook.com/magicwirelone

Por: Cleber Facchi

Lone

O teor frenético encontrado por Matt Cutler há dois anos, em Galaxy Garden (2012), parece longe de orientar a presenta fase do produtor como Lone. Ainda que a relação do artista inglês permaneça sustentada pela eletrônica dos anos 1990 – House, Ambient ou os experimentos da IDM -, em Reality Testing (2014, R&S), mais recente invento do artista, o resultado passa a ser outro. Menos “conceitual”, o disco se manifesta como uma verdadeira colagem de essências, fórmula que está longe de fugir da precisão estética dos últimos álbuns.

Talvez com exceção da faixa de abertura, First Born Seconds, cada segundo dentro da obra se manifesta como uma readequação do Instrumental Hip-Hop. Ainda olhando para o passado – principalmente para o trabalho de J Dilla, Madlib e, de forma autoral, DJ Shadow -, Lone utiliza de cada criação do disco como uma doce adequação de velhas imposições. Nostálgico, mas não menos transformador – vide o diálogo com a cena Garage -, o novo catálogo de Cutler é uma obra de temas atmosféricos, abstratos, mas não menos desafiadores em relação aos antigos temas do produtor – ou mesmo suas influências.

Da mesma forma que o bem sucedido single Airglow Fires, de 2013, Reality Testing usa de sintetizadores atmosféricos (no melhor estilo Boards Of Canada) como uma delicada base instrumental para o restante do disco. Todavia, enquanto a canção apresentada há poucos meses alcançava o mesmo detalhamento entusiasmado do disco de 2012, abraçando as pistas em sua “segunda parte”, com o presente disco Lone mantém os beats densos, típicos do Hip-Hop.

Outro aspecto importante em relação ao novo cenário desenvolvido por Cutler, diz respeito ao uso de diálogos e vocalizações aleatórias no meio das faixas. Livre de qualquer caráter “gratuito” e dissolvidos ao longo do registro, os samples de vozes criam uma imposição ruidosa em proximidade ao efeito essencialmente límpido do álbum de 2012. Basta perceber como Restless City e Meeker Warm Energy gerenciam essa estrutura, expandindo o teor “urbano” que recheia o álbum. A medida parece vir como uma alternativa à ausência de rimas – instintivas em faixas como a arrastada 2 is 8. Continue reading

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Gang Gang Dance: “Upside Down”

Gang Gang Dance

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Poucas coisas são tão aprazíveis e ainda assim excêntricas quanto a obra do Gang Gang Dance. Em parcial silêncio desde o lançamento de Eye Contact, em 2011, o coletivo nova-iorquino volta a brincar com as percepções do ouvinte na inédita Upside Down. Contrariando a expectativa de que um novo registro em estúdio está à caminho, a faixa é parte da coletânea Boats, que além do grupo já contabiliza nomes como Rustie, Bear In Heaven e demais nomes de peso da cena alternativa.

Serena, a canção usa dos quase sete minutos de duração como um mecanismo de experimento delicado dentro da obra do grupo. São batidas suaves, vozes ponderadas e uma transição atmosférica que esbarra em diversos momentos no que há de mais climático na Ambient Music. Pelo visto, quem espera pelo teor frenético dos inventos regressos da banda vai ter de esperar um pouco mais.

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Gang Gang Dance – Upside Down

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Rustie: “Terra Star”

Rustie

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Rustie parece flutuar entre pequenos hiatos próprios e instantes de inventiva produção. Desde a dobradinha Triadzz/Slasherr, lançada há alguns meses, o produtor britânico ajudou na construção de Old, do rapper Danny Brown, e até colaborou com uma faixa para a coletânea organizada pela ONG Everything Is New, Boatsss. Agora Rustie está de volta, não para anunciar um novo single ou possível disco (previsto para 2014), mas para entregar a sua colaboração de fim de ano para o selo LuckyMe Records. Com a proposta de apresentar uma música nova por dia, até o natal, o selo britânico apresenta agora a intensa Terra Star. Menos fragmentada que os anteriores inventos do produtor, a canção encontra na arquitetura linear um exercício atento de construção. São as tradicionais batidas épicas de Rustie, apenas confortadas em um cenário em que o detalhe fala um pouco mais alto.

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Rustie – Terra Star

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YACHT: “Icarus Complex”

YACHT

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Já falamos sobre o projeto Boats há algumas semanas, durante o lançamento da faixa homônima assinada pelo produtor britânico Rustie. Trabalho relacionado à ONG Everything Is New – que atende crianças Dalit -, o álbum/coletânea apresenta agora mais um novo colaborador que estará na edição final da obra. Trata-se do duo norte-americano YACHT, que presenteia o público com Icarus Complex. Assim como no trabalho de Rustie, a canção se acresce de vocais e coros de vozes das próprias crianças atendidas pelo projeto, resultando em uma obra que parece pensada tanto para dentro, como fora das pistas. Tecnicamente distinta em relação aos inventos prévios da dupla Jona Bechtolt e Claire L. Evans, a canção segue um caminho contrário ao que parecia evidente em Shangri-La (2011), último registro em estúdio do YACHT. A coletânea tem lançamento agendado para o dia 20 de Janeiro pelo selo Transgressive North.

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YACHT – Icarus Complex

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Rustie: “Boatsss”

Rustie

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Seguindo a linha iniciada pela Red Hot Organization e outras instituições próximas, a ONG Everything Is New resolveu unir música e assistência social em um mesmo propósito. Com um foco no auxílio de crianças indianas Dalit – os intocáveis -, o projeto comandado pela Transgressive North busca arrecadar fundos com o lançamento de uma série de álbuns com foco para o público alternativo. Com lançamento previsto para o dia 20 de Janeiro de 2014, a coletânea de 29 faixas concentra apenas registros inéditos assinados por nomes de peso como Four Tet, Deerhoof, Gang Gang Dance e Dan Deacon. Quem também faz parte do registro e teve a composição apresentada como uma eficiente amostra é Rustie. Em Boatsss, o produtor britânico brinca com as batidas e vozes em uma proposta íntima dos próprios inventos, encontrando nas imagens de crianças atendidas pela instituição a base para o clipe da faixa.

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Rustie – Boatsss

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Danny Brown: “Side B (Dope Song)”

Danny Brown

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Danny brown

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Danny Brown conseguiu – mais uma vez. Depois de transformar XXX em uma das obras mais intensas/insanas de 2011, o rapper norte-americano faz de Old, terceiro registro em estúdio, seu melhor exemplar até aqui. Torto, acelerado e carregado de faixas centradas no universo instável do artista, o álbum acumula tudo o que Brown conquistou há dois anos, expandindo ainda mais esse mesmo resultado. Exemplar assertivo de tudo o que marca o novo disco está em Side B (Dope Song). Ponto de divisão e entrada para o eixo final, a canção produzida pelo britânico Rustie é também a escolhida para se transformar no mais novo clipe do rapper. Filmado em Detroit, cidade de Danny, o trabalho lentamente se perde em cores e efeitos de luz, como uma representação da lisergia que ocupa o eixo final da obra do rapper.

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Danny Brown – Side B (Dope Song)

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Disco: “Old”, Danny Brown

Danny Brown
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://xdannyxbrownx.com/

Por: Cleber Facchi

Danny Brown

Enquanto o cenário norte-americano é abastecido por cenas, estéticas e coletivos que desaparecem tão rápido quanto surgem, Danny Brown se apresenta como dono de um território isolado. Insano, bem humorado e um dos poucos artistas capazes de não tropeçar na rima – mesmo quando recebe sexo oral de uma fã em uma apresentação ao vivo -, o rapper chega ao terceiro registro solo alcançando não apenas seu melhor exemplar até aqui, mas uma das obras mais complexas do panorama recente. Longe do retorno conceitual aos anos 1990 e sem buscar pela mesma atmosfera de referências que esbarram em obras como My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) e Good Kid M.A.A.D City (2012), Brown, mais uma vez, materializa um universo próprio, um lugar onde drogas, sexo e o discurso cru do artista ditam todas as regras.

Enquanto XXX, álbum de 2011, orientava o artista em uma sequência alucinada de rimas e tramas lisérgicas, com Old (2013, Fool’s Gold) esse mesmo “padrão” flui potencializado, sem que Brown necessariamente perca o controle dos versos. “Fecho meus olhos, sinto que estou indo para baixo/ Em um elevador a 90 quilômetros por hora/ E tudo que eu vejo são as estrelas vindo para mim como uma espécie de chuva de meteoros”, exageradamente chapadas ou não, mas as rimas expostas em Kush Coma parecem caracterizar com acerto tudo o que orienta o presente disco. De bases e batidas velozes, princípio para os vocais do rapper, o registro beira a overdose, como se tudo fosse um embaralhado jogo de sensações, temas e pequenas referências tratadas em uma linguagem totalmente esquizofrênica, própria do artista.

Entretanto, longe de uma parada cardíaca, Brown faz valer o título da obra – “velho” -, reforçando a maturidade durante a execução de cada nova faixa. Mais uma vez passeando pelas periferias e o cotidiano de Detroit, Michigan, o artista mantém um registro que flutua entre o presente e o próprio passado, resgatando diversos conceitos de quando era traficante de drogas e vivia mergulhado nas sombras da cidade. A estrutura, longe de esbarrar no egocentrismo tão típico do Hip-Hop, faz com que o rapper apareça de forma reflexiva em grande parte da obra, algo que Lonely (“Eu não preciso de sua ajuda mano/ Porque não ninguém realmente me conhece”) e Torture (“E é tortura/ Olhar em minha mente e ver os horrores/ Toda a merda que eu já vi”) manifestam em um efeito nítido de melancolia.

A obra de Brown, longe de se espatifar no elevador metafórico que cai em Kush Coma, é um trabalho que permite ao artista o próprio crescimento. Parte natural desse sintoma de grandeza do álbum está no número maior de colaboradores. Ainda que o principal composto da obra seja fruto da individualidade do rapper, em uma sequência natural ao mesmo efeito exposto em XXX, a presença de SchoolBoy Q, Ab-Soul e A$ap Rocky tira o álbum de um possível estágio de redundância. Mais do que se manter atento dentro do próprio cenário, Brown acerta ao transitar por diferente territórios, encontrando na presença de velhos colaboradores, como Charli XCX em Float On e a dupla Purity Rings na ótima 25 Bucks, um complemento natural para a obra. Continue reading

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Danny Brown: “ODB”

Danny brown

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Tem sido difícil baixar a expectativa em relação ao segundo e ainda inédito álbum de Danny Brown, o aguardado Old. A cada novo lançamento do rapper, a evolução em proximidade ao “debutXXX (2011) é clara e ampla. Agora, depois de um longo período de espera, Brown finalmente anuncia para o dia 30 de Setembro a chegada do registro, álbum que conta com lançamento pelo selo Fool’s Gold, mesmo do trabalho anterior. Com a presença de Rustie, A-Track e mais uma sequência de colaboradores na produção, e ASAP Rocky, Schoolboy Q, Purity Ring e outros mais como convidados, Old parece encontrar um caminho seguro para se transformar em (mais) uma das grandes obras de 2013. Entregando pistas concretas do que deve abastecer o disco, o rapper apresenta a inédita ODB, faixa que traz na base melódica e no flow acessível um abraço no grande público, sem necessariamente perder a boa forma do trabalho anterior.

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Danny Brown – ODB

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Bloc Party: “Ratchet” (Rustie Remix)

Rustie

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Lançada ao final de junho, Ratechet é mais uma tentativa do Bloc Party em fundir os experimentos construídos pós-Intimacy (2008) com as guitarras velozes que o grupo inglês apresentou em começo de carreira. É justamente dentro desse jogo rápido de sons, batidas e vozes instáveis que o conterrâneo Rustie perverte a essência do quarteto inglês em um efeito ainda mais torto e dinâmico. Aprimorando o uso das batidas, acrescentando uma camada extra de sintetizadores e outros inventos musicais de natureza particular, a canção encontra na versão do jovem produtor um novo rumo, talvez uma representação exata daquilo que a banda estivesse em busca. O remix surge como mais um aquecimento antes da chegada de The Nextwave Sessions, próximo EP do Bloc Party e último registro da banda antes de um novo hiato.

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Bloc Party – Ratchet (Rustie Remix)

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