Artista: Momo
Gênero: Indie, Samba, Folk
Acesse: https://www.facebook.com/momooficial/

 

Marcelo Frota é um cidadão do mundo. Nascido em Minas Gerais, filho de pai cearense e dono de uma longa trajetória no Rio de Janeiro, o cantor e compositor decidiu aportar em Portugal, fixando residência na região de Alfama, um dos bairros mais tradicionais da capital Lisboa. Dessa mudança vem o recém-lançado Voá (2017, Universal Music), primeiro registro de inéditas do cantor em quatro anos e a busca declarada por um som marcado pelas possibilidades.

Em um sentido oposto ao som melancólico e cinza de Cadafalso (2013), Momo traz de volta a mesma essência litorânea, intimista e levemente ensolarada de Serenade of a Sailor (2011). Um cenário montado de frente para o mar, coberto pelo Sol, amores e personagens reais que surgem e desaparecem a todo instante, a cada novo fragmento de voz. Memórias de um passado ainda recente, quente, como se o ouvinte pudesse tocar nas palavras e sentimentos lançados pelo cantor.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos de Momo está no aspecto “sorridente” que movimenta as canções. “Sem dor, com fé / Perdão, o meu destino não é solidão … Tempo é tão bonito sem partida“, canta na inaugural Esse Mar, um sopro leve, poderoso indicativo da lírica esperançosa que acompanha o ouvinte durante a obra. Uma fuga declarada do sabor amargo, quase tétrico, incorporado pelo músico em faixas como Sozinho, Recomeço e parte expressiva do último disco.

Dotado de um precioso romantismo, Voá se espalha em meio a histórias e recordações que dançam em torno de diferentes personagens. Em Pensando Nele, sem necessariamente parecer saudosista, Momo olha para a própria família de forma delicada — “Eu me peguei pensando / Eu me perdi pensando nele”. Entre arranjos e batidas cadenciadas, o doce afoxé de Meu Menino, um dos instantes de maior entrega do músico mineiro — “Uma boca que é linda / É linda / Eu bem beijei”.

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Artista: Kiko Dinucci
Gênero: Rock, Alternativo, Experimental
Acesse: http://kikodinucci.com.br/

 

“Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível”, escreveu Kiko Dinucci no texto de lançamento de Cortes Curtos (2017, Independente). Produzido em um intervalo de apenas quatro dias, em setembro do último ano, o primeiro registro em carreira solo do cantor e compositor paulistano cresce como um imenso bloco de ruídos, gritos, histórias e personagens. Uma versão caótica, naturalmente punk, do mesmo universo conceitual que Dinucci vem desbravando em projetos como Metá Metá e demais registros colaborativos na última década.

Pensado sob a ótica de uma película cinematográfica, Cortes Curtos se revela como uma verdadeira coleção de imagens sonoras. Fragmentos visuais, narrativos e acústicos que observam diferentes aspectos da cidade de São Paulo, seus habitantes e toda uma sequência de acontecimentos mundanos. Personagens como a musa romantizada em A Morena do Facebook (“Ela é mais bonita que a foto do perfil / Enquanto se aproxima / Com seu andar macio”), ou mesmo o conflito preconceituoso que explode na descritiva Uma Hora da Manhã (“O que você tá falando de nordestino? / Sou nordestina sim, com muito orgulho”).

“Eu fui criando as canções nessa São Paulo horrorosa, racista, reacionária, opressora, que faz as pessoas adoecerem e se deprimirem”, explicou Dinucci em entrevista à Noisey. De fato, quanto mais o trabalho avança, mais ou ouvinte é arrastado para dentro desse ambiente tomado pela desesperança e sorrisos curtos, quase inexistentes. Um cenário dominado pela atmosfera cinza dos prédios e a permanente relação de proximidade com a morte, proposta escancarada nos versos suicidas de Vazio da Morte — “Matias queria se jogar / Do alto do prédio do Banespa”.

Tamanha angústia acaba se refletindo na composição dos arranjos e curvas rítmicas que movimentam o trabalho. Parcialmente distante do samba sujo incorporado pelo Metá Metá, Elza Soares e outros projetos que contam com o pulso firme de Dinucci, Cortes Curtos estreita de forma explícita o diálogo do músico com o rock e suas variações. Logo na abertura do disco, em No Escuro, uma avalanche de sons distorcidos, batidas e vozes violentas, estímulo para toda a sequência de faixas que se espalham no decorrer da obra, entre elas, a insana Desmonto Sua CabeçaCrack Para Ninar.

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Artista: Felipe S.
Gênero: Indie, Alternativo, Experimental
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Mais conhecido pelo trabalho como vocalista da banda pernambucana Mombojó, Felipe S. passou os últimos dez anos pulando de um projeto para outro, sempre de forma curiosa, inventiva. O resultado desse permanente processo de mudança está na construção de coletivos como o Del Rey, centrado em reinterpretar a obra de Roberto Carlos, além de trabalhos assinados em parceria com artistas como Vitor Araújo, A Banda de Joseph Tourton e a francesa Lætitia Sadier (Stereolab).

Em Cabeça de Felipe (2017, Joia Moderna), primeiro registro em carreira solo do músico pernambucano, um espaço aberto à novidade. Produzido de forma caseira, em um estúdio montado pelo músico dentro do próprio apartamento, o trabalho de dez faixas se espalha em meio a experimentos controlados (Anedota Yanomami), sambas explorados de forma introspectiva (Santo Forte) e composições sufocadas pelo amor (Sabe Quando). Um passagem direta para a mente do próprio compositor.

Com título inspirado em uma pintura produzida em 1987 pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, Cabeça de Felipe joga diretamente com a colorida imagem assinada pelo pintor pernambucano. Longe de parecer um registro hermético, cada composição se articula de forma independente, transportando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pela incerteza. A mesma ruptura assumida pelo artista no último álbum de inéditas das Mombojó, o explosivo Alexandre (2014).

Montado a partir de diversas colagens minimalistas, ritmos brasileiros e vozes picotadas que indicam a interferência de diferentes artistas, a estreia de Felipe S. segue em um ritmo próprio. Instantes em que o músico pernambucano convida o ouvinte a dançar (Santo Forte), para logo em seguida mergulhar em um cenário dominado pela leveza das melodias (Da Capoeira Pro Samba) ou mesmo ruídos eletrônicos (Nova Bandeira) que poderiam facilmente ser encontrados em qualquer trabalho da Mombojó.

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Artista: Luísa Maita
Gênero: Eletrônica, Samba, Alternativa
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A imprevisibilidade talvez seja o principal traço do trabalho de Luísa Maita em Fio da Memória (2016, Cumbancha). Produzido em parceria com o músico Zé Nigro, o sucessor do elogiado Lero-Lero (2010), obra que apresentou a cantora e compositora paulistana ao grande público, reforça a essência experimental e naturalmente inventiva da artista. Uma quebra brusca em relação ao samba melódico e a voz limpa que orienta as canções do trabalho entregue há seis anos.

Com uma “gestação prolongada”, como resume o texto de apresentação do disco, o novo álbum precisou de quase meia década até ser finalizado. Em produção desde 2012, Fio da Memória nasce como uma extensão torta do material entregue por Maita no primeiro álbum de inéditas. Entre ruídos e bases eletrônicas, crônicas musicadas que dialogam com o samba, incorporam elementos tribais e diferentes gêneros musicais, como o jazz e o rock.

A julgar pelo preciosismo que orienta Ela, sétima canção do disco, é fácil perceber porquê o novo álbum de Maita levou tanto tempo até ser finalizado. Perceba como sintetizadores se espalham sem pressa ao fundo da canção, hipnóticos. Um jogo de batidas e vozes que se completam lentamente, resultando em uma canção que sussurra detalhes na cabeça do ouvinte. O mesmo cuidado acaba se refletindo em outros instantes do disco, seja na euforia de Porão ou no sopro tímido da derradeira Jump.

Composição escolhida para inaugurar o disco, a eletrônica Na Asa é apenas a ponta do imenso iceberg criativo que caracteriza o trabalho. A voz chiada, batidas cíclicas, entalhes econômicos. Longe da exposição imediata dos elementos, Maita e o parceiro de produção, Tejo Damasceno, uma das metades do Instituto, parecem jogar com o minimalismo dos arranjos. Minúcias, segredos e pequenas sobreposições que se espalham de forma a completar a voz firme da cantora.

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Artista: César Lacerda e Romulo Fróes
Gênero: Indie, Folk, Alternativo
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Equilíbrio. Não existe palavra que melhor sintetiza o trabalho da dupla César Lacerda e Romulo Fróes em O Meu Nome é Qualquer Um (2016, Circus / YB). Primeiro registro da parceria entre o cantor mineiro e o músico paulistano, o álbum de arranjos minimalistas e versos ancorados em temas políticos cresce de forma sutil, detalhando uma coleção de versos descritivos, angústias, reflexões e cenários urbanos que servem como pano de fundo para um mesmo personagem.

No disco, uma espécie de anti-herói contemporâneo percorre o Brasil de agora tentando compreender a complexa miríade de assuntos à sua volta. O problema racial, o terceiro sexo, as redes sociais, o assassinato de crianças negras na favela, o amor, a morte“, resume o texto de apresentação da obra. São composições produzidas e gravadas em um intervalo de apenas seis meses, urgência que em nenhum momento se reflete na completa delicadeza do álbum.

Dividido entre as melodias ensolaradas de Lacerda e o tom sóbrio de Fróes, o disco soa como uma extensão adaptada dos dois últimos trabalhos de cada um dos músicos em carreira solo. Vozes, versos e arranjos conceitualmente opostos, mas que acabam se completando no interior do álbum. De um lado, a leveza e o romantismo sonhador que se espalha pelas canções de Paralelos & Infinitos (2015), no outro, a atmosfera cinza que corrói Barulho Feio (2014).

Um bom exemplo disso está na construção de O Homem Que Sumiu, música em que a voz de Fróes ganha destaque, mergulhando em uma coleção de arranjos e temas acústicos, típicos da obra de Lacerda. Uma completa fuga de tudo aquilo que artista paulistano vem produzindo nos últimos anos. No samba Tique Taque, uma inversão. Sempre radiante, a voz do músico mineiro parece encolher, passeia por entre versos declamados e acaba flertando com a obra do parceiro.

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Lugares é o segundo álbum de Alexandre Klinke, paulista que deixou o Brasil há oito anos para morar em Vancouver, Canadá, porém esse é o primeiro que ele lança oficialmente no país. O disco acaba tratando desse limbo de morar em um lugar, mas ter a cultura e raízes em outro. Alexandre também explora lugares e sentimentos que ainda não conheceu como na canção Roma, que é um belo resumo do disco e seus elementos. As canções navegam entre momentos de nostalgia, como em Lugar, em que relembra espaços extremamente brasileiros: “O mato queima no Cerrado, a linha do horizonte avermelhou/O rio cortando o pasto ameniza o sol debaixo do Equador”, canta. Compara a vida do Brasil e do Canadá em Avesso; traz a falta de chão, e o sentimento abstrato de viver entre dois lugares em Distração e Cabeça-coração

Feito com bases eletrônicas, o disco não é apenas mais um disco de música eletrônica, é sim uma mistura de sons e ritmos brasileiros. Dentro das bases que deram início a Lugares, ele foi inserindo instrumentos e voz. Entraram baixo elétrico, instrumentos de percussão, incluindo caixa de fósforos e garrafas de cerveja, viola caipira, pífanos, flautas indígenas e misturou com sintetizadores, samplers e outras texturas eletrônicas. Todos os instrumentos foram tocados por Alexandre, que acabou também gravando, produzindo e mixando o disco sozinho. Uma maneira bem solitária de se fazer um álbum. O disco está disponível para audição no Bandcamp, Spotify e Deezer.

Alexandre Klinke – Lugares

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Mallu Magalhães parece não ter pressa em produzir um novo trabalho em carreira solo. Cinco anos após o lançamento de Pitanga, obra-prima da cantora paulistana e um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2011, a artista segue em meio a pequenas reciclagens, apresentações esporádicas e trabalhos em parceria, caso do bem-sucedido encontro com o marido Marcelo Camelo e o músico português Fred Ferreira no colaborativo Banda do Mar.

De volta ao Brasil para uma série de apresentações em carreira solo – turnê que carrega o nome de “Saudade” –, Magalhães decidiu presentear a público a inédita Casa Pronta. Trata-se de uma típica composição do trabalho apresentado há cinco anos, um samba delicado, essencialmente acolhedor, efeito direto do perfeito diálogo entre a voz doce da artista e o movimento descomplicado que orienta o violão até o último instante.

Mallu Magalhães – Casa Pronta

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Artista: Wado
Gênero: Nacional, Samba, Alternative
Acesse: http://wado.com.br/

Fotos: Alzir Lima/HollyShot

Depois de flertar com a música eletrônica em Samba 808 (2011), incorporar elementos da “bossa nova” no delicado Vazio Tropical (2013) – obra que conta com a produção do músico Marcelo Camelo –, além de esbarrar na crueza do rock que marca o raivoso (e ainda recente) 1977 (2015), o cantor e compositor alagoano/catarinense Wado regressa ao mesmo território dançante que serviu de base para a construção de obras como A Farsa do Samba Nublado (2004) e Terceiro Mundo Festivo (2008).

Em Ivete (2016, Independente), nono registro de inéditas do veterano, um descomplicado jogo de vozes, rimas, batidas e ritmos que instantaneamente convidam o ouvinte a dançar. Dez composições inéditas em que Wado, inspirado pela voz e energia da cantora Ivete Sangalo – “Ivete é a musa a não ser alcançada, ela é norte, mas não é ela quem canta o disco” – mergulha de cabeça na sonoridade da Bahia e grande parte da cultura tropical que movimenta o Norte e Nordeste do país.

Sem pausas, cada composição parece impulsionar de forma entusiasmada a canção seguinte, fazendo do trabalho uma obra essencialmente dinâmica, atrativa aos mais variados públicos. Da abertura, com Alabama, passando por músicas como Um Passo à Frente, Sexo, Filhos de Gandhi e Você Não Vem, Wado e o time de instrumentistas que o acompanham fazem do álbum um verdadeiro carnaval fora de hora, intenso do primeiro ao último verso.

Embora “descompromissado”, Ivete está longe de parecer um registro que se esquiva da poesia política/social de Wado, marca de obras como Terceiro Mundo Festivo e, principalmente, Atlântico Negro (2009). Um bom exemplo disso está na construção da segunda faixa do disco, Terra Santa / Jesus é Palestino, composição que discute com leveza os conflitos entre Israel e Palestina e uma espécie de “continuação” da música Primavera Árabe, nona faixa de Vazio Tropical e outra rápida incursão pelo Oriente Médio.

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Matheus Brant
Nacional/Indie/Alternative
http://matheusbrant.com.br/

 

Assume que gosta de mim assim / Assim como gosta de um pagodinho / Me beija / Me deita, me cheira, me olha assim / Assim como se fosse até o fim me leva”. É impossível ouvir as canções de Assume Que Gosta (2016, Independente) e não sentir vontade de dançar. Segundo registro de inéditas do cantor e compositor mineiro Matheus Brant, o trabalho que conta com produção assinada por Fábio Pinczowski e Mauro Motoki – também integrantes da Ludov -, cresce, dança e provoca, como um convite para o ambiente de versos sedutores, batidas e arranjos quentes que delicadamente cercam o ouvinte.

Inspirado pelo clima do Carnaval, Brant, um dos criadores do popular bloco mineiro Me Beija que Eu Sou Pagodeiro, assume um caminho completamente distinto em relação ao som promovido no álbum anterior, A Semana (2011). Trata-se de um registro de versos e fórmulas descomplicadas. Uma coleção de faixas marcadas pelo romantismo (Me Namorar), instantes de confissões dramáticas (Abandonado) e versos que nascem a partir de diálogos típicos qualquer casal (Do Prazer).

Círculo sem parar no giro do pedal / Pela perna é ela a tração tropical / Minha cabeça girando seguindo a dela / A bicicleta me leva pra ela afinal”, canta Brant na delicada #Magrela, um afoxé repleto de metáforas que resume com naturalidade a lírica versátil do disco. Do Prazer, música em parceria com a paraense Luê, é outra que explora a mesma temática. “Ah, meu amor, você me deu muita vontade de fazer / Será que você fala fala e não me pega pra valer”, duela o casal no interior da faixa. Uma típica canção de novela, grudenta e radiofônica na medida exata.

Apreciador confesso da obra dos Novos Baianos, Brant, que em 2011 regravou o clássico Mistério do Planeta, aos poucos estabeleces pequenas pontes criativas para o trabalho do coletivo baiano. Basta uma rápida passagem pela enérgica Me Namorar, composição que brinca com a mesma sonoridade montada por Pepeu Gomes no clássico Acabou Chorare (1972). Um assertivo encontro entre o samba e o rock que se repete na dobradinha Carnaval e Sereia, esta última, parceria com a cantora mineira Juliana Perdigão.

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A Espetacular Charanga do França
Nacional/Samba/Marchinha
http://thiagofrancaoficial.blogspot.com.br/

 

Foto: Daryan Dornelles

A lírica bem-humorada e o ritmo quente tomam conta de O Último Carnaval de Nossas Vidas (2016, Independente). Aos comandos do saxofonista Thiago França, um time de letristas, músicos e colaboradores da cena paulistana se organizam para puxar o bloco d’A Espetacular Charanga do França, um misto de coletivo e bloco carnavalesco orientado pelo músico a desfilar pelo bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo.

No time de colaboradores responsáveis pelos arranjos da presente obra, nomes como Allan Abbadia (trombone), Amílcar Rodrigues (trompete e flugelhorn), Anderson Quevedo (sax barítono e flauta), Filipe Nader (tuba), Wellington Pimpa Moreira (bateria e agogô) e Samba Sam (surdo). Nos vocais, parceiros de longa data do saxofonista, caso de Juçara Marçal, Tulipa Ruiz, Romulo Fróes, Rodrigo Campos, Maria Beraldo Bastos, Samba Sam, Caê Rolfsen e Rafa Barreto.

Curva brusca em relação aos últimos trabalhos assinados por França – Sambanzo, Marginals, Metá Metá ou como “muso” do Passo Torto -, cada faixa do presente disco se orienta como um cômico retrato do cotidiano em qualquer centro urbano. Temas como gourmetização, o universo das academias, separação, boa forma, sexo e redes sociais. Um estímulo para o catálogo faixas que preenchem o interior da obra e atualizam o repertório de velhas marchinhas.

Seu sofá retrô de frente pra tevê / É costumizado / Faz um fitness irado, profissional / Localizado… Se vai pra cozinha, é moderninha / Gourmetizada / Prepara um limão detox, pinta o seu botox / E vai pra balada”, entrega o coletivo na satírica Gourmetizada, um retrato provocativo da elite-hipster-paulistana, mas que instantaneamente convida o ouvinte a dançar. Outras como Marchinha do pitbull (homo pitbullicus) e Cara do Apetite brincam com o mesmo conceito, incorporando referencias culturais, sociais e econômicos recentes em uma linguagem bem-humorada.

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