Prolífico, o produtor mineiro João Carvalho passou grande parte do último ano se dividindo na composição de diferentes projetos – como Sentidor, El Toro Fuerte e Rio Sem Nome. Em 2017 não deve ser diferente, visto que o artista deve repetir a mesma dose. Além de assumir parte da produção de Filho do Meio (2017), novo álbum de inéditas do parceiro Jonathan Tadeu, Carvalho anuncia a chegada de um novo (e ainda mais experimental) projeto sob o título de Sentidor: Am_Par_Sis (2017).

Trata-se de uma obra montada a partir de fragmentos instrumentais, samples e vozes recortadas do álbum Passarim (1987), um dos últimos trabalhos do maestro e compositor brasileiro Tom Jobim (1927 – 1994). “O disco imagina o que aconteceria se Passarim fosse redescoberto numa versão futura do Rio de Janeiro“, explica o texto de apresentação do álbum. Uma desconstrução pós-apocalíptica que se revela de forma inteligente a faixa-título do disco, canção escolhida para anunciar o novo projeto.

 

Am_Par_Sis

1. Pedreira
2. Ruínas
3. Am_Par_Sis
4. Passarim
5. Incêndio
6. Erva
7. Oceano
8. Caminho do Pixo
9. Caminho do Pixo pt.2/Ritual
10. Ritual pt.2/Praia
11. O Pássaro Canta Parecido Com A Música Que Fizemos

Am_Par_Sis (2017) será lançado no dia 24/03 via Sounds and Colours / Geração Perdida.

 

Sentidor – Am_Par_Sis

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Pouco menos de um ano após o lançamento de Queda Livre – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016 –, o cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu está de volta com um novo álbum de inéditas. Intitulado Filho do Meio (2017), o trabalho que conta com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida de Minas Gerais “aponta para uma ruptura na sonoridade do músico”, como indica o texto de apresentação do single Fantasmas, composição escolhida para anunciar o novo registro.

Com produção dividida entre Tadeu e o músico João Carvalho (Sentidor, El Toro Fuerte e Rio Sem Nome), Fantasmas encanta pela leveza dos arranjos, ruídos e temas eletrônicos que delicadamente se espalham ao fundo da composição. Um precioso lamento musicado que ultrapassa os limites do “rock triste” para flertar com o pós-rock e conceitos originalmente testados por artistas como Sparklehorse e The Postal Service. A canção ainda chegada acompanhada de um clipe dirigido pelo fotógrafo e videomaker mineiro Flávio Charchar.

 

Filho do Meio

1. Fantasmas
2. Sorriso Amarelo
3. Deus Sempre Mata Os Saudosistas Primeiro
4. Lupe de Lupe
5. Questão de Classe
6. Festa de Despedida
7. Araxá 500
8. Alicerce

Filho do Meio (2017) será lançado no dia 04/04 via Geração Perdida de Minas Gerais.

 



Jonathan Tadeu – Fantasmas

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Artista: Sentidor
Gênero: Ambient, Experimental, Electronic
Acesse: http://sentidor.bandcamp.com/

 

Os cenários esverdeados e aconchegantes do interior do Brasil pouco a pouco são montados na cabeça do ouvinte durante a audição de Memoro Fantomo_Rio Preto (2016, Independente). Mais recente trabalho de inéditas do mineiro João Carvalho como Sentidor, o registro de treze faixas não apenas revela o uso atento de texturas e ambientações eletrônicas típicas de grandes nomes da cena estrangeira, como reflete com naturalidade sensação de mudança a cada novo fragmento instrumental, fazendo do registro uma obra viva.

Como indicado no próprio título do trabalho, o sucessor do também delicado Dilúvio, de 2015, se divide de forma explícita em dois atos distintos. Na primeira metade, Memoro Fantomo. São oito composições em que Caravalho parece confortar o ouvinte. Paisagens, cenas e pequenos acontecimentos cotidianos remontados de forma instrumental. Em Célula_1, por exemplo, terceira faixa do disco, é possível visualizar um grupo de crianças brincado em um fim de tarde, proposta que muito se assemelha ao clássico Music Has the Right to Children (1998), da dupla Boards of Canada.

Da abertura do disco, em Os Momentos Plenos Da Minha Vida São Verdes, passando por faixas como Dezembro, Guara Pari, Inverno até alcançar a derradeira Nascer Do Sol, Janeiro, Carvalho parece jogar com as sensações do ouvinte. Um jogo atento de sintetizadores sobrepostos, fragmentos de vozes e pequenos entalhes eletrônicos. Sem pressa, cada composição nasce como um ato isolado, curioso, histórias contadas mesmo na ausência de voz, como se diferentes personagens e cenários fossem apresentados ao público no interior de cada canção.

Em Rio Preto I, nona faixa do disco, a passagem para um novo universo de composições. Enquanto todo o primeiro ato do trabalho parece refletir uma atmosfera acolhedora, pueril e matutina, efeito da profunda leveza de cada fragmento eletrônico, Carvalho faz do segundo bloco de canções uma completa inversão desse resultado. São canções densas, obscuras e amargas, como se a música do artista mineiro dialogasse com a noite, esbarrando vez ou outra na obra de artistas como Oneohtrix Point Never e, principalmente, Tim Hecker, influência confessa do músico.

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