Depois de uma espera de 22 anos, os integrantes do Slowdive anunciam a chegada de um novo álbum de inéditas da banda. Autointitulado, o trabalho conta com oito faixas inéditas, entre elas, a já conhecida Star Roving, música apresentada ao público em janeiro deste ano. Com capa inspirada no filme Heaven and Earth Magic (1962), dirigido pelo experimental Harry Smith, o sucessor de Pygmalion (1995) acaba de ter mais uma faixa divulgada: Sugar for The Pill.

Serena, a canção guiada pela voz e guitarras etéreas de Neil Halstead se espalha lentamente, arrastando o ouvinte para dentro dela. Uma extensão do mesmo rock-ambiental incorporado pela banda durante a construção do clássico Soulvaki (1993). Para o clipe da música, a banda decidiu explorar o projeto gráfico do novo disco. São imagens recortadas e adaptadas do trabalho de Harry Smith, posicionando o grupo como um elemento vivo dentro desse universo de formas abstratas.

 

Slowdive

01 Slomo
02 Star Roving
03 Don’t Know Why
04 Sugar for the Pill
05 Everyone Knows
06 No Longer Making Times
07 Go Get It
08 Falling Ashes

Slowdive (2017) será lançado no dia 05/05 via Dead Oceans.

 

Slowdive – Sugar for the Pill

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Aos comandos de Nick Chaplin, Rachel Goswell, Neil Halstead, Christian Savill e Simon Scott, o Slowdive, grupo original da cidade de Reading, Inglaterra, fez da curta discografia o ponto de partida para a algumas das principais canções do Shoegaze/Dream Pop. Faixas como Alison, Machine Gun, Souvlaki Space Station e outros clássicos – veja nossa lista com 10 músicas para gostar de Slowdive –, que continuam a servir de inspiração para diferentes projetos.

Principal atração do Balaclava Fest 2017, a banda se apresenta no dia 14 de maio no Cine Joia, em São Paulo. Aproveitando o evento, organizamos os três álbuns de inéditas do grupo do pior para o melhor lançamento em mais uma edição da nossa seção Cozinhando Discografias – especial que já analisou projetos como Led Zeppelin, Beach House e Mogwai. Nos comentários, conta pra gente: qual é a sua música e disco favorito do Slowdive?

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Artista: Jay Som
Gênero: Indie, Alternativa, Dream Pop
Acesse: https://jaysom.bandcamp.com/

 

Se você observar a ficha técnica ou encarte de qualquer trabalho recente produzido por Melina Duterte vai encontrar uma assinatura padrão: “Gravado, mixado e masterizado no quarto de Melina”. Inspirada pelo trabalho de veteranos da cena independente dos Estados Unidos, como Yo La Tengo e Pixies, a cantora e compositora original de Oakland, Califórnia, decidiu não perder tempo, assumindo ela mesma o total controle e produção de cada trabalho lançado sob o título de Jay Som nos últimos anos.

Em Everybody Works (2017, Polyvinil / Doble Denim), segundo trabalho de Duterte com distribuição em um selo de médio porte, a mesma atmosfera “caseira” na composição dos arranjos e vozes. Um som deliciosamente artesanal, particular, porém, polido pela forma como a cantora e produtora detalha cada elemento no interior do disco. Guitarras, sintetizadores, batidas e vozes que escapam do som Lo-Fi de clássicos recentes do bedroom-pop para um terreno marcado pela limpidez e refinamento.

Uma explosão das guitarras e vozes em 1 Billion Dogs, música que lembra o Dinosaur Jr. no final dos anos 1980. A melancolia doce em The Bus Song, um passeio breve pelo rock psicodélico. O som melódico, quase pop, de Baybee, possivelmente a canção mais acessível de todo o trabalho. Ruídos de um celular e pequenas interferências em Take It. Batidas tropicais em One More Time, Please. De forma curiosa, sempre atenta, Duterte faz de cada composição um objeto precioso, grudento, como uma típica canção radiofônica.

Parte desse cuidado na formação de Everybody Works vem do confesso interesse da musicista pelo último trabalho da cantora canadense Carly Rae Jepsen. “Eu estava ouvindo muito Carly Rae Jepsen para ser honesta. E • MO • TION (2015) realmente inspirou muitas composições em Everybody Works”, respondeu no texto de lançamento do trabalho. Da abertura ao fechamento do disco, a busca declarada por um som cada vez mais acessível, conceito anteriormente explorado pela artista durante o lançamento do antecessor Turn Into (2016).

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Quem acompanha o trabalho de Melina Duterte sabe da capacidade da cantora e guitarrista em produzir um som caótico e doce na mesma medida. Melodias sujas que parecem saídas de algum lugar no começo da década de 1990. A mesma explosão de sons produzida por artistas como Mitski, Speedy Ortiz e outros nomes de peso da presente cena norte-americana. Próxima de lançar o primeiro álbum de estúdio sob o nome de Jay Som, a cantora apresenta a inédita 1 Billion Dogs.

Assim como grande parte das canções produzidas pela artista para Everybody Works (2017), como The Bus Song, a nova faixa parece montada em diferentes camadas. Instantes em que Duterte flutua entre a explosão das guitarras no melhor estilo The Breeders, passa pelo coros de vozes pegajosas à la Liz Phair e logo em seguida mergulha em um solo completamente instável, louco, princípio de grande parte do repertório acumulado pela artista desde o começo da carreira.

Everybody Works (2017) será lançado no dia 10/03 via Polyvinyl Records

 

Jay Som – 1 Billion Dogs

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Star Roving, esse é o título da primeira composição inédita do Slowdive em 22 anos. Ponto de partida para um novo registro de estúdio do grupo de Reading – o primeiro desde o ótimo Pygmalion, lançado em 1995 –, a canção parece seguir exatamente de onde a banda parou no meio da década de 1990. Vozes submersas, paredões imensos de guitarras e texturas produzidas a partir da atenta sobreposição de ruídos. Pouco mais de cinco minutos em que a essência do grupo britânico se revela por completo.

Formado no final da década de 1980, o Slowdive conta com um limitado, porém, rico acervo de obras. Entre os trabalhos da banda, o clássico Souvlaki (1993), um dos principais registros da década de 1990 e a inspiração para diferentes projetos do dream pop/shoegaze recentes. Em hiato desde 1995, o grupo anunciou o retorno aos palcos em 2014 com uma série de apresentações ao vivo. Com lançamento pelo selo Dead Oceans, o novo disco da banda  para os próximos meses.

 

Slowdive – Star Roving

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Formada por Cinty Murph (vocal e teclado), Priscila Lopes (baixo), Camila Ribeiro (bateria) e Rodrigo Lima (guitarra), In Venus é uma banda de pós-punk/rock alternativo que se divide entre o som sujo da década de 1980 e um discurso bastante atual. Original da cidade de São Paulo, o quarteto acaba de lançar o primeiro single da carreira, Mother Nature, uma perfeita síntese de todo o universo de referências (instrumentais e poéticas) que abastecem o trabalho do grupo.

Com distribuição por três selos diferentes – Efusiva, PWR e Howlin Records –, a canção de apenas três minutos confirma toda a versatilidade do grupo. Enquanto os versos exaltam Gaia, a Mãe Natureza, musicalmente, a canção se espalha em meio a ruídos, quebras bruscas e doses consideráveis de distorções. Arranjos e vozes que dialogam com o som produzido por estrangeiros como Savages e Preoccupations, porém, mantém firme a essência do quarteto paulistano.

 

In Venus – Mother Nature

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Yuck
Indie/Alternative/Rock
http://www.yuckband.com/

 

A originalidade nunca foi uma marca do Yuck. Do homônimo álbum de estreia, lançado em 2011, até a chegada de Glow & Behold (2013) e Southern Skies EP (2014), já sem o ex-vocalista Daniel Blumberg, visitar o passado de forma nostálgica sempre foi uma das principais características do grupo britânico. Um delicado exercício de “reinterpretação” que passeia por clássicos do rock alternativo e volta a se repetir com a chegada de Stranger Things (2016, Balaclava).

Tão enérgico e enfurecido quantos os dois últimos trabalhos do grupo, o presente álbum mostra a capacidade da banda – hoje formada por Max Bloom, Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes – em brincar com diferentes sonoridades e tendências sem necessariamente perder o controle. Guitarras sujas e vozes melódicas que poderiam facilmente ser encontradas em obras de veteranos como Dinosaur Jr., Built To Spill, Pavement, além de outros gigantes que continuam a servir de inspiração para a banda.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do grupo? O som essencialmente pegajoso que orienta cada uma das 11 canções do disco. Da letra acessível que inaugura o disco com Hold Me Closer, passando pelas guitarras estridentes de Cannonball e o som dançante de Only Silence, difícil escapar das canções apresentadas em Stranger Things. De fato, esse talvez seja o trabalho que mais se aproxima do primeiro álbum de estúdio da banda, uma verdadeira coletânea de hits como Get Away e The Wall.

Mais do que uma obra de reverência, faixas como Down reforçam o quanto a banda parece em busca de um som autoral, particular. Longe do material que poderia ser de Kevin Shields ou Stephen Malkmus, são arranjos tímidos e pequenos encaixes detalhistas que transportam o ouvinte para um novo território. Swirling é outra que mostra o quarteto em um ambiente de novidades. Vozes e arranjos semi-acústicos que criam uma espécie de abrigo intimista no interior da obra.

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Direto de Brasília, a dupla DeltaFoxx, formada pelos músicos e produtores Cris Quizzik e Fábio Popinigis, vem causando um grande barulho pela internet, pois tem lançado uma música melhor que a outra. Os meninos lançaram essa semana sua mais nova faixa, a dançante e quente “Runaway”, lançada gratuitamente no soundcloud, para quem quer curtir o carnaval com um pouco mais de sintetizadores e menos axé. A faixa cheia de energia, foi construída com as características de sempre do projeto, unindo os melhores timbres e batidas…Continue Reading “DeltaFoxx: “Runaway””

DIIV
Indie Rock/Dream Pop/Alternative
https://www.facebook.com/diivnyc/

 

Ouvir Is the Is Are (2016, Captured Tracks) é como ser arrastado para dentro de um imenso turbilhão de emoções, ruídos e sentimentos confessos. Guitarras crescem e encolhem a todo o instante, sempre replicando diferentes conceitos instrumentais explorados nas décadas de 1980 e 1990. Uma colisão de fórmulas, referências e pontes atmosféricas que sustentam na voz abafada do líder Zachary Cole Smith a base para o nascimento de letras marcados por temas pessoais (Out of Mind), delírios (Take Your Time) e conflitos amorosos (Dopamine).

Musicalmente amplo, livre do pós-punk hermético produzido durante o lançamento de Oshin (2012), álbum de estreia do DIIV, Is the Is Are é uma obra que lentamente brinca com as possibilidades. Ruídos ásperos que abraçam o shoegaze em Incarnate Devil, solos de guitarra essencialmente melódicos em Mire (Grant’s Song), a voz doce, por vezes pegajosa, de Smith em Dopamine e Under the Sun. Pouco mais de 60 minutos de duração em que o grupo nova-iorquino arremessa o ouvinte para todas as direções.

Verdadeiro mosaico de cores cinzentas, cada faixa do álbum parece buscar conforto em diferentes cenários, épocas e tendências instrumentais. Se em instantes o DIIV soa como o R.E.M. nos primeiros álbuns de estúdio – vide as guitarras da inaugural Out of Mind ou a crescente Yr Not Far -, em poucos segundos um novo catálogo de ideias e sonoridades parecem revisitadas. The Cure em Healthy Moon, The Raplacements nas guitarras de Under The Sun, Slowdive e Ride nos ruídos hipnóticos de Mire (Grant’s Song). Uma delicada expansão do rico acervo apresentado pelo grupo em Oshin.

Ambientado em um universo próprio de Zachary Cole Smith, Is The Is Are lentamente mergulha em um cenário marcado pela desordem, consumo excessivo de drogas e confissões alucinadas do músico. “You’re the sun and I was your cloud / Burning out, running in place / Got so high I finally felt like myself”, canta o vocalista em Dopamine, uma canção que cruza amor e lisergia de forma intensa, quente, um estímulo para o nascimento de faixas como Valentine (“Stuck inside of me / In tragedy i’m complete”) e Blue Boredom (“Thief for a chance / Kiss for a catch”), esta última, uma parceria entre Smith e a ex-namorada, a cantora Sky Ferreira.

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. Resistir ao trabalho da dupla School Of Seven Bells nas últimas semanas não tem sido uma tarefa nada fácil. Com três ótimos discos na bagagem – Alpinisms (2008), Disconnect from Desire (2010) e Ghostory (2012) -, a banda reserva para o dia 26/02 o lançamento de SVIIB (2016), primeiro registro de inéditas desde a morte do guitarrista Benjamin Curtis, em 2013. Além de On My Heart e Open Your Eyes, a recém-lançada Ablaze foi a nova escolhida para conduzir o público até o aguardado quarto álbum de estúdio….Continue Reading “School Of Seven Bells: “Ablaze””