Artista: Ryan Adams
Gênero: Rock, Alternativo, Folk
Acesse: http://paxamrecords.com/

 

Guitarras e batidas exploradas de forma crescente e dramática. Ao fundo da canção, o uso climático dos teclados, instrumento trabalhado como um complemento aos versos românticos que explodem de forma sempre exagerada, brega: “Você ainda me ama, bebê?”. Bastam os primeiros minutos de Do You Still Love Me? para que o ouvinte seja rapidamente transportado para dentro do novo (e melancólico) álbum de Ryan Adams: Prisoner (2017, PAX AM / Blue Note).

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor norte-americano desde o homônimo álbum lançado em 2014 e também sucessor da controversa adaptação do disco 1989 (2015), de Taylor Swift, Prisoner é, como grande parte dos trabalhos de Adams, um doloroso registro de separação. Trata-se de uma coleção de memórias ainda recentes e versos sorumbáticos que refletem todo o processo de distanciamento do artista e sua ex-esposa, a cantora e atriz Mandy Moore.

A principal diferença em relação a outros trabalhos produzidos pelo músico, caso do melancólico Gold (2001) e Love Is Hell (2004), está na forma como Adams abraça de vez o rock dos anos 1970/1980 como um estímulo para a construção de toda a atmosfera do disco. Difícil não lembrar de Bruce Springsteen, Dire Straits e Fleetwood Mac à medida que o álbum avança, efeito do evidente diálogo do músico com toda uma geração de representantes do famigerado “Dad Rock”.

O som ecoado das batidas e vozes, arranjos eletroacústicos e versos que se espalham em meio a delírios românticos, angústias e pequenas confissões. “Eu poderia esperar mil anos, meu amor / Eu esperaria por você / Eu poderia ficar em um só lugar, meu amor / E nunca me mover”, canta em Doomsday, uma dolorosa síntese do som amargo que preenche o disco. Instantes em que os sentimentos mais profundos de Adams se transformam em um retrato das desilusões de qualquer ouvinte.

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Artista: Sampha
Gênero: R&B, Soul, Alternativo
Acesse: http://sampha.com/

 

Do verso sampleado em Too Much, colaboração com Drake no álbum Nothing Was the Same (2013), passando pela temática racial de Don’t Touch My Hair, parceria com a cantora Solange em A Seat at the Table (2016), poucos artistas se mostraram tão ativos nos últimos anos quanto o britânico Sampha. Em um intervalo de meia década, uma seleção de faixas ao lado de Kanye West, Frank Ocean, Jessie Ware, SBTRKT e Lil Silva, isso sem mencionar dois ótimos EPs — Sundanza (2010) e Dual (2013) —, e toda uma variedade de composições produzidas de forma independente.

Com todo esse repertório e vasta experiência, difícil encarar o recém-lançado Process (2017, Young Turks) como um típico álbum de estreia. Da abertura do disco, em Plastic 100°C, passando por músicas já conhecidas, caso de Blood On Me e (No One Knows Me) Like the Piano, cada segundo do presente trabalho se projeta como uma verdadeira confirmação. Em um intervalo de 40 minutos, Sampha e um time reduzido de colaboradores parecem jogar com os versos e sentimentos, reescrevendo diferentes aspectos do Soul/R&B produzido em território britânico.

Assim como nos últimos dois EPs, Sampha faz de cada composição um fragmento pessoal, sempre intimista. Produzido em parceria com Rodaidh McDonald — produtor escocês que já trabalhou ao lado de artistas como The XX, How To Dress Well e Adele —, o trabalho de dez ser faixas espalha em meio a versos dolorosos, conceito escancarado em músicas como Under (“Eu continuo a nadar nesses olhos”) e Incomplete Kisses (“Não me abandone aqui”). Memórias, tormentos e sussurros românticos que arrastam o ouvinte para dentro de um território consumido em essência pela dor.

Quarta música do disco, (No One Knows Me) Like the Piano sintetiza com naturalidade o aspecto melancólico da obra. Trata-se de um retrato amargo do período em que a mãe do cantor enfrentou um câncer. O mesmo conceito intimista se reflete em What Shouldn’t I Be?, canção marcada por diferentes acontecimentos envolvendo membros da família do cantor — “Eu deveria visitar meu irmão”. Em Blood On Me, faixa mais intensa do disco, um tema ainda mais complexo, pessoal. Entre batidas e versos fortes, a literal descrição de um pesadelo — “Eu juro que eles cheiram o sangue em mim / Eu os ouço vindo para mim”.

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Dois anos após o lançamento do último registro de inéditas, o mini-disco Another One (2015), Mac DeMarco está de volta com um novo álbum de estúdio. Intitulado This Old Dog, o trabalho é o primeiro grande projeto do o cantor e compositor canadense desde o elogiado Salad Days – 14º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014. São treze novas composições em que DeMarco mantém firme a mesma sonoridade descomplicada dos primeiros discos autorais.

Para anunciar a chegada do registro, o artista apresenta ao público duas composições inéditas. De um lado, a melancólica My Old Man, composição que se espalha em meio a batidas eletrônicas e guitarras tímidas. No outro oposto, This Old Dog, uma típica canção do músico canadense, sempre romântico e confessional a cada novo fragmento de voz.  Junto das duas faixas, DeMarco aproveitou para apresentar a capa do disco (imagem acima), uma ilustração que conta com a assinatura do próprio artista.

 

This Old Dog

01 My Old Man
02 This Old Dog
03 Baby You’re Out
04 For the First Time
05 One Another
06 Still Beating
07 Sister
08 Dreams From Yesterday
09 A Wolf Who Wears Sheeps Clothes
10 One More Love Song
11 On the Level
12 Moonlight on the River
13 Watching Him Fade Away

This Old Dog (2017) será lançado no dia 05/05 via Captured Tracks.

 

Mac DeMarco – My Old Man

Mac DeMarco – This Old Dog

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Sampha não poderia ter pensado em um título melhor para o single (No One Knows Me) Like The Piano. Parte do esperado primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor britânico, Process (2017), a canção movida pelo uso de pianos melancólicos, sempre intimistas, sintetiza com naturalidade os instantes de forte melancolia que há meia década alimentam o trabalho do músico. Canções como a dolorosa Too Much, de 2013, movida apenas pela voz e piano, tal qual a recente faixa.

Entregue ao público poucos meses após o lançamento da intensa Blood On Me, uma das melhores músicas de 2016,(No One Knows Me) Like The Piano indica o caminho versátil assumido por Sampha dentro do primeiro grande registro de inéditas. Com dois bons EPs em mãos – Sundanza (2010) e Dual (2013) –, e trabalhos assinados em parceria com artistas como Drake, Frank Ocean e Solange, a estreia do músico britânico ainda conta com distribuição pelo selo Young Turks, casa de artistas como The XX e FKA Twigs.

Process (2017) será lançado no dia 03/02 via Young Turks.

 

Sampha – (No One Knows Me) Like The Piano

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É difícil escapar dos trabalhos produzidos pela cantora e compositora britânica Laura Marling. Dona de uma sequência de grandes obras – caso dos recentes Once I Was an Eagle (2013) e Short Movie (2015) –, a musicista de Berkshire anuncia para o começo de março a chegada de um novo registro de inéditas. Intitulado Semper Femina (2017), o trabalho que conta com a excelente Soothing, lançada em 2016, acaba de ser reforçado com a também inédita Wild Fire.

Ora cantada, ora declamada, a música que utiliza de arranjos sutis e batidas sempre contidas mostra a força do trabalho de Marling, sempre intimista, romântica e sensível. Enquanto os versos buscam apoio na boa safra do Folk produzido na década de 1970, difícil não lembrar de Fiona Apple e obras como Extraordinary Machine (2005) ou The Idler Wheel… (2012) na composição atmosférica da faixa, sonoridade também explorada em Soothing.

Semper Femina (2017) será lançado no dia 10/03 via More Alarming Records.

 

Laura Marling – Wild Fire

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Com leveza e certa dose de melancolia, Julie Byrne passou as últimas semanas preparando o terreno para o inédito Not Even Happiness (2017). Mais recente trabalho de estúdio da cantora e compositora nova-iorquina, o sucessor de Rooms With Walls and Windows (2014) indica um claro amadurecimento por parte da artista, transformação explícita no detalhamento de músicas como Natural Blue, Follow My Voice e, mais recentemente, a delicada I Live Now As A Singer.

Flutuando em uma nuvem de melodias atmosféricas, Byrne não apenas reforça o diálogo com diferentes nomes do folk norte-americano, como Angel Olsen e Cat Power, como assume uma sonoridade própria, quase etérea. São arranjos acústicos que se espalham em meio a sintetizadores densos, por vezes íntimos do trabalho de Angelo Badelamenti na trilha sonora de Twin Peaks. Nos versos, a busca declarada pela libertação e um lugar para chamar de “casa”.

Not Even Happiness (2017) será lançado no dia 27/01 via Ba Da Bing.

 

Julie Byrne – I Live Now As A Singer

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Dono de um dos melhores discos lançados na década passada, Night Falls Over Kortedala (2007), o cantor e compositor sueco Jens Lekman está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Life Will See You Now (2017), o álbum de apenas dez faixas é o primeiro trabalho do músico desde o ótimo I Know What Love Isn’t, de 2012. Para anunciar o disco, Lekman apresenta What’s That Perfume You Wear?, faixa que indica a direção seguida no restante da obra.

Entre melodias descomplicadas, íntimas dos principais trabalhos produzidos pelo músico, a canção de quase quatro minutos lentamente se abre para a inclusão de batidas, guitarras ensolaradas e temas eletrônicos. A mesma atmosfera tropical, quente, originalmente testada por Lekman dentro do EP An Argument with Myself, lançado em 2011. Nos últimos anos, o cantor ainda apresentou uma série de composições avulsas e até uma mixtape intitulada MMJD, em 2014.

 

Life Will See You Now

01 To Know Your Mission
02 Evening Prayer
03 Hotwire the Ferris Wheel
04 What’s That Perfume You Wear?
05 Our First Fight
06 Wedding in Finistère
07 How We Met, The Long Version
08 How Can I Tell Him
09 Postcard #17
10 Dandelion Seed

Life Will See You Now (2017) será lançado no dia 17/02 via Secretly Canadian.

 

Jens Lekman – What’s That Perfume That You Wear?

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No dia 25 de fevereiro deste ano, o clássico Either/Or (1997), um dos principais trabalhos do cantor e compositor norte-americano Elliott Smith completa duas décadas de lançamento. Para celebrar a data, o selo Kill Rock Stars, por onde foram lançados alguns dos principais registros do músico, anuncia uma edição especial e remasterizada da obra. Além das 12 versões originais do disco, a nova versão do álbum ainda conta com uma seleção de faixas inéditas.

Uma das canções que recheiam o trabalho, I Figured You Out mostra toda a sutileza do som produzido por Smith. Entre versos intimistas, arranjos econômicos, semi-acústicos, se espalham lentamente ao fundo da composição, como um complemento à voz tímida do cantor. Concebida durante o processo de produção do disco, a nova faixa ainda chega acompanhada de outras oito canções inéditas, parte expressiva delas forma por versões caseiras e gravadas ao vivo.

Either/Or: Expanded Edition (2017) será lançada no dia 10/03 via Kill Rock Stars.

 

Elliott Smith – I Figured You Out

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Lentamente, o repertório produzido pelo cantor e compositor fluminense Licio se amplia. Dono de um reservado acervo de faixas marcadas pela leveza dos versos e arranjos, caso de Eu Não Sei Nadar e G áve a, o músico anuncia para o ano de 2017 a chegada de um novo álbum de inéditas. Ainda sem título, o trabalho resume na fluidez tímida e captação ao vivo de À Árvore parte das experiências que devem ser exploradas pelo artista nos próximos meses.

Misto de homenagem e despedida, a música detalha uma sequência de versos que aproximam o ouvinte da Casa da Árvore, uma residência artística no Rio de Janeiro onde já passaram nomes de destaque como Momo, Lucas Vasconcellos e Rubel. Para a captação da faixa, um trabalho em conjunto entre a produtora e fotógrafa Fharah Mahrmud e o diretor João Arthur. Uma seleção de imagens acolhedoras que dialoga com a voz e os arranjos tímidos da canção.

 

Licio –  À Árvore

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Pouco mais de um ano após o lançamento do segundo álbum em carreira solo, Inverno (2015), o cantor e compositor Marcelo Perdido está de volta com um novo registro de inéditas. Reflexo da mudança do artista para Portugal, Bicho (2016) entrega ao público uma sequência de faixas marcadas pela transformação, despedida e saudade. Um repertório econômico, apenas dez composições que rapidamente transportam o ouvinte para dentro do universo particular de Perdido.

Além da psicodélica Muda, composição entregue ao público há poucas semanas, o trabalho ainda conta com uma sequência de faixas como a delicada (e descritiva) Passarinha, música que flutua entre o romantismo e fragmentos do cotidiano. Sobram ainda canções aos moldes de Primavera em Mim, parceria com João Erbetta, e a caseira Empate, música assinada em parceria com o lusitano Filipe Sambado, também produtor do álbum.

 

Marcelo Perdido – Bicho

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