Tag Archives: Singles

Kelela: “OICU” (Feat. Le1f)

.

Ainda que pareçam atuar em direções opostas, a base para o trabalho de Kelela e Le1f sempre foi a mesma. Dos arranjos e batidas eletrônicas limpos – típicos dos anos 1990 -, ao uso comum de temas fragmentados entre o rap e o R&B, o duo norte-americano se encontra agora para dividir os próprios sentimentos na inédita OICU, um resumo coeso do som projetado pela dupla nos últimos dois anos.

Com produção assinada por P. Morris, a faixa parece movida pelos contrastes. De um lado, a rima lenta e suja do rapper nova-iorquino, no outro, as vocalizações densas, íntimas do som projetado pela cantora em Cut 4 Me (2013). Expressão vocal e lírica do que há de mais coeso no trabalho solo de cada artista, OICU bem poderia servir de passagem para um álbum/EP inteiro de faixas partilhadas entre a dupla.

.

Kelela – OICU (Feat. Le1f)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Katy B: “Little Red Light”

.

O lançamento de Little Red (2014) no começo de fevereiro confirmou apenas o óbvio: Katy B está cada vez mais interessada na música pop. Ainda que esse resultado já fosse expressivo na estreia da cantora, On a Mission (2011), ao alcançar o segundo disco, B e os produtores simplificaram ainda mais as batidas e arranjos, reforçando a formação de versos melódicos de forma a projetar músicas essencialmente comerciais – caso de Crying for No Reason.

Tão convincente quanto no primeiro disco, a artista britânica parece preparada para abraçar o grande público, posição que em nenhum momento a afasta da fase inicial. Em Little Red Light, faixa que acabou de fora do novo álbum, todos os elementos do disco de estreia voltam a se repetir. Íntima do pop ressaltado na presente, ao mesmo tempo em que resgata elementos do primeiro disco – como o dancehall -, a nova canção resume com acerto (e versos pegajosos) toda a natureza de B.

.

Katy B – Little Red Light

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Les Sins: “Bother”

.

Quem acompanha o obra de Chaz Bundick desde o fim da década passada sabe: o produtor é uma verdadeira máquina de fazer música. Mais conhecido pelo trabalho com o Toro Y Moi, o norte-americano está longe de concentrar seus esforços em um único projeto. Além dos três discos recentes lançados pela banda – Causers of This (2010), Underneath the Pine (2011) e Anything in Return (2013) -, Bundick ainda se envolveu na produção de diversos singles/álbuns, assinou remixes e ainda tira um tempo para o Les Sins, o principal projeto paralelo do músico.

Depois de despertar a curiosidade do público com algumas faixas avulsas, chega a hora de Bundick apresentar o primeiro álbum do projeto: Michael (2014). Previsto para o começo de dezembro, o trabalho carrega nas batidas e samples de Bother uma continuação dos últimos singles e espécie de preparativo para o material lançado em breve pela Carpark. Acima, a capa do disco, tradicional representação do “movimento artístico” paintshop e peça que já ocupa um lugar de destaque na nossa lista das piores artes de 2014.

.

Les Sins – Bother

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Fábrica: “Dois EP”

.

Oposto ao pop-rock-Los-Hermanos do álbum de estreia, em Grão (2013) a banda carioca Fábrica conseguiu encontrar um novo e envolvendo posicionamento lírico/musical. Ainda que orientado por arranjos complexos, o trabalho, um dos 50 melhores de 2013, em nenhum momento tende ao exagero dos experimentos, mantendo firme a linha melódica inicialmente proposta por Emygdio Costa, o grande responsável pela banda.

Nada poderia ser mais satisfatório do que perceber em Dois EP (2014) a mesma sonoridade exaltada no trabalho anterior. Colaboração entre Costa e o parceiro de criação/amigo, Cadu Tenório (Ceticências, Sobre a Máquina), o pequeno registro assume em duas faixas toda a maturidade da banda. Abastecido por uma versão tímida de Vambora, da cantora Adriana Calcanhotto, o trabalho chama de fato a atenção pela sutileza de Córrego, uma criação delineada por ruídos e vozes doces, mas que resume de forma aprimorado a atual proposta da banda. Ouça abaixo.

.

Fábrica – Dois EP

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Charli XCX: “Break The Rules”

.

A boa recepção do clipe/single Fancy, parceria com a rapper Iggy Azalea, bem como a inclusão de Boom Clap na trilha sonora do filma A Culpa É Das Estrelas (2014) aproximaram ainda mais Charli XCX do grande público. Todavia, longe de parecer seduzida pelas fórmulas prontas e artifícios do pop “tradicional”, a artista britânica mantém firme a sonoridade proposta desde os primeiros trabalhos, estrutura que convence em toda a formatação da inédita Break The Rules.

Extensão natural do single Superlove e ainda capaz de refletir os mesmos conceitos lançados em True Romance (2013), a faixa chega para anunciar o novo disco solo da cantora: Sucker (2014). Agendado para o dia 21 de outubro e contando com distribuição pelos selos Neon Gold e Atlantic, Sucker tem tudo para se transformar em mais um dos grandes exemplares da música pop em 2014.

.

Charli XCX – Break The Rules

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Caribou: “Our Love”

.

Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco que chega oficialmente em outubro.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

.

Caribou – Our Love

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Peaking Lights: “Breakdown”

.

Com 936 (2011) e Lucifer (2012) como obras mais recente, o casal Aaron Coyes e Indra Dunis conquistou um espaço definitivo dentro da recente cena psicodélica que ocupa a costa oeste dos Estados Unidos. Em processo de “refinamento pop” que teve início no trabalho de 2011, a dupla vinda de São Francisco, Califórnia reforça em cada criação uma sonoridade ainda mais acessível e melódico, marca evidente na recém-lançada Breakdown.

Peça mais comercial já apresentada pelo duo, a límpida canção aponta o caminho que será percorrido em Cosmic Logic (2014), novo e ainda inédito trabalho em estúdio da banda. Abastecida por vocalizações sutis e pequenas adaptações do reggae, dub e synthpop, a faixa partilha da mesma atmosfera de músicas como Beautiful Son, porém, dentro de uma estrutura harmônica muito mais acessível e naturalmente voltada ao pop. Lançado pelo selo Weird World, Cosmic Logic chega no dia sete de outubro.

.

Peaking Lights – Breakdown

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , ,

Interpol: “Ancient Ways”

.

O título e o verso central de Ancient Ways não poderiam ser mais claros: “fodam-se os caminhos antigos“. Espécie de “resposta” ao peso da própria obra, ainda hoje sufocada pela herança dos dois primeiros discos da banda – Turn on the Bright Lights (2002) e Antics (2004) -, o mais recente fragmento de El Pintor (2014) resume de maneira o mesmo som raso que o grupo insiste em promover desde o último álbum.

Como se não bastasse a seleção de versos cíclicos e arranjos que tropeçam no mesmo pop-rock do Placebo em Battle For The Sun (!), Ancient Ways ainda replica uma estrutura já utilizada nas faixas mais comercias do trabalho anterior, de 2010 – principalmente Barricade. Previsíveis blocos de guitarras, vozes duplicadas e batidas rápidas que se espalham entre um refrão e outro, como se o grupo buscasse reciclar de forma mecânica a mesma estrutura de Obstacle 1 e demais faixas lançadas há mais de uma década. Paul Banks pode até reclamar, mas por enquanto são estes “antigos caminhos” que realmente importam dentro da obra do Interpol.

.

Interpol – Ancient Ways

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Dirty Beaches: “Displaced”

.

Em Drifters/Love Is The Devil (2013), Alex Zhang Hungtai mostrou que o som apresentado durante os primeiros singles e registros caseiros poderia ser aprimorado. No decorrer de 16 faixas, o músico taiwanês que vive no Canadá não apenas trouxe de volta o mesmo Rockabilly sujo das canções iniciais, como ainda forçou novos arranjos, experimentos e versos capazes de atingir um público maior.

Para a construção do novo álbum, Stateless (2014), Hungtai mais uma vez reforça o caráter mutável da própria obra. Totalmente instrumental, o disco resume em Displaced boa parte do material que chega apenas no dia quatro de novembro.

.

Dirty Beaches – Displaced

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Darkside: “What They Say” e “Gone To Soon”

.

Quem já esperava ansiosamente por um novo álbum do Darkside foi surpreendido por uma triste notícia. No Twitter oficial da dupla, Nicolas Jarr e Dave Harrington anunciaram o fim da parceria, encerrando temporariamente qualquer atividade relacionada ao projeto. Com o último show agendado para o dia 14 de setembro no Brooklyn, em Nova York, os produtores se despedem revelando duas canções que acabaram de fora do ótimo Psychic, lançado em 2013.

Naturalmente imersas no mesmo ambiente sombrio do último registro, What They Say e Gone To Soon traduzem boa parte dos conceitos assinados pela dupla em mais de três anos de parcerias. Disponíveis para audição logo abaixo, as duas composições serão lançadas oficialmente como parte da coletânea WORK, do próprio selo de Jaar, o Other People. Além do álbum de 2013 e diferentes remixes, o Darkside acumula ainda um EP homônimo apresentado em 2011 e uma reedição do disco Random Access Memories Memories (2013) do Daft Punk.

.

Darkside – What They Say

.

Darkside – Gone To Soon

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , ,