A obscura imagem de capa de Gehenna (2016) – trabalho produzido por Manuel Augusto Dischinger Moura –, parece dizer muito sobre o som produzido para o segundo álbum de estúdio da Labirinto. Entregue ao público seis anos após o lançamento de Anatema (2010), um dos grandes exemplares do pós-rock brasileiro, o novo álbum concentra no uso de ambientações densas, batidas e guitarras marcadas pela distorção a nova postura assumida pelo coletivo paulistano.

Um bom exemplo disso está em Mal Sacré. Primeiro fragmento do novo registro de inéditas da banda, a canção de quase oito minutos passeia em meio a um cenário dominado pelos ruídos, curvas bruscas e pequenas alterações instrumentais, como se diferentes músicas fossem condensadas dentro de uma única canção. Uma versão ampliada do mesmo material anteriormente produzido pelo grupo no trabalho em parceria com a banda canadense Thisquietarmy.

Gehenna (2016) será lançado no dia 02/09 via Dissenso.

Labirinto – Mal Sacré

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Desde o lançamento de Everlasting Sigh, em março deste ano, que o cantor e compositor norte-americano Moses Sumney vem assumindo uma sonoridade cada vez mais complexa, essencialmente experimental. São batidas e vozes maquiadas pelo uso de efeitos eletrônicos, ruídos atmosféricos e todo um catálogo de temas percussivos. Uma série de elementos que se agrupam dentro do mais “recente” lançamento do artista: Worth It.

Velha conhecida das apresentações ao vivo do cantor, a faixa dominada pelo uso do auto-tune reaparece agora finalizada. Vozes e batidas trabalhadas em uma ambientação minimalista,  proposta que acaba aproximando Sumney do som produzido por artistas como Bon Iver e, claro, Sufjan Stevens, velho colaborador do músico. Junto da canção, o delicado clipe de Allie Avital, registro que explora a transformação do corpo como instrumento.

 

Moses Sumney – Worth It

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Miguel, Kanye West, Frank Ocean e Britney Spears, esses são alguns dos artistas com quem o produtor norueguês Cashmere Cat trabalhou nos últimos meses. Canções que passeiam pelo Hip-Hop, R&B e pop sem necessariamente se distanciar da atmosfera produzida pelo músico desde os primeiros singles. Próximo de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, Wild Love, o artista decidiu convidar os parceiros The Weeknd e Francis and The Lights para um curioso experimento.

São pouco mais de três minutos de vocalizações dominadas pelo uso do auto-tune, fragmentos poéticos, batidas tortas e sintetizadores que distanciam a composição de um resultado possivelmente óbvio e comercial. Uma interpretação particular do mesmo material que vem sendo produzido pelo produtor desde o começo da presente década, quando foi oficialmente apresentado ao público por meio de músicas como Mirror Maru e Kiss Kiss.

Cashmere Cat – Wild Love (Ft. The Weeknd & Francis And The Lights)

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É difícil não ser atraído pelo som produzido por Hazel English. A voz doce, guitarras levemente empoeiradas, íntimas de um passado ainda recente, letras que dialogam com os sentimentos e medos de qualquer indivíduo. Elementos que acabaram servindo de base para o lançamento de músicas como FixNever Going Home – música transformada em clipe há poucos dias –, mas que alcança um resultado de fato encantador dentro da inédita I’m Fine.

Composição mais complexa de todo o material produzido para o novo EP de English, Never Going Home, a canção flutua em meio a versos marcados pela confessa melancolia, profunda depressão do eu lírico e isolamento dos indivíduos. Para o lançamento da faixa, Hazel decidiu produzir um delicado Lyric Video. São recortes de imagens vindas de jornais, revistas e livros antigos que servem de base para a letra da canção, também montada a partir de pedaços de papel.

Never Going Home (2016) será lançado no dia 07/10.

Hazel English – I’m Fine

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Archy Marshall está sempre pronto para um novo projeto. Mais conhecido pelo trabalho produzido como King Krule, o cantor, compositor e produtor britânico passou os últimos anos pulando de um trabalho novo para outro, como um camaleão, mudando de sonoridade e até de nome. Depois de um ótimo disco lançado em 2015 – A New Place To Drawn –, o jovem artista está de volta com uma nova canção, FEEL SAFE 88 (Just Say No), primeiro criação sob o ótimo nome de The Return Of Pimp Shrimp.

Menos claustrofóbica em relação ao material produzido pelo músico como King Krule, a nova canção parte exatamente de onde Marshall parou no último ano. Um pós-punk sombrio, marcado pelo uso de batidas eletrônicas e pequenas ambientações obscuras, como se o artista lentamente ampliasse o próprio território criativo. Como o próprio reforçou no Facebook, a nova faixa está longe de parecer um registro isolado, sendo o início de uma nova “era” para Marshall.

The Return Of Pimp Shrimp – FEEL SAFE 88 (Just Say No)

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Esqueça tudo que o pernambucano Vitor Araújo produziu até hoje. Quatro anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o elogiado A/B – 15º lugar em nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012 –, são os experimentos eletrônicos, batidas tribais e vozes submersas de Canto nº3 que indicam a nova direção assumida pelo músico. Um conjunto de ideias tortas, fragmentos instrumentais que dialogam com o trabalho de artistas como The Knife e Radiohead e a base do novo álbum de inéditas do compositor.

Produzido em parceria entre Araújo e Bruno Giorgi, Levaguiã Terê (2016) é o primeiro trabalho do artista pernambucano construído apenas com composições próprias. Junto do pianista – responsável pela gravação de parte expressiva dos instrumentos da presente faixa –, um time de músicos e colaboradores que auxiliam na formação do delicado arranjo de cordas, guitarras e instrumentos de percussão de toda o restante da obra. Para baixar a canção clique aqui.

Levaguiã Terê (2016) será lançado em setembro pelo selo Natura Musical.

Vitor Araújo – Canto nº 3

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Um dos registros mais aguardados do rock alternativo norte-americano, o segundo álbum de estúdio do American Football finalmente será lançado. 17 anos após a produção do elogiado primeiro trabalho de estúdio da banda, um registro homônimo entregue ao público em setembro de 1999, Mike Kinsella, Steve Lamos, Steve Holmes e Nate Kinsella estão de volta com uma seleção de nove composições inéditas, base para o registro homônimo que será lançado no dia 21 de outubro.

Compoisição escolhida para apresentar o novo disco, I’ve Been Lost For So Long sintetiza não apenas a essência triste que marca a obra do quarteto estadunidense, como parece dialogar de forma natural com o longo período em que a banda esteve longe do público e estúdios. Guitarras marcadas pelo movimento detalhista dos arranjos, a percussão versátil e toda uma ambientação serena que cresce e se espalha sem pressa ao longo da canção.

American Football (2016) será lançado no dia 21/10 via Polyvinyl.

American Football – I’ve Been Lost For So Long

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Responsáveis pela trilha sonora de Stranger Things, um dos trabalhos mais comentados dos últimos meses, Kyle Dixon e Michael Stein estão longe de parecer novatos. Donos de uma enorme seleção de obras catalogadas no Bandcamp, a dupla, que costuma se apresentar sob o título de S U R V I V E, reserva para os próximos meses o lançamento de um novo álbum de inéditas, RR7349 (2016), trabalho anunciado há poucas semanas com a hipnótica A.H.B..

Parte do mesmo trabalho, a recém-lançada Wardenclyffe mostra a busca da dupla norte-americana por um som essencialmente experimental e sombrio. Mesmo que os sintetizadores da faixa pareçam dialogar com diferentes obras do cinema de horror das décadas de 1970 e 1980, sobrevive nas batidas e constantes curvas rítmicas a força da presente canção. Diferentes ideias que se amarram dentro de um mesmo bloco de sons eletrônicos.

RR7349 (2016) será lançado no dia 30/09 pelo selo Relapse Records.

S U R V I V E – Wardenclyffe

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Por mais irregular que sejam os trabalhos do Empire of The Sun, uma coisa é certa: sempre haverá uma canção pegajosa dentro de cada registro produzido pela dupla australiana. Foi assim com a pegajosa faixa-título de Walking on a Dream (2008), música que apresentou a banda no final da década passada, Alive, canção entregue ao público no álbum Ice on the Dune (2013), e agora High & Low, faixa escolhida para anunciar o novo álbum dos parceiros Luke Steele e Nick Littlemore: Two Vines (2016).

Do refrão pegajoso que dança pela cabeça do ouvinte, passando pelas batidas prontas para as pistas, até alcançar os instantes em que o ritmo da canção diminui e o refrão cresce, todos os clichês testados pelo EOTS estão dentro da faixa. Um pop semi-psicodélico, íntimo de grande parte das ambientações e temas musicais que foram apresentados ao público em grande parte dos anos 2000. O primeiro fragmento da série de 15 faixas que a dupla reserva para o novo álbum.

Two Vines (2016) será lançado no dia 28/10 via Astralwerks.

Empire Of The Sun – High & Low

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A busca por um som cada vez mais pop fez com que Eric Berglund mergulhasse de cabeça em um universo de cores, batidas e melodias delicadas. Ex-integrante do coletivo The Tough Alliance, o produtor sueco transformou WONDERLAND, álbum lançado em fevereiro de 2014, em uma criativa fonte de inspiração para os futuros lançamentos, preferência que volta a se repetir dentro de Kill Count, mais recente criação do músico e a ponte para o novo álbum do Ceo.

Vozes carregadas de efeitos, batidas tribais, sintetizadores encaixados com perfeição e uma coleção de temas, ruídos e samples que crescem com liberdade dentro da cabeça do ouvinte. Uma completa fuga do uso de ambientações minimalistas e pequenos experimentos incorporados por Berglund dentro do primeiro álbum como Ceo, o também elogiado White Magic, de 2010.



Ceo – Kill Count

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