Em dezembro do último ano, os membros do Ride anunciaram a chegada de um novo álbum de estúdio. Sucessor do derradeiro Tarantula, de 1996, o registro que conta com produção de Erol Alkan (Franz Ferdinand, Bloc Party) deve jogar com a mesma sonoridade explorada pela banda no começo dos anos 1990. Um meio termo entre Motörhead e William Basinski, como apontaram os próprios integrantes do grupo britânico.

Primeiro fragmento desse novo álbum, Charm Assault prova que o Ride continua tão intenso e jovial quanto em obras como Going Blank Again (1992) e Carnival of Light (1994). Trabalhada em cima de um som “limpo” quando voltamos os ouvidos para o clássico Nowhere (1990), a nova faixa segue de forma eufórica até o último segundo, detalhando uma sequência de guitarras, batidas e vozes que arrastam

 

Ride – Charm Assault

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Como indicado durante o lançamento da inédita Hot Thoughts, em janeiro deste ano, os integrantes do Spoon parecem incorporar uma nova sonoridade em relação material produzido para o antecessor They Want My Soul – 21º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014. Entre experimentos e temas eletrônicos, cada uma das dez composições do novo álbum de estúdio da banda devem aportar em um território marcado pelo parcial ineditismo dos elementos.

Um bom exemplo disso está na recém-lançada Can I Sit Next To You. Sexta faixa de Hot Thoughts (2017), a canção de quase quatro minutos se espalha em meio a mistura louca de gêneros, samples e referências. Um rock eletrônico funkeado e levemente dançante, à la The Rapture, como uma complexa desconstrução de todo o acervo de obras que o grupo norte-americano vem produzindo desde o elogiado Ga Ga Ga Ga Ga, de 2007.

Hot Thoughts (2017) será lançado no dia 17/03 via Matador.

 

Spoon – Can I Sit Next To You

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Originalmente lançada em 2015, como parte do álbum Real, obra que contou com distribuição pelos selos Balaclava Records e Midsummer Madness, Em Vão foi a canção escolhida para se transformar no mais novo single/clipe do cantor e compositor Frabin. Um dream pop psicodélico e empoeirado que se perde em meio a delírios românticos do jovem músico – “Fecho a porta e não te vejo / Tranco e logo nem percebo / Aquele sim que virou não / Tão real pra ser ilusão“.

Com imagens captadas em VHS por Rafaela Valmorbida, o vídeo transforma a própria gravação em uma espécie de complemento ao som produzido por Frabin. São cortes rápidos e closes lentos que se desenvolvem à medida que os arranjos e vozes da faixa ocupam o fundo da canção. Filmado no interior de Santa Catarina, Em Vão reflete “a vontade de construir algo mesmo que no final seja em vão ou apenas pela beleza de ter existido”, explicou o músico no texto de apresentação do clipe.

 

Frabin – Em Vão

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Recentemente, Michael Angelakos, vocalista e líder do Passion Pit, deu vida a uma plataforma intitulada The Wishart Group. Trata-se de um projeto de incentivo a jovens artistas que prestará auxílio educacional, jurídico e até tratamento de saúde a jovens músicos. Com um fundo de 250 milhões de dólares doados por diferentes nomes de peso do cenário musical, o coletivo visa proteger e estimular projetos independentes para que os artistas tenham mais chances de sobreviver no mercado.

Enquanto segue sem um lançamento oficial, Angelakos aproveitou o canal do Youtube do projeto para apresentar uma série de músicas inéditas do Passion Pit. São faixas como Inner Dialogue, I’m Perfect, Moonbeam, a grudenta Somewhere Up There e, mais recentemente, Hey K. Uma clara continuação do mesmo pop pegajoso e eletrônico que a banda original da cidade de Cambridge, Massachusetts vem desenvolvendo desde o primeiro álbum de estúdio, Manners (2009).

 

Passion Pit – Hey K

 

Passion Pit – Somewhere Up There

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Em mais de um mês de atuação, a coletânea Our First 100 Days, projeto de enfrentamento à política retrógrada do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu vida a uma série de composições de peso. Entre os artistas que já passaram pelo trabalho, nomes como Angel Olsen, The Range, Dntel, Peter Silberman (The Antlers) e Toro Y Moi, este último, responsável por uma das melhores composições do projeto, a pop Omaha.

Convidados a integrar a série de lançamentos, o grupo norte-americano Speedy Ortiz apresenta ao público a inédita In My Way. Típica composição da banda, a faixa delineadas por versos e temas melódicos parece saída diretamente dos primeiros discos do coletivo, como o excelente Major Arcana – um dos grandes discos de rock lançados na presente década e 40º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013.

 

Speedy Ortiz – In My Way

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Dois anos após o lançamento do ótimo Honeymoon (2015), Lana Del Rey abre passagem para a chegada de um novo álbum de inéditas. Em Love, primeiro single desde a bem-sucedida parceria da artista com o cantor e produtor canadense The Weeknd, em Starboy (2016), Del Rey continua a flutuar em um território de sonhos e delírios românticos. Versos que falam sobre a juventude e o amor pelo próprio público, como comentou em uma série de publicações no Twitter.

Da capa do single, inspirada nos cartazes de antigos filmes de ficção científica, passando pelo rosto pálido da cantora, uma clara referência à imagem de Laura Palmer, em Twin Pekas, Del Rey continua a brincar com as referências, conceito que se reflete na base instrumental da canção. São arranjos densos, propositadamente arrastados e detalhistas, como uma tradução pop de tudo aquilo que bandas como Beach House e outros representantes do Dream Pop vêm produzindo nos últimos anos. Assista ao clipe da canção:

 

Lana Del Rey – Love

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Sempre Femina (2017) tem tudo para se transformar em um novo clássico dentro da curta discografia de Laura Marling. Dois anos após o lançamento de Short Movie (2015), trabalho embalado por temas e referências ao cinema, a cantora e compositora britânica vem presenteando o próprio público com uma série de canções marcadas pela leveza dos versos e arranjos. Faixas como Soothing, Wild Fire e, mais recentemente, Next Time.

Enquanto a voz da artista se espalha em meio a versos essencialmente intimistas, centrados na vida da própria cantora, nos arranjos, Marling detalha uma de suas principais composições. São temas orquestrais que distanciam o folk minimalista dos últimos discos para aproximar a artista do mesmo pop de câmara de artistas como Vashti Bunyan, Nico e outros nomes de peso do estilo. Next Time ainda chega acompanha de um clipe dirigido pela própria musicista.

Semper Femina (2017) será lançado no dia 10/03 via More Alarming Records.

 

Laura Marling – Next Time

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No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

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A julgar pelas últimas canções apresentadas por James Mercer, caso de Dead Alive e Name For You, o novo álbum do The Shins está longe de ser um dos mais interessantes na discografia da banda. Intitulado Heartworms (2017), o registro chega até o público quatro anos após o lançamento do ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, reciclando uma série de conceitos vindos de outros projetos do músico – como o Broken Bells.

Interessante perceber na recém-lançada Mildenhall um breve distanciamento de tudo aquilo que o Mercer vem desenvolvendo nos últimos trabalhos. Trata-se de uma típica canção do The Shins. Vozes e arranjos contidos, mas não menos interessantes. Um ato curto, centrado na vida do próprio artista, capaz de transportar o ouvinte para o mesmo universo apresentado no clássico Oh, Inverted World (2001), trabalho que apresentou o som da banda de Albuquerque a uma parcela maior do público.

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Mildenhall

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You Tried (2017), esse é o título do primeiro álbum de estúdio da banda sueca Hater. Com uma sequência de boas composições em mãos, caso de Mental Heaven e, mais recentemente, Had It All, o grupo original da cidade de Malmö segue com a divulgação do ainda inédito lançamento. Em Cry Later, terceiro e mais novo single do grupo formado por Caroline Landahl, Måns Leonartsson, Adam Agace, e Lukas Thomasson, uma explosão de boas guitarras e melodias sujas.

Enquanto a voz doce de Landahl detalha o mesmo aspecto sofredor dos últimos dois singles, musicalmente, o quarteto se desdobra na construção de um som intenso, base de grande parte do trabalho produzido pela banda em diferentes singles e EPs apresentados nos últimos anos. O mesmo garage rock pegajoso de artistas como Best Coast, Alvvays e demais coletivos que encontraram em clássicos de diferentes décadas o estímulo para um som autoral.

You Tried (2017) será lançado no dia 10/03 via PNKSLM

 

Hater – Cry Later

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