Tag Archives: Singles

Crystal Castles: “Frail”

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Ethan Kath não poderia ter pensado em algo melhor para provocar a ex-parceira Alice Glass do que a recém-lançada Frail. Primeira composição inédita lançada pela “banda” desde a saída da cantora, em outubro do último ano, a faixa de poucos minutos carrega na similaridade dos vocais um ataque direto contra Glass. Além da composição – a dona da voz na faixa ainda não foi revelada -, Kath desejou “sorte” à antiga parceira em um comentário, posteriormente deletado do Soundcloud, onde denuncia a “ausência” de Glass em algumas das principais canções do projeto.

“I wish my former vocalist the best of luck in her future endeavors. i think it can be empowering for her to be in charge of her own project. it should be rewarding for her considering she didn’t appear on Crystal Castles’ best known songs. (she’s not on Untrust Us. Not In Love, Vanished, Crimewave, Vietnam, Magic Spells, Knights, Air War, Leni, Lovers Who Uncover, Violent Youth, Reckless, Year of Silence, Intimate, 1991, Good Time, Violent Dreams etc.). People often gave her credit for my lyrics and that was fine, I didn’t care”.

Em se tratando da estrutura montada para a recente faixa, uma espécie de regresso aos primeiros anos do Crystal Castles. Nada do flerte com o R&B testado em III, nem as melodias limpas de II, apenas a eletrônica suja, provocativa e, de certa forma, simplista do primeiro disco do projeto, lançado em 2008. Ao que tudo indica, Kath parece “sobreviver” longe da antiga parceria, resta esperar pelo primeiro disco solo de Glass.

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Crystal Castles – Frail

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Samantha Urbani: “1 2 3 4″

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A paixão de Samantha Urbani pela década de 1980 nunca foi um segredo para ninguém. Seja ao lado dos parceiros do Friends – com quem lançou o ótimo Manifest!, em 2012 – ou mesmo em parceira com outros colaboradores, caso do último álbum do Blood Orange, Cupid Deluxe (2013), comandado pelo namorado e parceiro frequente de composição, Devonté Hynes, a artista nova-iorquina sempre encontrou na música lançada há três décadas uma fonte inesgotável de produção. Entretanto, nunca antes essa “preferência” se revelou de maneira tão explícita quanto em 1 2 3 4.

Mais recente single de Urbani em carreira solo, a faixa romantica (e melancólica) soa como um hit perdido de Madonna, Cyndi Lauper ou qualquer outro nome de peso da música neon. Produzida por Sam Mehran (Test Icicles) em parceria com a própria cantora, 1 2 3 4 não oculta a nítida interferência de Hynes no processo de composição, afinal, pianos e arranjos escondidos pela faixa são de responsabilidade do músico – atualmente em processo de produção do novo álbum como Blood Orange. Lançada no soundcloud da cantora, a canção pode ser apreciada na íntegra logo abaixo. Será que teremos um disco solo de Urbani em breve?

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Samantha Urbani – 1 2 3 4

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Mahmed: “Sobre A Vida Em Comunidade”

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Quem dedicar um tempo para apreciar (e comparar) o trabalho da potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013) com o recente Sobre A Vida Em Comunidade (2015) vai encontrar duas bandas completamente distintas. Ao mesmo tempo em que a sutileza inteligente dos arranjos e pequenos experimentos controlados transportam o disco para um cenário mágico e abstrato, pontuado de forma controlada pela psicodelia, a estrutura “torta” de cada canção logo arremessa o público para um campo turbulento, por vezes caótico, como se uma acervo de peças fossem lentamente sendo montada na própria cabeça do ouvinte.

São nove composições autorais, algumas delas – caso de Vale Das rrRosas e Shuva -, já conhecidas do público, porém, inéditas, quando observadas dentro do contexto particular que sustenta o andamento da obra. A distribuição do trabalho fica por conta do selo Balaclava Records, casa de bandas como Séculos Apaixonados, Câmera, Terno Rei e alguns dos grandes trabalhos brasileiros apresentados em 2014. Abaixo você encontra o disco para audição na íntegra.

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Mahmed – Sobre A Vida Em Comunidade

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Hudson Mohawke: “Ryrderz”

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Se a expectativa para o segundo álbum solo de Hudson Mohawke estava baixa, mesmo com a entrega da ótima Very Fisrt Breath, há poucas semanas, talvez a inédita Ryderz inverta esse resultado. Mais nova faixa do ainda inédito Lantern (2015) a ser apresentada, a composição talvez seja a mais distinta já apresentada pelo artista nos últimos anos, não apenas pela forma como o sample de Watch Out For The Riders, do cantor D.J. Rogers, direciona o movimento da canção, mas pelo ritmo envolvente, lento e “sedutor” que se apodera da faixa.

Longe das batidas intensas e ritmo eufórico previamente estabelecido com o parceiro Lunice, no TNGHT, Mohawke abraça o mesmo clima romântico explorado no dia dos namorados pela série anual Valentines Slowjams. Uma sobrecarga de confissão, nostalgia e  referência aos clássicos do R&B/Soul dos anos 1970 que se estende até o ato final da canção. Apresentada como parte da programação da Rinse.FM, infelizmente a música é cortada por vinhetas a todo o instante, o que não prejudica de fato o rendimento da pequena obra romântica.

Lantern (2015) conta com lançamento pelo selo Warp e estreia no dia 16/06.

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Hudson Mohawke – Ryderz

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Best Coast: “Feeling OK”

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Cinco anos se passaram desde a estreia do Best Coast com Crazy for You (2010). De lá pra cá, a busca por uma sonoridade menos “caseira” transportou Bethany Cosentino e Bobb Bruno para um novo universo de referências e pequenas variações melódicas, marca do segundo álbum de estúdio do casal, The Only Place (2012), mas que encontra um novo resultado com a aproximação do inédito California Nights (2015), terceiro álbum de inéditas da dupla.

Longe do garage rock e clima litorâneo que orienta os dois primeiros registros do Best Coast, o ainda inédito trabalho aos poucos aponta para uma nova direção. São guitarras detalhistas, arranjos de voz cada vez mais limpos e as confissões de Cosentino tratadas de forma muito mais “comercial”, como se fosse moldada para atender o grande público. Não que isso pareça um erro, pelo contrário, soa como um mínimo ponto de transformação dentro da carreira do duo, proposta iniciada com o último EP Fade Away (2013), mas que se reforça agora em uma linguagem típica dos anos 1990, como uma faixa esquecida de Liz Phair ou outra grande representante da porção feminina do rock alternativo da época.

Com distribuição pelo selo Harvest, California Nights estreia no dia 04/05.

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Best Coast – Feeling Ok

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FFS: “Johnny Delusional”

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Fica difícil estabelecer onde começa a obra do Franz Ferdinand e onde acaba a interferência/influência do grupo norte-americano Sparks na inédita Johnny Delusional. Mais recente single do projeto FFS, coletivo que une o quarteto de Glasgow com os veteranos do Glam Rock estadunidense, a nova composição brinca com as texturas, arranjos de vozes e instrumentos de forma dinâmica, atravessando mais de quatro décadas de referências sem necessariamente perder o toque de novidade.

Além da explícita herança do grupo californiano, do manuseio dos pianos ao uso das guitarras, grande parte da canção ecoa como uma sobra de estúdio do último álbum de inéditas da banda de Alex Kapranos, o ótimo Right Thoughts, Right Words, Right Action (2013). Assim como na música anterior Piss Off, a nostalgia parece ser a linha central do projeto, capaz de tropeçar (vez ou outra) na obra de gigantes como David Bowie, principalmente dentro da era Berlim.

FFS, o disco, conta com lançamento previsto para 08/06 pelo selo Domino.

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FFS – Johnny Delusional

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Jenny Hval: “Sabbath”

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Inspirada, provocativa e delicada, assim é a presente fase da cantora, compositora e produtora norueguesa Jenny Hval. Depois de brincar com a (própria) sexualidade nos versos “safadinhos” de Innocence Is Kinky (2013), último registro em carreira solo, além da intensa parceria com a também musicista Susanna Wallumrød – no ótimo Meshes of Voice, de 2014 -, é chegada a hora da artista original de Oslo regressar aos próprios particulares em estúdio, matéria para o quinto álbum de inéditas, Apocalypse, girl (2015).

Menos “temático” em relação ao disco anterior – uma obra costurada por versos e conceitos de explícita sexualidade -, Hval continua a crescer como o principal ponto de referência do próprio trabalho. Em Sabbath, mais recente single da cantora, todos os elementos da canção se organizam como fragmentos da mente, cotidiano e corpo da artista – “Às vezes eu sinto como se meu corpo é esticado / Sustentada por hastes finas / torres metálicas abraçam minha coluna, meu rosto, minha boceta” -, tão íntima de influências como Björk, como próxima do som tecido em mais de uma década de carreira.

 Apocalypse, girl (2015) estreia no dia 09/06 e conta com lançamento pelo selo Sacred Bones.

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Jenny Hval – Sabbath

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Belle & Sebastian: “Paper Boat” (VÍDEO)

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A capacidade de contar boas histórias talvez seja o principal instrumento de trabalho a cada novo álbum do Belle and Sebastian. Personagens fictícios esbarram nas histórias reais de Stuart Murdoch, dramas corriqueiros se escondem em meio a confissões intimistas e versos irônicos passeiam em meio a bases sutis, como se histórias tipicamente adultas fossem acomodadas em uma estrutura de composição pueril. Com o nono álbum de estúdio, Girls in Peacetime Want to Dance (2014, Matador), a essência da banda permanece a mesma, entretanto, a estrutura musical agora é outra, íntima das pistas de dança.

Longe de escapar do mesmo ambiente confortável (e pop) reforçado desde Dear Catastrophe Waitress (2003), cada instante do sucessor de Write About Love (2010) parece articulado em meio a tímidos passos de dança. Poderia ser um material perdido do ABBA – na fase Arrival (1976) – ou mesmo uma versão menos frenética do Cut Copy em In Ghost Colours (2008), mas é apenas um curioso exercício de criação, a tentativa de Murdoch em encaixar seus tradicionais temas humanos em cima de descompassadas coreografias. Leia a resenha completa.

Se Girls in Peacetime Want to Dance (2015) não seduziu você, talvez a inédita Paper Boat agrade. Livre da sonoridade “eletrônica”e dançante lançada no último álbum do Belle and Sebastian, a canção parece estreitar os laços com a boa fase do grupo nos anos 1990. Difícil acreditar que uma faixa tão graciosa tenha ficado de fora de The Boy With The Arab Strap, terceiro álbum de inéditas do coletivo e álbum originalmente lançado em 1998.

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Belle & Sebastian- Paper Boat

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Passion Pit: “Until We Can’t (Let’s Go)”

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Sem dúvidas, um dos grandes problemas a “serem enfrentados” pelo Passion Pit em Kindred (2015) são os grandes hits do trabalho anterior. Como superar a sequência frenética de Take a Walk, I’ll Be Alright, Carried Away e todo o acervo de faixas que abasteceram o pegajoso álbum de, Gossamer? A resposta está nas mãos do próprio vocalista e líder da banda, Michael Angelakos, que ao apresentar a recém-lançada Until We Can’t (Let’s Go), mais novo single do coletivo de Cambridge, sustenta uma composição tão criativa (e grudenta) quanto os últimos registros da banda.

Dos sintetizadores pop na abertura da faixa, crescendo lentamente, passando pela colagem de batidas e vozes manipuladas por efeitos, cada segundo dentro da nova composição alimenta o interesse pelo novo álbum do Passion Pit. Refrão pegajoso? Sim. Solo de sintetizadores? Claro. Letra melancólica e crescente?Óbvio que não ficaria sem. Tudo aquilo que o single anterior, Lifted Up (1985), já havia apresentado, porém, agora em uma medida ainda mais acessível e dolorosamente íntima do público.

Com um total de 10 faixas e lançamento pelo selo Columbia, Kindred estreia no dia 21 de abril.

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Passion Pit – Until We Can’t (Let’s Go)

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Nosaj Thing: “Don’t Mind Me” (ft. Whoarei)

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As texturas, vozes e batidas minimalistas continuam a servir de base para o trabalho do produtor californiano Nosaj Thing. Passados dois anos desde a estreia de Home (2013), segundo e mais recente álbum de estúdio assinado por Jason Chung, é chegada a hora de conhecer um novo universo de experimentos eletrônicos produzidos pelo artista. Como esperado, depois de trabalhar com Kendrick Lamar e Chance the Rapper, o Hip-Hop e pequenos flertes com o R&B parecem apontar a direção do ainda inédito Fated (2015), terceiro álbum de estúdio de Chung.

Mais recente mostra do novo registro, previsto para cinco de maio, Don’t Mind Me reflete na melancolia dos sintetizadores e vozes maquiadas um dos projetos mais intimistas do produtor. Acompanhado do também produtor Whoarei, Nosaj Thing passeia por diferentes campos da música atual, tropeçando vez ou outra nos mesmos sintetizadores tristes utilizados por Owen Pallett no álbum In Conflict, de 2014.

Com lançamento previsto para 05/05, Fated (2015) conta com distribuição pelos selos Innovative Leisure e Timetable.

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Nosaj Thing – Don’t Mind Me (ft. Whoarei)

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