Justin Vernon passou as últimas semanas preparando o terreno para o lançamento de 22, A Million (2016). Terceiro registro em estúdio do artista como Bon Iver, o álbum de apenas 10 faixas mostra a busca do cantor e compositor norte-americano por um som parcialmente transformado, íntimo de uma série de conceitos da música eletrônica, como uma fuga do material produzido há cinco anos durante o lançamento do elogiado segundo registro em estúdio.

Com três grandes composições já apresentadas ao público – 22 (OVER S∞∞N), 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ (Extended Versions) e 33 God –, Vernon escolheu o programa da britânica Annie Mac para revelar mais uma das canções presentes no novo disco. Intitulada 8 (Circle), a canção que conta com pouco mais de cinco minutos talvez seja a faixa que mais se aproxima do antigo trabalho do cantor, efeito do uso contido dos vocais e temas eletrônicos que cercam a faixa.

22, A Million (2016) será lançado no dia 30/09 via Jagjaguwar.

 

Bon Iver – 8 (Circle)

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Dias após o lançamento da pegajosa Graduation, canção escolhida para anunciar o primeiro álbum oficial do trio inglês Kero Kero Bonito, Sarah Midori Perry, Gus Lobban e Jamie Bulled já estão de volta com uma nova composição. Intitulada Trampoline, a nova faixa mostra o lado (ainda mais) pop do grupo, fugindo de maneira explicita dos instantes de maior experimento, colagens eletrônicas, rimas e outros elementos característicos do projeto.

Enquanto a música apresentada há poucas semanas parece manter certa estabilidade, crescendo em cima de uma base quase imutável, Trampoline mostra a versatilidade do trio. Da abertura ao fechamento da canção, voz de Perry passeia com liberdade, lembrando e muito o trabalho da cantora norueguesa Annie dentro do clássico Anniemal (2004). O mesmo cuidado se revela na construção das batidas, levemente dançantes e fragmentadas em pequenos blocos durante os instantes finais da faixa.

Bonito Generation (2016) será lançado no dia 21/10 via Double Denim Records.

 

Kero Kero Bonito – Trampoline

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Com músicas como The Golden Throne, A Question Isn’t Answered e Fragment’s Light em mãos, foi difícil não se encantar pelo primeiro álbum do grupo britânico Temples, Sun Stuctures (2014). Com produção assinada pelo próprio vocalista da banda, James Bagshaw, o registro de 12 faixas deu ao quarteto britânico a possibilidade de testar melodias, brincar com diferentes épocas da música psicodélica e, consequentemente, conquistar uma boa parcela do público.

Dois anos após o lançamento do bem-sucedido registro, o grupo inglês começa a preparar o terreno para um novo álbum de inéditas. Em Certainty, primeiro fragmento desse novo disco, vozes, guitarras, sintetizadores e batidas crescem lentamente, sempre coloridas, detalhando nuances psicodélicas, melodias cósmicas e diferentes variações instrumentais que atravessam a década de 1960 e chegam até o final dos anos 1970.

 

Temples – Certainty

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Passado e presente, Brasil e Portugal, serenidade e caos. Em Trás-os-Montes, mais recente lançamento da banda curitibana stella-viva, a dualidade entre os elementos acaba servindo de inspiração para a delicada montagem dos versos que abastecem a composição. Uma análise particular sobre a violência, o progresso e os personagens que tanto habitam a pacata região de Trás-os-Montes, em Portugal, como os bondes de Santa Tereza, no Rio de Janeira.

Parte do segundo registro de inéditas do grupo paranaense, Aprendiz do Sal (2016), musicalmente, a presente composição segue de perto a trilha iniciada nos dois últimos lançamentos da banda – as inéditas Vigília e Tempestade Anunciada. Um controlado jogo de experimentos, melodias tortas e temas jazzísticos que vão do rock alternativo ao uso inteligente de referências típicas da música popular brasileira.

Aprendiz do Sal (2016) será lançado em outubro via Matraca Records e YB Music

 

Stella-Viva – Trás-os-Montes 

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David Longstreth nunca seguiu uma trilha confortável como integrante do Dirty Projectors. Basta voltar os ouvidos para trabalhos como Slaves’ Graves and Ballads (2004), The Getty Address (2005) e Bitte Orca (2009) para perceber os instantes de experimento que costuram toda a discografia do cantor e compositor nova-iorquino. Entretanto, ao esbarrar na inédita Keep Your Name, Longstreth distorce grande parte da própria obra, brincando com as batidas, temas eletrônicos e vozes de forma particular.

Enquanto a base da canção dá voltas em torno da melodia e versos de Impregnable Question, um delicado fragmento romântico do álbum Swing Lo Magellan (2012), Longstreth detalha a própria melancolia, revelando uma sequência de versos centrados na temática da separação. Ponto de partida para o novo álbum do Dirty Projectors, o clipe de Keep Your Name ainda conta com a presença do diretor Elon Rutberg, colaborador de longa data do rapper Kanye West.

 

Dirty Projectors – Keep Your Name

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Por mais irregular que sejam os trabalhos do Empire of The Sun, uma coisa é certa: sempre haverá uma canção pegajosa dentro de cada registro produzido pela dupla australiana. Foi assim com a pegajosa faixa-título de Walking on a Dream (2008), música que apresentou a banda no final da década passada, Alive, canção entregue ao público no álbum Ice on the Dune (2013), e agora High & Low, faixa escolhida para anunciar o novo álbum dos parceiros Luke Steele e Nick Littlemore: Two Vines (2016).

Do refrão pegajoso que dança pela cabeça do ouvinte, passando pelas batidas prontas para as pistas, até alcançar os instantes em que o ritmo da canção diminui e o refrão cresce, todos os clichês testados pelo EOTS estão dentro da faixa. Um pop semi-psicodélico, íntimo de grande parte das ambientações e temas musicais que foram apresentados ao público em grande parte dos anos 2000. O primeiro fragmento da série de 15 faixas que a dupla reserva para o novo álbum.

Two Vines (2016) será lançado no dia 28/10 via Astralwerks.

Empire Of The Sun – High And Low

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Poucos meses após o lançamento de Beauty Behind the Madness – 43º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, Abel Tesfaye está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Starboy (2016), o sexto álbum de inéditas do cantor e produtor canadense parece seguir exatamente de onde o artista parou há poucos meses em músicas como Can’t Feel My Face, The Hills e Often, ou pelo menos é isso que a faixa-título do trabalho acaba reforçando.

Produzida em parceria com a dupla francesa Daft Punk, a canção flutua em meio a batidas e pianos limpos, detalhando a voz e os versos melancólicos de Tesfaye. De forma sutil e naturalmente intimista, a mesma atmosfera eletrônica que marca o trabalho de Kanye West em Yeezus (2013), obra que contou com a participação do duo robótico em parte das composições. Além da presente faixa, o novo álbum ainda conta com outras 17 faixas inéditas.

Starboy (2016) será lançado no dia 25/11 via XO/Republic.

 

The Weeknd – Starboy

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Aos 83 anos, Leonard Cohen se prepara para apresentar ao público o 14º registro de inéditas da carreira. Intitulado You Want It Darker (2016), o sucessor dos ótimos Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014), mostra que o cantor e compositor canadense continua tão intimista, sedutor e provocativo quanto no início da carreira, sensação reforçada com a chegada da faixa-título do trabalho, uma canção tão intensa, quanto sutil, minimalista.

Em um ambiente enevoado, cercado pelo uso contido de vozes em coro, Cohen detalha uma letra quase narrativa, detalhando um universo sombrio, referências religiosas e diferentes personagens. Difícil não lembrar do mesmo som produzido pelo músico em Nevermind, um blues levemente orquestrado pelo uso de temas eletrônicos, composição escolhida como música de abertura da segunda temporada de True Detective.

You Want It Darker (2016) será lançado no dia 21/10 via Columbia.

 

Leonard Cohen – You Want It Darker

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Uma das vantagens de acompanhar as novidades do Secret Songs no soundcloud – selo comandado pelo produtor canadense Ryan Hemsworth –, está na beleza de se deparar com uma série de novos artistas e projetos que acabaram de nascer. Produtores, rappers e músicos responsáveis por um acervo limitadíssimo de composições. É o caso da recém-lançada Betcha, segundo e mais novo lançamento da misteriosa cantora Zoee.

Com poucas informações reveladas ao público – a artista de origem britânica conta apenas com uma conta no Twitter e outra no Instagram –, Zoee faz do presente lançamento uma faixa marcada pelo frescor das batidas, arranjos etéreos e vozes. Entre versos essencialmente melancólicos, a construção de uma faixa que dialoga com o pop, porém de forma particular, intimista, explorando arranjos e melodias que parecem ter escapado dos instantes finais de Art Angels (2015), da canadense Grimes.

 

Zoee – Betcha

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HYMNS (2016) ainda nem esfriou e o Bloc Party já reserva ao público algumas composições inéditas. É o caso da recém-lançada Stunt Queen. Mais recente lançamento do quarteto britânico – agora completo com Kele Okereke, Russell Lissack, Justin Harris e Louise Bartle –, a faixa dominada pelo uso de guitarras dançantes e melodias íntimas do pop nasce como um perfeito resumo do material apresentado há poucos meses no quinto álbum de estúdio do grupo.

A letra pegajosa de Okereke, guitarras marcadas e batidas sob controle. A mesma fórmula exploradfa pelo quarteto em uma série de músicas recentes como Different Drugs, Only He Can Heal Me e The Love Within. Sucessor do mediano Four (2012), HYMNS é o primeiro registro de inéditas da banda em quatro anos, e o primeiro trabalho do vocalista da banda desde Trick (2014), último álbum de Okereke em carreira solo.

 

Bloc Party – Stunt Queen

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