Mais conhecida pelo trabalho como integrante dos coletivos Odd Future e The Internet, a cantora e produtora norte-americana Syd fez do primeiro trabalho em carreira solo, Fin (2017), uma viagem ao passado. Apresentado ao público em fevereiro, o registro de 12 faixas incorpora diferentes períodos e cenas do R&B/Soul, indo da boa fase de artistas como TLC e Aaliyah, meio dos anos 1990, até alcançar o cenário atual, dominado por nomes como Kelela e Tinashe.

Deixada de fora do álbum e lançada agora como single, a inédita Treading Water mostra a capacidade de Syd em dialogar com o grande público. Livre do som minimalista e hermético que marca grande parte das canções em Fin, a nova faixa brinca com os detalhes, costurando batidas, vozes de apoio e samples de forma a aproximar o trabalho da cantora de um ambiente íntimo do pop, lembrando em alguns aspectos o som produzido com os parceiros do The Internet.

 

Syd – Treading Water

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Humanz (2017), esse é o título do quinto álbum de estúdio do Gorillaz. Primeiro registro de inéditas banda criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett em seis anos, o sucessor de The Fall (2011) conta com 20 novas composições – 25 na edição Deluxe –, e um time imenso de convidados. Entre os artistas que integram o trabalho, nomes como Grace Jones, Kelela, Pusha T, os parceiros do De La Soul, Mavis Staples, Danny Brown e outros nomes de peso do Hip-Hop/Pop.

Para celebrar o anúncio de lançamento do novo disco, a banda – comandada por 2D, Murdoc Niccals, Russel Hobbs e Noodle – apresentou as inéditas Ascension, Saturnz Barz, Andromeda e We Got The Power, registros da parceria com Vince Staples, Popcaan, D.R.A.M. e Jehnny Beth, respectivamente. Quatro faixas que vão do Hip-Hop ao soul, como uma extensão do som apresentado há poucas semanas em Hallelujah Money, parceria com Benjamin Clementine.

 

Humanz

01 Intro: I Switched My Robot Off
02 Ascension (Feat. Vince Staples)
03 Strobelite (Feat. Peven Everett)
04 Saturnz Barz (Feat. Popcaan)
05 Momentz (Feat. De La Soul)
06 Interlude: The Non-conformist Oath
07 Submission (Feat. Danny Brown & Kelela)
08 Charger (Feat. Grace Jones)
09 Interlude: Elevator Going Up
10 Andromeda (Feat. D.R.A.M.)
11 Busted And Blue
12 Interlude: Talk Radio
13 Carnival (Feat. Anthony Hamilton)
14 Let Me Out (Feat. Mavis Staples & Pusha T)
15 Interlude: Penthouse
16 Sex Murder Party (Feat. Jamie Principle & Zebra Katz)
17 She’s My Collar (Feat. Kali Uchis)
18 Interlude: The Elephant
19 Hallelujah Money (Feat. Benjamin Clementine)
20 We Got The Power (Feat. Jehnny Beth)

Humanz (2017) será lançado no dia 28/04 via Warner Bros.

 

Gorillaz – Ascension (Feat. Vince Staples)

 

Gorillaz – Saturnz Barz (Feat. Popcaan)

 

Gorillaz – Andromeda (Feat. D.R.A.M.)

 

Gorillaz – We Got The Power (Feat. Jehnny Beth)

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Frank Ocean não parece interessado em repetir o longo período de hiato que separa Channel Orange (2012) do ainda recente Blonde – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016. Poucos meses após o lançamento do segundo álbum de estúdio, o rapper norte-americano se juntou ao produtor inglês Calvin Harris e o coletivo Migos para a produção da inédita Slide. O cantor ainda assumiu o comando um programa semanal na Apple Music, projeto que serviu de base para a apresentação da também inédita Chanel.

Primeiro single de Ocean desde o lançamento de Blonde, a nova canção parece brincar com os mesmos elementos originalmente testados pelo artista no último álbum de estúdio. Estão lá os versos carregados de romantismo (“É realmente você na minha mente“), o refinamento na composição das batidas e bases, além, claro, da voz forte de Ocean, reforçada em pequenas explosões que reforçam a poesia melancólica do artista. No Tumblr, o rapper aproveitou para publicar a letra da canção e fotos produzidas para a divulgação do single.

 

Frank Ocean – Chanel

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Mais conhecida pelo trabalho em parceria com o rapper Mac Miller em Planet God Damn, música lançada como parte do álbum The Divine Feminine, de 2016, a cantora e produtora Njomza anuncia para o começo de abril a chegada do EP Sad For You (2017). São sete composições inéditas em que a artista original de Chicago deve reforçar o mesmo R&B/Soul originalmente testado em grande parte do material produzido para o soundcloud nos últimos meses.

Faixa-título do novo álbum, Sad For You delicadamente conversa com o mesmo som produzido por Rihanna, Tinashe e outros nomes de peso do pop atual. Enquanto a base da canção se espalha em meio a sintetizadores psicodélicos e uma linha de baixo sedutora, a voz forte da cantora toma conta de todas as brechas do registro. São pequenos atos instrumentais e sussurros etéreos que indicam a direção assumida por Njomza para a produção do trabalho.

 

Njomza – Sad For You

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Em um intervalo de apenas cinco anos, Abel Tesfaye se transformou em um gigante da música Pop/R&B. Da apresentação com três obras de peso para o gênero – House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence –, passando pela entrada em uma grande gravadora com Kiss Land (2013), até alcançar o sucesso em Beauty Behind the Madness (2015), cada registro apresentado pelo cantor, compositor e produtor canadense se revela como a passagem para um mundo de sonhos, medos, delírios e declarações de amor. Uma discografia marcada pelos sentimentos.

Com a passagem do The Weeknd pelo Lollapalooza Brasil 2017 – edição que ainda conta com nomes como The XX, The Strokes, MØ e Tegan and Sara –, aproveitamos para organizar toda a obra do artista canadense em mais uma edição do Cozinhando Discografias. Da estreia com House of Balloons (2011), ao último álbum de estúdio, Starboy (2016), classificamos cada um dos registros do pior para o melhor lançamento.

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Artista: Vagabon
Gênero: Indie Rock, Alternativo, Indie Pop
Acesse: https://vagabon.bandcamp.com/

 

 

Torres com o experimental Sprinter (2015), Sadie Dupuis e os parceiros do Speedy Ortiz na dobradinha Major Arcana (2013) e Foil Deer (2015), Waxahatchee e as canções do referencial Cerulean Salt (2013), Frankie Cosmos no ainda recente Next Thing (2016). Basta uma rápida pesquisa para perceber como a mesma sonoridade explorada há mais de duas décadas na cena alternativa dos Estados Unidos continua a reverberar de forma explícita no trabalho de diferentes artistas.

Uma reciclagem sonora e estética que se revela de forma parcialmente renovada dentro do primeiro trabalho da cantora e multi-instrumentista Lætitia Tamko. Mesmo inspirada pelo som produzido por veteranos como Modest Mouse, Liz Phair e Built To Spill, a artista original de Nova York faz do recém-lançado Infinite Worlds (2017, Father/Daughter), álbum de estreia como Vagabon, um experimento controlado, curioso. Uma obra que muda de direção a todo instante.

Embora cercada por um time de instrumentistas, é Tamko que produz e grava grande parte do material. Do som climático que escapa das guitarras em Cold Apartment, ao ritmo eufórico da bateria em Minneapolis, cada fragmento do presente registro se projeta de acordo com as orientações da musicista. Vem daí a necessidade de transformar cada faixa em um objeto isolado, como um registro independente, ora íntimo do R&B de Erykah Badu, vide Fear & Force, ora consumido pelos ruídos, caso de 100 Years.

Interessante perceber na composição sensível dos versos uma forte aproximação entre grande parte das faixas. “Eu me sinto tão pequena / Meus pés mal tocam o chão / No ônibus, onde todo mundo é alto … Corra e diga a todos que Lætitia é / É apenas um pequeno peixe”, canta em The Embers, música de abertura do disco e um perfeito indicativo da poesia particular, sempre intimista, que se espalha com naturalidade ao longo da obra.

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Mesmo com 23 (!) composições lançada na versão original do extenso Drank (2017), Stephen Bruner acabou reservando algumas surpresas para as diferentes edições do novo álbum como Thundercat ao redor do mundo. É o caso de Hi, música gravada em parceria com o rapper Mac Miller, porém, reservada apenas para a distribuição do trabalho lançado pelo músico no Japão. Um pequeno acréscimo dentro do mar de canções que passeiam pelo soul, funk, hip-hop, jazz e rock psicodélico.

Naturalmente íntima do material apresentado há poucos dias por Bruner, Hi encontra na lenta composição dos elementos uma direção particular. Guitarras experimentais, a linha de baixo suculenta, samples, ruídos e pequenos entalhes atmosféricos. Uma rica paisagem sonora que se espalha de forma a completar os versos lançados pelos dois artistas. Lamentos ora musicados, ora rimados, como se Miller e Thundercat se completassem em estúdio.

 

Thundercat – Hi (feat. Mac Miller)

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Artista: Thundercat
Gênero: Neo-Soul, Funk, R&B
Acesse: http://www.brainfeedersite.com/

 

De To Pimp a Butterfly (2015) e Untitled Unmastered (2016) do rapper Kendrick Lamar, passando pelo experimentalismo de The Epic (2015), álbum de estreia do saxofonista Kamasi Washington, até alcançar o trabalho de artistas como Ty Dolla $ign, Kirk Knight e Mac Miller, não são poucos os registros que contaram com a presença e interferência do versátil Stephen Bruner. Uma coleção de faixas que atravessa a obra de Erykah Badu, Vic Mensa, Childish Gambino, Flying Lotus e outros nomes de peso da música negra dos Estados Unidos.

Dono de uma bem-sucedida sequência de obras lançadas sob o título de Thundercat – The Golden Age of Apocalypse (2011), Apocalypse (2013) e The Beyond / Where the Giants Roam (2015) –, o músico californiano chega ao quarto álbum de estúdio brincando com a capacidade de dialogar com diferentes estilos e técnicas. Em Drunk (2017, Brainfeeder), cada uma das 23 faixas do disco se transforma em um objeto de destaque, conduzindo a música de Bruner para dentro de um terreno nunca antes explorado.

Melodias eletrônicas que parecem resgatadas de algum jogo de videogame em Tokyo, o R&B sombrio da psicodélica Inferno ou mesmo o som descompromissado que escapa de Bus In These Streets, música que parece pensada como a abertura de alguma série cômica dos anos 1980. Em um intervalo de 50 minutos, tempo de duração da obra, Bruner e um time seleto de colaboradores passeia pelo álbum de forma sempre curiosa, atenta, resgatando diferentes conceitos e possibilidades sem necessariamente fazer disso o estímulo para um trabalho instável.

Mesmo na estranheza de Drunk e todo o universo de possibilidades que cresce dentro de cada composição, Bruner mantém firme a proximidade entre as faixas. São variações entre o R&B/Soul da década de 1960 e o pop eletrônico que começou a crescer no final dos anos 1970. Uma mistura de ritmos temperada pelo jazz fusion, trilhas sonoras de videogame, viagens de LSD e antigos programas de TV, como se memórias da adolescência do músico servissem de base para a formação do trabalho.

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Do visual claramente inspirado em Sade, passando pela voz doce e atmosfera acolhedora dos arranjos e batidas, a nova-iorquina NIIA parece vinda de algum lugar no final dos anos 1980. Inspirada pelo R&B/Soul de uma geração de artistas que dominaram as rádios e TVs norte-americanas, a cantora e produtora prepara o terreno para a chegada do primeiro álbum de inéditas, I (2017), trabalho que conta com o reforço da inédita Hurt You First.

Apresentada ao público durante o lançamento da versão de Seasons (Waiting On You), música originalmente gravada pelo Future Islands para o álbum Singles (2014), NIIA continua a brincar com as batidas e ambientações densas do R&B, estímulo para cada fragmento instrumental da nova música assinada pela artista. Um som minimalista, provocante, por vezes íntimo da curta discografia da cantora e produtora inglesa Jessie Ware.

I (2017) será lançado no dia 05/05 via Atlantic.

 

NIIA – Hurt You First

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Stephen Bruner precisou apenas da inédita Show You The Way, uma parceria com os cantores Michael McDonald e Kenny Loggins, dois ícones do Soft Rock da década de 1970, para resumir o som produzido em Drunk (2017). Terceiro e mais recente álbum do músico norte-americano, o sucessor do mini-disco The Beyond / Where the Giants Roam, de 2015, indica a busca do músico por um som claramente ancorado no soul-funk-R&B dos anos 1960/1970, base de toda a discografia do Thundercat.

Em Friend Zone, novo lançamento do músico, um som marcado pela riqueza dos detalhes e versos “cômicos”. São melodias, batidas e vozes que parecem saídas de algum clássico da música dance. Uma avalanche de sintetizadores que serve de base para a curiosa letra da canção, do primeiro ao último instante marcada por um relacionamento fracassado e referências ao universo dos video games – como Diablo e Mortal Kombat.

Drunk (2017) será lançado no dia 24/02 via Brainfeeder.

 

Thundercat – Friend Zone

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