Tag Archives: Synthpop

Twin Shadow: “I’m Ready”

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Contrário ao resultado imediatamente previsto, a passagem de George Lewis Jr. para uma grande gravadora – neste caso, a gigante Warner Bros. – em nada prejudicou o rendimento do músico à frente do Twin Shadow. Ao menos por enquanto. Assim como no último single do músico norte-americano, Turn Me Up, referências típicas da década de 1980 servem de base para o trabalho de Lewis, mais uma vez livre da ambientação “caseira” explorada no álbum de 2010, e ainda focado na estrutura limpa do sucessor Confess (2012).

Em I’m Ready, mais novo fragmento de Eclipse (2015), terceiro registro em estúdio do Twin Shadow, o explícito reforço nas guitarras mostra a direção assumida por Lewis Jr. Ao mesmo tempo em que parece íntimo dos últimos discos, os versos parcialmente declamados da canções logo aproximam o músico do mesmo universo de Depeche Mode, U2 e outros artistas próximos, como um diálogo breve com a música eletrônica/pop no começo dos anos 1990.

Eclipse conta com lançamento previsto para o dia 17 de março pela Warner Bros.

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Twin Shadow – I’m Ready

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Disco: “Lost Themes”, John Carpenter

John Carpenter
Ambient/Synthpop/Instrumental
http://www.theofficialjohncarpenter.com/

John Carpenter não poderia ter escolhido uma composição mais assertiva para inaugurar Lost Themes (2015, Sacred Bones) do que a climática Vortex. Em uma espiral de sintetizadores obscuros – fazendo valer o título da própria criação, “vórtice” – o artista norte-americano soluciona não apenas a estrutura temática para o restante da obra – um compilado de peças avulsas, instrumentais e sempre atmosféricos -, como ainda estabelece uma espécie de ponte (sonora) para a extensa filmografia de terror/suspense assinada desde o início da década de 1970.

Diretor responsável por filmes como The Thing (1982), Christine (1983), além da franquia Halloween, Carpenter encontra no primeiro trabalho em carreira solo um diálogo transformador com o próprio acervo cinematográfico. Partindo da estilização soturna da faixa de abertura – um possível introdução para qualquer película apresentada pelo artista nas últimas quatro décadas -, o ouvinte é convidado a explorar faixas fragmentadas em pequenos atos (Obsidian), instantes de ascensão (Mystery) ou mesmo suspiros instrumentais orquestrados por bases climáticas (Wraith).

Embora já tenha assinado a trilha sonora de diferentes filmes ao longo da carreira – caso de Assault on Precinct 13 (1976) e The Fog (1980) -, este é o primeiro trabalho de Carpenter pensado inteiramente no uso dos arranjos, esquivo da natural relação do artista com as imagens. Entretanto, difícil passear pela estrutura delicada de Fallen, Purgatory e qualquer outra canção “soturna” da obra sem visualizar as tradicionais cenas de suspense que marcaram a carreira do cineasta. Sem ordem específica, como fragmentos de um filme bruto, não editado, Carpenter detalha uma história de natureza perturbadora ao ouvinte.

Entalhado em um cercado musical específico, Lost Themes acomoda melodias e batidas eletrônicas de forma comportada, como uma película de roteiro lento, porém, envolvente. A julgar pela imposição dos sintetizadores – base de toda a obra -, referências ao trabalho de Kraftwerk e outros gigantes da década de 1970 – quando começou o trabalho como diretor – surgem por todo o álbum. Também é possível estreitar os laços com uma série de produtores recentes, principalmente Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), além dos ex-parceiros no Emeralds Steve Hauschildt e Mark McGuire. Continue reading

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Chromatics: “Yes (Love Theme)”

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Com exceção da capa, Johnny Jewel continua a manter segredo sobre o novo álbum do Chromatics, o esperado Dear Tommy (2015). Previsto para fevereiro, o registro parece dar sequência aos temas incorporados no último álbum da banda, Kill For Love, de 2012, referência explícita na lista de composições inéditas e versões apresentadas pelo grupo desde o último ano. Para aumentar a inda mais a expectativa em relação ao novo disco, Jewel e os parceiros de banda revelam ao público mais uma canção inédita: Yes (Theme Love).

Parte da trilha sonora de Lost River, filme dirigido pelo ator/músico/diretor Ryan Gosling, a composição pode não fazer parte do novo álbum do Chromatics, entretanto, preserva suas melhores características. Enquanto sintetizadores crescem no decorrer da faixa, Megan Louise (Desire), Ida No (Glass Candy) e Ruth Radelet (Chromatics) costuram uma delicada tapeçaria vocal, resgatando não apenas o clima do registro lançado em 2012, como de outra parceria (involuntária) entre a banda e o ator: a trilha sonora do filme Drive (2011).

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Chromatics – Yes (Love Theme)

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Meca Music Festival 2015 – São Paulo

No ultimo sábado, São Paulo recebeu a segunda edição do festival Meca, que em 2014 teve uma versão reduzida na capital paulista, mas que esse ano teve sua maior versão entre as cidades que passou. O Meca teve inicio em 2011 no sul do país, e de lá até agora já trouxe atrações como: Vampire Weekend, Two Door Cinema Club, The Rapture, Mayer Hawthorne, Friendly Fires, além de excelentes djs internacionais.

Nesse ano o festival contou como suas principais atrações nomes como: La Roux, AlunaGeorge e a banda Citizens!, que tocou pela segunda vez no festival, depois de agradar os fãs em 2013, voltou para curtir o verão brasileiro com a galera. Nós fomos ao Campo de Marte, local aonde foi realizado o evento, que teve o palco principal em um hangar de aviões, além de três cabines de djs espalhados pela área aberta do pequeno aeroporto, que além de musica boa, gente bonita, contou com cerveja de graça e sorvete a vontade.

O festival começou na tarde de sábado, mas precisamente às 15h, e teve como abertura Serge Erege, que mostrou para poucos sua mistura de post-punk e space-disco, como assim define seu show. Logo em seguida tivemos a banda Glass n’ Glue, que conta com integrantes de Minas Gerais, Rio e São Paulo, e traz grande influencia do rock e o pop inglês e norte-americano, a banda mostrou um show cheio de energia e exibiu a experiência que ganhou nos últimos anos com seus shows e projetos paralelos. Já com um publico bacana circulando no festival, a banda carioca Mahmundi, comandada pela musicista e compositora Marcela Vale, fez uma das melhores apresentações do festival, e quem chegou cedo pode ver a incrível banda tornar a tarde mais agradável, com aquele climão de festival de verão.

Em seguida, a banda gaucha Wannabe Jalva, que é já quase residente do festival, fez sua terceira apresentação durante os anos no qual existe o meca e como sempre agitou o publico. Terminando as atrações nacionais que iriam tocar no palco principal, a banda paulistana Aldo, The Band, mostrou que veio pra ficar, e com uma plateia de grande quantidade e super animada, tocou seu repertorio desde o inicio do projeto, o novo hit “Sunday Dust” e uma nova canção que foi exibida ao publico pela primeira vez. Logo em seguida, os britânicos do Citizens! fizeram um belo show, super a vontade com a plateia, foram bem recebidos, mostraram gratidão e boas musicas.

Por fim chegou a hora mais aguardada por muitos ali, que esperavam ansiosos para ver a dupla Aluna George, que surpreendeu a todos com um show impecável. O duo londrino que ao vivo se torna trio mostrou musicas bem interpretadas e muito carisma por parte da cantora Aluna Francis, que fez todos ali presentes saberem o porquê do grande destaque nos últimos dois anos, que assim como eles, poucos artistas fazem ou já fizeram um R&B mais pop com tanta originalidade e atitude. Os hits “Your Drums, Your Love” e “You Know You Like It”, assim como a faixa “White Noise”, feita em parceria com o Disclosure, foram cantadas em coro.

Fechando a noite, o projeto La Roux, da cantora Elly Jackson, era a principal atração da noite levando o destaque do line up do festival, mas sua apresentação dividiu opiniões. A cantora subiu ao palco e agitou o publico, mas aos poucos deu pra perceber algo estranho no som. Parecia que algumas musicas estavam usando como apoio o recurso de playback. Mesmo com a apresentação do seu mais novo álbum, seus hits passados, além de estilo de sobra, a cantora decepcionou, faltando um pouco de vontade de “cantar” o que sabemos que ela sabe fazer bem.

Além do palco principal, tivemos muitos djs espalhados pelo espaço externo, com variedade de estilos e de performance. Podemos destacar a tenda feita em parceria com o Red Bull Music Academy, que trouxe o dj e produtor português Branko, membro do grupo de global bass BURAKA SOM SISTEMA, além de artistas brasileiros inovadores como Daniel Limaverde e seixlacK. A noite acabou e deixou um gostinho de quero mais, tirando a falta de variedade de comidas e os mini palcos muito próximos. O Meca SP 2015 trouxe boas atrações, foi bem localizado, bem organizado, teve diversas ações de marketing positivas durante o dia, quantidade de pessoas agradável para um festival, e, sobretudo harmonia entre o publico! Já estamos esperando o anuncio do line up do ano que vem, e novas iniciativas bacanas.

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Chromatics: “Closer To Gray” / Johnny Jewel: “The Other Side Of Midnight”

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Depois de despejar uma série de composições inéditas, versões alternativas para faixas já conhecidas e covers com o trabalho de diferentes artistas, Johnny Jewel resolveu não perder mais tempo e anunciou a chegada de um novo álbum de inéditas do Chromatics. Intitulado Dear Tommy, o registro chega ao público nos primeiros meses de 2015 – em tempo para o dia dos namorados, 14 de fevereiro nos Estados Unidos, disse o produtor. Ainda que o intervalo seja curto, enquanto o sucessor de Kill For Love (2014) não é apresentado ao público, Jewel apresentou mais duas criações inéditas.

A primeira delas, Closer To Gray, uma composição inédita do Chromatics, mas que parece seguir a mesma atmosfera incorporada ao trabalho de 2012 – vide o aproveitamento dos sintetizadores e guitarras. Já a segunda, The Other Side Of Midnight, Jewel soluciona individualmente uma peça de 31 minutos de duração e sete movimentos ambientais. Trilha sonora para um filme fictício  – acima, o cartaz de apresentação -, a extensa canção replica os mesmos conceitos lançados com o Symmetry, outro projeto do músico.

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Chromatics – Closer To Gray

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Johnny Jewel – The Other Side Of Midnight

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Chromatics: “White Light”

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Quem segue o perfil Johnny Jewel no Soundcloud foi agraciado nas últimas semanas. Grande responsável pelo trabalho de bandas como Chromatics, Glass Candy e demais projetos relacionados ao selo Italians Do It Better, Jewel começou a publicar uma série de canções resgatadas do próprio acervo. Entre edições alternativas para músicas já conhecidas e até versões para o trabalho de outros artistas – vide o cover de Blue Moon -, são as canções inéditas que realmente despertam a atenção do público.

Além de The Last Dance, música assinada individualmente e publicada por Jewell há poucos dias, chega a hora de conhecer uma canção inédita do Chromatics: White Light. Naturalmente sutil, a econômica composição invade aos poucos o mesmo ambiente de Kill For Love (2012), último registro em estúdio do coletivo. Para ouvir os demais lançamentos de Jewell, basta uma visita ao soundcloud do músico.


Chromatics – White Light

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Cozinhando Discografias: Talk Talk

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Poucos artistas brincaram tanto com os próprios limites em estúdio quando a banda britânica Talk Talk. Com apenas dez anos de carreira e cinco registros oficiais, o grupo formado em 1981 na cidade de Londres, Inglaterra, atravessou o som pegajoso da New Wave para mergulhar em temas densos e experimentais, antecipando uma série de conceitos que sustentariam o Pós-Rock. Aos comandos do vocalista e principal compositor Mark Hollis, Lee Harris, Paul Webb e Simon Brenner sustentaram a obras tão comerciais (It’s My Life), quanto complexas (Laughing Stock), trabalhos agora organizados do pior para o melhor lançamento em mais uma seção Cozinhando Discografias. Continue reading

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Johnny Jewel: “The Last Dance”

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Johnny Jewel sempre manteve a própria conta no Soundcloud abastecida com boas novidades do Glass Candy, Chromatics ou mesmo registros pessoais. Todavia, mesmo o rico acervo do artista norte-americano nunca contou com tamanha variedade de lançamentos quanto nos últimos dias. Aquecimento para um novo trabalho pelo selo Italians Do It Better ou apenas uma limpeza de final de ano, não importa, quem se interessa pelos diferentes projetos do músico não tem do que reclamar.

Além de uma versão alternativa para a climática Cherry – intitulada I Can’t Keep Running -, e um cover do Chromatics para o clássico Blue Moon, recentemente Jewel apresentou a inédita The Last Dance. Completamente distinta em relação aos últimos projetos do músico, a faixa instrumental condensa arranjos de cordas, sintetizadores e toda uma atmosfera sutil em poucos minutos, reforçando o ar de despedida explícito no próprio título. Ouça:

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Johnny Jewel – The Last Dance

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Disco: “Animal”, Adriano Cintra

Adriano Cintra
Alternative/Pop/Synthpop
http://www.adrianocintra.com.br/

Por: Cleber Facchi

O pop sempre foi a base da música de Adriano Cintra. Ainda que os registros lançados pelo Cansei De Se Sexy sejam o principal ponto de referência em se tratando do trabalho do músico/produtor, basta se concentrar nas melodias exploradas pelo Thee Butcher’s Orchestra ou em projetos assinados com Marcelo Jeneci e Marina Vello para perceber a capacidade do paulistano em transitar e brincar com gênero, sem necessariamente fazer disso um som descartável ou minimamente comum.

Com a chegada de Animal (2014, DeckDisc), primeiro registro em carreira solo, o pop não apenas funciona como a principal ferramenta para Cintra, como ainda se curva e é moldado de acordo com as exigências do versátil produtor. Letras grudentas, arranjos plásticos e todo um arsenal de referências feitas para grudar. Da música disco em 1970 (Desde o Início), passando pelos exageros dos anos 1980 (Não Ladrão), até alcançar a flexibilidade do estilo na década de 2000, cada curva da obra arremessa o ouvinte para um novo e divertido cenário musical.

Representado com acerto pela capa “curiosa” que ostenta, Animal é um verdadeiro “Frankenstein Pop“, colecionando e adaptando um catálogo imenso de tendências líricas e instrumentais. Tendo nos sintetizadores a principal ferramenta de trabalho, Cintra não demora a explorar sentimentos (A Sedução de Um Desejo), desenvolver diferentes personagens (Abduzida, Boneca de Posto) e ainda esbarrar em temas cotidianos/nonsenses com uma leveza tão rara, que é quase impossível não voltar ao começo do disco tão logo a derradeira Fracasso Favorito chega ao fim.

Quando foi a última vez que você sentiu vontade de ouvir uma música cantada por Rogério Flausino? Nunca? Basta uma visita rápida ao som nostálgico de Desde o Início – no melhor estilo Daft Punk em Random Access Memories (2013) – para logo ser convencido pelo cantor. E não é apenas o vocalista do Jota Quest que passeia confortável pelo interior do disco. Da onipresente Nana Rizinni, responsável pelos vocais de apoio em grande parte das faixas, passando pelo veterano Guilherme Arantes em Não Vai Dominar, todos os convidados e músicos de apoio reforçam a liberdade encontrada dentro do domínio pop de Cintra. Continue reading

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Belle & Sebastian: “The Party Line”

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Ainda que não exista uma ordem específica ou estrutura pré-determinada, de tempos em tempos parece comum ver o Belle and Sebastian assumir novo posicionamento em estúdio. Um esforço de renovação natural, base para toda uma nova sequência de registros autorais. Foi assim com If You Are Feeling Sinister (1996), The Life Pursuit (2006) e esta parece ser a base do aguardado Girls in Peacetime Want To Dance (2015), o nono projeto de estúdio do coletivo escocês.

Primeiro exemplar de inéditas desde o adorável Write About Love, de 2010, o registro sustenta na recém-lançada The Party Line um pouco do que o grupo parece reservar para os próximos lançamentos. Ou pelo menos para os próximos meses. Movida pelo uso de sintetizadores, arranjos dançantes e todo um arsenal de elementos parcialmente raros dentro do extenso material do grupo, a nova faixa sustenta mais de quatro minutos de melodias envolventes, prontas para as pistas, como uma versão aprimorada do material lançado no disco de 2006.

Produzido por Ben H. Allen – Animal Collective, Washed Out -, Girls in Peacetime Want To Dance conta com distribuição pelo selo Matador Records e estreia agendada para 19 de janeiro. Relembre a obra do grupo escocês no especial Cozinhando Discografias.

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Belle & Sebastian – The Party Line

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