Artista: Diana
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Indie Pop
Acesse: https://soundcloud.com/dianasound

 

O passado ronda as canções do grupo canadense Diana. Em Familiar Touch (2016, Independente), segundo álbum de inéditas do trio de Toronto, todos os elementos testados no inaugural Perpetual Surrender (2013) são delicadamente resgatados e espalhados ao longo do trabalho. Uma nostálgica viagem em direção ao pop dos anos 1980 e começo da década de 1990, conceito explícito em cada uma das composições que abastecem o presente registro.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o trabalho de apenas dez faixas reflete o claro amadurecimento de cada integrante da banda. Um esforço coletivo que passa pela voz melancólica de Carmen Elle e chega até os instrumentos assumidos de forma coesa pelos parceiros de banda Joseph Shabason e Kieran Adams. Um precioso exercício de visitar o passado sem necessariamente fazer disso uma clara repetição de ideias e conceitos.

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Confessions resume na programação eletrônica e sintetizadores caricatos a base de grande parte do registro. Enquanto os versos da canção se perdem em meio a declarações intimistas da vocalista – “Você mordeu sua língua / E o gosto que ele deixou em sua boca” –, musicalmente, a canção cresce, assume diferentes tonalidades e acaba apontando a direção seguida pelo grupo até a derradeira Take It Over.

Em Slipping Away, terceira faixa do disco, um instante de pura renovação. Ao mesmo tempo em que a essência “oitentista” do grupo se projeta ao fundo da canção, batidas e vozes íntimas do R&B/Soul indicam a busca do trio por uma nova sonoridade. O mesmo cuidado acaba se refletindo em Miharu, música que flutua em meio a vozes declamadas e arranjos sedutores, como se o trio resgatasse uma série de elementos típicos da música pop no começo dos anos 1990.

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Você só precisa de uma audição para que as músicas da cantora e compositora canadense BOSSIE grudem na sua cabeça. Batidas ecoadas que dialogam com a década de 1980, sintetizadores frenéticos, dançantes, naturalmente íntimos do mesmo universo de artistas como Sky Ferreira e Kristin Kontrol. Uma coleção de pequenos acertos da jovem artista, dona de faixas como Tell It All e There Will Be Time, mas que acaba alcançando um melhor resultado dentro da inédita A Lot Like Love.

Pegajosa do primeiro ao último verso, a canção mostra a capacidade da cantora em amarrar diferentes fragmentos criativos dentro de uma mesma criação. Fragmentos de vozes que se espalham em meio a solos pontuais de guitarras, pequenas alterações rítmicas e o refrão que parece dar voltas na cabeça do ouvinte. Assim como os últimos lançamentos de BOSSIE, a nova faixa aponta a direção a ser seguida no primeiro álbum de inéditas da canadense, previsto para o primeiro semestre de 2017.

 

BOSSIE – A Lot Like Love

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Artista: S U R V I V E
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Alternativa
Acesse: http://survive.bandcamp.com/

 

Kyle Dixon e Michael Stein passaram grande parte da presente década experimentando. Sob o título de S U R V I V E, a dupla norte-americana esteve envolvida em uma série de obras independentes, como os ótimos Mnq025 e LLR002, ambos de 2012, a trilha sonora do filme The Guest, em 2014, além, claro, de uma sequência de composições avulsas e músicas feitas sob encomenda para a TV. Nada que se compare ao sucesso alcançado pelos produtores na trilha sonora de Stranger Things, da Netflix.

Em RR7349 (2016, Relapse), primeiro registro da dupla como S U R V I V E desde o sucesso em torno da série, uma clara extensão do material produzido desde o começo da presente década. Em um intervalo de pouco mais de 40 minutos e apenas nove faixas, Dixon, Stein e os novos parceiros, Adam Jones e Mark Donica, fazem do presente registro uma delicada colcha de retalhos, ruídos sintéticos e ambientações climáticas sempre perturbadoras, obscuras.

São músicas como a densa Other, segunda faixa do disco e uma espécie de sobra de algum clássico do terror lançado na década de 1980. Difícil não lembrar dos trabalhos produzidos pelo veterano John Carpenter quando os sintetizadores emulam batidas e temas sempre provocativos. Mais do que uma coleção de ideias e fragmentos eletrônicos, uma obra que cerca e sufoca o ouvinte a cada novo movimento, como se o ouvinte fosse arrastado para dentro de um universo próprio da banda.

Composição escolhida para apresentar o disco, a inaugural A.H.B. mostra como os detalhes dançam no interior de cada música produzida pela banda. Entre batidas e sintetizadores cósmicos, o quarteto estabelece pequenos respiros criativos, costurando temas atmosféricos e transições propositadamente instáveis. Uma constante sensação de que diferentes faixas do material produzido para a trilha sonora de Stranger Things foram amarradas dentro de uma mesma canção.

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Cada nova composição apresentada pelo Chromatics traz de volta a expectativa para o chegada do aguardado Dear Tommy. Quinto álbum de estúdio do grupo norte-americano comandado por Johnny Jewel, o registro originalmente previsto para 2015 teve parte de suas canções apresentadas ao público – como In Films e I Can Never Be Myself When You’re Around –, porém, segue livre de uma possível data de lançamento.

Enquanto o disco – que conta com 17 composições – não chega, o jeito é correr atrás dos pequenos lançamentos do grupo. É o caso de Magazine, mais recente criação do Chromatics e uma das poucas canções assumidas pela voz de Jewel. Feita sob encomenda, a canção é parte do novo filme da diretora belga Fien Troch, Home (2016), trabalho que ainda conta com canções do outro projeto do músico, o Symmetry.

 

Chromatics – Magazine

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Em quase duas décadas de atuação, Svein Berge e Torbjørn Brundtland sempre encararam o Röyksopp como um projeto de puro experimento, proposta que em nenhum momento impediu a dupla norueguesa de testar novas sonoridades e temas dançantes. Em Never Ever, mais recente lançamento dos produtores, uma perfeita representação do lado “pop” da dupla, capaz de mergulhar nas pistas de forma essencialmente leve e, ao mesmo tempo, criativa.

Produzido em parceria com a cantora Susanne Sundfør, artista que colaborou com a dupla durante o lançamento do álbum The Inevitable End (2014), último registro em estúdio do Röyksopp, a nova faixa mostra toda a capacidade da dupla em produzir uma canção movida pela leveza dos sintetizadores e vozes. São pouco mais de três minutos em que uma avalanche de sintetizadores e a voz limpa de Sundfør, no melhor estilo La Roux, parecem convidar o ouvinte para dançar. A direção do colorido clipe da faixa é da própria dupla.

Röyksopp – Never Ever (ft. Susanne Sundfør)

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Em quase duas décadas de atuação, Svein Berge e Torbjørn Brundtland sempre encararam o Röyksopp como um projeto de puro experimento, proposta que em nenhum momento impediu a dupla norueguesa de testar novas sonoridades e temas dançantes. Em Never Ever, mais recente lançamento dos produtores, uma perfeita representação do lado “pop” da dupla, capaz de mergulhar nas pistas de forma essencialmente leve e, ao mesmo tempo, criativa.

Produzido em parceria com a cantora Susanne Sundfør, artista que colaborou com a dupla durante o lançamento do álbum The Inevitable End (2014), último registro em estúdio do Röyksopp, a nova faixa mostra toda a capacidade da dupla em produzir uma canção movida pela leveza dos sintetizadores e vozes. São pouco mais de três minutos em que uma avalanche de sintetizadores e a voz limpa de Sundfør, no melhor estilo La Roux, parecem convidar o ouvinte para dançar.

 

Röyksopp: “Never Ever” (Feat. Susanne Sundfør)

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A paixão de Kurt Feldman pela década de 1980 se revela com naturalidade no mais recente álbum do Ice Choir: Designs In Rhythm (2016). Segundo e mais novo registro de inéditas do grupo norte-americano, o trabalho anunciado durante o lançamento de Unprepared, há poucos meses, mostra um completo amadurecimento da banda, ainda íntima do mesmo som testado em 2012 durante o lançamento do ótimo Afar.

O novo álbum – que conta com distribuição pelos selos Shelflife e Fastcut –, revela ao público um conjunto de 10 faixas inéditas. São composições claramente inspiradas pelo passado, referência marcada na interferência constante dos sintetizadores, vozes carregadas de efeitos ecoados e guitarras que esbarram de leve no Dream Pop do grupo nova-iorquino The Pains of Being Pure At Heart, projeto que apresentou Feldman no final da década passada.

 

Ice Choir – Designs In Rhythm

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Artista: Séculos Apaixonados
Gênero: Indie, Pós-Punk, Synthpop
Acesse:  https://soundcloud.com/seculos-apaixonados

 

Não é difícil montar uma lista de artistas recentes que são assumidamente inspirados pela música produzida na década de 1980. Projetos nacionais e estrangeiros que sufocam pelo uso exagerado de sintetizadores vintage, batidas ecoadas, estética neon e versos sempre pegajosos, radiofônicos. Um eterno resgate do passado, maquiado e vendido ao público como novidade. Exageros, clichês e pequenas fórmulas instrumentais que os integrantes da Séculos Apaixonados buscam perverter nas canções de O Ministério da Colocação (2016, Balaclava Records).

Segundo álbum de estúdio do coletivo formado por Gabriel Guerra (voz e guitarra), Lucas de Paiva (teclado e saxofone), Felipe Vellozo (baixo), Arthur Braganti (Teclado e Voz) e Lucas Freire (bateria), o sucessor do elogiado Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014) confirma a busca do quinteto carioca por um som ainda mais complexo, anárquico e desafiador. São sintetizadores sujos, ruídos submersos e versos abafados que tanto refletem o caos dentro de qualquer centro urbano como as constantes variações do mercado financeiro.

Livre do romantismo incorporado no trabalho anterior, O Ministério da Colocação faz de cada canção um curioso exercício criativo. Instantes em que o grupo passeia pelo mesmo pós-punk de artistas como Public Image Ltd. e The Fall – vide Disfarçando Riquezas na Triagem –; brinca com referências inusitadas – caso do “encontro” entre Roxy Music e Roupa Nova nas melodias de Dedo em Riste – e ainda coleciona fragmentos instrumentais de forma propositadamente instável, delirante – proposta explícita na urgência de Ele Também Foi Pra São Paulo.

Da abertura ao fechamento disco, parece difícil prever a direção seguida pela Séculos Apaixonados. O coro de vozes na pegajosa A Origem das Espécies, a ambientação nostálgica de Uma Vida Toda Planejada, o toque melancólico e sombrio em Medo da Cidade Quando Chove. Enquanto Roupa Linda, Figura Fantasmagórica parecia confortar todas as canções em uma atmosfera apaixonada e brega, com o presente disco são as trilhas independentes de cada canção que acabam seduzindo o ouvinte.

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Artista: Crystal Castles
Gênero: Electronic, Experimental, Synthpop
Acesse:  http://www.crystalcastles.com/

 

Depois de oito anos como vocalista do Crystal Castles, conflitos com Ethan Kath fizeram com que Alice Glass deixasse o projeto em medos de 2014. Enquanto a cantora deu início a um novo trabalho em carreira solo, apresentando em setembro de 2015 a caótica Stillbirth, Kath decidiu seguir em frente com a banda. Em julho do mesmo ano, o produtor lançou a curiosa Deicide, um esboço para o material que seria entregue um ano mais tarde em Concrete, primeira canção em parceria com Edith Frances e a ponte para o quarto álbum de inéditas da (nova) dupla: Amnesty (I) (2016, Fiction / Casablanca).

Tal qual o primeiro registro do Crystal Castles, obra lançada em março de 2008, o presente álbum mostra a tentativa de Kath em organizar em estúdio. São composições que flertam com diferentes gêneros – vide a EDM na inaugural Femen –, músicas que dialogam de forma explícita com os primeiros inventos da banda – como em Concrete –, além de faixas que surgem como verdadeiras sobras do último registro de inéditas dos canadenses – semelhança explícita na derradeira Their Kindness Is Charade.

Com Frances nos vocais, Kath se concentra em brincar com os contrastes. Um bom exemplo disso está na construção de Sadist. Quinta faixa do disco, a canção dominada pelo uso de bases minimalistas, vozes brandas e ruídos sintéticos flutua entre a serenidade e a explosão. Em Fleece, segunda música do trabalho, uma reciclagem do mesmo conceito. Respiros breves que antecedem o caos, como se o casal desse voltas em torno de uma redundante fórmula instrumental.

Observado de forma atenta, a principal diferença entre Amnesty (I) e os três primeiros discos do Crystal Castles está na arquitetura simplista que sustenta o presente álbum. Pare por alguns minutos para ouvir músicas como Suffocation, Baptism, Crimewave ou Vanished e perceba como as texturas eletrônicas, vozes e constantes alterações nas batidas crescem com delicadeza ao fundo de cada canção. Ainda que músicas como Enth e Sadist encantem pelo detalhismo, em nenhum momento do disco é possível perceber o mesmo cuidado por parte de Kath.

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Responsáveis pela trilha sonora de Stranger Things, um dos trabalhos mais comentados dos últimos meses, Kyle Dixon e Michael Stein estão longe de parecer novatos. Donos de uma enorme seleção de obras catalogadas no Bandcamp, a dupla, que costuma se apresentar sob o título de S U R V I V E, reserva para os próximos meses o lançamento de um novo álbum de inéditas, RR7349 (2016), trabalho anunciado há poucas semanas com a hipnótica A.H.B..

Parte do mesmo trabalho, a recém-lançada Wardenclyffe mostra a busca da dupla norte-americana por um som essencialmente experimental e sombrio. Mesmo que os sintetizadores da faixa pareçam dialogar com diferentes obras do cinema de horror das décadas de 1970 e 1980, sobrevive nas batidas e constantes curvas rítmicas a força da presente canção. Diferentes ideias que se amarram dentro de um mesmo bloco de sons eletrônicos.

RR7349 (2016) será lançado no dia 30/09 pelo selo Relapse Records.

S U R V I V E – Wardenclyffe

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