Tag Archives: Synthpop

CHVRCHES: “Get Away”

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Diálogos escasso, pouca movimentação das câmeras, silêncio. Em Drive (2011), a trilha sonora não apenas orienta as ações do personagem interpretado por Ryan Gosling, como parece conduzir a direção de Nicolas Winding Refn. Orquestrado pelo compositor Cliff Martinez, o material que cresce ao fundo da película talvez seja um dos mais influentes da presente década, servindo de inspiração para clássicos imediatos como Kill For Love (2012) do Chromatics.

Um dos principais apresentadores da BBC Radio 1 e também apaixonado pelo trabalho de Martinez, o DJ Zane Lowe lançou um desafio ambicioso: produzir uma nova trilha sonora para o filme. Intitulado Radio One Rescores: Drive, o projeto conta com a participação de Foals, SBTRKT, Baauer, Jon Hopkins e outros artistas de peso da cena alternativa, todos convidados a reformular a trilha da película. Sem fugir do som explorado no debut The Bones of What You Believe, de 2013, o CHVRCHES foi o grupo escolhido para revelar a primeira mostra do projeto com Get Away.

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CHVRCHES – Get Away

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Cozinhando Discografias: Crystal Castles

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Uma obra marcada pelos ruídos. Da estreia com o single Alice Pratice, em 2006, ao lançamento do perturbado terceiro álbum de estúdio, em 2012, toda a produção de Crystal Castles foi marcada pela construção suja das vozes, arranjos e efeitos eletrônicos. Com um nome inspirado no castelo homônimo da animação She-Ra, o projeto formado em 2003 na cidade de Toronto, Canadá, trouxe na voz instável de Alice Glass e produção versátil de Ethan Kath os principais elementos para a concepção de cada faixa e registro. Todavia, anunciada a saída de Glass e prováveis adaptações em relação ao projeto, nada mais justo do que resgatar o curto acervo da banda o organizar cada um dos trabalhos do pior para o melhor lançamento. Continue reading

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Mahmundi: “Sentimento”

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Desde que Marcela Vale “abandonou” o som Tropical-Lo-Fi testado em Efeito das Cores EP, de 2012, a busca por temas melancólicos, bases mais lentas e íntimas do R&B 90’s servem de inspiração para o trabalho desenvolvido com o Mahmundi. Instalada no mesmo ambiente confessional inaugurado em Vem e posteriormente aprimorado com a chegada de Setembro EP (2013), a cantora e compositora carioca revela agora outra peça sufocada pelo mesmo efeito sombrio: Sentimento.

Em um território também desbravado por Jessie Ware, How To Dress Well e outros nomes fortes da cena estrangeira, Vale desacelera a própria voz e sintetizadores para apresentar versos dramáticos como “O amor é tudo o que me interessa“. Instantes de amargura e doses controladas de esperança que logo traduzem o título da nova composição.

Inédita, Sentimento é uma das seis faixas selecionadas para a categoria Nova Canção do Prêmio Multishow 2014. Marcelo Jeneci, Sexy-Fi, Lucas Santtana, Martim Bernardes (O Terno) e Castello Branco também disputam o voto do público. Em 2013, Mahmundi venceu na categoria Novo Hit com a música Calor do Amor. Ouça as outras faixas e vote na favorita.

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Mahmundi – Sentimento

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Disco: “Tyranny”, Julian Casablancas + The Voidz

Julian Casablancas + The Voidz
Alternative/Indie/Synthpop
http://juliancasablancas.com/

Por: Cleber Facchi

“It’s hard to write good lyrics that are meaningful. It’s hard to not write bad lyrics and fake it and have a meaningless thing that sounds cool. That move you on a deep level and have a deep meaning but just sound good and you can enjoy lightly.”

Poucas vezes Julian Casablancas me pareceu tão sóbrio quanto no diálogo travestido de entrevista para a Time Out. Ao lado de Karen O, que na ocasião divulgava o recém-lançado Crush Songs (2014), o vocalista do Strokes ressaltou a dificuldade em escrever boas composições – “It’s the hardest thing” -, discutiu Thom Yorke e Radiohead, comentou de forma nostálgica a cena de Nova York nos anos 2000 e, acima de tudo, conseguiu transmitir ao público a própria maturidade – postura talvez esquecida pelo “rosto de bebê” que o músico ostenta desde a estreia de Is This It, há 13 anos.

Maturidade. Difícil não fazer uso de tal palavra quando falamos sobre o trabalho de Casablancas na última década e meia. Ataquem ou defendam seus favoritos, mas músico é autor (ou participante ativo) de pelo menos duas obras clássicas – Is This It (2001) e Room On Fire (2003) -, um bem resolvido trabalho solo – Phrazes for the Young (2009) -, três registro medianos - First Impressions of Earth (2006), Angles (2011) e Comedown Machine (2013) -, além de uma série de faixas em parceria – de Daft Punk a Sparklehorse. Nada que pareça “detestável” ou “inaudível” como tantos já foram capazes de revelar em um mesmo período de tempo.

Ma-tu-ri-da-de. Com tantos atributos positivos, vasta experiência em estúdio, apresentações nos quatro cantos do globo, contatos e a capacidade de esculpir a frase tocante que abre texto, pergunto: Qual o propósito de Julian Casblancas com Tyranny? Continue reading

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Disco: “Too Bright”, Perfume Genius

Perfume Genius
Indie/Chamber Pop/Experimental
https://www.facebook.com/perfumegeniusofficial

Por: Cleber Facchi

Mike Hadreas é um especialista em brincar com os contrastes. Desde o primeiro álbum como Perfume Genius, Learning (2010), o enquadramento sutil dos arranjos segue em oposição ao lirismo grandioso, quase cênico, incorporado em cada verso. Não diferente é a estrutura abordada em Put Your Back N 2 It, obra entregue dois anos mais tarde e uma espécie de extensão (ainda mais) dolorosa do ambiente construído no disco de estreia. Contudo, ao abrir as cortinas do terceiro álbum da carreira, Too Bright (2014, Matador), o compositor revela ao ouvinte uma série de elementos surpresa.

Imenso palco iluminado pelo experimento, o presente registro é uma obra que se expande grandiosa, seduzindo com naturalidade o espectador, sem elementos opositivos. Ainda que marcado por sóbrios instantes de minimalismo, referências típicas do músico, grande parte das canções surgem de forma intensa, “brilhantes” e espalhafatosas,  fazendo valer o título do álbum. Mais uma vez acompanhado pelo produtor Ali Chant e Adrian Utley, do Portishead – responsável pelos sintetizadores do disco -, Hadreas soluciona uma obra em que arranjos e temas funcionam paralelamente, tratando na fluidez dos elementos uma espécie de espetáculo triste.

Parcialmente livre do Chamber Pop claustrofóbico dos dois primeiros álbuns, em Too Bright o compositor deixa de soar como um filho adorado de Antony Hegarty para flertar abertamente com a obra de David Bowie. Ainda que a capa plástica do disco sirva de referência imediata ao trabalho do músico britânico, o uso de arranjos sintéticos – típicos de Station to Station (1976) -, além da estrutura teatral – no melhor estilo Ziggy Stardust -, apenas reforçam a confessa devoção de Hadreas.

Personagem central de própria obra, o cantor regressa ao mesmo território melancólico do álbum de 2012, ressuscitando histórias particulares de seu último relacionamento fracassado. A diferença em relação ao material exposto em faixas como Hood e Dark Parts – todas focadas com amargura no ex-namorado -, está na forma como o cantor parece aos poucos seguir em frente, algo explícito na inaugural I Decline - “Eu posso ver por milhas / A mesma linha velha / Não, obrigado / Eu recuso“. Continue reading

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Peaking Lights: “Everyone And Us”

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A explícita relação da dupla Peaking Lights com o Pop em Breakdown, primeiro single do ainda inédito Cosmic Logic (2014), parece reforçada com o lançamento de Everyone And Us. Detalhada pelo mesmo conjunto de ideias da canção passada, a faixa inicia em meio a batuques controlados, abre espaço para a voz parcialmente límpida da vocalista Indra Dunis e logo desagua em um oceano de cores e sintetizadores tão próximos do último álbum da dupla, Lucifer (2012), como de toda a carga de referências dos anos 1980.

Ora esbarrando na fase “World Music” do Talking Heads, ora encarada como uma versão limpa dos sons anunciados em 936 (2011), Everyone And Us talvez seja – junto de Breakdown – o invento mais acessível comercialmente e melódico já assinado por Aaron Coyes, prova de que o material reservado para o dia sete de outubro deve aparecer recheado pela surpresa. Além do novo single, na última semana a dupla apresentou o lisérigico clipe de Breakdown. Cosmic Logic conta com lançamento pelo selo Weird World.

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Peaking Lights – Everyone And Us

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Adriano Cintra: “Animal”

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Se você está em busca de respostas sobre “a vida o universo e tudo mais”, desculpe, mas talvez seja melhor passar longe do trabalho de Adriano Cintra. Todavia, se a sua vontade é a de ouvir um som divertido, carregado de versos pegajosos e arranjos fáceis, então não perca mais tempo: Animal é a música certa para você. Faixa-título do primeiro álbum solo do ex-Cansei de Ser Sexy, a composição não apenas segue a trilha da antecessora Duda, lançada há poucas semanas, como reforça o contexto acessível do novo trabalho do multi-instrumentista.

Grudenta e carregada de sintetizadores, a faixa é uma bem sucedida parceria entre Cintra e o músico paulistano Marcelo Segreto, um dos integrantes da banda Filarmônica de Pasárgada. Como um complemento para a faixa, Cintra convidou a curitibana Marina Penny (Subburbia) para produzir o lyric video da canção, resultado explícito na soma de imagens tão atuais, como carregadas de referências e efeitos visuais das décadas de 1980 e 1990.  Com lançamento pela Deck Disc, Animal (o disco) estreia em outubro. Acima, a perturbadora capa do álbum.

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Adriano Cintra – Animal

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Disco: “How To Run Away”, Slow Magic

Slow Magic
Chillwave/Electronic/Synthpop
http://slowmagic.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Um dos aspectos mais sublimes na obra de Hayao Miyazaki não está no roteiro delicado ou mesmo nos cenários fantásticos produzidos a cada película, mas nos personagens que o diretor utiliza como ponte para esse universo mágico. Seja o gigante Totoro no filme de 1988, os diferentes espíritos na trama de Princesa Mononoke (1998) ou mesmo o jovem Haku em A Viagem de Chihiro (2002), há sempre uma criatura/estopim que aos poucos afasta a mente do espectador da realidade, convidado a experimentar o novo plano de cores, cenários e sensações detalhadas em cada história.

Ainda que atuante em um ambiente específico – o da música -, não é difícil perceber no novo álbum do californiano Slow Magic a mesma atmosfera fantástica que toma conta da poesia visual de Miyazaki. Mágico personagem da própria obra, o produtor mascarado é o grande responsável por apresentar ao público – representado pelos jovens na capa do álbum – o panorama delicado que se apodera de How To Run Awaym (2014, Downtown), segundo e mais recente obra de estúdio.

Coleção de temas limpos e essencialmente melódicos, o presente álbum é um passo além em relação ao que Magic já havia testado com acerto no disco anterior, Triangle, de 2012. Trata-se de uma interpretação menos “artesanal” da Chillwave que ocupou grande parte da Costa Oeste dos Estados Unidos no final da década passada, experiência agora detalhada no uso atento dos sintetizadores – a principal ferramenta de trabalho para a obra. Todavia, mais do que um projeto orientado por novas imposições técnicas/estéticas, How To Run Away é um desenvolvido para brincar com as sensações do ouvinte.

Da imagem fantasiosa que estampa a capa do disco – o “personagem” de Slow Magic -, ao conjunto de harmonias detalhadas em cada faixa, por onde passa o ouvinte é arrastado para um novo campo de experiências oníricas. Em uma estrutura musical progressiva (e mística), o produtor detalha pequenas referências, sobrepõem instrumentos e brinca com a voz em uma captação carregada de eco. Assim como nas histórias de Hayao Miyazaki, Magic está longe de fornecer as respostas ao público, pelo contrário, parece se divertir com as diferentes interpretações lançadas em cada música. Continue reading

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La Roux: “Kiss And Not Tell”

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Sutilmente mais lento em relação ao trabalho de estreia, lançado em 2009, Trouble in Paradise (2014) reforça a capacidade de Elly Jackson em transportar a música do La Roux para todo um novo campo de possibilidades rítmicas. Ainda que a extensa duração de Let Me Down Gently e outras faixas do álbum tenham “assustado” o antigo público da cantora, grande parte do material reservado para o disco mantém firme a essência da cantora, ainda capaz de produzir hits pegajosos carregados de referências dos anos 1980.

É o caso de Kiss and Not Tell. Segunda canção do disco, a faixa segue a trilha comercial de Uptight Downtown e Sexotheque, representações do lado mais radiante do La Roux. Mais novo single do álbum, a composição cresce ainda mais por conta do clipe desenvolvido especialmente para ela. Dirigido por Alexander Brown, o trabalho é uma brincadeira com os antigos (ou atuais) serviços de sexo pelo telefone.

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La Roux – Kiss And Not Tell

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Cozinhando Discografias: The Killers

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Bastou ao The Killers o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Hot Fuss (2004), para que a banda se transformasse em um dos maiores fenômenos da música nos anos 2000. Formado na cidade de Las Vegas, o grupo composto por Brandon Flowers, Dave Keuning, Mark Stoermer e Ronnie Vannucci, Jr. encontrou no passado a base para a própria sonoridade. Inspirado pelo trabalho de bandas como U2, New Order, The Cure e outros gigantes da década de 1980, o quarteto é um dos responsáveis pela volta de um rock dançante e recheado por sintetizadores, premissa para cada um dos discos organizados em nosso especial. Continue reading

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