Tag Archives: Synthpop

Adriano Cintra: “Animal”

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Se você está em busca de respostas sobre “a vida o universo e tudo mais”, desculpe, mas talvez seja melhor passar longe do trabalho de Adriano Cintra. Todavia, se a sua vontade é a de ouvir um som divertido, carregado de versos pegajosos e arranjos fáceis, então não perca mais tempo: Animal é a música certa para você. Faixa-título do primeiro álbum solo do ex-Cansei de Ser Sexy, a composição não apenas segue a trilha da antecessora Duda, lançada há poucas semanas, como reforça o contexto acessível do novo trabalho do multi-instrumentista.

Grudenta e carregada de sintetizadores, a faixa é uma bem sucedida parceria entre Cintra e o músico paulistano Marcelo Segreto, um dos integrantes da banda Filarmônica de Pasárgada. Como um complemento para a faixa, Cintra convidou a curitibana Marina Penny (Subburbia) para produzir o lyric video da canção, resultado explícito na soma de imagens tão atuais, como carregadas de referências e efeitos visuais das décadas de 1980 e 1990.  Com lançamento pela Deck Disc, Animal (o disco) estreia em outubro. Acima, a perturbadora capa do álbum.

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Adriano Cintra – Animal

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Disco: “How To Run Away”, Slow Magic

Slow Magic
Chillwave/Electronic/Synthpop
http://slowmagic.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Um dos aspectos mais sublimes na obra de Hayao Miyazaki não está no roteiro delicado ou mesmo nos cenários fantásticos produzidos a cada película, mas nos personagens que o diretor utiliza como ponte para esse universo mágico. Seja o gigante Totoro no filme de 1988, os diferentes espíritos na trama de Princesa Mononoke (1998) ou mesmo o jovem Haku em A Viagem de Chihiro (2002), há sempre uma criatura/estopim que aos poucos afasta a mente do espectador da realidade, convidado a experimentar o novo plano de cores, cenários e sensações detalhadas em cada história.

Ainda que atuante em um ambiente específico – o da música -, não é difícil perceber no novo álbum do californiano Slow Magic a mesma atmosfera fantástica que toma conta da poesia visual de Miyazaki. Mágico personagem da própria obra, o produtor mascarado é o grande responsável por apresentar ao público – representado pelos jovens na capa do álbum – o panorama delicado que se apodera de How To Run Awaym (2014, Downtown), segundo e mais recente obra de estúdio.

Coleção de temas limpos e essencialmente melódicos, o presente álbum é um passo além em relação ao que Magic já havia testado com acerto no disco anterior, Triangle, de 2012. Trata-se de uma interpretação menos “artesanal” da Chillwave que ocupou grande parte da Costa Oeste dos Estados Unidos no final da década passada, experiência agora detalhada no uso atento dos sintetizadores – a principal ferramenta de trabalho para a obra. Todavia, mais do que um projeto orientado por novas imposições técnicas/estéticas, How To Run Away é um desenvolvido para brincar com as sensações do ouvinte.

Da imagem fantasiosa que estampa a capa do disco – o “personagem” de Slow Magic -, ao conjunto de harmonias detalhadas em cada faixa, por onde passa o ouvinte é arrastado para um novo campo de experiências oníricas. Em uma estrutura musical progressiva (e mística), o produtor detalha pequenas referências, sobrepõem instrumentos e brinca com a voz em uma captação carregada de eco. Assim como nas histórias de Hayao Miyazaki, Magic está longe de fornecer as respostas ao público, pelo contrário, parece se divertir com as diferentes interpretações lançadas em cada música. Continue reading

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La Roux: “Kiss And Not Tell”

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Sutilmente mais lento em relação ao trabalho de estreia, lançado em 2009, Trouble in Paradise (2014) reforça a capacidade de Elly Jackson em transportar a música do La Roux para todo um novo campo de possibilidades rítmicas. Ainda que a extensa duração de Let Me Down Gently e outras faixas do álbum tenham “assustado” o antigo público da cantora, grande parte do material reservado para o disco mantém firme a essência da cantora, ainda capaz de produzir hits pegajosos carregados de referências dos anos 1980.

É o caso de Kiss and Not Tell. Segunda canção do disco, a faixa segue a trilha comercial de Uptight Downtown e Sexotheque, representações do lado mais radiante do La Roux. Mais novo single do álbum, a composição cresce ainda mais por conta do clipe desenvolvido especialmente para ela. Dirigido por Alexander Brown, o trabalho é uma brincadeira com os antigos (ou atuais) serviços de sexo pelo telefone.

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La Roux – Kiss And Not Tell

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Cozinhando Discografias: The Killers

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Bastou ao The Killers o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Hot Fuss (2004), para que a banda se transformasse em um dos maiores fenômenos da música nos anos 2000. Formado na cidade de Las Vegas, o grupo composto por Brandon Flowers, Dave Keuning, Mark Stoermer e Ronnie Vannucci, Jr. encontrou no passado a base para a própria sonoridade. Inspirado pelo trabalho de bandas como U2, New Order, The Cure e outros gigantes da década de 1980, o quarteto é um dos responsáveis pela volta de um rock dançante e recheado por sintetizadores, premissa para cada um dos discos organizados em nosso especial. Continue reading

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Merely: “Forever”

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Casa de Ceo, jj e alguns dos projetos mais delicados da música eletrônica sueca, o selo Sincerely Yours acaba de presentear o público com mais uma assertiva novidade. Trata-se de Forever, mais novo lançamento da cantora Merely. Carregada de referências que percorrem diferentes décadas e tendências, a música usa da batida firme como um estímulo para a voz da artista, parcialmente encoberta por uma nuvem de efeitos.

Lembrando um pouco o trabalho da conterrânea Sally Shapiro, Forever não é a primeira composição da “novata”, que já havia supreendido o público do selo com o lançamento de Lava, há poucos meses.

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Merely – Forever

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Shura: “Just Once”

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Você só precisa esperar algumas semanas – às vezes dias – até que algum artista novato ou veterano passeie musicalmente pela década de 1980. Enquanto alguns sufocam de forma óbvia pela redundância dos temas e tendências, outros surpreendem com naturalidade. Este é o caso de Just Once, mais novo lançamento da britânica Shura – já responsável pela ótima Touch – e um convite doce para regressar (mais uma vez) ao passado.

Lembrando uma versão “feminina” de Blood Orange, a produtora/cantora investe na mesma timidez ressaltada em Cupid Deluxe, tropeçando involuntariamente no mesmo território de Sky Ferreira na também nostálgica Everything Is Embarrassing. Com quase cinco minutos de duração, Aleksandra Denton, a responsável pelo projeto, acomoda vocais, sintetizadores e batidas quase imperceptíveis, cercando o ouvinte com acerto. Uma audição e, pronto, vai ser difícil escapar.

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Shura – Just Once

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Disco: “Trouble in Paradise”, La Roux

La Roux
Electronic/Synthpop/Female Vocalists
http://www.laroux.co.uk/

Por: Cleber Facchi

La Roux

Elly Jackson não poderia ter assumido uma estratégia mais corajosa do que os quatro anos de hiato que antecedem Trouble in Paradise (2014, Polydor). Longe da euforia, sintetizadores chiclete e versos fáceis que se projetam de Bulletproof e I’m Not Your Toy – algumas das faixas mais comerciais do álbum de estreia, lançado em 2009 -, a cantora/produtora britânica alcança o segundo registro de estúdio reforçando uma postura rara em tempos de produções urgentes e obras que normalmente chegam cruas aos ouvintes.

Lento, mas não estático, o presente disco é um passo além em relação ao furor oitentista que organizou grande parte da produção musical na década passada. Ainda íntima da New Wave instalada no single de estreia Quicksand, de 2008, Jackson transforma o novo álbum em uma obra de transição. Por mais que a inaugural Uptight Downtown estenda o exercício projetado no disco de estreia, à medida que a cantora atravessa a obra, o teor nostálgico da década de 1980 se encontra com os anos 1990 e 1970, reforçando a base conceitual do La Roux. Onde antes reinavam projetos como Eurythmics, A-Ha e The Human League, agora surgem gigantes como Grace Jones e Donna Summer.

Apresentado em idos de maio pela extensa Let Me Down Gently, Trouble in Paradise logo foi encarado como uma obra de oposição ao exercício frenético exposto no debut de Jackson. Todavia, não é preciso muito esforço para perceber como a mesma música pop da britânica ainda permanece a mesma, apenas detalhada em uma nova estrutura. Mesmo que canções como Tropical Chancer ou a inaugural Uptight Downtown apostem em uma tonalidade calorosa e propositadamente letárgica, por todo o trabalho músicas como Kiss and Not Tell e Sexotheque resgatam a essência do álbum anterior, arrastando o ouvinte para a pista.

É dentro desse universo de colagens, resgates e pequenas adequações que reside o grande acerto do disco. Enquanto The Ting Tings, Ladyhawke e outros artistas que surgiram na mesma época se acomodaram em uma terrível zona de conforto, Elly Jackson foi além, investindo na transformação. Sim, Trouble in Paradise está longe de ser um álbum encarado como “clássico”, tampouco parece capaz de igualar o acervo de faixas pegajosas do álbum passado, todavia, longe da redundância imediata e do autoplágio autoral que sobrevive do fanatismo cego do público, Jackson evita a redundância e aposta no novo. Trata-se de uma obra de passagem, uma seta indicando os acertos, tropeços e novas possibilidades da cantora ao velho público. Continue reading

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SZA: “Julia”

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Z (2014), estreia da cantora norte-americana SZA pode até ser um trabalho marcado pela densidade dos arranjos e vozes, mas pende para o pop em alguns momentos. Melhor exemplo desse resultado “comercial” está na construção de Julia, faixa que parece expandir os limites vocais e sonoros de Solana Rowe para arremessa a cantora – e o próprio ouvinte – diretamente para os anos 1980.

Com produção assinada por Felix Snow, velho parceiro de Rowe, e lembrando muito alguma faixa perdida de Blood Orange ou Chairlift, a canção aparece agora como clipe. Dirigido por Rodney Passé, o vídeo se concentra inteiramente na figura de SZA, a agora responsável pelo melhor sideboob frontal (isso existe?) de 2014.

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SZA – Julia

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Broods: “L.A.F.”

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O lançamento de Mother & Father, há poucos dias, serviu apenas para reforçar o óbvio: o duo Broods está em busca de uma fórmula própria, muito mais íntima da música Pop. Cada vez menos “experimental” quando próximos das primeiras criações do duo, os irmãos Georgia e Caleb Nott não apenas se distanciam das comparações que os aproximam de Lorde, como ainda vem desenvolvendo uma série de melodias acessíveis, ainda mais evidentes com a chegada de L.A.F.

Reforçando de forma evidente a audível relação com o CHVRCHES e outros exemplares do synthpop moderno, a nova criação potencializa a voz de Georgia, deixando para Caleb uma evidente valorização das harmonias e uso versátil das batidas. Assim como a faixa lançada há poucos dias, a nova música entrega pistas sobre os rumos da dupla em relação ao primeiro álbum de estúdio, previsto para estrear ainda em 2014.

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Broods – L.A.F.

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Zola Jesus: “Dangerous Days”

Zola Jesus

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Nika Danilova fez dos dois primeiros álbuns à frente do Zola Jesus – The Spoils (2009) e Stridullum II (2010) – uma interpretação particular da música (gótica) dos anos 1980. Sintetizadores e batidas lentas, adaptações da obra de Kate Bush e uma série de referências nostálgicas encaradas com amargura. Colagens que encontraram em Conatus (2011) um ponto tímido de transformação, mas que deve ser melhor resolvido com a chegada de Taiga (2014), quarto álbum de inéditas da cantora norte-americana.

Com previsão de estreia para o dia sete de outubro pelo selo Mute, o álbum encontra na recém-lançada Dangerous Days uma espécie de anúncio do ambiente que deve orientar a presente fase da artista. Com um pé na eletrônica dos anos 1990 (principalmente em se tratando da cena Industrial), a nova faixa é ao mesmo tempo uma extensão e um ponto de ruptura dentro da carreira de Danilova. Um misto de The Knife, Robyn e M83 que não exclui o estranho brilho pop da composição – compatível com a voz firme da artista.

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Zola Jesus – Dangerous Days

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