Tag Archives: Synthpop

Merely: “Forever”

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Casa de Ceo, jj e alguns dos projetos mais delicados da música eletrônica sueca, o selo Sincerely Yours acaba de presentear o público com mais uma assertiva novidade. Trata-se de Forever, mais novo lançamento da cantora Merely. Carregada de referências que percorrem diferentes décadas e tendências, a música usa da batida firme como um estímulo para a voz da artista, parcialmente encoberta por uma nuvem de efeitos.

Lembrando um pouco o trabalho da conterrânea Sally Shapiro, Forever não é a primeira composição da “novata”, que já havia supreendido o público do selo com o lançamento de Lava, há poucos meses.

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Merely – Forever

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Shura: “Just Once”

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Você só precisa esperar algumas semanas – às vezes dias – até que algum artista novato ou veterano passeie musicalmente pela década de 1980. Enquanto alguns sufocam de forma óbvia pela redundância dos temas e tendências, outros surpreendem com naturalidade. Este é o caso de Just Once, mais novo lançamento da britânica Shura – já responsável pela ótima Touch – e um convite doce para regressar (mais uma vez) ao passado.

Lembrando uma versão “feminina” de Blood Orange, a produtora/cantora investe na mesma timidez ressaltada em Cupid Deluxe, tropeçando involuntariamente no mesmo território de Sky Ferreira na também nostálgica Everything Is Embarrassing. Com quase cinco minutos de duração, Aleksandra Denton, a responsável pelo projeto, acomoda vocais, sintetizadores e batidas quase imperceptíveis, cercando o ouvinte com acerto. Uma audição e, pronto, vai ser difícil escapar.

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Shura – Just Once

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Disco: “Trouble in Paradise”, La Roux

La Roux
Electronic/Synthpop/Female Vocalists
http://www.laroux.co.uk/

Por: Cleber Facchi

La Roux

Elly Jackson não poderia ter assumido uma estratégia mais corajosa do que os quatro anos de hiato que antecedem Trouble in Paradise (2014, Polydor). Longe da euforia, sintetizadores chiclete e versos fáceis que se projetam de Bulletproof e I’m Not Your Toy – algumas das faixas mais comerciais do álbum de estreia, lançado em 2009 -, a cantora/produtora britânica alcança o segundo registro de estúdio reforçando uma postura rara em tempos de produções urgentes e obras que normalmente chegam cruas aos ouvintes.

Lento, mas não estático, o presente disco é um passo além em relação ao furor oitentista que organizou grande parte da produção musical na década passada. Ainda íntima da New Wave instalada no single de estreia Quicksand, de 2008, Jackson transforma o novo álbum em uma obra de transição. Por mais que a inaugural Uptight Downtown estenda o exercício projetado no disco de estreia, à medida que a cantora atravessa a obra, o teor nostálgico da década de 1980 se encontra com os anos 1990 e 1970, reforçando a base conceitual do La Roux. Onde antes reinavam projetos como Eurythmics, A-Ha e The Human League, agora surgem gigantes como Grace Jones e Donna Summer.

Apresentado em idos de maio pela extensa Let Me Down Gently, Trouble in Paradise logo foi encarado como uma obra de oposição ao exercício frenético exposto no debut de Jackson. Todavia, não é preciso muito esforço para perceber como a mesma música pop da britânica ainda permanece a mesma, apenas detalhada em uma nova estrutura. Mesmo que canções como Tropical Chancer ou a inaugural Uptight Downtown apostem em uma tonalidade calorosa e propositadamente letárgica, por todo o trabalho músicas como Kiss and Not Tell e Sexotheque resgatam a essência do álbum anterior, arrastando o ouvinte para a pista.

É dentro desse universo de colagens, resgates e pequenas adequações que reside o grande acerto do disco. Enquanto The Ting Tings, Ladyhawke e outros artistas que surgiram na mesma época se acomodaram em uma terrível zona de conforto, Elly Jackson foi além, investindo na transformação. Sim, Trouble in Paradise está longe de ser um álbum encarado como “clássico”, tampouco parece capaz de igualar o acervo de faixas pegajosas do álbum passado, todavia, longe da redundância imediata e do autoplágio autoral que sobrevive do fanatismo cego do público, Jackson evita a redundância e aposta no novo. Trata-se de uma obra de passagem, uma seta indicando os acertos, tropeços e novas possibilidades da cantora ao velho público. Continue reading

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SZA: “Julia”

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Z (2014), estreia da cantora norte-americana SZA pode até ser um trabalho marcado pela densidade dos arranjos e vozes, mas pende para o pop em alguns momentos. Melhor exemplo desse resultado “comercial” está na construção de Julia, faixa que parece expandir os limites vocais e sonoros de Solana Rowe para arremessa a cantora – e o próprio ouvinte – diretamente para os anos 1980.

Com produção assinada por Felix Snow, velho parceiro de Rowe, e lembrando muito alguma faixa perdida de Blood Orange ou Chairlift, a canção aparece agora como clipe. Dirigido por Rodney Passé, o vídeo se concentra inteiramente na figura de SZA, a agora responsável pelo melhor sideboob frontal (isso existe?) de 2014.

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SZA – Julia

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Broods: “L.A.F.”

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O lançamento de Mother & Father, há poucos dias, serviu apenas para reforçar o óbvio: o duo Broods está em busca de uma fórmula própria, muito mais íntima da música Pop. Cada vez menos “experimental” quando próximos das primeiras criações do duo, os irmãos Georgia e Caleb Nott não apenas se distanciam das comparações que os aproximam de Lorde, como ainda vem desenvolvendo uma série de melodias acessíveis, ainda mais evidentes com a chegada de L.A.F.

Reforçando de forma evidente a audível relação com o CHVRCHES e outros exemplares do synthpop moderno, a nova criação potencializa a voz de Georgia, deixando para Caleb uma evidente valorização das harmonias e uso versátil das batidas. Assim como a faixa lançada há poucos dias, a nova música entrega pistas sobre os rumos da dupla em relação ao primeiro álbum de estúdio, previsto para estrear ainda em 2014.

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Broods – L.A.F.

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Zola Jesus: “Dangerous Days”

Zola Jesus

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Nika Danilova fez dos dois primeiros álbuns à frente do Zola Jesus – The Spoils (2009) e Stridullum II (2010) – uma interpretação particular da música (gótica) dos anos 1980. Sintetizadores e batidas lentas, adaptações da obra de Kate Bush e uma série de referências nostálgicas encaradas com amargura. Colagens que encontraram em Conatus (2011) um ponto tímido de transformação, mas que deve ser melhor resolvido com a chegada de Taiga (2014), quarto álbum de inéditas da cantora norte-americana.

Com previsão de estreia para o dia sete de outubro pelo selo Mute, o álbum encontra na recém-lançada Dangerous Days uma espécie de anúncio do ambiente que deve orientar a presente fase da artista. Com um pé na eletrônica dos anos 1990 (principalmente em se tratando da cena Industrial), a nova faixa é ao mesmo tempo uma extensão e um ponto de ruptura dentro da carreira de Danilova. Um misto de The Knife, Robyn e M83 que não exclui o estranho brilho pop da composição – compatível com a voz firme da artista.

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Zola Jesus – Dangerous Days

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Blood Orange: “You’re Not Good Enough”

Blood Orange

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Recentemente Dev Hynes foi convidado a assumir a produção da trilha sonora de Palo Alto, filme roteirizado pelo ator James Franco e estreia na direção de Gia Coppola. Além de emprestar uma série de composições lançadas no último ano em Cupid Deluxe (2013), último álbum do Blood Orange, o músico norte-americano/britânico trouxe apresentou recentemente a inédita April’s Bathroom Bummer. Faixa produzida exclusivamente para o filme de Coppola. A relação com a jovem diretora, sobrinha de Sofia e neta de Francis Ford Coppola, foi além da película, tanto que Hynes convidou a colega de trabalho para a direção de seu novo clipe: You’re Not Good Enough.

Possivelmente a composição mais conhecida do músico, o nostálgico hit carrega nas imagens o mesmo visual assumido no vídeo de Time Will Tell, de 2013. Entretanto, desta vez Hynes não está sozinho em sua coreografia, aparecendo acompanhado por um time de dançarinas, além, claro, de Samantha Urbani, vocalista do Friends, backing vocal em Cupid Deluxe e atual namorada do cantor. Brega e chique, o registro pode ser assistido na íntegra logo abaixo.

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Blood Orange – You’re Not Good Enough

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La Roux: “Tropical Chancer”

La Roux

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Enquanto Let Me Down Gently anunciou a completa mudança estética de Elly Jackson em Trouble In Paradise (2014), segundo e ainda inédito disco do La Roux, Uptight Downtown identificou o contrário. Orientada pelo mesmo espírito que acompanhou a cantora no trabalho de estreia, em 2009, a faixa é um completo diálogo com a década de 1980. No meio dessas pequenas divisões, Jackson parece ter encontrado um meio termo perfeito com a chegada de Tropical Chancer, terceiro e mais novo single do álbum.

De um lado, o manuseio nostálgico dos sintetizadores, íntimos da sonoridade alcançada nas primeiras canções da artista. No outro lado, a leveza dos arranjos, típicos da recente aproximação do La Roux com a eletrônica dos anos 1990. Inofensiva, a canção é uma das nove faixas inéditas que recheiam o novo disco, previsto para estrear oficialmente no dia sete de julho.

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La Roux – Tropical Chancer

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TOPS: “Change of Heart”

TOPS

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De toda a presente “geração” de artistas inclinados a revisitar os sons da década de 1980, a canadense TOPS talvez seja a que mais se destaca. Fazendo uso de arranjos, vozes e métodos de gravação que parecem executados há três décadas e só agora descobertos, a banda de Montreal assume em cada novo lançamento um projeto tão atual quanto nostálgico. Experiência ressaltada em Change Of Heart, mais novo single do grupo a ser lançado pelo selo canadense Arbutus Records.

Prevista oficialmente para o dia 23 de junho como parte de um vinil 7″, a nova canção resgata todo o teor empoeirado dos últimos inventos da banda. Da voz confortável de Jane Penny ao uso das guitarras e batidas econômicas, cada instante da composição prende pela leveza, brincando com as impressões do ouvinte. Além da canção, o selo agora o clipe da faixa, que conta com direção assinada pelos próprios integrantes a partir de imagens captadas durante a turnê da banda.

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TOPS – Change of Heart

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10 Discos Para Gostar de Synthpop

Synthpop

Fruto de uma série de experimentos gerados ainda na década de 1960, porém, ampliados comercialmente no fim dos anos 1970, o Synthpop está longe de ser encarado como uma manifestação de um período específico de tempo. Ainda que tenha encontrado sua melhor (ou pior) forma no começo dos anos 1980, com a popularização de artistas como Ultravox, Duran Duran e The Human League, o gênero é a ponte para aproximar musicalmente registros lançados há três décadas ou apenas há três anos.

Dos inventos robóticos inaugurados pelo Kraftwerk pós-Trans-Europe Express (1977), passando pela “Era Berlim” de David Bowie, até o caráter dançante do Cut Copy, cada época replica o estilo dentro de diferentes fluxos e tendências particulares, exercício resumido em nossa lista de 10 Discos para Gostar de Synthpop. São trabalhos que vão de 1978 até 2012 em uma série de pequenas adaptações do gênero. Menções honrosas para Devo (Freedom of Choice, 1980), Duran Duran (Rio, 1982), Ladyhawke (2008) e La Roux (2009). Continue reading

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