Artista: G T’Aime
Gênero: Alternativo, Indie Pop, Pop Rock
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Da abertura do disco em Said It All, passando pela libertação que cresce em Oh No, até a amargura explorada em False Love, difícil escapar do jogo de declarações românticas, delírios e arranjos enevoados que se espalham pelo interior do primeiro registro da dupla G T’Aime. Um esforço colaborativo entre a voz provocante e teclados da cantora Geanine Marques, também vocalista do Stop Play Moon, e a base instrumental delicadamente tecida pelo músico Rodrigo Bellotto.

Produzido em parceria com Maurício Takara (Hurtmold, São Paulo Underground), o trabalho gravado em junho de 2016 no estúdio El Rocha, em São Paulo, lentamente transporta o ouvinte para um cenário de emanações sutis e cores em preto e branco. Musicalmente, um registro que flutua entre o romantismo nostálgico da década de 1980 e o Trip-Hop, na composição dos versos, uma obra de sentimentos e temas universais, como se Geanine interpretasse diferentes histórias e personagens.

Na contramão de outros projetos recentes, como a homônima estreia de Mahmundi e demais registros influenciados pelo pop dançante dos anos 1980, cada uma das dez faixas de G T’aime encanta pela leveza e sofisticação dos arranjos. São melodias exploradas de forma doce, sedutora, ressaltando guitarras e sintetizadores que se espalham como um complemento aos vocais de Marques. Pouco mais de 30 minutos em que o ouvinte é conduzido para dentro de um ambiente marcado pelos detalhes.

Seja cantando em inglês, ou em português, Marques faz de cada fragmento um componente importante para o crescimento do trabalho. São canções de (des)amor que dialogam com os tormentos de qualquer indivíduo. Versos sensíveis, completos pelo folk-pop-empoeirado de Bellotto. Um bom exemplo disso está na crescente Nothing But Words, música que esbarra na mesma atmosfera de Escape From Evil (2015), último registro de inéditas do grupo norte-americano Lower Dens.

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Depois de uma sequência de obras detestáveis, como Panic of Girls (2011) e o esquecível Ghosts Of Download (2014), os integrantes do Blondie decidiram se unir a um time de artistas em busca de renovação. Para o novo álbum de inéditas da banda, intitulado Pollinator (2017), uma seleção de faixas que contam com a participação de nomes como Sia, Dev Hynes (Blood Orange), Charli XCX, Joan Jett, Nick Valensi (The Strokes) e Johnny Marr.

Canção escolhida para apresentar o novo disco, a enérgica Fun traz de volta tudo aquilo que a banda nova-iorquina produziu em grande parte dos anos 1970 e 1980. São sintetizadores, batidas e vozes sempre dançantes, como um convite para uma noite de festas e excessos. Mais conhecido pelo trabalho como integrante do TV On The Radio, o produtor Dave Sitek assume o controle da presente faixa, revelando ao público um dos melhores singles do Blondie em anos.

Pollinator (2017) será lançado no dia 05/05 via BMG.

 

Blondie – Fun

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O que esperar de um novo álbum do Future Islands? A resposta talvez esteja em Ran, primeiro single do quinto registro de inéditas do grupo norte-americano, The Far Field (2017). Sucessor do elogiado Singles – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o disco parece seguir a mesma trilha dançante do trabalho lançado há três anos, proposta reforçada nos sintetizadores e toda a atmosfera que marca o novo single.

Livre das explosões controladas e improváveis mudanças de direção que marcam o trabalho da banda, Run segue de forma segura até o último instante, detalhando o som que parece vindo diretamente da década de 1980. Além da nova faixa, o trabalho ainda conta com outras 11 composições inéditas, entre elas, Shadows, uma parceria entre a banda e a cantora Debby Harry, do Blondie. A produção do trabalho ficou por conta do requisitado John Congleton.

 

The Far Field

01 Aladdin
02 Time On Her Side
03 Ran
04 Beauty Of The Road
05 Cave
06 Through The Roses
07 North Star
08 Ancient Water
09 Candles
10 Day Glow Fire
11 Shadows (Feat. Debby Harry)
12 Black Rose

The Far Field (2017) será lançado no dia 07/04 via 4AD.

 

Future Islands – Ran

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Artista: Austra
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Darkwave
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Katie Stelmanis e os parceiros Maya Postepski, Dorian Wolf e Ryan Wonsiak sabem exatamente que tipo de som eles querem alcançar com o Austra. Em Future Politics (2017, Domino), terceiro e mais recente álbum de inéditas do coletivo canadense, toda a ambientação eletrônica originalmente testada nos iniciais Feel It Break (2011) e Olympia (2013) serve de base para a construção de um som ainda mais complexo, maduro, efeito da poesia política que orienta o registro.

Inspirado em conceitos abordados nos livros Inventando o futuro: Pós-capitalismo e um mundo sem trabalho e Manifesto Aceleracionista, de Nick Srnicek e Alex Williams, Future Politics detalha um cenário que mesmo futurístico, acaba se aproximando da nossa realidade. Um universo urbano, caótico, produto da forte interferência humana e dos excessos causados pela sociedade de consumo. Canções marcadas pelo isolamento, angústia e melancolia de diferentes indivíduos.

Tamanha complexidade nas composição dos versos em nenhum momento faz do registro um trabalho arrastado, difícil de ser absorvido pelo ouvinte. Pelo contrário, ao mesmo tempo em que Stelmanis pinta um futuro sombrio, pessimista, musicalmente, grande parte das canções servem de passagem para as pistas. Sintetizadores, batidas e temas eletrônicos que ampliam parte expressiva do som produzido pela banda desde o primeiro álbum de estúdio.

Assim como em qualquer registro de inéditas do Austra, o grande destaque de Future Politics se concentra na voz forte, sempre presente, de Stelmanis. Influenciada pelo pop operístico da Kate Bush e outras veteranas dos anos 1980, a cantora canadense faz de cada composição um objeto de destaque. Faixa de abertura do álbum, We Were Alive reflete com naturalidade o verdadeiro esmero do quarteto, costurando melodias e temas eletrônicos em torno dos versos que movimentam a canção.

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Há tempos o Goldfrapp não parecia tão interessante quanto em Anymore. Primeiro registro da parceria entre Alison Goldfrapp e Will Gregory em quase quatro anos, a canção dominada pelo uso de sintetizadores e batidas firmes aponta a direção seguida pela dupla em Silver Eye (2017). Sucessor do obscuro Tales of Us, lançado em 2013, o novo disco parece apontar para o passado, incorporando uma série de elementos que jogam com o som produzido pelo casal no final dos anos 1990.

Além da presente composição, uma versão sóbria do material dançante lançado em obras como Black Cherry (2003) e Supernature (2005), o novo álbum ainda conta com outras nove músicas inéditas. Além da dupla, Silver Eye se abre para a chegada de um time de novos colaboradores. Entre os nomes apontados pelo Goldfrapp, Bobby Krlic, parceiro de Björk em Vulnicura (2015) e artistas responsável pelo The Haxan Cloak, além de John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent e Angel Olsen.

 

Silver Eye

01 Anymore
02 Systemagic
03 Tigerman
04 Become The One
05 Faux Suede Drifter
06 Zodiac Black
07 Beast That Never Was
08 Everything Is Never Enough
09 Moon in Your Mouth
10 Ocean

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/01 via Mute.

 

Goldfrapp – Anymore

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Artista: Diana
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Indie Pop
Acesse: https://soundcloud.com/dianasound

 

O passado ronda as canções do grupo canadense Diana. Em Familiar Touch (2016, Independente), segundo álbum de inéditas do trio de Toronto, todos os elementos testados no inaugural Perpetual Surrender (2013) são delicadamente resgatados e espalhados ao longo do trabalho. Uma nostálgica viagem em direção ao pop dos anos 1980 e começo da década de 1990, conceito explícito em cada uma das composições que abastecem o presente registro.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o trabalho de apenas dez faixas reflete o claro amadurecimento de cada integrante da banda. Um esforço coletivo que passa pela voz melancólica de Carmen Elle e chega até os instrumentos assumidos de forma coesa pelos parceiros de banda Joseph Shabason e Kieran Adams. Um precioso exercício de visitar o passado sem necessariamente fazer disso uma clara repetição de ideias e conceitos.

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Confessions resume na programação eletrônica e sintetizadores caricatos a base de grande parte do registro. Enquanto os versos da canção se perdem em meio a declarações intimistas da vocalista – “Você mordeu sua língua / E o gosto que ele deixou em sua boca” –, musicalmente, a canção cresce, assume diferentes tonalidades e acaba apontando a direção seguida pelo grupo até a derradeira Take It Over.

Em Slipping Away, terceira faixa do disco, um instante de pura renovação. Ao mesmo tempo em que a essência “oitentista” do grupo se projeta ao fundo da canção, batidas e vozes íntimas do R&B/Soul indicam a busca do trio por uma nova sonoridade. O mesmo cuidado acaba se refletindo em Miharu, música que flutua em meio a vozes declamadas e arranjos sedutores, como se o trio resgatasse uma série de elementos típicos da música pop no começo dos anos 1990.

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Você só precisa de uma audição para que as músicas da cantora e compositora canadense BOSSIE grudem na sua cabeça. Batidas ecoadas que dialogam com a década de 1980, sintetizadores frenéticos, dançantes, naturalmente íntimos do mesmo universo de artistas como Sky Ferreira e Kristin Kontrol. Uma coleção de pequenos acertos da jovem artista, dona de faixas como Tell It All e There Will Be Time, mas que acaba alcançando um melhor resultado dentro da inédita A Lot Like Love.

Pegajosa do primeiro ao último verso, a canção mostra a capacidade da cantora em amarrar diferentes fragmentos criativos dentro de uma mesma criação. Fragmentos de vozes que se espalham em meio a solos pontuais de guitarras, pequenas alterações rítmicas e o refrão que parece dar voltas na cabeça do ouvinte. Assim como os últimos lançamentos de BOSSIE, a nova faixa aponta a direção a ser seguida no primeiro álbum de inéditas da canadense, previsto para o primeiro semestre de 2017.

 

BOSSIE – A Lot Like Love

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Artista: S U R V I V E
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Alternativa
Acesse: http://survive.bandcamp.com/

 

Kyle Dixon e Michael Stein passaram grande parte da presente década experimentando. Sob o título de S U R V I V E, a dupla norte-americana esteve envolvida em uma série de obras independentes, como os ótimos Mnq025 e LLR002, ambos de 2012, a trilha sonora do filme The Guest, em 2014, além, claro, de uma sequência de composições avulsas e músicas feitas sob encomenda para a TV. Nada que se compare ao sucesso alcançado pelos produtores na trilha sonora de Stranger Things, da Netflix.

Em RR7349 (2016, Relapse), primeiro registro da dupla como S U R V I V E desde o sucesso em torno da série, uma clara extensão do material produzido desde o começo da presente década. Em um intervalo de pouco mais de 40 minutos e apenas nove faixas, Dixon, Stein e os novos parceiros, Adam Jones e Mark Donica, fazem do presente registro uma delicada colcha de retalhos, ruídos sintéticos e ambientações climáticas sempre perturbadoras, obscuras.

São músicas como a densa Other, segunda faixa do disco e uma espécie de sobra de algum clássico do terror lançado na década de 1980. Difícil não lembrar dos trabalhos produzidos pelo veterano John Carpenter quando os sintetizadores emulam batidas e temas sempre provocativos. Mais do que uma coleção de ideias e fragmentos eletrônicos, uma obra que cerca e sufoca o ouvinte a cada novo movimento, como se o ouvinte fosse arrastado para dentro de um universo próprio da banda.

Composição escolhida para apresentar o disco, a inaugural A.H.B. mostra como os detalhes dançam no interior de cada música produzida pela banda. Entre batidas e sintetizadores cósmicos, o quarteto estabelece pequenos respiros criativos, costurando temas atmosféricos e transições propositadamente instáveis. Uma constante sensação de que diferentes faixas do material produzido para a trilha sonora de Stranger Things foram amarradas dentro de uma mesma canção.

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Cada nova composição apresentada pelo Chromatics traz de volta a expectativa para o chegada do aguardado Dear Tommy. Quinto álbum de estúdio do grupo norte-americano comandado por Johnny Jewel, o registro originalmente previsto para 2015 teve parte de suas canções apresentadas ao público – como In Films e I Can Never Be Myself When You’re Around –, porém, segue livre de uma possível data de lançamento.

Enquanto o disco – que conta com 17 composições – não chega, o jeito é correr atrás dos pequenos lançamentos do grupo. É o caso de Magazine, mais recente criação do Chromatics e uma das poucas canções assumidas pela voz de Jewel. Feita sob encomenda, a canção é parte do novo filme da diretora belga Fien Troch, Home (2016), trabalho que ainda conta com canções do outro projeto do músico, o Symmetry.

 

Chromatics – Magazine

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Em quase duas décadas de atuação, Svein Berge e Torbjørn Brundtland sempre encararam o Röyksopp como um projeto de puro experimento, proposta que em nenhum momento impediu a dupla norueguesa de testar novas sonoridades e temas dançantes. Em Never Ever, mais recente lançamento dos produtores, uma perfeita representação do lado “pop” da dupla, capaz de mergulhar nas pistas de forma essencialmente leve e, ao mesmo tempo, criativa.

Produzido em parceria com a cantora Susanne Sundfør, artista que colaborou com a dupla durante o lançamento do álbum The Inevitable End (2014), último registro em estúdio do Röyksopp, a nova faixa mostra toda a capacidade da dupla em produzir uma canção movida pela leveza dos sintetizadores e vozes. São pouco mais de três minutos em que uma avalanche de sintetizadores e a voz limpa de Sundfør, no melhor estilo La Roux, parecem convidar o ouvinte para dançar. A direção do colorido clipe da faixa é da própria dupla.

Röyksopp – Never Ever (ft. Susanne Sundfør)

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