Tag Archives: Synthpop

Broen: “No, My God” (VÍDEO)

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Sintetizadores loucos, vozes que se transformam de maneira brusca em rimas, a instrumentação serena que subitamente explode. Não é fácil traduzir o som produzido pelo quinteto Broen. Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, o grupo formado por Anja Lauvdal (sintetizadores), Lars Ove Fossheim (guitarras), Hans Hulbækmo (bateria), Heida Karine Johannesdottir Mobeck (tuba) e Marianna S. A. Røe (voz) parece ter encontrado na constante transformação a base para o próprio trabalho.

Em No, My God, mais recente single/clipe da banda, é possível ter uma noção do som produzido pelos noruegueses. Da sonoridade inicialmente pueril, lembrando uma versão menos lisérgica dos trabalhos de Ariel Pink, passando pelo uso de bases instáveis, batidas e rimas, cada ato da canção aponta para uma direção completamente distinta. Parte do novo EP do quinteto, a faixa conta com um clipe tão estranho quanto a própria sonoridade, trabalho assinado pelo diretor Bjørn Ante Roe.

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Broen – No, My God

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Sally Shapiro: “If You Ever Wanna Change Your Mind”

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São dez anos de carreira, três ótimos trabalhos em estúdio – Disco Romance (2006), My Guilty Pleasure (2009) e Somewhere Else (2013) –, além de um acervo imenso de composição avulsas, lançadas durante todo o período. Três anos após a chegada do último registro de inéditas, Sally Shapiro anuncia o fim da bem-sucedida parceria com o produtor Johan Agebjörn. Para o encerramento do projeto que carrega o nome da cantora de synthpop/italodisco, uma canção nunca antes apresentada ao público.

Em If You Ever Wanna Change Your Mind, passagem para a nova fase de Shapiro, uma coleção de elementos que transportam o ouvinte para os primeiros anos de atuação da cantora. São vozes doces, sempre acompanhadas de versos entristecidos, batidas essencialmente contidas e uma fina base de sintetizadores que acolhem não apenas a artista sueca, como o ouvinte, convidado a ouvir o último suspiro musical do projeto.

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Sally Shapiro – If You Ever Wanna Change Your Mind

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Tegan and Sara: “Boyfriend” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Heartthrob, em 2013, as irmãs Tegan e Sara Quin abraçaram de vez a música pop, principalmente o som dançante originalmente apresentado na década de 1980. Três anos depois, a dupla canadense está de volta com um novo álbum de estúdio, Love You To Death (2016), uma extensão declarada (e ainda mais pegajosa) do mesmo material entregue anteriormente. Para apresentar o trabalho, Boyfriend, uma típica canção de (des)amor, grudenta e, possivelmente, o melhor exemplar do pop nos últimos meses.

Sintetizadores crescentes, a batida pronta para as pistas, vozes e versos que chegam perfeitamente limpos até o ouvinte. Uma completa fuga do indie pop semi-acústico produzido pelas irmãs em começo de carreira. Uma extensão do mesmo trabalho produzido pela sueca Robyn nos últimos anos, ou mesmo o recente trabalho de Carly Rae Jepsen em Emotion (2015). No clipe de Clea Duvall, uma cômica interpretação da música pela dupla em estúdio.

Love You To Death (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Warner Bros.

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Tegan and Sara – Boyfriend

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Resenha: “Everybody’s Heart Is Broken Now”, Niki and the Dove

Artista: Niki and the Dove
Gênero: Indie Pop, Alternative, Synthpop
Acessehttp://www.nikiandthedove.com/

É difícil não se encantar pelo som produzido pela dupla Niki and the Dove. Da eletrônica colorida que marca o primeiro álbum de estúdio do casal, Instinct, de 2012, passando pelos versos sentimentais, sempre pegajosos, cada música assinada pela dupla Malin Dahlström e Gustaf Karlöf parece polida de forma sempre detalhista, pop e acessível, cuidado que se repete, porém, sob outra ótica em Everybody’s Heart Is Broken Now (2016, TEN Music Group).
Segundo e mais recente álbum de estúdio do duo sueco, o registro de 13 composições inéditas encontra no som empoeirado da década de 1980 uma espécie de novo alicerce criativo. Se há quatro anos Dahlström e Karlöf apresentavam uma versão “descomplicada” do mesmo som produzido pelos conterrâneos do The Knife, com o novo trabalho, vozes, guitarras, batidas e sintetizadores apontam para um universo parcialmente renovado.
Ponto de partida para grande parte das canções que abastecem a obra, So Much It Hurts detalha a busca do casal por um som enevoado, nostálgico, como se parte do material produzido há mais de três décadas fosse replicado de forma atenta no interior da obra. Instantes que ainda passeiam pelo mesmo R&B entristecido de Michael Jackson e Lionel Richie, base para a formação de músicas aos moldes de Everybody Wants To Be You e Miami Beach, duas das peça mais tristes do trabalho.
Perto das canções apresentadas em Instinct, Everybody’s Heart Is Broken Now acaba se revelando um registro musicalmente lento, tímido em grande parte das canções. Salve a explosão controlada que marca faixas como You Stole My Heart Away e Coconut Kiss, parte expressiva do trabalho mantem firme a relação entre as canções, resultando em um material homogêneo e controlado, como se uma mesma peça servisse de base para toda a formação da obra.

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Patience: “The Church” (VÍDEO)

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Mais conhecida pelo trabalho como vocalista e líder do grupo britânico Veronica Falls, em carreira solo, Roxanne Clifford parece assumir um som completamente distinto em relação ao indie rock produzido com os parceiros de banda. Trata-se do Patience, um projeto de Synthpop/Italo Disco que mergulha no mesmo universo de artistas como Desire, Glass Candy, Chromatics e grande parte dos projetos relacionados ao selo Italians Do It Better.

Em The Church, primeiro composição e clipe produzido por Clifford, um eficiente resumo do material que será entregue pela cantora nos próximos meses. Bases, batidas e vozes levemente dançantes, como um convite tímido para as pistas. Para o clipe da faixa – filmado em VHS –, uma delicada sobreposição de imagens nostálgicas, como um típico vídeo caseiro da década de 1990. Assista:

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Patience – The Church

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Delorean: “Muzik”

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Com o lançamento de Crystal, em junho do último ano, o coletivo catalão Delorean parecia indicar a chegada de um novo registro de inéditas. Meses após a entrega da canção, a recém-lançada Muzik abre passagem para o novo álbum de estúdio da banda. Trata-se de um registro de nove composições inéditas, o primeiro desde a chegada de Apar, obra apresentada ao público e que, entre outras coisas, conta com a presença de Caroline Polachek (Chairlift) em algumas faixas.

Íntima de toda a série de lançamento da banda, Muzik mostra um quarteto inicialmente sereno, brincando com os sintetizadores e batidas em uma medida própria de tempo. Ainda que a canção peque pela ausência de explosões e versos pegajosos aos moldes de faixas apresentadas em Ayrton Senna EP (2009) e Subiza (2010), difícil não ser arrastado pela solução melódica de sintetizadores, batidas e vozes carregadas de efeito que o grupo detalha lentamente.

MUZIK será lançado no dia 22/06 pelo selo PHLEX

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Delorean – MUZIK

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Kristin Kontrol: “Show Me”

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Poucas composições lançadas nos últimos quatro meses são tão divertidas e dançantes quanto X-Communicate. Faixa-título do primeiro álbum de Kristin Welchez como Kristin Kontrol, a canção dominada por sintetizadores e batidas dançantes mostra a líder do Dum Dum Girls em um universo completamente distinto em relação ao garage rock/dream pop produzido pela banda californiana nos últimos oito anos.

Parte do mesmo material, a recém-lançada Show Me talvez seja a faixa que mais se relaciona com os dois “opostos” no trabalho de Welchez. De um lado, os sintetizadores, batidas repletas de eco e até instrumentos de sopro. No outro, as guitarras carregadas de efeito e toda a atmosfera que marca o antigo projeto da cantora. Uma colisão ideias e referências que tanto se aproxima do som “brega” de artistas como Toto, como da sonoridade cultuada do Cocteau Twins.

X-Communicate (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Sub Pop.

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Kristin Kontrol – Show Me

 

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Disco: “Junk”, M83

Artista: M83
Gênero: Electronic, Synthpop, Pop
Acesse: http://ilovem83.com/

 

Fantoches coloridos, enlatados norte-americanos, programas infantis, músicas orquestradas por sintetizadores e um imenso universo de referências nostálgicas. Em Junk (2016, Naïve / Mute), sétimo álbum de estúdio M83, a visita iniciada por Anthony Gonzalez à década de 1980 assume um conjunto de novas formas e preferências instrumentais. Longe do som testado em Hurry Up, We’re Dreaming (2011), a busca declarada do multi-instrumentista por um som essencialmente caricato, pop e ancorado em memórias da infância.

Primeiro registro de inéditas do M83 em mais de meia década, Junk parece seguir exatamente de onde Gonzalez parou no álbum de 2011. Assim como em Raconte-Moi une Histoire, composição inspirada em uma extinta publicação francesa destinada ao público, durante toda a execução da presente obra, Gonzalez e o mutável time de colaboradores – entre eles Beck, Susanne Sundfør, Steve Vai e a conterrânea Mai Lan – buscam suporte em programas de TV, trilhas sonoras, séries e todo um catálogo de temas empoeiradas que marcaram a cultura pop há mais de três décadas.

De séries como Punky – A Levada da Breca (1984-1988), visivelmente homenageada em Moon Crystal, quinta faixa do disco, passando pelo pop melancólico de For The Kids, composição que parece trabalhada em cima de She’s Out Of My Life, de Michael Jackson, Gonzales cria uma infinidade de pontes para o som, costumes e tendências que estimularam a própria infância e adolescência. Uma obra de essência pueril, conceito ressaltado pelos versos e arranjos de músicas como The Wizard e Laser Gun, criando um possível diálogo com o passado de qualquer jovem adulto.

Repleto de faixas que carregam a mesma fórmula dançante de Midnight City e todo a base comercial testada em diversas canções do disco anterior – vide Do It, Try It e Go -, o grande problema de Junk acaba sendo o ritmo que prejudica fortemente o rendimento da obra. Antes mesmo de completar o primeiro ato do trabalho, Gonzalez já dispersa parcialmente a atenção do público com uma seleção de músicas morosas, conceitualmente redundantes. Faixas que soam repetitivas, como Walkway Blues e Bibi The Dog. Continue reading

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Puro Instinct: “Tell Me”

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Com o lançamento de Lake Como e M.Y.L., em 2015, as irmãs Piper e Sky Kaplan pareciam indicar o caminho para um novo álbum de estúdio. Com atras de quase um ano, Tell Me foi a composição escolhida para anunciar a chegada de Autodrama (2016). Trata-se do primeiro álbum de inéditas da dupla norte-americana desde o lançamento do ótimo Headbangers In Ecstacy, trabalho de 2011 que contou com a presença do veterano Ariel Pink.

Longe do som psicodélico testado há cinco anos, em Tell Me as irmãs Kaplan investem em uma sonoridade cada vez mais nostálgica, íntima da música pop dos anos 1980. Vozes abafadas, sintetizadores que dançam lentamente e toda uma coleção de referências produzidas há mais de três décadas. Um fuga declarada do som experimental de 2011, como se a dupla buscasse indicar o fortalecimento da própria identidade musical.

Autodrama (2016) será lançado no dia 24/06 pelo selo Manifesto.

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Puro Instinct – Tell Me

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M83: “Solitude”

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Anthony Gonzales acabou dividindo a opinião de muita gente com o lançamento de Do It, Try It. Primeiro single do sétimo álbum de estúdio do cantor, compositor e produtor francês, Junk (2016), a canção de essência pueril e versos pegajosos parece seguir o caminho oposto em relação ao último disco do artista, o bem-sucedido Hurry Up, We’re Dreaming, de 2011. Uma transformação diferente da que acontece em Solitude, mais recente criação de Gonzales a ser entregue ao público.

De versos melancólicos e base lenta, autorizando a inserção de arranjos de cordas, a faixa de seis minutos de duração soa como uma sobra das últimas trilhas produzidas por Gonzales. Vozes e arranjos tímidos que se completam, lentamente, arrastando o ouvinte para dentro de um cenário melancólico, efeito da letra que trata sobre separação. Ao final, um delicado solo de sintetizadores, reforçando a mesma essência “brega” dos anos 1980/1990 explorada em Do It, Try It.

Junk (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo Mute.

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M83 – Solitude

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