A mistura entre synthpop e R&B parece ser a base do som produzido pela cantora e produtora norte-americana Njomza. Mais conhecida pelo trabalho em parceria com o rapper Mac Miller em Planet God Damn, música lançada como parte do álbum The Divine Feminine, de 2016, a jovem artista anuncia para o começo de abril a chegada do EP Sad For You (2017). Sete composições inéditas que devem seguir a trilha do single homônimo, apresentado há poucos dias.

Em Hear Me, mais recente lançamento da cantora, a busca declarada por um som ainda mais pop, talvez nostálgico. Sintetizadores e batidas comportadas que lembram o trabalho de Carly Rae Jepsen no elogiado Emotion (2015), além, claro, de outros trabalhos próximos, como Tegan and Sara e CHVRCHES. Um som pensado para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição, efeito da letra pegajosa e produção coesa da faixa.

 

Njomza – Hear Me

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Mesmo com poucos dias para o lançamento de Silver Eye (2017), Alison Goldfrapp e o parceiro Will Gregory seguem em busca de diferentes sonoridades. Depois de músicas como Anymore e Ocean, essa última, faixa que parece saída de algum disco do Fever Ray, a dupla britânica apresenta ao público a inédita Moon In Your Mouth. Pouco mais de quatro minutos em que sintetizadores e respiros pequenos respiros instrumentais transportam o ouvinte para o Trip-Hop dos anos 1990.

A canção faz parte do sétimo álbum de estúdio da dupla, Silver Eye, trabalho que conta com a presença de Leo Abrahams, John Congleton e The Haxan Cloak como convidados para a produção de faixas específicas do disco. Nos últimos anos, a dupla decidiu brincar com diferentes sonoridades, vide a transformação anunciada no synthpop de Head First, lançado em 2010, e o som obscuro que marca as canções de Tales of Us, de 2013.

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/01 via Mute.

 

Goldfrapp – Moon In Your Mouth

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Sia, Charli XCX, Joan Jett, Nick Valensi (The Strokes), Johnny Marr (ex-The Smiths) e Dave Sitek (TV On The Radio), esses são alguns dos artistas convidados a integrar o mais novo trabalho de inéditas do grupo nova-iorquino Blondie. Intitulado Pollinator (2017), o registro anunciado ao público no começo de fevereiro, durante o lançamento da enérgica Fun, acaba de ter mais uma composição inédita apresentada pela banda: Long Time.

A faixa, inspirada pelo clássico Heart of Glass, de 1979, conta com a assinatura do cantor e produtor britânico Dev Heynes (Blood Orange). Longe de parecer uma novidade, a parceria entre Heynes e os integrantes do Blondie vem desde o último ano, quando o artista inglês convidou Debbie Harry para cantar em E.V.P., uma das faixas do elogiado Freetown Sound – 1º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

Pollinator (2017) será lançado no dia 05/05 via BMG.

 

Blondie – Long Time

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Em janeiro deste ano, Alison Goldfrapp e o parceiro Will Gregory anunciaram a chegada de Silver Eye (2017), sétimo álbum de estúdio da dupla e primeiro registro de inéditas desde Tales of Us, lançado em 2013. Na ocasião, o casal deu vida a uma de suas melhores composições em tempos, Anymore, música que resgata a essência do projeto inglês e cresce em meio a sintetizadores obscuros, vozes e batidas sempre provocantes.

O mesmo cuidado se reflete em Ocean. Faixa de encerramento do novo álbum, a canção abre em meio a vozes eletrônicas e sintetizadores minimalistas, lembrando em alguns aspectos o trabalho de Karin Dreijer Andersson no primeiro disco do Fever Ray. A diferença está na forma como os elementos da canção explodem na segunda metade. Um ruído sujo, talvez reflexo da parceria com John Congleton e The Haxan Cloak na produção do trabalho.

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/03 via Mute.

 

Goldfrapp – Ocean

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O interesse pela música produzida na década de 1980 sempre foi a base de cada novo álbum do grupo australiano Miami Horror. Da estreia com Illumination (2010) ao último registro de inéditas, All Possible Futures (2015), não faltam composições ancoradas no universo de sintetizadores nostálgicos e batidas levemente dançantes. Nada que se compare ao som caricato e referencial de Leila, mais recente single da banda de Melbourne.

Possivelmente influenciada pelo último álbum de inéditas do velho colaborador Neon Indian, VEGA INTL. Night School (2015), a nova faixa joga com as referências sem necessariamente perder a própria essência. Um som colorido, pop, centrado na personagem apresentada logo no título da canção. Longe de parecer um ato isolado, Leila faz parte do novo EP do Miami Horror, The Shapes (2017), um registro conceitual inspirado no começo dos anos 1980.

The Shapes (2017) será lançado no dia 17/03.

 

Miami Horror – Leila

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No decorrer de 2016, Amelia Meath e o parceiro de banda Nick Sanborn presentearam o público com duas composições inéditas do Sylvan Esso. Primeiro foi a vez de Radio, música apresentada em agosto do último ano e um synthpop poderoso, típico do material apresentado pela dupla no homônimo registro lançado em 2014. Em novembro, foi a vez de Kick Jump Twist, faixa delineada pelo minimalismo das vozes e pequenas explosões instrumentais.

Ambas as canções fazem parte do novo álbum de inéditas do Sylvan Esso, What Now (2017), trabalho completo com a chegada de Dia Young. Densa, a canção soa como um meio termo entre os dois últimos lançamentos da dupla norte-americana. Pequenos embates entre os sintetizadores de Sanborn e a voz cuidadosamente encaixada de Meath, proposta que lembra em alguns aspectos o trabalho de Lorde em Pure Heroin (2013).

What Now (2017) será lançado no dia 28/04 via Loma Vista.

 

Sylvan Esso – Die Young

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Artista: G T’Aime
Gênero: Alternativo, Indie Pop, Pop Rock
Acesse: https://www.facebook.com/gtaimemusic/

 

Da abertura do disco em Said It All, passando pela libertação que cresce em Oh No, até a amargura explorada em False Love, difícil escapar do jogo de declarações românticas, delírios e arranjos enevoados que se espalham pelo interior do primeiro registro da dupla G T’Aime. Um esforço colaborativo entre a voz provocante e teclados da cantora Geanine Marques, também vocalista do Stop Play Moon, e a base instrumental delicadamente tecida pelo músico Rodrigo Bellotto.

Produzido em parceria com Maurício Takara (Hurtmold, São Paulo Underground), o trabalho gravado em junho de 2016 no estúdio El Rocha, em São Paulo, lentamente transporta o ouvinte para um cenário de emanações sutis e cores em preto e branco. Musicalmente, um registro que flutua entre o romantismo nostálgico da década de 1980 e o Trip-Hop, na composição dos versos, uma obra de sentimentos e temas universais, como se Geanine interpretasse diferentes histórias e personagens.

Na contramão de outros projetos recentes, como a homônima estreia de Mahmundi e demais registros influenciados pelo pop dançante dos anos 1980, cada uma das dez faixas de G T’aime encanta pela leveza e sofisticação dos arranjos. São melodias exploradas de forma doce, sedutora, ressaltando guitarras e sintetizadores que se espalham como um complemento aos vocais de Marques. Pouco mais de 30 minutos em que o ouvinte é conduzido para dentro de um ambiente marcado pelos detalhes.

Seja cantando em inglês, ou em português, Marques faz de cada fragmento um componente importante para o crescimento do trabalho. São canções de (des)amor que dialogam com os tormentos de qualquer indivíduo. Versos sensíveis, completos pelo folk-pop-empoeirado de Bellotto. Um bom exemplo disso está na crescente Nothing But Words, música que esbarra na mesma atmosfera de Escape From Evil (2015), último registro de inéditas do grupo norte-americano Lower Dens.

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Depois de uma sequência de obras detestáveis, como Panic of Girls (2011) e o esquecível Ghosts Of Download (2014), os integrantes do Blondie decidiram se unir a um time de artistas em busca de renovação. Para o novo álbum de inéditas da banda, intitulado Pollinator (2017), uma seleção de faixas que contam com a participação de nomes como Sia, Dev Hynes (Blood Orange), Charli XCX, Joan Jett, Nick Valensi (The Strokes) e Johnny Marr.

Canção escolhida para apresentar o novo disco, a enérgica Fun traz de volta tudo aquilo que a banda nova-iorquina produziu em grande parte dos anos 1970 e 1980. São sintetizadores, batidas e vozes sempre dançantes, como um convite para uma noite de festas e excessos. Mais conhecido pelo trabalho como integrante do TV On The Radio, o produtor Dave Sitek assume o controle da presente faixa, revelando ao público um dos melhores singles do Blondie em anos.

Pollinator (2017) será lançado no dia 05/05 via BMG.

 

Blondie – Fun

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O que esperar de um novo álbum do Future Islands? A resposta talvez esteja em Ran, primeiro single do quinto registro de inéditas do grupo norte-americano, The Far Field (2017). Sucessor do elogiado Singles – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o disco parece seguir a mesma trilha dançante do trabalho lançado há três anos, proposta reforçada nos sintetizadores e toda a atmosfera que marca o novo single.

Livre das explosões controladas e improváveis mudanças de direção que marcam o trabalho da banda, Run segue de forma segura até o último instante, detalhando o som que parece vindo diretamente da década de 1980. Além da nova faixa, o trabalho ainda conta com outras 11 composições inéditas, entre elas, Shadows, uma parceria entre a banda e a cantora Debby Harry, do Blondie. A produção do trabalho ficou por conta do requisitado John Congleton.

 

The Far Field

01 Aladdin
02 Time On Her Side
03 Ran
04 Beauty Of The Road
05 Cave
06 Through The Roses
07 North Star
08 Ancient Water
09 Candles
10 Day Glow Fire
11 Shadows (Feat. Debby Harry)
12 Black Rose

The Far Field (2017) será lançado no dia 07/04 via 4AD.

 

Future Islands – Ran

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Artista: Austra
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Darkwave
Acesse: http://www.austramusic.com/

 

Katie Stelmanis e os parceiros Maya Postepski, Dorian Wolf e Ryan Wonsiak sabem exatamente que tipo de som eles querem alcançar com o Austra. Em Future Politics (2017, Domino), terceiro e mais recente álbum de inéditas do coletivo canadense, toda a ambientação eletrônica originalmente testada nos iniciais Feel It Break (2011) e Olympia (2013) serve de base para a construção de um som ainda mais complexo, maduro, efeito da poesia política que orienta o registro.

Inspirado em conceitos abordados nos livros Inventando o futuro: Pós-capitalismo e um mundo sem trabalho e Manifesto Aceleracionista, de Nick Srnicek e Alex Williams, Future Politics detalha um cenário que mesmo futurístico, acaba se aproximando da nossa realidade. Um universo urbano, caótico, produto da forte interferência humana e dos excessos causados pela sociedade de consumo. Canções marcadas pelo isolamento, angústia e melancolia de diferentes indivíduos.

Tamanha complexidade nas composição dos versos em nenhum momento faz do registro um trabalho arrastado, difícil de ser absorvido pelo ouvinte. Pelo contrário, ao mesmo tempo em que Stelmanis pinta um futuro sombrio, pessimista, musicalmente, grande parte das canções servem de passagem para as pistas. Sintetizadores, batidas e temas eletrônicos que ampliam parte expressiva do som produzido pela banda desde o primeiro álbum de estúdio.

Assim como em qualquer registro de inéditas do Austra, o grande destaque de Future Politics se concentra na voz forte, sempre presente, de Stelmanis. Influenciada pelo pop operístico da Kate Bush e outras veteranas dos anos 1980, a cantora canadense faz de cada composição um objeto de destaque. Faixa de abertura do álbum, We Were Alive reflete com naturalidade o verdadeiro esmero do quarteto, costurando melodias e temas eletrônicos em torno dos versos que movimentam a canção.

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