Tag Archives: Synthpop

Puro Instinct: “M.Y.L.”

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Cada nova música da dupla Puro Instinct é uma verdadeira surpresa. Depois de brincar com a música psicodélica em 6 Of Swords e abraçar o R&B na ainda quente Lake Como, com a chegada da inédita W.Y.L., Piper e Sky Kaplan estão de volta aos anos 1980. Quatro minutos de vocais melódicos, arranjos e temas nostálgicos, como um regresso voluntário ao mesmo universo de referências testadas pela dupla no primeiro álbum de estúdio, Headbangers In Ecstacy (2011).

A diferença em relação aos primeiros lançamentos da dupla, sempre empoeirados, efeito da influência direta de Ariel Pink como produtor, está na sonoridade límpida e pop. Do vocal desimpedido ao uso de sintetizadores pulsantes, cada segundo dentro da faixa aproxima o ouvinte de um cenário novo em relação ao breve acervo da banda.

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Puro Instinct – W.Y.L.

 

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Shura: “White Light” (VÍDEO)

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De toda a nova safra de artistas, Shura parece ser a que mais brinca com as referências. De um lado, o confesso fascínio pelo R&B de Mariah Carey, Whitney Houston e Janet Jackson. No outro oposto, a relação com o som experimental e empoeirado que se estende de novatos como Ariel Pink e Blood Orange, até veteranos como Portishead e Massive Attack. Fragmentos expostos com naturalidade no interior de White Light, mais recente single apresentado pela cantora britânica.

Fuga da sonoridade contida exposta por Shura em faixas como Touch, Just Once e 2Shy, a composição lentamente abre passagem para que a cantora/produtora de Manchester se aproxime das pistas. Difícil não lembrar do trabalho de Blood Orange em Cupid Deluxe (2013) ou mesmo dos primeiros trabalhos de Sky Ferreira. Agora transformada em clipe, a faixa entrega na direção de Noel Paul o encontro de duas criaturas místicas.

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Shura – White Light

 

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Samantha Urbani: “U Know I Know”

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O passeio de Samantha Urbani pela década de 1980 está só começando. Depois de abrir as portas do primeiro trabalho em carreira solo com o single 1 2 3 4, em U Know I Know a artista nova-iorquina vai ainda mais longe, cruzando elementos, vozes e arranjos típicos do R&B-Soul do período de forma a estreitar ainda mais a relação com a sonoridade exaltada pelo parceiro/namorado Blood Orange.

Diferentes variações de voz, sintetizadores, batidas ecoadas e pequenas colagens instrumentais que muito se aproximam de Something (2012), último álbum dos conterrâneos do Chairlift. Pouco mais de três minutos de boas reverberações que apenas aumentam a expectativa em relação ao primeiro disco solo da artista. Assim como o lançamento anterior da cantora, U Know I Know conta com produção dividida entre Urbani e Sam Mehran (Test Icicles).

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Samantha Urbani – U Know I Know

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Duran Duran: “Pressure Off” (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Alguma vez você imaginou ver a banda britânica Duran Duran, o produtor Nile Rodgers e a cantora Janelle Monáe trabalhando juntos? Provavelmente não, certo? Verdadeira surpresa, o resultado dessa inusitada parceria está na assertiva Pressure Off. Primeiro single de Paper Gods (2015), aguardado 14º registro de inéditas dos veteranos da New Wave, a canção é apenas uma das faixas do novo álbum que será repleto de boas colaborações e convidados “inesperados” – entre eles, Mr Hudson, John Frusciante e Kieza.

Dançante, a recente faixa parece pronta para as pistas. Guitarra funkeada, a voz limpa de Simon Le Bon e a precisa colaboração de Monáe, elementos que resgatam a mesma sonoridade exaltada por gigantes como Michael Jackson na década de 1980 e ainda se “disfarça” de registro ao vivo por conta do coro de vozes e palmas que acompanham a faixa nos instantes finais. Difícil escapar da letra grudenta da composição, de longe, um dos melhores exemplares da música pop em 2015.

Paper God (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Warner Bros.

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Duran Duran – Pressure Off (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Metric: “Cascades”

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Pelo visto, a relação do Metric com os mesmo sintetizadores e arranjos eletrônicos testados no álbum de 2012, Synthetica, está longe do fim. Passados três anos desde o lançamento do último registro em estúdio, a banda canadense não apenas retorna ao território dançante do trabalho, como reforça de forma expressiva essa mesma sonoridade, reforçando no single Cascades um pouco do que será apresentado em essência no inédito Pagans In Vegas (2015).

Em uma dança lenta, sempre crescente, não somente os teclados, como a própria voz da líder Emily Haines parece cercada pela maquiagem eletrônica da canção. Sem necessariamente escapar do ambiente inaugurado no disco anterior, difícil não perceber a semelhança com a obra de Robyn em obras como Body Talk (2010), ou mesmo da norueguesa Annie nos instantes menos “coloridos” do debut Anniemal (2004).

Pagans In Vegas (2015) será lançado no dia 18/09 pelos selos MMI e Crystal Math.

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Metric – Cascades

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Neon Indian: “Annie”

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A julgar pelos temas e conceitos “obscuros” lançados em 2011 com Era Extraña, seria mais do que natural que Alan Palomo assumisse uma direção cada vez menos ensolarada em relação ao debut com o Neon Indian, Psychic Chasms (2009). Entretanto, curioso perceber em Annie, primeiro single do terceiro e ainda inédito álbum do projeto, um completa ruptura desse resultado, passagem para que o músico texano se aproxime do mesmo som “regueiro” e leve do conterrâneo Washed Out.

Mesmo apontando para a referencial década de 1980, mergulhado em uma piscina de sons e experiências nostálgicas, Palomo mantém firme a própria essência, carregando na utilização de sintetizadores e pequenos atos ambientais – principalmente na segunda metade da faixa – a própria identidade. Com versos acessíveis, pegajosos, e um ritmo tão dançante quanto o “clássico” Coco Jambo do grupo Mr. President, o clima festivo parece ser o caminho escolhido pelo músico para o terceiro registro da carreira.

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Neon Indian – Annie

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Disco: “Adventure”, Madeon

Madeon
Electronic/Synthpop/Pop
http://www.madeon.fr/

Não existe benefício algum em manter o preconceito musical, entretanto, deixar um pé atrás a cada novo “garoto prodígio” da música pop funciona como a garantia de uma audição minimamente atenta, talvez esquiva da inevitável euforia para onde apontam os holofotes. Com Madeon não foi diferente. Passado o lançamento de The City EP, em idos de 2012, seguido da performance forjada do produtor francês no Lollpalooza Brasil de 2013 – um DJ-Set com direito a movimentos encenados e incontáveis poses para as fotos -, pouco do trabalho assinado por Hugo Pierre Leclercq despertou minha atenção. Pelo menos até o lançamento de You’re On.

Com os vocais aos comandos do também novato Kyan Kuatois, a faixa apresentada em dezembro do último ano segue em ritmo frenético, quente. Enquanto uma enxurrada de sintetizadores invade os ouvidos do espectador, a voz plastificada de Kuatois se transforma no principal componente do trabalho de Madeon, tão próximo da eletrônica dançante de conterrâneos como Justice () e Daft Punk (Human After All), como de gigantes do Indie Pop norte-americano – principalmente o Passion Pit de Michael Angelakos e o (hoje adormecido) Discovery da dupla Rostam Batmanglij (Vampire Weekend ) e Wesley Miles (Ra Ra Riot).

Surpresa encontrar em Adventure (2015, Columbia), primeiro registro oficial de Madeon, o mesmo cuidado e precisa manipulação das melodias pop aplicadas no single de apresentação do registro. Intenso, sem tempo para descanso, Leclercq garante ao ouvinte pouco mais de 40 minutos de batidas, vozes e sintetizadores movidos pelo dinamismo dos arranjos. Uma obra capaz de dialogar com diferentes pistas e campos da eletrônica – Eletro House, Indie ou Pop -, transformando os exageros característicos da EDM em um mecanismo funcional, capaz de invadir a mente do ouvinte sem dificuldade.

Cravejado de hits, Adventure resgata a nostálgica sensação de sintonizar uma rádio FM nas noites de sábado, cercando o espectador com um jogo de canções explicitamente comerciais. Salve a introdução climática de Isometric – quase uma sobra dos primeiros discos de Neon Indian e Com Truise -, além dos versos e ritmo lento de Innocence e Pixel Empire, no fechamento do disco, o toque acelerado do trabalho prevalece de forma constante. Um acervo de experiências que tropeça na obra de deadmau5, Zedd e Calvin Harris, porém, logo se levanta, acerta o passo – e as batidas – de forma a revelar um caminho próprio de Madeon. Continue reading

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Miojo Indie Naïve Bar

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É hora de aparar o bigode e se preparar para mais uma invasão Miojo Indie no Naïve Bar. Para a festa que acontece no próximo dia 17 de abril, Cleber Facchi recebe os convidados Felipe Germano, um dos grandes nomes do Indie-Pop-Coxa-Creme, além de Marcelo Andreguetti, o maior especialistas em mashups de camisas florais.

Ao longo da noite, muitas jarras de mojito, Meme Rap, Vaporwave, Hip-House, Glitch Pop e todos aqueles sub-gêneros divertidos que você encontra no Last.fm. Prepare-se para ouvir Tame Impala, Jamie XX, Passion Pit, Taylor Swift, MC Carol, Future Brown, Fifth Harmony, Purity Ring, Kendrick Lamar e Hot Chip. Sentiu falta de um pagode obscuro dos anos 1990? É só pedir que os DJs tocam.

Abaixo, nossa tradicional playlist de aquecimento para a noite.

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Miojo Indie Naïve Bar (Abril, 2015)

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Chromatics: “In Films”

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Mesmo com três discos bem sucedidos em mãos – Chrome Rats vs. Basement Rutz (2003), Plaster Hounds (2004) e Night Drive (2007) -, somente com a chegada de Kill For Love, em 2012, que o Chromatics foi oficialmente apresentado a uma nova parcela do público. Mais completa obra já entregue pelo coletivo comandado por Johnny Jewell – até agora -, o registro está longe de parecer o ápice na carreira da banda, feito comprovado com o lançamento de In Films, uma das mostras iniciais do esperado Dear Tommy (2015), quinto álbum de estúdio do grupo.

Reflexo da sonoridade mais “pop” e toda a abertura instrumental iniciada em Kill For Love, Dear Tommy parece partir exatamente de onde o Chromatics parou há três anos. A diferença está na ruptura com o som “ambiental” testado em grande parte da obra e, delicadamente, rompido no decorrer da nova faixa. Vocal sedutor, letra apaixonada e os tradicionais sintetizadores de Jewell, prontos para grudar na cabeça do ouvinte em pouquíssimas audições.

Dear Tommy (2015) conta com distribuição pelo selo Italians Do It Better, porém, ainda não possui data de lançamento. Abaixo, a nova música e também a capa do disco.

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Chromatics – In Films

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Disco: “Eclipse”, Twin Shadow

Twin Shadow
Alternative/Electronic/Electropop
http://www.twinshadow.net/

 

Poucos artistas parecem entender tão bem o som explorado na década de 1980 quanto George Lewis Jr. Aos comandos do Twin Shadow, o produtor de origem dominicana e residente em Nova York, fez do projeto de versos confessionais um passeio voluntário por diferentes campos da música lançada na época; marca explícita no pós-punk-eletrônico-e-sujo incorporado em Forget, registro de estreia apresentado em 2010, e, posteriormente, na imposição pegajosa/melancólica exaltada no synthpop de Confess, registro entregue ao público dois anos mais tarde.

Com a chegada de Eclipse (2015), terceiro e mais recente álbum solo do produtor, uma nova visita aos conceitos e temas incorporados há mais de três décadas. Diferente dos últimos registros, Lewis Jr. encontra no presente trabalho um mecanismo de transição. Longe das maquinações pop-chiclete ou mesmo ambientações densas típicas da referencial década, cada peça do trabalho encaminha o som de Twin Shadow para um novo cenário, proposta que sobrevive (e ainda tropeça) nas mesmas referências “brega” que apontaram a direção da música pós-1985.

Preferência indicado logo nos primeiros instantes do álbum, assim que os pianos e voz forte ocupam toda a extensão de Flatliners, em Eclipse, a busca de Lewis Jr. não se concentra apenas no uso de sintetizadores e temas de natureza pulsantes da New Wave, mas na melancolia (quase caricata) que sustenta o R&B há mais de duas décadas. Não por acaso o cantor parece flertar a todo o instante com a obra de veteranos como Lionel Richie, Michael Jackson e Prince, este último, referência explicita em faixas de forte apelo sentimental, caso dos singles To The Top e Turn Me Up.

A mesma aproximação com a música negra parece reforçar o inevitável florescimento de pequenos duetos e parcerias ao longo da obra, algo raro nos últimos trabalhos de Twin Shadow. Enquanto Old Love / New Love amplia a parceria de Lewis Jr. com o produtor D’Angelo Lacy – colaborador na faixa Lost You, lançada em 2014 pelo duo canadense Zeds Dead -, a delicada Alone cresce como um dos momentos mais comoventes do registro. Inicialmente inaugurada pela voz amarga do cantor, a canção que mais parece resgatada do álbum Confess logo cria espaço para a convidada Lily Elise, revelando um dos pontos de maior acerto do disco. Continue reading

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