Tag Archives: Synthpop

Ramona Lisa: “Arcadia”

Ramona Lisa

.

Como tirar maior proveito de uma viagem para a Europa? Ora, grave um disco. Aproveitando as pequenas férias de sua banda, o Chairlift, Caroline Polachek resolveu transformar suas experiências pessoais em um novo projeto. Sob o nome de Ramona Lisa, a cantora/produtora norte-americana deu um passo além em relação ao synthpop dançante que a tornou conhecida, fazendo do recém-lançado Arcadia (2014) um olhar para os elementos mais sombrios e confessionais da década de 1980.

Gravado e produzido inteiramente em um laptop, o trabalho emula arranjos sintetizados e efeitos eletrônicos em um ambiente tão acolhedor quanto claustrofóbico. Orquestrado pelos vocais robóticos da artista, o álbum expande aquilo que Backwards And Upwards ou mesmo a própria faixa-título já haviam anunciado há poucas semanas. Instantes capazes de reviver a obra de Kate Bush ou Cocteau Twins sem perder a atmosfera MIDI que escorre pelas harmonias do disco. Abaixo você encontra cada uma das canções do álbum, anunciado oficialmente para o dia 29 de abril.

.

Ramona Lisa – Arcadia

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , ,

Twin Shadow: “To The Top”

Twin Shadow

.

Com base na série de versões lançadas desde o último ano por George Lewis Jr. para o projeto UNDER THE CVRS, não seria de se estranhar que o terceiro álbum de estúdio do Twin Shadow fosse uma rica coletânea de covers. Ainda que a relação com a década de 1980 sirva (mais uma vez) de estímulo para o trabalho do músico/produtor, eis que o autor de Forget (2010) e Confess (2012) aparece agora com mais uma inédita e bem solucionada criação: To The Top.

Naturalmente íntima de tudo que o Synthpop/Rock de Arena trouxe há três décadas, a nova faixa cresce como uma extensão dos inventos promovidos pelo músico desde o último disco. Vozes ascendentes e trabalhadas em frações (no melhor estilo Bruce Springsteen), batidas com ecos e guitarras climáticas jogam o projeto com acerto para o passado. Poderia ser U2, Prince ou qualquer nome de peso do período, mas é apenas o Twin Shadow brincando com uma série de experiências que soam como clichês nas mãos de outros músicos. Se a faixa é a garantia de um novo disco em 2014, isso ainda é uma incógnita, mas isso já vale como uma esperança.

.


Twin Shadow – To The Top

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Ejecta: “Eleanor Lye”

Ejecta

.

A parceria entre Leanne Macomber (Neon Indian, Fight Bite) e Joel Ford (Ford & Lopatin, Tigercity) continua a render bons frutos. Autores de um dos projetos mais interessantes (e ao mesmo tempo esquecidos) do último ano, o duo mostra que as imagens sedutoras lançadas no processo de divulgação do primeiro disco do Ejecta, Dominae (2013), estão longe de cair no esquecimento. Em Eleanor Lye, um corpo nu serve de sustento para o clipe apresentado pelo casal.

Lançado pela produtora BANGS e dirigido por Allie Avital Tsypin, o trabalho movimenta cada traço visual com base nas emanações da dupla. Sintetizadores, vozes, batidas e mínimos agregados eletrônicos aos poucos garantem vida ao corpo feminino antes imóvel nos instantes iniciais do trabalho. Oitava composição do disco, a faixa é uma boa representação da sonoridade lançada pela dupla, que continua em turnê pelos Estados Unidos.

.


Ejecta – Eleanor Lye

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “It’s Album Time”, Todd Terje

Todd Terje
Space Disco/Electronic/Nu Disco
http://toddterje.com/

Por: Cleber Facchi

Todd Terje

Mulheres, drinks e Space Disco. Há mais de uma década o norueguês Todd Terje passeia pela cena eletrônica como um boêmio, se esquivando das palavras e investindo nos arranjos sintéticos para retratar de forma autoral a vida noturna. Mergulhado nas experiências que ocuparam a década de 1970, o produtor original de Mjøndalen, parece amarrar as pontas soltas entre a música que ocupou as pistas há quase quatro décadas e as emanações que detalham os excessos no presente. Entre lá e aqui, Terje abre as portas do primeiro álbum de estúdio, o aguardado It’s Album Time (2014, Olsen), um registro tão nostálgico e empoeirado, quanto voluptuoso e atual.

Descompromissado, mas não menos detalhista que os últimos inventos em estúdio do artista, o disco vai além de dançar pelas harmonias hipnóticas lançadas por Terje desde o começo dos anos 2000. Enquanto os primeiros singles ou mesmo o último EP do produtor, It’s the Arps (2012), pareciam reforçar experimentos musicais fragmentados, cada instante do presente álbum evoca uma tonalidade sequencial. É como se o norueguês contasse uma história, um tipo de desaventura romântica em um paraíso tropical que cresce ao som  dos sintetizadores.

Ao mesmo tempo em que caminha pela areia quente da história oculta ao fundo das harmonias, Terje fixa no registro uma forma de comunicação com a obra que já vinha desenvolvendo. Bastam as transições suingadas de Preben Goes to Acapulco ou a fluidez direta de Delorean Dynamite (faixa manipulada pela matemática das programações) para ver a relação do artista com velhos parceiros como Prins Thomas e Lindstrøm. De fato, parte dos arranjos encontrados por Todd crescem como uma sequência ao bem sucedido Smalhans (2012), em que foi colaborador, ao mesmo tempo em que parte dos tropeços dados por Lindstrøm em Six Cups of Rebel são pontualmente solucionados.

Se não fosse pelo histórico amigável de Terje com os outros nomes da cena norueguesa, não seira estranho suspeitar que It’s Album Time fosse lançado como uma autêntica provocação. Da música latina em Svensk Sås, ao toque litorâneo de Alfonso Muskedunder, cada música enquadrada no disco parece fugir do hermetismo típico da eletrônica que ocupa parte da produção europeia. Uma constante sensação de que o produtor busca abraçar o grande público por meio dos arranjos versáteis, abertura que em nenhum momento foge do cuidado técnico explícito desde os primeiros segundos. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Little Dragon: “Paris”

Little Dragon

.

Você lembra onde o Little Dragon parou no último trabalho em estúdio, Ritual Union, de 2011? Então prepare-se para encontrar esbarrar em um universo ainda mais pop desse mesmo cenário. Em Nabuma Rubberband (2014), quarto álbum do grupo sueco, a mesma relação com o Trip-Hop, eletrônica e outros experimentos sintéticos volta a se repetir dentro do trabalho da banda, porém, em uma linguagem ainda mais próxima do público conquistado no último projeto.

Em Paris, música que abre passagem para o ainda inédito lançamento, Yukimi Nagano, vocalista da banda, dança com liberdade por entre versos e batidas marcadas pelo brilho pop. Com ares de canção esquecida da década de 1980, a faixa acomoda tanto as experiências do Synthpop, como emanações típicas da eletrônica recente, característica há tempos expressiva dentro da obra do grupo, mas que parece ter sido enquadrada em um novo formato para o próximo disco, reservado para o dia 13 de maio.

.


Little Dragon – Paris

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Klaxons: “Atom To Atom”

Klaxons

.

Não existem certezas em se tratando do terceiro álbum de estúdio do Klaxons. Enquanto There Is No Other Time transportou de vez o grupo britânico para as pistas e inventos lançados na década de 1970, Children Of The Sun, entregue logo em sequência, mergulhou a banda em um som muito mais experimental, ainda que próximo dos antigos seguidores. Mas e o que dizer de Atom to Atom, terceiro single do aguardado Love Frequency e uma espécie de colagem das heranças da banda?

Delineada pelo uso de sintetizadores, batidas frenéticas (meio 90′s) e uma série de atributos inéditos, a canção é ao mesmo tempo uma sequência do disco Myths of the Near Future, de 2007, e uma completa desconstrução em se tratando da obra do grupo. Pop, mas não acessível, excêntrica e ainda assim controlada, a música só reforça o mistério em relação ao que será encontrado no dia nove de junho, data de lançamento do sucessor de Surfing the Void (2010).

.


Klaxons – Atom To Atom

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Disco: “NOW + 4EVA”, Architecture in Helsinki

Architecture in Helsinki
Indie Pop/Alternative/Electronic
http://www.architectureinhelsinki.com/

Por: Cleber Facchi

sad

Outrora composta por um time de instrumentistas e cantores que recheavam os palcos durante as apresentações ao vivo, a australiana Architecture in Helsinki ficou mais “enxuta” com o passar dos anos, mas não menos interessante. Alimentado por um time curto de cinco integrantes, o grupo de Fitzroy deixa de lado a imposição épica dos arranjos, temas e melodias para explorar diferentes possibilidades. Embora colorido e festivo, NOW + 4EVA (2014, Casual Workout) é a abertura para um novo cenário musical do grupo, muito mais aconchegante e capaz de provocar a mente do espectador.

Completamente afastado do catálogo de emanações grandiosas impostas em Moment Bends, de 2011, o novo disco deixa de lado os (deliciosos) excessos para apostar na segurança. Arranjos minimalistas, sintetizadores compactos e vozes que se desenvolvem lentamente. Cada segundo do registro de 11 faixas é abastecido com parcimônia e evidente maturidade. Se há uma década, quando Fingers Crossed (2003) apresentou a banda, o interesse era em condensar o maior número de instrumentos, hoje a direção é outra.

A premissa do grupo ainda é a mesma: canções de amor, temas cotidianos e um conjunto de experiências ensolaradas. A diferença está na forma como esse resultado se comporta musicalmente no decorrer do álbum. Bastam as emanações tranquilas de Born to Convince You e a relação com o Metronomy pós-The English Riviera para perceber isso. Tudo se manifesta com extrema delicadeza, peças que se movimento de maneira calculada. Claro que a imposição precisa não desfaz a relação com os primeiros discos do grupo, afinal, o que é a canção de encerramento, Before Tomorrow, se não um atento regresso aos primeiros discos?

Mesmo que o tratamento sutil comande todas as preferências do álbum, o que não falta ao trabalho são composições dançantes e comerciais. Exemplo mais assertivo desse esforço passeia nas melodias de I Might Survive. Brincando (de forma controlada) com elementos da Disco Music, Soul, Funk e todo um catálogo de sonorizações lançadas nos anos 1970, a canção expande os horizontes, ao mesmo tempo em que ressalta velhos aspectos criativos da banda. Sobram ainda músicas como When You Walk in the Room, que mais parece uma extensão do disco passado com base nas novas preferências do grupo. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Salad Days”, Mac DeMarco

Mac DeMarco
Indie/Alternative/Lo-Fi
https://www.facebook.com/pages/Mac-DeMarco/

Por: Cleber Facchi

Mac DeMarco

Mac DeMarco é um homem comum. Gosta de falar sobre amor, canta sobre o prazer de fumar um cigarro e usa da mediocridade do cotidiano como uma ferramenta para as próprias composições. Naturalmente descompromissado, mas ainda assim capaz de ressaltar aspectos curiosos de um dia aprazível, o cantor e compositor canadense mais uma vez abre as portas do universo particular que o envolve para apresentar Salad Days (2014, Captured Tracks). Um álbum que fala/canta inteiramente sobre ele, mas que esbarra na casualidade de qualquer espectador.

Passo seguro em relação ao que 2, registro de “estreia” do músico, trouxe em 2012, o presente álbum vai além de brincar com temas aleatórios e pequenas confissões, trata-se de uma obra em que a maturidade do músico impera evidência. Se há dois anos o canadense  abria o disco falando sobre a vida em um efeito de crônica leve, em Cooking Up Something Good – “Quando a vida se move lentamente/ Apenas deixe-a ir” -, com a inaugural faixa-título, DeMarco soa existencialista – “Rolando pela vida, para rolar e morrer” -, mas sem parecer um poeta sombrio. Mais uma vez o músico discorre sobre o amor (Let My Baby Stay), conselhos reciclados (Brother) e personagens (Jonny’s Odyssey), premissa que ocupa o álbum até o último instante.

Afundado com segurança nas ambientações caseiras dos anos 1980, DeMarco abraça a morosidade de Ariel Pink e do conterrâneo Sean Nicholas Savage para reforçar um projeto tão autoral, quanto partilhado. A leveza que comanda o disco se esbalda em acordes econômicos, guitarras poluídas sutilmente pela distorção e uma doce melancolia que segue as pistas do efeito imposto em My Kind Of Woman. Nada tende ao exagero no interior do disco, pelo contrário, durante todo o percurso o músico parece inclinado a fugir dos instantes de grandeza, fazendo de Salad Days um disco marcado pela serenidade.

Em busca de consolidar uma obra homogênea, DeMarco pode até se esquivar da formação de canções íntimas do grande público – caso de Freaking Out The Neighborhood, do disco passado -, mas isso não quer dizer que fluidez do registro seja prejudicada. Brando, Salad Days deixa de lado as melodias “fáceis” para prender em essência pelas as palavras. Tendo em Passing Out Pieces – “Assistindo a minha vida, passando bem na frente dos olhos/ Que inferno de história, oh é chata?” – um fino exemplo do registro, o compositor brinca com os temas de jovens adultos sem necessariamente parecer clichê. Uma ferramenta que engata nos versos cotidianos do artista para fluir com ineditismo pelo álbum. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , ,

Jensen Sportag: “One Lane Lovers”

Synthpop

.

Nem só de música Country vive a música de Nashville, Tennessee. Casa de alguns dos projetos mais importantes do sertanejo norte-americano, a cidade também é a base do Jensen Sportag, duo que encontra na década de 1980 e na eletrônica apresentada na mesma época um material autêntico para as próprias referências. Comandado por Austin Wilkinson e Elvis Craig, o projeto acaba de ter mais um novo single divulgado: One Lane Lovers.

Seguindo a linha do que o álbum Stealth of Days (2013) trouxe há poucos meses, a nova canção deixa de lado as limitações que guiaram parte da obra para se acomodar em um cenário marcado pela novidade. Ou quase isso. Com uma linha de baixo suingada, a música cai no mesmo catálogo e colagens nostálgicas encontradas pela também dupla Ford and Lopatin no disco Channel Pressure, de 2011. Capaz de funcionar dentro e fora das pistas, a música é o primeiro ato do projeto que fica completo com Let The Queen Bee The Boss, canção complementar que será apresentada no dia oito de abril pelo selo Cascine.

.


Jensen Sportag – One Lane Lovers

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Singles”, Future Islands

Future Islands
Synthpop/Alternative/Electronic
http://www.future-islands.com/

Por: Cleber Facchi

Future Islands

Não haveria de existir um título mais exato para o quarto trabalho em estúdio da banda Future Islands do que Singles (2014, 4AD). Catálogo extenso de composições avulsas e melodicamente delineadas, o sucessor do já maduro On the Water (2011) é uma passagem direta do grupo de Greenville, Carolina do Norte para o grande público – ou pelo menos um último estágio antes desse ponto. Cravejado de hits e boas canções, o disco incorpora uma assertiva desconstrução do Synthpop, marca que acompanha a banda da faixa de abertura até a último harmonia sintetizada.

Em um sentido de aprimoramento ao trabalho que Gerrit Welmers, William Cashion e Samuel T. Herring desenvolvem desde o meio da última década, o novo disco fixa na completude das canções um posicionamento evidente da fase adulta. É como se o ambiente em construção, representado pelas capas dos discos – antes esboços, depois coloridas e, por fim, a presente ilustração – finalmente fosse finalizado. Mais do que entregar um disco seguro, a carga de detalhes e versos confessionais ampliam o estágio de ordem do trio, capaz de brincar com a própria essência com segurança.

Parte da nova geração de artistas que encontraram no espírito dos anos 1980 um ambiente  criativo, em Singles o Future Islands funciona como um projeto tão nostálgico como presente. Na trilha de artistas conterrâneos, caso de Twin Shadow e Chairlift, o disco olha para o passado sem necessariamente se perder em prováveis redundâncias e temas instrumentais há tempos desgastados. Basta a apaixonada Like the Moon, música que flerta com uma série de conceitos tratados por David Bowie em Scary Monsters (and Super Creeps) (1980) e Let’s Dance (1983), para perceber o quanto o grupo consegue adaptar referências.

Muito do que concede beleza ao disco não está no uso exaustivo de sintetizadores, mas em uma maior participação das guitarras. Diferente do som proposto em On the Water, com o novo álbum os teclados apenas tecem uma fina camada de arranjos complementares, como uma estratégia do grupo em ocultar toda e qualquer lacuna que possa prejudicar o rendimento do disco. Com um maior domínio, os acordes versáteis estimulam tanto a projeção de sons dançantes (A Dream of You and Me), como de músicas intimistas (Sun in the Morning), fragmentando ruídos, bases e um conjunto de experiências antes tímidas no últimos discos. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , ,