Aprontada por diferentes veículos como um dos grandes nomes da nova safra da música eletrônica, a britânica Kelly Lee Owens acaba de lançar o primeiro álbum da estúdio. São dez composições, parte delas já conhecidas do público, mas que devem reforçar techno-pop produzido pela artista desde os primeiros singles. Para promover o registro – que conta com distribuição pelo selo Smalltown Supersound –, Owens apresenta o clipe de Anxi.

Conduzida pela mesma atmosfera cinza de faixas como CBM, Oleic e outras composições recentes da produtora, Anxi. se destaca pela curiosa participação da cantora Jenny Hval. Em um intervalo de quase quatro minutos de duração, batidas minimalistas e sintetizadores se abrem para a rápida interferência da artista sueca. Um registro sufocante, claustrofóbico, por vezes íntimo do veterano Arthur Russell (1951 – 1992), uma das principais influências de Owens. A direção do clipe é de Kim Hiorthøy.

 

Kelly Lee Owens – Anxi

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O minimalismo incorporado por Darren J. Cunningham em Ghettoville (2014) parece ter ficado para trás. Três anos após o lançamento do último álbum de inéditas como Actress, o produtor britânico anuncia a chegada de um novo trabalho. Intitulado AZD (2017) – pronuncia-se “Azid” –, o registro conta com 12 composições inéditas, estabelecendo uma espécie de regresso ao mesmo som produzido pelo artista inglês na dobradinha Splazsh (2010) e R.I.P (2012).

Primeira composição do disco a ser apresentada ao público, X22RME – pronuncia-se “extreme” –, traz de volta a mesma soma de experiências, ruídos e diálogos com a música techno que apresentaram o trabalho de Actress. Batidas secas e sujas, o uso controlado de sintetizadores e a lenta desconstrução de todo esse universo. Pouco mais de cinco minutos em que o som produzido por Cunningham vai provando de novas possibilidades e pequenas referências.

AZD (2017), será lançado no dia 14/04 via Ninja Tune.

 

Actress – X22RME

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Roland Tings não poderia ter pensado em um título melhor para o novo EP de inéditas que vem produzindo há alguns meses: Each Moment A Diamond (2017). Original de Melbourne, na Austrália, porém, residente na cidade de Berlim, o produtor australiano anuncia para o começo de março a chegada de uma nova sequência de músicas inéditas pelo selo Cascine – casa de artistas como Yumi Zouma, Lemonade e Chad Valley.

Parte do novo EP, a dobradinha formada por Higher Ground e Garden Piano resume com naturalidade o som colorido do produtor. De um lado, o R&B-Dance-Tropical da parceria com a cantora Nylo, música que soa como uma criação remodelada do Disclosure. Em Garden Piano, uma obra entregue ao experimento. Pouco mais de seis minutos em que as batidas de Tings dialogam com diferentes fases da música Techno, brincando com a percepção do ouvinte.

Each Moment A Diamond EP (2017) será lançado no dia 10/03 via Cascine

 

Roland Tings – Higher Ground (feat. Nylo)

Roland Tings – Garden Piano

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New York 93 e Guap, esses são alguns dos principais trabalhos lançados pela sul-coreana Kathy Yaeji Lee nos últimos meses. Claramente influenciada pela música Techno/House do começo da década de 1990, a artista anuncia para o final de março a chegada do primeiro EP oficial. Autointitulado, o registro deve apresentar algumas das principais canções assinadas pela produtora, além, claro, de faixas inéditas, caso da recém-lançada Noonside.

Inspirada pela mudança de Lee para a cidade de Nova York, a nova faixa mostra a busca da produtora por um material que mesmo pop, acessível, em nenhum momento se esquiva das batidas e bases sujas lançadas pela artista. Entre versos trabalhados de forma cíclica, a faixa se espalha lentamente, detalhando um som que parece pronto para as pistas. No clipe dirigido por Yaeji, uma colcha de retalhos visuais e diferentes cenas gravadas na nova casa nos Estados Unidos.

Yaeji EP (2017) será lançado no dia 31/03 via Godmode.

 

Yaeji – Noonside

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Aprontada por diferentes veículos como um dos grandes nomes da nova safra da música eletrônica, a britânica Kelly Lee Owens acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum da estúdio. São dez composições, parte delas já conhecidas do público, mas que devem reforçar techno-pop produzido pela artista desde os primeiros singles. Para promover o registro – que conta com distribuição pelo selo Smalltown Supersound –, Owens apresenta a inédita Anxi.

Conduzida pela mesma atmosfera cinza de faixas como CBM, Oleic e outras composições recentes da produtora, Anxi. se destaca pela curiosa participação da cantora Jenny Hval. Em um intervalo de quase quatro minutos de duração, batidas minimalistas e sintetizadores se abrem para a rápida interferência da artista sueca. Um registro sufocante, claustrofóbico, por vezes íntimo do veterano Arthur Russell (1951 – 1992), uma das principais influências de Owens e personagem homenageado na faixa Arthur.

 

Kelly Lee Owens

01 S.O.
02 Arthur
03 Anxi. (ft. Jenny Hval)
04 Lucid
05 Evolution
06 Bird
07 Throwing Lines
08 CBM
09 Keep Walking
10 8

Kelly Lee Owens (2017) será lançado no dia 24/03 via Smalltown Supersound.

 



Kelly Lee Owens – Anxi. (ft. Jenny Hval)

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Artista: Psilosamples
Gênero: Electronic, Techno, IDM
Acesse: https://psilosamples.bandcamp.com/

 

A mudança para a cidade de São Paulo parece ter impactado diretamente nas composições assinadas pelo produtor Zé Rolê em Biohack Banana (2016, UIVO Records). Original da cidade de Pouso Alegre, interior de Minas Gerais, o artista responsável pelos experimentos e sobreposições delicadas do Psilosamples revela uma nova postura em relação ao trabalho apresentado há quatro anos. Um pequeno acervo de faixas que evidenciam a fuga do som colorido que se espalha entre as canções do antecessor Mental Surf (2012).

Primeiro grande trabalho do produtor mineiro desde o EP Cobra Coral, de 2015, o novo álbum sustenta nas batidas o grande destaque da obra de Rolê. São mosaicos eletrônicos construídos a partir de fragmentos minimalistas, quebras, costuras e pequenas alterações rítmicas. A curiosa sensação de adentrar um imenso labirinto eletrônico, onde cada curva do registro apresenta ao ouvinte um espaço completamente novo, reformulado, conceito explícito logo na inaugural faixa-título.

Parcialmente distante do rico catálogo de samples e ritmos regionais que abasteceram o disco entregue há quatro anos – vide músicas como Ovelha Negra e Bom Dia Menina Pelada –, Rolê encara Biohack Banana como uma obra fechada, como se cada canção fizesse parte de um mesmo conjunto de ideias. “Começo a compor como uma história. As músicas vão fluindo como mantra e muitas vezes interagindo com diversos tipos de sonoridades, da música popular à eletroacústica”, explicou em entrevista ao site Music Non Stop.

O resultado dessa transformação está na produção de um registro homogêneo, por vezes contido, mas não menos inventivo. Um bom exemplo disso está na montagem de Copo de Leite Hortelã Pimenta, terceira música do disco. Entre sintetizadores tortos e melodias abstratas, a contida adaptação de diferentes ritmos tipicamente brasileiros, como se Zé Rolê provasse dos mesmos experimentos testados por artistas como Hrvatski, Four Tet e outros nomes de peso da eletrônica estrangeira.

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Artista: Nicolas Jaar
Gênero: Eletrônica, Experimental, Ambient
Acesse: http://nicolasjaar.net/

 

Os últimos cinco anos foram bastante produtivos para Nicolas Jaar. Entre remixes produzidos para nomes como Grizzly Bear (Sleeping Ute) e Florence and The Machine (What Kind of Man), o produtor nova-iorquino ainda presenteou o público com uma sequência de músicas inéditas – como Fight, parte da série Nymphs –, deu vida à coletânea Don’t Break My Love (2012), trabalho lançado pelo próprio selo, o Sunset & Clown, além de revisitar o clássico filme A Cor da Romã (1969), de Sergei Parajanov, em Pomegranates (2015). Isso sem contar os trabalhos em parceria com Dave Harrington no Darkside – caso do ótimo Psychic, de 2013.

Com a chegada de Sirens (2016, Other People), segundo registro de estúdio de Jaar e sucessor do elogiado Space Is Only Noise (2011), uma lenta desconstrução de tudo aquilo que artista vem produzindo na última meia década. Em um intervalo de apenas seis faixas – Killing Time, The Governor, Leaves, No, Three Sides of Nazareth e History Lesson –, Jaar costura fragmentos instrumentais, brinca com a própria essência e ainda prova de novas sonoridades de forma sempre curiosa, experimental.

Sem pressa – grande parte das faixas ultrapassam os seis minutos de duração –, Jaar testa diferentes combinações e ritmos. Um bom exemplo disso está em No. Quarta faixa do disco, a canção de batidas  lentas cresce com leveza, mergulhando em uma atmosfera quente, por vezes íntima das batidas e do romantismo presente na cúmbia. Nos versos, o peso político e um retrato da luta pela democracia no Chile no final dos anos 1980. Um resgate de frases e fragmentos que mostram a articulação para a derrubada do ditador Augusto Pinochet e o início do período democrático no país. A própria frase estampada na capa do disco –“Ya dijimos no pero el si esta en todo” –, dialoga de forma explícita com plebiscito de 1988, campanha perfeitamente retratada no filme No (2013), de Pablo Larraín.

Dividido entre a euforia e instantes de maior serenidade, Jaar brinca com os contrastes durante toda a construção da obra. Se em minutos são os ruídos atmosféricos de Killing Time que cercam o ouvinte, logo em seguida, os temas eletrônicos, batidas e até guitarras Three Sides of Nazareth tomam conta do trabalho. Um ato turbulento. Pouco menos de dez minutos em que Jaar prova de diferentes fases e conceitos da música Techno, mergulha em ambientações soturnas e ainda flerta com o trabalho de outros produtores e obras recentes, como Wolfgang Tillmans em Device Control (2016).

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Nos dias 4 e 5 de fevereiro de 2017, a cidade de São Paulo vai sediar o festival holandês de música eletrônica Dekmantel, evento que acontece pela primeira vez fora de seu país de origem. Desde de 2013, a produtora e gravadora holandesa resolveu expandir seus horizontes e começou a realizar o Dekmantel Festival em Amsterdã, que é um dos mais badalados eventos do verão europeu, cheio de artistas criativos e conceituais.

O Dekmantel Festival se estabeleceu não somente como um festival de música eletrônica sem paralelos na Europa, mas também como uma organização apreciada por sua paixão profunda e genuína pela música dançante underground. Agora escolheram o Brasil e a cidade paulistana para produzir uma edição super especial, com nomes de destaque da cena como Nicolas Jaar, Jeff Mills, Nina Kraviz, John Talabot, Ben UFO, Joy Orbison, Palms Trax, toda a turma do selo e mais alguns brasileiros de qualidade.

Serão dois ambientes, um diurno no Jockey Club de São Paulo e um noturno na Fabriketa, local que abriga diversas festas na cidade, localizado na região do Brás, local famoso pelo comércio popular e âmbitos industriais. Os artistas divulgados até o momento, são apenas da programação durante o dia. Em breve serão divulgados os DJs e produtores, do que parece ser um after party do festival, durante as noites. A produção é feita em parceria com o coletivo Gop Tun e terá ingressos a venda com valores entre 250,00 e 800,00 reais, com diversos lotes e direito a meia-entrada.

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Artista: Aphex Twin
Gênero: Electronic, IDM, Techno
Acesse: https://www.facebook.com/aphextwinafx/

 

Desde a década de 1990 que Richard D. James não vivia uma fase tão produtiva. Em um intervalo de apenas dois anos, o produtor irlandês não apenas deu fim ao longo período de hiato que silenciou o Aphex Twin por mais de uma década — lançando o excelente Syro em 2014 —, como deu vida a dois ótimos EPs — Computer Controlled Acoustic Instruments pt2 e Orphaned Deejay Selek 2006–08, ambos apresentados ao público em 2015 — e ainda despejou uma série de composições inéditas no soundcloud.

Em Cheetah EP (2016, Warp), mais recente trabalho de inéditas como Aphex Twin, James continua a resgatar a própria essência musical. Do título inspirado em Cheetah Marketing — companhia inglesa especializada em produzir softwares de música eletrônica nos anos 1980 —, passando pela atmosfera levemente dançante que orienta grande parte das canções, cada uma das sete músicas do registro estabelecem uma espécie de ponte para os primeiros anos do produtor.

Como em grande parte dos registros produzidos pelo artista irlandês há mais de duas décadas, Cheetah se fragmenta em pequenos blocos de canções com tempos e ambientações diferentes. Um bom exemplo disso está na própria faixa-título do registro. São quatro variações de um mesmo conceito instrumental — CHEETAHT2 [Ld spectrum], CHEETAHT7b, CHEETA1b ms800 e CHEETA2 ms800 —, como se James explorasse todas as possibilidades da própria obra.

Em CIRKLON3 [Колхозная mix] e CIRKLON 1, a representação do lado dançante do registro. São batidas quebradas, ruídos minimalistas, texturas, sintetizadores serenos e toda uma coleção de pequenos fragmentos eletrônicos que se encaixam de forma sutil no interior de cada faixa. A julgar pelo constante ziguezaguear das canções, uma clara continuação de do material produzido há pouco mais de dois anos em faixas como minipops 67 (source field mix), do álbum Syro.

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Artista: Weval
Gênero: Electronic, Techno, Ambient
Acesse: https://soundcloud.com/weval

 

Harm Coolen e Merijn Scholte passaram os últimos seis anos em busca de um ponto de equilíbrio entre as experiências que abasteceram o trabalho de cada produtor em carreira solo. Como resultado dessa parceria, uma coleção de músicas avulsas, remixes e EPs em que o duo holandês colide ideias e experiências que tanto incorporam a House Music – base do trabalho de Coolen –, como esbarram em elementos do Trip-Hop/Ambient Music – ponto de partida da carreira solo de Scholte –, estímulo para o material seguro que cresce delicadamente no interior da homônima estreia da dupla como Weval.

Com distribuição pelo selo alemão Kompakt – casa de artistas como The Field e Gui Boratto –, o registro de 12 faixas e pouco mais de 50 minutos de duração parece seguir um caminho isolado em relação a outros trabalhos relacionados ao selo. Trata-se de uma obra que não apenas incorpora uma série de elementos típicos de diferentes produtores do mesmo grupo, como fragmenta cada batida e base de forma a reproduzir um material essencialmente climático, sutil.

Em I Don’t Need It, terceira faixa do disco, um resumo preciso de grande parte das canções produzidas pela dupla. Enquanto o verso central da composição flutua livremente – “I Don’t Need It / I Don’t Need It”–, funcionando como um instrumento complementar, batidas e pequenos ruídos eletrônicos crescem lentamente, sempre pontuais, criando uma espécie de alicerce para o delicada base de sintetizadores produzida pelos holandeses.

De fato, sobrevive no delicado uso dos sintetizadores o principal componente da obra. Da abertura do disco, em Intro, passando por músicas como The Battle, Just In Case e Years To Build, Coolen e Scholte apresentam um mundo de pequenas ambientações instrumentais, não economizando nos detalhes e no uso de pequenas manobras eletrônicas que distanciam o registro de uma possível repetição, fazendo do disco um trabalho sempre mutável, rica em detalhes.

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