Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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Beach House
Indie/Dream Pop/Alternative
http://www.beachhousebaltimore.com/

 

Com o lançamento de Sparks, em junho deste ano, foi difícil manter a expectativa baixa para o quinto álbum de estúdio do Beach House, Depression Cherry (2015). Guitarras sujas, arranjos crescentes e todo um (novo) jogo de referências que pareciam distanciar a dupla Victoria Legrand e Alex Scally do som testado até o último álbum de inéditas da banda, Bloom (2012). O resultado não poderia ser outro. Com o lançamento do trabalho, a dupla, unanimidade desde a obra-prima Team Dream (2010), viu público e crítica se dividir, confusos pelo material ora enérgico, ora contido que sustenta a obra.

Lançado de surpresa, sem grandes preparativos, Thank Your Lucky Stars (2015, Sub Pop), sexto trabalho de estúdio da dupla, chega até o ouvinte como uma fuga desse universo tumultuado. Recheado com nove canções – mesmo número de faixas de Depression Cherry -, o álbum de apenas 40 minutos estabelece uma espécie de regresso instrumental, transportando banda e público para o mesmo ambiente melancólico detalhado nos inaugurais Beach House (2006) e Devotion (2008).

Salve One Thing, composição mais “enérgica” da obra, Thank Your Lucky Stars sobrevive como um trabalho que se distancia de canções “comerciais” e atos grandiosos, rompendo com a pequena trilha de hits deixados pela banda nos últimos registros de inédita. Em uma montagem delicada, Legrand, Scally e o produtor Chris Coady (Zola Jesus, Smith Westerns) estimulam a construção de uma obra fechada, propositadamente tímida, como se cada faixa servisse de estímulo para a música seguinte.

Em uma dança lenta, sintetizadores, guitarras e vozes se espalham com extrema sutileza, confortando o ouvinte em um cenário que se esquiva de possíveis exageros. É necessário tempo até que a dupla de fato apresente o núcleo da canção, proposta que inaugura cada uma das nove faixas com longos e detalhados atos instrumentais. Música mais extensa do disco, Elegy to the Void reflete com naturalidade essa proposta, arrastando o ouvinte durante quase três minutos até o pequeno ápice sustentado pelas guitarras de Scally.  

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