Artista: The Magnetic Fields
Gênero: Indie, Alternativa, Indie Pop
Acesse: http://www.houseoftomorrow.com/

 

Em 2015, o cantor e compositor norte-americano Stephin Merritt celebrou o aniversário de 50 anos. Inspirado pela data e diferentes acontecimentos ao longo da própria vida, o músico original de Boston, Massachusetts deu início a um novo e inusitado projeto. Acompanhado pelos integrantes do The Magnetic Fields, Merritt transformou memórias e fatos importantes de todo esse período no principal componente para as canções do biográfico 50 Song Memoir (2017, Nonesuch).

Primeiro registro de inéditas da banda desde o mediano Love at the Bottom of the Sea, de 2012, o trabalho de 50 faixas e mais de duas horas e meia de duração traz de volta o mesmo cuidado de Merritt na composição do clássico 69 Love Songs, de 1999. A principal diferença está na forma como o músico norte-americano amarra diferentes histórias e personagens de forma propositadamente instável, fugindo da articulação de um tema específico – caso do “amor” no álbum lançado há 18 anos.

Desenvolvido de forma cronológica, 50 Song Memoir abrange o período que vai de 1966, com a inaugural Wonder Where I’m From, até 2015, estímulo para a derradeira Somebody’s Fetish. O trabalho se divide ainda em cinco atos específicos, uma para cada década de Merritt, como capítulo dentro de uma extensa biografia. Entretanto, a separação em nada altera a particular interpretação dos fatos e acontecimentos, centrados em memórias do próprio cantor.

Doce, irônico, contemplativo e melancólico, Merritt parece brincar com a interpretação do ouvinte durante toda a construção do trabalho. Ao mesmo tempo em que detalha um universo de composições amargas, centradas em desilusões (Lover’s Lies) e conflitos pessoais (I’m Sad!), o toque pueril de músicas como A Cat Called Dionysus garante frescor e leveza ao disco. O problema está na forma como algumas canções se repetem melodicamente, resultando na formação de um álbum que parece arrastado em diversos momentos. Nada que prejudique de fato o crescimento do disco.

Continue Reading "Resenha: “50 Song Memoir”, The Magnetic Fields"

 

Em 1999, Stephin Merritt apresentou ao público um projeto inusitado. Em três discos, um extenso catálogo de faixas que deram vida ao clássico 69 Love Songs, uma coletânea de versos apaixonados, intimistas e melancólicos, como se o cantor e compositor norte-americano provasse de todas as nuances do amor. Para celebrar a própria carreira, Merritt decidiu investir em um novo trabalho, produzindo outras 50 canções inéditas, uma para cada ano de vida, combustível para o extenso 50 Song Memoir (2017).

Responsável por grande parte expressiva dos arranjos – Merritt tocou mais de 100 instrumentos durante o processo de gravação da obra –, o cantor e compositor norte-americano decidiu presentear o público com cinco canções presentes no disco. Além da embriagada Be True To Your Bar (ouça abaixo), faixa movida por um delicado arranjo orquestral, ainda é possível ouvir as inéditas Me and Fred and Dave and TedHow I Failed EthicsBig Enough for Both of Us e No.

50 Song Memoir (2017) será lançado no dia 03/03 via Nonesuch.

 

The Magnetic Fields – Be True To Your Bar

Continue Reading "The Magnetic Fields: “Be True To Your Bar”"

Yo La Tengo
Indie/Alternative/Indie Rock
http://www.yolatengo.com/

 

Por: Cleber Facchi

Yo La Tengo

Se existe um grupo de bandas marcadas pela impecabilidade da discografia, então o Yo La Tengo se posiciona com honra no topo delas, ao lado de um número reduzidíssimo de outros artistas. Um dos projetos mais antigos e influentes do rock indie norte-americano, o YLT beira os 30 anos de produções ininterruptas, orientando uma sequência de registros que ainda hoje sustentam de maneira fundamental a construção de uma infinidade de novos artistas. Longe de parecer um projeto que se alimenta de velhas produções e acertos do passado, o trio de Hoboken, New Jersey alcança o décimo terceiro registro da carreira provando que a melhor fase da banda se constrói agora.

Sucessor de uma sequência invejável de registros assertivos desde o lançamento de I Can Hear the Heart Beating as One em 1997, Fade (2013, Matador) incorpora ao longo de dez composições mais uma sucessão de elementos que apenas solidificam a marca da banda. Trazendo de volta alguns traços fundamentais que alicerçaram a carreira do grupo – hoje composto por Georgia Hubley, Ira Kaplan e James McNew – no começo da década de 1990, o novo álbum possibilita o aflorar das guitarras, das distorções controladas, e, de forma bastante nítida, a sutileza dos vocais, elemento que desde o álbum And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (2000) passa por um processo de constante aprendizado.

Longe de reviver apenas o que há de mais sutil e por vezes caricato na obra do grupo – principalmente passadas as transformações assumidas em 1997 -, com a chegada de Fade a trinca deixa fluir pequenas doses de rebeldia. É como se ao longo do álbum as guitarras (como as que recheiam Paddle Forward e em menor medida Ohm) brincassem de maneira controlada com o bem humorado projeto paralelo do grupo, o Condon Fucks. Espécie de versão contrastada do trio, a banda teve vida em meados de 2008, aparecendo agora como um elemento de complemento à obra, que ainda intercala o que há de mais maduro e característico na essência do Yo La Tengo com uma soma de fundamentais particularidades há tempos ocultas, entre elas os arranjos de cordas.


Preferência incorporada ao trabalho do trio há bastante tempo, porém dissolvida em doses atmosféricas e pouco expressivas, as cordas finalmente ganha destaque no decorrer da atual obra. Quanto mais o álbum cresce, mais a grandeza sofrida do violoncelo toma conta do disco, se misturando aos encaixes de ruídos minimalistas que se escondem em cada faixa. Na execução de Is That Enough, por exemplo, a busca por uma musicalidade amena acaba por aproximar os norte-americanos da mesma natureza melódica que marca a trajetória do The Magnetic Fields, grupo conterrâneo comandado por Stephin Merritt e que parece ser a principal influência para o trio no decorrer do recente álbum.

Continue Reading "Disco: “Fade”, Yo La Tengo"

. Lançada oficialmente em 1992 no disco The Wayward Bus, Jeremy é uma dessas canções praticamente esquecidas dentro da extensa lista de composições lançadas pelo The Magnetic Fields. Ao que tudo indica a desconhecida música terá uma nova chance para ser apresentada ao público, não pelos vocais de Stephin Merritt, mas pela instrumentação ruidosa da banda nova-iorquina The Pains of Being Pure at Heart. Toda retrabalhada em cima de distorções homogêneas e rajadas de guitarras que praticamente a tornam dançante, a faixa faz parte do…Continue Reading “The Pains of Being Pure at Heart: “Jeremy””

. Mais recente álbum da banda norte-americana The Magnetic Fields, Love at the Bottom of the Sea vem dividindo as opiniões dos críticos ao redor do mundo, afinal, é um disco inteiro de pequenos momentos. Um desses bons momentos se manifesta dentro da faixa Quick. Com direção assumida por James Spinney e um visual mágico, o vídeo conta a doce história de dois personagens – Ada interpretada por Elizabeth Webster e Erik Sandling no papel de Blom – que habitam latas de lixo próximas e…Continue Reading “The Magnetic Fields: “Quick””

. Com previsão de lançamento para o começo de março, Love at the Bottom of the Sea é o nome do mais novo álbum da banda norte-americana The Magnetic Field. O registro virá para substituir o morno Realism de 2010, que tem apresentado uma banda muito mais voltada ao folk pop do que aos sons distorcidos típicos do Dream Pop que marcaram a carreira do grupo. O registro também marca o retorno do grupo comandado Stephin Merritt ao selo Merge, casa do grupo até o…Continue Reading “The Magnetic Fields: “Andrew In Drag””