Artista: The Shins
Gênero: Indie, Alternativa, Indie Pop
Acesse: http://www.theshins.com/

 

Seja em começo de carreira, com obras como Oh, Inverted World (2001) e Chutes Too Narrow (2003), ou logo após a parceria de James Mercer com Danger Mouse no Broken Bells, caso de Port of Morrow (2012), os trabalhos do The Shins sempre se dividiram entre a produção de temas intimistas e a busca por um som declaradamente pop. Uma natural separação que parece temporariamente rompida nas canções do comercial Heartworms (2017, Aural Apothecary / Columbia).

Primeiro registro de inéditas da banda em cinco anos, o trabalho de 11 faixas e produção assumida por Mercer emana frescor e boas melodias durante toda a execução. Da abertura do disco, com Name For You, passando pela mistura de ritmos em Painting a Hole, o rock levemente dançante de Half a Million até alcançar a derradeira The Fear, poucas vezes antes um disco do The Shins pareceu tão radiante, talvez explosivo como as guitarras e vozes indicam.

Produzida pelo ilustrador e designer Jacob Escobedo, a imagem de capa do disco parece ser a chave para entender o som produzido pelo The Shins em Heartworms. Uma coleção de ideias, ritmos e estéticas completamente distintas, como se diferentes influências de Mercer e demais parceiros de banda fossem sobrepostas durante toda a formação do álbum. Não por acaso, cada canção parece trabalhadas de forma independente, como pequenos atos isolados.

Segunda composição do disco, Painting a Hole nasce como uma verdadeira síntese do material produzido pela banda para o presente disco. A firmeza das batidas logo nos minutos iniciais, um coro de vozes sorridentes – “la la la la la la” –, sintetizadores falseando elementos da música árabe e a guitarra suja, por vezes climática. Uma propositada confusão instrumental que conversa diretamente com a poesia versátil lançada por Mercer.

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O novo álbum do The Shins continua sendo uma incógnita. Entre faixas que refletem a essência doce da banda, como Mildenhall, e composições medianas, caso de Dead Alive e Name For You, cada faixa parece apontar para uma direção diferente, como se James Mercer fizesse de cada música do disco um ato completamente isolado. Experimentos que assumem um aspecto ainda mais curioso dentro da inédita Painting a Hole.

Livre dos arranjos acústicos que acompanham a banda desde o primeiro álbum de estúdio, Oh, Inverted World (2001), a nova faixa mostra o interesse de Mercer em bagunçar a cabeça do ouvinte. Guitarras esbarram em sintetizadores, batidas tortas abrem passagem para a introdução de temas egípcios, vozes em coro e gritos ao fundo da canção. Uma louca colagem de ideias e diferentes estilos musicais, mas que acaba funcionando.

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Painting a Hole

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A julgar pelas últimas canções apresentadas por James Mercer, caso de Dead Alive e Name For You, o novo álbum do The Shins está longe de ser um dos mais interessantes na discografia da banda. Intitulado Heartworms (2017), o registro chega até o público quatro anos após o lançamento do ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, reciclando uma série de conceitos vindos de outros projetos do músico – como o Broken Bells.

Interessante perceber na recém-lançada Mildenhall um breve distanciamento de tudo aquilo que o Mercer vem desenvolvendo nos últimos trabalhos. Trata-se de uma típica canção do The Shins. Vozes e arranjos contidos, mas não menos interessantes. Um ato curto, centrado na vida do próprio artista, capaz de transportar o ouvinte para o mesmo universo apresentado no clássico Oh, Inverted World (2001), trabalho que apresentou o som da banda de Albuquerque a uma parcela maior do público.

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Mildenhall

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Heartworms (2017), esse é o título do quinto álbum de estúdio do grupo californiano The Shins. Primeiro registro de inéditas da banda desde o ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o trabalho conta com 11 faixas inéditas, entre elas, a já conhecida Dead Alive, composição apresentada ao público em outubro do último ano. Junto do anúncio, a banda aproveitou para revelar a capa do disco (imagem acima) e a inédita Name For You.

Assim como o single anterior, a nova faixa mantém firme a mesma atmosfera ensolarada, revelando ao público uma sequência de guitarras, vozes e pianos que poderiam facilmente ser encontrados no Broken Bells, projeto paralelo do vocalista e líder James Mercer. Além do novo álbum e do disco lançado em 2012, a banda original de Albuquerque, Novo México, ainda conta com os clássicos Oh, Inverted World (2001), Chutes Too Narrow (2003) e Wincing the Night Away (2007).

 

Heartworms

01 Name for You
02 Painting a Hole
03 Cherry Hearts
04 Fantasy Island
05 Mildenhall
06 Rubber Ballz
07 Half a Million
08 Dead Alive
09 Heartworms
10 So Now What
11 The Fear

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Name For You

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Com duas décadas de carreira completas, os integrantes do The Shins seguem com a produção de trabalhos mais espaçados, turnês cada vez mais curtas e uma série de projetos paralelos entre um registro de outro. Quatro anos após o lançamento do ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, James Mercer e os parceiros de banda começam a dar sinais de que um novo álbum de inéditas está por vir.

Em Dead Alive, primeiro single da banda desde So Now What, parte da trilha sonora do filme Wish I Was Here, o grupo de Albuquerque, Novo México, está de volta ao mesmo cenário musical de Oh, Inverted World (2001). Melodias e vozes que se distanciam do som polido do último álbum da banda – ou mesmo de outros projetos paralelos de Mercer, caso do Broken Bells –, revelando um material parcialmente sujo e marcado pelo uso de temas psicodélicos.

 

The Shins – Dead Alive

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. Adepto dos longos hiatos e centenas de projetos colaborativos entre um trabalho e outro, Justin Vernon está de volta (por pouco tempo) com mais uma criação inédita do Bon Iver. Trata-se de Heavenly Father, a primeira composição original do músico norte-americano desde a chegada do segundo trabalho em estúdio da banda, o auto-intitulado disco de 2011. Novo disco a caminho? Por enquanto não. Trata-se de uma faixa composta exclusivamente para o novo indie-movie de Zach Braff (Hora de Voltar), Wish I Was Here (2014)….Continue Reading “Bon Iver: “Heavenly Father””

. Enquanto Fever, composição apresentada na última semana, serviu para apresentar o lado mais descontraído e naturalmente pop da dupla The Black Keys, Turn Blue revela o lado mais “comportado” dessa mesma proposta. Faixa escolhida para dar título ao mais novo trabalho em estúdio de Dan Auerbach e Patrick Carney, a canção reforça (de uma vez por todas) que a relação com o Blues Rock está mais do que abandonada dentro da presente fase da banda norte-americana. Praticamente uma sobra de estúdio do trabalho de…Continue Reading “The Black Keys: “Turn Blue””

Broken Bells
Indie/Alternative/Space Rock
http://www.brokenbells.com/

Por: Cleber Facchi

Broken Bells

Quatro anos depois de transformar o  Broken Bells em uma morada para experimentos controlados e doces melodias pop, James Mercer (The Shines) e Brian Burton (Danger Mouse) voltam a se encontrar no mesmo terreno cósmico-musical. Com os ouvidos mais uma vez apontados para a década de 1970, a dupla exclui qualquer traço de complexidade para fazer de After the Disco (2014, Columbia), segundo trabalho em parceria, uma verdadeira coleção de harmonias íntimas do ouvinte.

Muito mais pop que o disco que o antecede, o novo trabalho dança pelas harmonias de forma a fazer o público flutuar. Ainda que a soul music seja a fagulha para o crescimento do registro, é na coleção de temas vintage/futurísticos que o álbum realmente se projeta. Vocalizações atmosféricas, arranjos típicos de clássicos da Ficção Científica e um olhar para o espaço. Dentro desse conjunto de temas ora místicos, ora tecnológicos, toda a arquitetura do registro parece lançada, deixando para os versos de Mercer o esforço restante da obra.

Ainda que a estrutura Sci-Fi da obra – evidente no curta homônimo – sirva como mecanismo de transformação para o álbum, é na plena imposição do pop que o disco realmente se organiza e cresce. Logo de cara, as três primeiras composições do álbum potencializam todo o envolvimento de Mercer com o uso de tramas puramente comerciais. São versos pegajosos e sempre embalados pela homogeneidade instrumental do parceiro. Dessa forma, ao ecoar da última nota de Holding On For Life, terceira música do disco, a sensação de ter atravessado todo um disco inteiro é mais do que natural.

Por mais óbvio que isso possa parecer, After the Disco é uma perfeita divisão de todas as experiências anteriores de Mercer e Burton. Enquanto as melodias de vozes e letras facilmente encaixáveis reforçam a recente fase do The Shins, no disco Port Of Morrow (2012), a carga de referências nostálgicas espalhadas pela obra ecoa como uma típica assinatura de Danger Mouse. São aparelhos analógicos, instrumentos empoeirados da década 1970, além de um frescor típico da Soul music incorporada pelo produtor a cada álbum assinado.

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. Depois do bem sucedido regresso de James Mercer ao The Shins com Port of Morrow (2012), além, claro, da assertiva colisão de ideias com Danger Mouse no primeiro álbum do Broken Bells, em 2010, nada mais natural do que esperar por uma atrativa sequência do mesmo projeto. Quem ainda tinha alguma dúvida em relação ao retorno da dupla, distante desde o EP Meyrin Fields (2011), só precisa passear pelas harmonias sutis de After The Disco para perceber a natural evolução do projeto. Menos soturna…Continue Reading “Broken Bells: “After The Disco””

. Quem pensava que After The Disco fosse apenas mais uma tentativa de James Mercer (The Shins) e Brian Burton (Danger Mouse) em unir as próprias experiências, viu na composição do curta After The Disco Part 1: Angel and The Fool, que se tratada de um projeto muito maior. Dando sequência ao trabalho apresentado há algumas semanas, o registro se mantém dentro do mesmo universo futurístico de Kate Mara (a Zoe Barnes de House Of Cards) e Anton Yelchin (o Chekov na nova série de…Continue Reading “Broken Bells: “After The Disco Part 2: Holding On For Life””