Artista: BEL
Gênero: MPB, Jazz, Eletrônica
Acessehttps://soundcloud.com/belbaroni 

 

A versatilidade talvez seja o principal traço do som produzido pela cantora e compositora carioca Bel Baroni. Mais conhecida pelo trabalho como integrante do coletivo Mohandas – com quem lançou os experimentais Etnopop (2012) e Um Segundo (2015) –, a artista, também integrante do coletivo feminista Xanaxou, sustenta no primeiro álbum em carreira solo, Quando Brinca (2017, Sagitta Records), um espaço para provar de novas sonoridades e pequenas possibilidades dentro de estúdio.

Musicalmente colorido, proposta que conversa diretamente com a imagem de capa do disco, trabalho produzido pelo ilustrador Gabrilândia, o álbum de oito faixas passeia por entre diferentes gêneros, colidindo fórmulas e referências pontuais. Fragmentos minimalistas que vão da MPB ao Jazz sem necessariamente fixar residência em um tema específico. Retalhos instrumentais que se comunicam pela forma como os arranjos sutilmente ocupam todas as brechas do disco.

Produzido em parceria com o músico Gui Marques, também responsável pelos sintetizadores e batidas eletrônicas que recheiam o disco, Quando Brinca é um trabalho que precisa de tempo até ser absorvido em essência. Pianos e guitarras sedutoras em Bem-vindo; a lenta sobreposição dos arranjos em Real Grandeza; batidas e sintetizadores cuidadosamente espalhados ao fundo de Mundo Novo. Um som precioso, doce, entregue ao público em pequenas doses.

Interessante perceber que mesmo trabalhado de forma delicada, sempre precisa, Quando Brinca está longe de parecer uma obra inacessível. Um bom exemplo disso está na montagem atenta de Fica Fácil Assim, quarta faixa do disco. Acompanhada de perto por Laura Lavieri, Rafaela Prestes, Mari Romano e Larissa Conforto (Ventre), todas integrantes do Xanaxou, Baroni sutilmente revela uma faixa hipnótica. Arranjos e vozes que se espalham de forma a seduzir o ouvinte, cada vez mais atraído para o interior da faixa.

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Mesmo com poucos dias para o lançamento de Silver Eye (2017), Alison Goldfrapp e o parceiro Will Gregory seguem em busca de diferentes sonoridades. Depois de músicas como Anymore e Ocean, essa última, faixa que parece saída de algum disco do Fever Ray, a dupla britânica apresenta ao público a inédita Moon In Your Mouth. Pouco mais de quatro minutos em que sintetizadores e respiros pequenos respiros instrumentais transportam o ouvinte para o Trip-Hop dos anos 1990.

A canção faz parte do sétimo álbum de estúdio da dupla, Silver Eye, trabalho que conta com a presença de Leo Abrahams, John Congleton e The Haxan Cloak como convidados para a produção de faixas específicas do disco. Nos últimos anos, a dupla decidiu brincar com diferentes sonoridades, vide a transformação anunciada no synthpop de Head First, lançado em 2010, e o som obscuro que marca as canções de Tales of Us, de 2013.

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/01 via Mute.

 

Goldfrapp – Moon In Your Mouth

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Há tempos o Goldfrapp não parecia tão interessante quanto em Anymore. Primeiro registro da parceria entre Alison Goldfrapp e Will Gregory em quase quatro anos, a canção dominada pelo uso de sintetizadores e batidas firmes aponta a direção seguida pela dupla em Silver Eye (2017). Sucessor do obscuro Tales of Us, lançado em 2013, o novo disco parece apontar para o passado, incorporando uma série de elementos que jogam com o som produzido pelo casal no final dos anos 1990.

Além da presente composição, uma versão sóbria do material dançante lançado em obras como Black Cherry (2003) e Supernature (2005), o novo álbum ainda conta com outras nove músicas inéditas. Além da dupla, Silver Eye se abre para a chegada de um time de novos colaboradores. Entre os nomes apontados pelo Goldfrapp, Bobby Krlic, parceiro de Björk em Vulnicura (2015) e artistas responsável pelo The Haxan Cloak, além de John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent e Angel Olsen.

 

Silver Eye

01 Anymore
02 Systemagic
03 Tigerman
04 Become The One
05 Faux Suede Drifter
06 Zodiac Black
07 Beast That Never Was
08 Everything Is Never Enough
09 Moon in Your Mouth
10 Ocean

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/01 via Mute.

 

Goldfrapp – Anymore

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Depois de um longo período de hiato, integrantes do London Grammar estão de volta com uma composição inédita. Em Rooting For You, primeiro single do trio formado por Dominic ‘Dot’ Major, Hannah Reid e Dan Rothman em quase três anos, todos os elementos originalmente incorporados dentro do debut If You Wait (2013) parecem delicadamente resgatados e apresentados ao público em um ato de pura leveza e melancolia.

Enquanto a voz espalha de forma sutil, revelando sentimentos e confissões durante toda a construção da faixa, arranjos de cordas, pianos, guitarras minimalistas e uma atmosfera densa parece dialogar com os versos da cantora. Junto da canção, o grupo aproveito para apresentar o clipe intimista de Rooting For You. Acompanhados por um time de instrumentistas, o grupo se apresenta em um palco escuro, reforçando o peso dos versos assinados por Reid.

 

London Grammar – Rooting For You

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A cantora e produtora Lari Pádua, uma das grandes apostas para 2017, lança seu primeiro clipe, trabalho simplista e ao mesmo tempo autentico da música Nobody, som de destaque do seu EP de estréia, o pequeno e inteligente Concrete. O clipe assim como o disco,  nada mais é que um registro minimalista de uma canção experimental e que flerta no pop desconstruído. Larissa recria e distorce elementos, criando uma atmosfera pessoal e de certa forma orgânica.

Artistas como The XX, Massive Attack, Frank Ocean e Flume servem com referencia para a artista de 26 anos, que também é ouvinte de gênero como jazz, rock, Hip-Hop e house music. Com seus sintetizadores intimistas e uma voz doce, Pádua promete muitas novidades para breve, assim como seu álbum completo no próximo ano. Com o clipe, Lari Pádua se lança oficialmente, fazendo parte do selo PWR Records, gravadora de Recife que conta com artistas como In Venus e Papisa

Lari Pádua – Nobody

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Guitarras enevoadas se espalham sem pressa, detalhando um som típico de artistas como Real Estate e Toro Y Moi. Batidas eletrônicas e vozes sutilmente maquiadas pelo uso de efeitos se entrelaçam, destacando uma letra marcada pela leveza dos sentimentos. Em Férias, mais recente single do cantor e compositor gaúcho Victorino, o ouvinte é sutilmente transportado para dentro de um cenário de pequenos encaixes minimalistas, recordações e arranjos oníricos.

Parte do novo registro de Victorino, Mês de Maio, trabalho previsto para 2017, a canção que flutua entre o Dream Pop e o Trip-Hop nasce a partir de fragmentos coletados durante conversas entre a mãe e tias do cantor. Um catálogo de versos nostálgicos que cresce nas participações especiais dos músicos Rafael David (beat synth) e Geyer (backing vocal, violão nylon). No perfil do artista no soundcloud é possível encontrar outras composições, caso do single Só Que Não.

Victorino – Férias

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Artista: Luísa Maita
Gênero: Eletrônica, Samba, Alternativa
Acesse: http://www.luisamaita.com.br/

 

A imprevisibilidade talvez seja o principal traço do trabalho de Luísa Maita em Fio da Memória (2016, Cumbancha). Produzido em parceria com o músico Zé Nigro, o sucessor do elogiado Lero-Lero (2010), obra que apresentou a cantora e compositora paulistana ao grande público, reforça a essência experimental e naturalmente inventiva da artista. Uma quebra brusca em relação ao samba melódico e a voz limpa que orienta as canções do trabalho entregue há seis anos.

Com uma “gestação prolongada”, como resume o texto de apresentação do disco, o novo álbum precisou de quase meia década até ser finalizado. Em produção desde 2012, Fio da Memória nasce como uma extensão torta do material entregue por Maita no primeiro álbum de inéditas. Entre ruídos e bases eletrônicas, crônicas musicadas que dialogam com o samba, incorporam elementos tribais e diferentes gêneros musicais, como o jazz e o rock.

A julgar pelo preciosismo que orienta Ela, sétima canção do disco, é fácil perceber porquê o novo álbum de Maita levou tanto tempo até ser finalizado. Perceba como sintetizadores se espalham sem pressa ao fundo da canção, hipnóticos. Um jogo de batidas e vozes que se completam lentamente, resultando em uma canção que sussurra detalhes na cabeça do ouvinte. O mesmo cuidado acaba se refletindo em outros instantes do disco, seja na euforia de Porão ou no sopro tímido da derradeira Jump.

Composição escolhida para inaugurar o disco, a eletrônica Na Asa é apenas a ponta do imenso iceberg criativo que caracteriza o trabalho. A voz chiada, batidas cíclicas, entalhes econômicos. Longe da exposição imediata dos elementos, Maita e o parceiro de produção, Tejo Damasceno, uma das metades do Instituto, parecem jogar com o minimalismo dos arranjos. Minúcias, segredos e pequenas sobreposições que se espalham de forma a completar a voz firme da cantora.

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. Beth Orton segue em processo de divulgação do novo álbum de estúdio. Batizado Kidsticks (2016), o registro que conta com produção assumida por Andrew Hung, uma das metades do Fuck Buttons, parece seguir um caminho conceitualmente distinto em relação aos últimos trabalhos da cantora inglesa, deixando o Folk em segundo plano, para que Orton abrace de vez um som eletrônico, íntimo das mesmas experiências que a apresentaram nos anos 1990. Assim como em Moon, composição entregue ao público há poucas semanas, o destaque de 1973 está no…Continue Reading “Beth Orton: “1973””

Quando surge uma artista talentosa, que mistura Trip Hop com o novo R&B, isso em terras tropicais, temos que ficar de olho. Da selva de concreto para o mundo, Lari Pádua, uma cantora e produtora criativa que resolveu abusar das combinações de batidas quebradas, sintetizadores intimistas e uma voz doce, que deu como resultado o seu EP de estréia. Concrete nada mais é que um registro minimalista com cinco canções experimentais, lançado essa semana, mas que promete ficar muito tempo em nossos ouvidos. Produzido pela…Continue Reading “Lari Pádua: “Concrete””

Céu
Nacional/MPB/Electronic
http://www.ceumusic.com/

 

Batidas e vozes minimalistas, sintetizadores carregados de efeitos, o baixo volumoso e guitarras sempre precisas, levemente dançantes, como uma delicada ponte para diferentes épocas e tendências da música eletrônica. Quatro anos após o lançamento do psicodélico Caravana Sereia Bloom (2012), Céu se despede do som enevoado de composições como Retrovisor e Amor de Antigos para investir em pequenos experimentos e temas sintéticos, marca do quarto registro de inéditas da cantora, Tropix (2016, SLAP).

Precioso em cada sussurro, batida ou entalhe eletrônico, o álbum, uma parceria entre a cantora paulistana, Pupillo, baterista do Nação Zumbi, e o músico francês Hervé Salters, traz de volta a mesma atmosfera letárgica incorporada no clássico Vagarosa, de 2009. Uma obra de limites bem definidos, estratégica, conceito explícito na confessional e crescente Perfume do Invisível, música de abertura do disco, e uma espécie de trampolim criativo para o ondulado de beats que vai do Trip-Hop de Bristol ao som atmosférico dos anos 1970.

Sem pressa, criando respiros instrumentais, Tropix entrega cada canção em pequenas doses. A eletrônica tropical em Varanda Suspensa, o romantismo brega em Sangria, vozes cíclicas em Arrastar-Te-Ei, o rock levemente dançante em Pot-Pourri: Etílica/Interlúdio – parceria com Tulipa Ruiz. Longe do som homogêneo explorado no trabalho entregue há quatro anos, obra que flutua em uma mesma massa de guitarras e temas nostálgicos, Céu e o time de colaboradores exploram cada composição individualmente. Fragmentos que se encaixam de forma a revelar um imenso mosaico.

Nos versos, um vasto acervo de ideias que navega de forma atenta pelo universo particular da cantora, porém, mantém firme o diálogo com o ouvinte. Composições que visitam cenários paradisíacos (“Pés de manga, costela de Adão / Todos sentavam pra ver / Aquele quadro vivo mudar”), detalham inquietações (“Quando eu for em busca de mim”) ou simplesmente exploram o distanciamento entre os indivíduos, marca de faixas como Perfume do Invisível e Amor Pixelado, esta última, uma delicada análise sobre o amor em tempos de Whatsapp e outras redes sociais.

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