Nobat
Nacional/Indie/Alternative
https://soundcloud.com/nobatmusic

Fotos: Rafael Sandim

O caminho assumido por Luan Nobat em O Novato (2015, Independente) está longe de parecer o mesmo do antecessor Disco Arranhado (2012). Livre do jogo de guitarras, batidas e vozes rápidas que marcam o trabalho apresentado há três anos, o cantor e compositor mineiro faz do segundo registro de inéditas uma peça marcada pela delicadeza. Versos e arranjos que passeiam por pequenos fragmentos do cotidiano, relacionamentos e tormentos que muitas vezes escapam do cercado particular do artista.

Maquiado pela sonoridade detalhista do músico Daniel Nunes, co-produtor do álbum também integrante da banda de rock instrumental Constantina, o trabalho de apenas 10 faixas cresce lentamente, sem pressa ou possíveis exageros. Ainda que a já conhecida LSD, parceria com a cantora Julia Branco lançada em 2014, pareça apontar a direção seguida no interior do disco, está no tempero pessimista da inaugural faixa-título o estímulo lírico e instrumental de todo o restante da obra.

Era uma bíblia na mão / E a pistola na outra / Matando os filhos de Deus pelo próprio Deus”, despeja Nobat em uma solução de versos sóbrios que discutem não apenas a temática da religião, mas todo o universo de conflitos e ilusões que bagunçam o cotidiano de qualquer indivíduo. Ponto de partida para a sequência de faixas que abastecem o álbum, a canção orquestrada de forma crescente, cercada pela bateria marcial de um time de percussionistas, resume o esmero de Nobat na montagem do trabalho.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, O Novato encanta pelo imenso catálogo de detalhes que parece crescer a cada nova faixa. Mesmo que a voz do artista falhe em diversos momentos – “E minha voz desafinada exclama e cresce” -, sobram encaixes minimalistas que prendem a atenção do ouvinte com naturalidade. O naipe de metais em Judith; guitarras coloridas na apaixonada Luísa; a percussão descontrolada de Nara Torres (Iconili) em Agosto. Entre curvas sonoras e abismos sentimentais, Nobat finaliza um trabalho que convida o público a se perder dentro dele.

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. Responsável por uma das melhores e mais fortes composições de 2015, o mineiro Luan Nobat está de volta com um novo registro em carreira solo: O Novato (2015). Produzido em parceria com Daniel Nunes, também integrante do grupo Constantina, o trabalho chega ao público recheado com 10 canções inéditas e parcerias ao lado de músicos como Helio Flanders (Vanguart), Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico), Julia Branco, Tiago Eiras (Dibigode), Nara Torres (Iconili) e Fernando de Sá (A Fase Rosa). De essência melancólico, delicado em grande parte dos versos, o registro gravado entre maio…Continue Reading “Nobat: “O Novato””

. Dando sequência ao processo de divulgação do álbum Muito Mais Que O Amor, lançado em 2013, a banda cuiabana Vanguart apresenta agora o clipe de Meu Sol. Com um visual “Hipster Tropical“, o projeto acompanha um grupo de amigos – estrelado pela própria banda e outros músicos próximos, como o cantor Thiago Pethit -, em um típico final de semana à beira de um lago. Churrasco, um passeio de treiler, cachorro e um mergulho refrescante abastecem as cores envelhecidas que conduzem a formação das…Continue Reading “Vanguart: “Meu Sol””

Por: Cleber Facchi

Meu toca-discos

Entra ano, sai ano e eles continuam sempre em alta: os discos de vinil. Ainda que o MP3 tenha ocupado de vez os ouvidos do público e o CD mantenha uma posição confortável, o mercado do vinil está cada vez mais aquecido. Na Inglaterra, por exemplo, mais de 550 mil LPs foram vendidos só em 2013 – o melhor resultado de vendas desde 2003. Ainda que o mercado por lá seja bem diferente do nosso, o Brasil não fica para trás. A Polysom, única produtora de vinis da América Latina, fechou o último ano com um crescimento de vendas maior que 140% em relação aos outros anos, resultado do extenso catálogo de discos que inclui Jorge Ben Jor, Tulipa Ruiz e Vanguart.

E seu eu quiser colecionar discos de vinil ou montar minha própria aparelhagem, por onde começo?

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Com apenas cinco dias de votação e contando com o bom gosto do nosso público, encerramos mais um especial Melhores Discos: Lista dos Leitores. Para a terceira edição da nossa lista colaborativa de fim de ano, tivemos mais de 100 participantes válidos, que elegeram seus discos nacionais e internacionais favoritos. Como nos outros anos, os leitores do Miojo Indie mais uma vez surpreenderam, lançando seus votos para registros pouco conhecidos e uma centena de obras que dificilmente estariam em uma seleção de obras mais “comerciais”. Foram mais de 80 discos nacionais participantes, e quase 150 obras estrangeiras que entraram na seleção/contagem final.

Diferente dos anos anteriores, em que apenas o número de votos era levado em consideração, para a edição 2013 do nosso especial, cada disco ganhou um ponto específico de acordo com a posição atribuída pelo leitor – indo de 5 Pontos para o 1º Lugar, até 1 Ponto para o 5º colocado. A decisão serviu para acelerar a contagem dos votos, bem como um resultado mais justo na filtragem ou possível desempate dos votos. Outro diferencial é a participação dos leitores na construção dos textos da lista final. Além dos votos, cada leitor foi convidado a escrever um texto curto, explicando os motivos que o levaram a escolher o melhor disco de cada lista.

Com a seleção final pronta, resta o nosso agradecimento aos participantes e espero ver vocês no próximo ano em mais uma lista dos leitores.

Continue Reading "Os Melhores Discos de 2013: Lista dos Leitores"

Vanguart
Brazilian/Folk/Indie
http://www.vanguart.com.br/

 

Por: Cleber Facchi
Foto: Ariel Martini

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Há dois anos, quando lançava Parte de Mim Vai Embora (2011), a proposta do Vanguart parecia ser clara e simples: soar acessível. Longe da poesia complexa que ocupa os versos trilíngues do autointitulado debut, de 2007, o quinteto cuiabano parecia cada vez mais interessado em buscar pelo grande público – um percurso de quase oposição ao hermetismo testado em início de carreira. Sustentando com acerto uma lírica melódica – que abastece faixas como Mi Vida Eres Tu e demais composições do trabalho -, a banda deu um passo seguro para o domínio de uma soma ainda maior de ouvintes, merecida sequência de prêmios no VMB de 2012 e, claro, a base para o que se revela em um efeito amplo na construção do terceiro registro em estúdio.

Intencionalmente dramático, Muito Mais Que O Amor (2013, DeckDisc) se aproveita do mesmo teor amargo dos trabalhos anteriores, porém, em um sentido intenso de confissão. O que antes era proposto de forma existencial e melancólica – principalmente em faixas como Semáforo, Para Abrir os Olhos e Cachaça -, agora dá lugar ao drama pintado de saudade e expectativa. Boa parte das faixas espalhadas pela obra refletem a carência do eu-lírico em um sentido vulnerável. Seja na antecipação por um novo amor (Sempre Que Eu Estou Lá), ou mesmo em um cenário recente e que aos poucos começa a se esfarelar (Pra Onde Eu Devo Ir?), a dor ainda é a principal constante para a banda.

Mesmo em um alinhamento de confissão, Hélio Flanders, principal letrista da obra, parece fugir a todo o custo de um resultado subjetivo, amenizando nos versos de cada faixa uma interpretação exageradamente acessível, até rasa em alguns aspectos. Por vezes falta beleza aos versos instalados de forma monotemática, caso de Meu Sol (o que é isso, Armandinho?), Mesmo De Longe e parte expressiva do eixo final do registro. Entretanto, nenhuma composição parece capaz de superar a redundância da O Que Seria de Nós, sétima canção do disco. “O que seria de você sem mim/ O que seria de Mim sem você/ O que seria de nós dois sem nós?”, arrasta a canção em (felizmente) pouco menos de um minuto de duração. Seria ironia ou apenas vontade de encher o disco com mais uma faixa? Onde estão os responsáveis por Enquanto Isso Na Lanchonete e demais canções dos primeiros discos?

Mesmo os exageros e a lírica falha em algumas das composições não subtraem a presença de boas faixas no decorrer da obra. A melhor delas talvez seja Pra Onde Eu Devo Ir?, canção que se esquiva das melodias programadas para fluir em um cenário de intensidade e dor real. Trabalhada em uma estética Country honesta, a música esbarra em vozes que curiosamente remetem ao trabalho de Chitãozinho e Xororó – entenda isso como um elogio sincero. Um aspecto caricato que não apenas potencializa o crescimento da faixa, como traduz de maneira eficaz a saudade que se acumula em doses pela obra. A mesma relação com o cancioneiro de raiz flutua de maneira coerente em Estive e Eu Sei Onde Você Está, faixas acessíveis, de versos duráveis e que não se perdem nos mesmos exageros e banalidades de outras canções do disco.

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. Dois anos desde o lançamento de Boa Parte de Mim Vai Embora, e a banda cuiabana Vanguart entrega ao público o terceiro exemplar em estúdio: Muito Mais Que O Amor. Conjunto de 11 inéditas composições, o registro amplia de forma clara a relação amena e o cardápio de sons delicados que o grupo vinha desenvolvendo com o Folk Rock – gênero base que abastece a produção da banda desde a chegada do autointitulado debut, em 2007. Com lançamento pela DeckDisc – casa de artistas…Continue Reading “Vanguart: “Muito Mais Que O Amor””

. Voluntaria ou involuntariamente as canções do Vanguart parecem cada vez mais abertas ao grande público. Longe do lirismo que acompanhava o grupo em começo de carreira, cada uma das recentes invenções da banda parecem incorporar nos versos e sentimentos fáceis um princípio básico para o grupo, efeito que volta a se repetir na recém-lançada Meu Sol. Instrumentalmente simples, a canção se entrega aos clichês típicos de um romântico em toda a extensão dos versos, o que pode até facilitar a audição para alguns, mas…Continue Reading “Vanguart: “Meu Sol””

. Com lançamento agendado para o dia 27 de Agosto, Muito Mais Que O Amor é o nome do terceiro registro em estúdio da Vanguart. Dentro da sequência de faixas que a banda apresentou previamente ao público, há algumas semanas, está a acelerada Estive, composição que se conecta diretamente ao primeiro álbum de estúdio do grupo, mas sem o distanciamento de Boa Parte de Mim Vai Embora (2011). Aviso do que deve guiar em totalidade o novo trabalho, a faixa surge agora em clipe, trazendo…Continue Reading “Vanguart: “Estive””