A voz parece ser o principal componente do novo álbum de Arca. Dias após o lançamento de Piel, composição escolhida para apresentar o terceiro registro de estúdio do cantor e produtor venezuelano, Alejandro Ghersi está de volta com mais uma composição inédita. Em Anoche, arranjos minimalistas servem de estímulo para a composição dos versos, fazendo com que o músico invada o mesmo território de artistas como ANOHNI e Björk, com quem Arca trabalhou no álbum Vulnicura (2015).

Ainda que a composição funcione de forma independente, efeito do cuidado na manipulação da base instrumental e versos em castelhano que se espalham lentamente, sobrevive no clipe dirigido por Jesse Kanda, parceiro de longa data do produtor, o grande destaque da canção. Em cima de uma pilha de corpos, Ghersi desfila e dança enquanto o corpo coberto por um espartilho deixa escorrer o sangue em pequenos cortes e ferimentos.

Arca (2017) será lançado no dia 07/04 via XL Recordings.

 

Arca – Anoche

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Em parceria com Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Hudson Mohawke, ANOHNI deu vida ao doloroso HOPELESSNESS – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016. Uma coleção de temas eletrônicos, batidas sufocantes e versos que misturam amor e temas políticos de forma sempre provocativa. Longe de chegar ao fim, a parceria se completa em um novo registro colaborativo da cantora: PARADISE (2017).

Trata-se de um EP de seis faixas, provavelmente produzidas durante o processo de composição de HOPELESSNESS, mas que acabam garantindo novo fôlego ao trabalho da artista britânica. Faixa-título do registro, a canção de quase cinco minutos traz de volta toda toda a energia e força originalmente incorporada por ANOHNI no último álbum. Um explosivo jogo de sintetizadores, vozes e samples que acompanham o ouvinte até os últimos instantes da faixa. No clipe dirigido por Colin Whitaker, a modelo Eliza Douglas acaba assumindo o papel de ANOHNI.

PARADISE (2017) será lançado no dia 17/03 via Secretly Canadian/Rough Trade.

 

ANOHNI – Paradise

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Sempre Femina (2017) tem tudo para se transformar em um novo clássico dentro da curta discografia de Laura Marling. Dois anos após o lançamento de Short Movie (2015), trabalho embalado por temas e referências ao cinema, a cantora e compositora britânica vem presenteando o próprio público com uma série de canções marcadas pela leveza dos versos e arranjos. Faixas como Soothing, Wild Fire e, mais recentemente, Next Time.

Enquanto a voz da artista se espalha em meio a versos essencialmente intimistas, centrados na vida da própria cantora, nos arranjos, Marling detalha uma de suas principais composições. São temas orquestrais que distanciam o folk minimalista dos últimos discos para aproximar a artista do mesmo pop de câmara de artistas como Vashti Bunyan, Nico e outros nomes de peso do estilo. Next Time ainda chega acompanha de um clipe dirigido pela própria musicista.

Semper Femina (2017) será lançado no dia 10/03 via More Alarming Records.

 

Laura Marling – Next Time

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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Phil Elverum já havia emocionado o público durante o lançamento de Real Death, há poucas semanas, sensação que volta a se repetir logo nos primeiros segundos de Ravens. Parte do novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano, A Crow Looked At Me (2017), a canção mergulha ainda mais fundo no universo de memórias e referências tétricas em torno da recente morte da artista Geneviève Castrée, esposa do cantor.

Assim como no single anterior, a nova faixa mergulha no isolamento e pequenas tentativas de Elverum em se adaptar à ausência de Castrée. Uma seleção de versos essencialmente descritivos, quase documentais, como se o ouvinte seguisse o personagem (real) do cantor por diferentes cenários. Com quase sete minutos de duração, Ravens chega acompanhada de um registro caseiro de diferentes imagens gravadas por Elvrum ao lado de Castrée.

A Crow Looked At Me (2017) será lançado no dia 24/03 via P.W. Elverum & Sun.

Mount Eerie – Ravens

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Dias após o lançamento do vídeo intimista de Eu Te Odeio, os integrantes do Carne Doce estão de volta com um novo clipe. A música escolhida foi Falo, uma das composições que abastecem o elogiado Princesa – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. Marcada pela temática feminista, a canção de versos fortes trasporta o mesmo conceito para as imagens do trabalho. “Falo é sobre uma indignação legítima, um acúmulo de pequenas injustiças cotidianas”, explicou Salma Jô, vocalista e co-autora do roteiro.

Com produção assinada pela Muto e direção de Bruno Alves, também responsável pelo provocativo vídeo de Artemísia, trabalho lançado pela banda no último ano e um dos Melhores Clipes de 2016, Falo ressalta a força do coletivo. “Conseguimos, de certa forma, aprofundar num universo em que meninas, unidas, são a manifestação do pior medo que um homem poderia ter”, explicou o diretor do trabalho. Marcado pelo peso das imagens, o vídeo foi gravado em outubro do último ano na Fazenda Santa Esther, em Amparo, interior de São Paulo.

 

Carne Doce – Falo

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Cada novo clipe de Sevdaliza se transforma em um objeto de destaque. Foi assim com o provocante vídeo de Human – um dos Melhores Clipes de 2016 –, That Other Girl e qualquer outro registro produzido pela artista iraniana/alemã. Em Amandine Insensible, mais recente criação da cantora e produtora, um novo e delicado exercício criativo. Flutuando em um fundo branco, a artista se transforma nas diferentes mulheres ao redor do globo.

São executivas, modelos, atendentes de telemarketing, sedutoras ou apenas interessadas em malhar o próprio corpo. Personagens reais, retratadas em diversos bancos de imagens, mas que surgem à medida que Sevdaliza amplia o discurso da canção, detalhando o cotidiano de diferentes personagens diariamente subjugadas em uma sociedade machista. A canção faz parte do aguardado ISON (2017), primeiro álbum de estúdio da cantora.

 

Sevdaliza – Amandine Insensible

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Em 2016, David Longstreth foi convidado a participar da produção do excelente A Seat at The Table, terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Solange Knowles. Dessa parceria veio Cool Your Heart, música co-escrita por Knowles uma das nove composições que abastecem o novo (e aguardado) álbum do Dirty Projectors. Recém-lançada, a canção chega acompanhada de um precioso clipe dirigido pela dupla Noel Paul e Stefan Moore e com a parceria da cantora Dawn Richard.

Penúltima composição do autointitulado sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, Cool Your Heart joga com o uso de batidas, samples e temas eletrônicos durante toda sua execucão, costurando pequenos loops instrumentais e de voz que se comunicam diretamente com as imagens do trabalho. Um conceito levemente dançante, quase pop, como uma parcial fuga do som originalmente testado em Keep Your Name, Little Bubble e Up in Hudson.

Dirty Projectors (2017) será lançado no dia 24/02 via Domino.

 

Dirty Projectors – Cool Your Heart

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Em 2014, com o lançamento de Despertador, o cantor e compositor paulistano Leo Cavalcanti abraçou de vez a música pop. O resultado dessa transformação está na montagem de faixas levemente dançantes como Só Digo Sim, Leve, além, claro, da própria faixa-título do disco. Curioso perceber na recém-lançada O Mundo Que Se Deseja, música que ainda conta com um clipe de Cecília Lucchesi, um som tão acessível quanto material apresentado há três anos, porém, orientado de forma sutil, contida.

Adaptação para o português da música El Mundo Que Quisiera, de Juanito el Cantor, a composição de temas acústicos, arranjos de cordas e voz doce lentamente invade a cabeça do ouvinte, lembrando alguma canção perdida de Caetano Veloso. “O mundo, sempre esse mundo, sempre uma desculpa certeira / Transpassa a vida inteira como se nada / Um pássaro abre suas asas, e ensaia um voo sem certezas / E mesmo assim, tenta esse mundo que deseja“, canta Cavalcanti em um misto de descrença e necessidade de mudança.

 

Leo Cavalcanti – O Mundo Que Se Deseja

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A grande beleza no trabalho de Chance The Rapper sempre esteve na proximidade entre o artista e o coletivo de vozes, produtores e instrumentistas convidados a atuar dentro de cada registro de estúdio. Da bem-sucedida apresentação em Acid Rap, de 2013, passando pelo colaborativo Surf, álbum lançado em parceria com o grupo Donnie Trumpet & The Social Experiment, em 2015, cada projeto assumido pelo rapper de Chicago, Illinois parte da criativa interferência de ideias e nomes vindos de diferentes campos da música negra.

Em Coloring Book (Independente), terceira e mais recente mixtape de Chance, uma detalhada continuação desse mesmo conceito colaborativo explorado nos últimos trabalhos do rapper. Mais do que um registro assinado individualmente, um espaço que se abre para a completa interferência, canto e colagem de rimas assinadas por diferentes artistas. São 14 composições que autorizam a passagem de nomes como Kanye West, Lil Wayne, Future, Justin Bieber, Young Thug e Ty Dolla $ign. Leia o texto completo.

Versão alternativa de Same Drugs – faixa que conta com as vozes de John Legend, Eryn Allen Kane, Yebba, Francis Starlite e Macie Stewart –, o vídeo dirigido por Jake Schreier mostra Chance The Rapper acompanhado de um boneco gigante. A canção é parte do último álbum do rapper, Coloring Book – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

 

Chance The Rapper – Same Drugs

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