Artista: Thundercat
Gênero: Neo-Soul, Funk, R&B
Acesse: http://www.brainfeedersite.com/

 

De To Pimp a Butterfly (2015) e Untitled Unmastered (2016) do rapper Kendrick Lamar, passando pelo experimentalismo de The Epic (2015), álbum de estreia do saxofonista Kamasi Washington, até alcançar o trabalho de artistas como Ty Dolla $ign, Kirk Knight e Mac Miller, não são poucos os registros que contaram com a presença e interferência do versátil Stephen Bruner. Uma coleção de faixas que atravessa a obra de Erykah Badu, Vic Mensa, Childish Gambino, Flying Lotus e outros nomes de peso da música negra dos Estados Unidos.

Dono de uma bem-sucedida sequência de obras lançadas sob o título de Thundercat – The Golden Age of Apocalypse (2011), Apocalypse (2013) e The Beyond / Where the Giants Roam (2015) –, o músico californiano chega ao quarto álbum de estúdio brincando com a capacidade de dialogar com diferentes estilos e técnicas. Em Drunk (2017, Brainfeeder), cada uma das 23 faixas do disco se transforma em um objeto de destaque, conduzindo a música de Bruner para dentro de um terreno nunca antes explorado.

Melodias eletrônicas que parecem resgatadas de algum jogo de videogame em Tokyo, o R&B sombrio da psicodélica Inferno ou mesmo o som descompromissado que escapa de Bus In These Streets, música que parece pensada como a abertura de alguma série cômica dos anos 1980. Em um intervalo de 50 minutos, tempo de duração da obra, Bruner e um time seleto de colaboradores passeia pelo álbum de forma sempre curiosa, atenta, resgatando diferentes conceitos e possibilidades sem necessariamente fazer disso o estímulo para um trabalho instável.

Mesmo na estranheza de Drunk e todo o universo de possibilidades que cresce dentro de cada composição, Bruner mantém firme a proximidade entre as faixas. São variações entre o R&B/Soul da década de 1960 e o pop eletrônico que começou a crescer no final dos anos 1970. Uma mistura de ritmos temperada pelo jazz fusion, trilhas sonoras de videogame, viagens de LSD e antigos programas de TV, como se memórias da adolescência do músico servissem de base para a formação do trabalho.

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. Com previsão de lançamento para o dia 11 de Junho, SAAAB Stories EP deve garantir continuidade ao que Action Bronson conquistou no último ano com as ótimas mixtapes Blue Chips e Rare Chandeliers. Abrindo espaço para aquilo que os ouvintes devem encontrar em totalidade a partir de amanhã, The Rockers traz na parceria com o conterrâneo Wiz Khalifa um mergulho no universo bem humorado do nova-iorquino, que afina as rimas em um resultado cada vez mais radiofônico. Mais do que um invento inédito do…Continue Reading “Action Bronson: “The Rockers” (ft. Wiz Khalifa)”

Chance the Rapper
Hip-Hop/Rap/R&B
http://chanceraps.com/

 

Por: Cleber Facchi


Ainda que Andre 3000 e Big Boi jamais sejam capazes de regressar ao cenário colorido de Aquemini (1998), Stankonia (2000) e outros registros que marcaram a fase mais inventiva do Outkast, uma centena de artistas recentes se provam aptos para assumir o mesmo espaço e sonoridade. Trilhando um percurso maduro e de nítido apelo pop, Chance The Rapper faz da nova mixtape uma manifestação sublime do que construiu a carreira da dupla e consequentemente o Rap estadunidense na última década. Um catálogo de colagens e apropriações particulares do que gigantes do gênero alcançaram previamente, porém em um plano de completo descompromisso e novas aproximações com o público.

Na contramão do que aprofunda com sobriedade a obra de Kendrick Lamar, além de encarar o R&B de Miguel e Frank Ocean sem as mesmas lamentações, Chance faz da presente Acid Rap (2013, Independente) um trabalho que borbulha criativo nos ouvidos. Conjunto bem estabelecido de composições que passeiam de forma semi-convencional pelo rap, soul ou mesmo pela música pop, o rapper cria no distanciamento de padrões o ambiente exato para a formatação de um trabalho que parece tentado a brincar com a nostalgia. É como se ao encontrar sustento em referências esquecidas de Kanye West (em começo de carreira), ou na própria obra do Outkast, o rapper firmasse um som de propriedades únicas.

Como o título e a própria capa do registro logo apontam, a nova mixtape de Chancelor Bennett brinca com faixas de apelo lisérgico e pequenas doses de nonsense. Distante do propósito obscuro de good kid, m.A.A.d city, R.A.P. Music e outros registros de peso que sustentaram a produção no último ano, o trabalho percorre um fluxo colorido, proporcionando no uso melódico das rimas e sons pegajosos um respiro ao que reverbera na música recente. Todavia, ao mesmo tempo em que deixa crescer uma obra que se entrega ao pop sem preconceitos, Chance parece longe dos mesmos exageros de Wiz Khalifa e outros conterrâneos, afinal, o pop que circula pela obra é um mero complemento ou princípio, nunca o todo.


Acompanhado por Action Bronson, Childish Gambino, Ab-Soul e outros figurões de distintos campos do novo rap estadunidense, Chance faz do enquadramento versátil um ponto de identidade para a obra. Dividido constantemente entre a seriedade das rimas e o apelo cênico, o artista acaba transformando Acid Rap em uma obra tão ampla, que classificá-la em uma primeira audição é um exercício quase impossível de ser concretizado. Ao fragmentar o registro em gêneros ou blocos específicos de som, o rapper parece confortável em lidar com o “romantismo” (na pacata Lost) da mesma forma que brinca sem pudor com a temática das drogas (como em Smoke Again). Uma leveza natural que praticamente substitui o ambiente cinza criado por A$ap Rocky em Long.Live.A$AP.

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Cassie
Pop/R&B/Hip-Hop
http://www.cassiesuper.com/

 

Por: Cleber Facchi

Cassie

Cassie Ventura parece pouco interessada em seguir a mesma repetição de temas e estratégias testadas por boa parte das cantoras norte-americanas. Desde 2006 sem lançar nenhum registro oficial de inéditas, a bela de New London, Connecticut, encontra na medida própria de tempo – aproveitada ainda com o trabalho de modelo e atriz – um percurso irregular dentro da música Pop. Sem exageros, parcos singles e uma carreira que se movimenta quase desinteressada na mesma medida das batidas letárgicas que acompanham a artista, Cassie rompe o hiato com o lançamento da primeira mixtepe da carreira: RockaByeBaby (2013, Bad Boy).

Quem esperava pelo segundo registro solo da cantora – ainda sem título e agendado para 2013 – vai ter de esperar. Uma demora que passa longe de se manifestar como um problema quando temos em mãos o novo e bem sucedido projeto da artista. Com quase 40 minutos de duração, a Mixtape passa longe de assumir um resultado pouco convincente ou de moldes caseiros – algo típico em trabalhos do gênero. Partindo dos mesmos acertos que apresentaram Rihanna no começo de carreira, Cassie e um time imenso de produtores dão formas a um Rap leve, cadenciado pela melancolia comportadas do R&B e trazendo nos pequenos realces sampleados uma forma de aproximação agradável com o pop.

Depois de sete anos parcialmente distante do público, a cantora (ou seja lá quem atua ao lado dela) não poderia ter escolhido uma estratégia mais convincente para regressar à cena. Espécie de aquecimento para o que Ventura deve apresentar em completude nos próximos meses, a mixtape distribui pequenos hits como um chamariz curioso para quem anseia pela entrega do novo disco. São composições que dançam confortáveis, amenizam a ansiedade gerada e provam que a cantora pode se estabelecer com plenitude em um ambiente instrumental que vá além do que fora testado no pegajoso single King of Hearts, de 2012.

Por se tratar de uma obra pensada para “preparar o terreno”, em RockaByeBaby Cassie atiça, mas nunca entrega o ouro. Acomodado em sons compactos, o álbum flui em uma proposta livre de exageros, fazendo de Bad Bitches (parceria com Ester Dean) talvez o ponto mais comercial e dançante do trabalho. No restante, apenas canções banhadas por uma sonoridade densa e versos pensados de maneira controlada, feito que alimenta de forma semi-dramática as batidas e a lírica de Addiction, uma das grandes músicas do disco. Sobra ainda a melancolia de I Love It e o R&B amargo de Turn Up, músicas que dão conta de reforçar o disco – sempre mantendo o limite entre a grandiosidade de um registro de estúdio e a “simplicidade” de uma mixtape.

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. Dono da trilogia mais obscura do R&B recente, Abel Tesfaye (The Weeknd) acabou se transformando em um complemento fundamental e doloroso para o trabalho de outros artistas. Depois de auxiliar Wiz Khalifa no decorrer da sombria Remember You, e até o maconheirinho Ricky Hill na execução de Nomads, o produtor canadense foi convidado para figurar com destaque na mais nova composição do rapper Juice J. Trabalhada em cima da sonoridade que conduz as obras do canadense, One of Those Nights, a composição não se…Continue Reading “Juice J: “One of Those Nights” (Ft. The Weeknd)”

. . Há pouco mais de um mês o rapper Wiz Khalifa apareceu em uma curiosa e sombria parceria com o produtor canadense Abel Tesfaye (The Weeknd). Juntos eles apresentaram Remember You, faixa que trazia de volta os versos assertivos de Khalifa acompanhados de mais um coerente jogo instrumental delineado pelo vizinho canadense. Para ampliar ainda mais os limites da colaboração, surge agora o clipe da faixa, utilizando do clima sombrio da faixa como a base para a sucessão de imagens incorporadas ao longo do…Continue Reading “Wiz Khalifa & The Weeknd: “Remember You””

. No dia 12 de novembro teremos o aguardado lançamento do álbum The Trilogy, registro que concentra os três suntuosos registros apresentados pelo produtor Abel Tesfaye/The Weeknd no último ano. Espere para ter de volta as mesmas sensações estabelecidas nos já clássicos Echoes Of Silence, Thursday e principalmente House Of Baloons. Já quem anseia por novidade terá de esperar até o próximo ano, quando o novo registro em estúdio do norte-americano será lançado. Se você não aguenta mais esperar pelos lamuriosos inventos do produtor, o…Continue Reading “Wiz Khalifa: “Remember You” (Ft. The Weeknd)”

Wiz Khalifa Hip-Hop/Rap/Underground Hip-Hop http://www.myspace.com/wizkhalifa Por: Cleber Facchi Quem assistiu a Wiz Khalifa no domingo (17), abrindo o último dia da edição do Coachella 2011, pode ter uma boa mostra da funcionalidade do rapper em suas apresentações ao vivo. Com Rolling Papers (2011), seu terceiro disco de estúdio, o norte-americano chega mais próximo desse mesmo resultado ao vivo, embora acabe seguindo por alguns clichês e momentos nem tão inspirados ao longo do álbum. Com produção fracionada em diversos nomes do hip-hop contemporâneo, Khalifa encontra aquele…Continue Reading “Disco: “Rolling Papers”, Wiz Khalifa”