. É engraçado perceber como a voz, antes restrita, suja e transformada em instrumento, assume um espaço de destaque cada vez maior dentro dos trabalhos de Youth Lagoon. Longe da captação empoeirada do tímido The Year Of Hibernation (2011), Trevor Powers encontra na limpidez um explícito ponto de transformação, proposta já explorada no antecessor Wondrous Bughouse, de 2013, mas que volta a se repetir em pequenas doses de Savage Hills Ballroom (2015). Terceiro álbum de inéditas da banda norte-americana, o registro que já conta com Highway Patrol Stun Gun e…Continue Reading “Youth Lagoon: “Rotten Human””

. Nunca antes Trevor Powers esteve tão “pop” quanto em Highway Patrol Stun Gun. Segunda composição de Savage Hills Ballroom (2015) a ser apresentada ao público, a faixa recheada de sintetizadores alegres e batidas dançantes rompe completamente com o catálogo de texturas sujas testadas pelo garoto até o último disco de inéditas, Wondrous Bughouse (2013). Ruptura que acaba transportando o mesmo som psicodélico testado desde The Year of Hibernation (2011) para um cenário talvez próximo do público médio. Não fosse pelo timbre característico de Powers, estridente, seria fácil encontrar a mesma…Continue Reading “Youth Lagoon: “Highway Patrol Stun Gun” (VÍDEO)”

. Em nova fase, Trevor Powers não quer mais saber do passado. Preparando o terreno para o terceiro álbum de inéditas do Youth Lagoon, Savage Hills Ballroom (2015), o músico norte-americano resume na récem-lançada The Knower o caminho que deve ser explorado com o novo disco – distante do clima matutino reforçado em The Year Of Hibernation (2011) e completamente sóbrio em relação aos temas psicodélicos lançados em Wondrous Bughouse (2013). Uma das composições mais acessíveis já apresentadas por Powers, The Knower se divide com naturalidade em duas metades completamente…Continue Reading “Youth Lagoon: “The Knower””

Vários Artistas
Experimental/Ambient/Psychedelic
http://www.lefserecords.com/

Por: Cleber Facchi

Em 1977, o governo dos Estados Unidos enviou ao espaço as sondas Voyager I e II com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre Júpiter, Saturno e o restante dos planetas que compõem o eixo final do sistema solar. Em quase quarenta anos de missão, as duas sondas coletaram informações técnicas, milhares de imagens e um efeito curioso: o “som” dos planetas. Resultado de variações eletromagnéticas de luas, planetas, asteróides e outros corpos celestes, os curiosos ruídos são agora trabalhados como música dentro do mágico Space Project (2014, Lefse), uma coletânea pensada para o Record Store Day e que apresenta um time de artistas brincando com os sons da fronteira final.

Longe de parecer uma ideia original – basta recuperar o eixo inicial de My Girls, do Animal Collective para reforçar a experiência -, o projeto tende ao ineditismo por conta do bem escalado grupo de artistas que definem cada canção da obra. Seja pela presença (quase óbvia) do “astronauta”/veterano Jason Pierce, do Spiritualized, ao conjunto de “novatos” como Youth Lagoon, Beach House e The Antlers, cada minuto do registro de 14 faixas se entrega ao esforço lisérgico das vozes, arranjos e temas com verdadeiro acerto. Viajantes espaciais que não precisam sair de terra firme para transportar a mente do público para longe.

Alimentado pela comunicação atenta dos sons, Space Project vai além de uma mera coletânea ou coleção de ideias avulsas. Partindo de uma mesma matéria-prima – os angustiantes ruídos eletromagnéticos -, cada um dos artistas, mesmo partindo de ideias particulares, encerram a jornada com proximidade, em um mesmo ambiente estético. São vocalizações sujas, sintetizadores ordenados de forma climática e todas uma massa ruidosa de elementos que fazem da inaugural Giove, do Porcelain Raft, e Sphere of lo, de Larry Gus, fragmentos de um mesmo universo. As possibilidades, tal qual o espaço, são infinitas.

Com um pé na psicodelia e outro na Ambient Music, cada instante do trabalho se fragmenta em diferentes essenciais musicais. É possível encontrar desde faixas orquestradas com firmeza pelo Blues – caso de Blues Danube, canção assinada pela dupla Blues Control -, até composições que interpretam a música Folk em uma linguagem mística – vide o esforço do norte-americano Mutual Benefit na delicada Terraform. A diversidade, explícita na eletrônica de Long Neglected Words (Benoit & Sergio) ou no Dream Pop de Saturn Song (Beach House), nunca ultrapassa um limite específico: o de produzir uma trilha sonora para um passeio pelo espaço.

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Silva
Indie/Synthpop/Electronic
http://silva.tv/

Por: Cleber Facchi

Silva

Bastam os instantes iniciais de Vista Pro Mar (2014, Slap), segundo álbum de estúdio do capixaba Silva, para perceber que os rumos do artista agora são outros. “Eu sou de remar/ Sou de insistir/ Mesmo que sozinho”. Como bem entregam os versos da autointitulada faixa de abertura, o cantor e compositor contorna a própria timidez do álbum de estreia, Claridão (2012), em busca de uma sonoridade abrangente, ainda que intimista e naturalmente particular. Um eco entre a melancolia (agora ensolarada) e o constante diálogo com o público, exercício que ultrapassa os limites da poesia sorumbática, mergulha nos arranjos versáteis e cresce como um genuíno cardápio da música pop.

Como já havia confessado em entrevista, “Vista Pro Mar foi feito num momento diferente”, trata-se de um trabalho que nasceu na “Flórida com dias ensolarados, numa piscina, de férias, vendo gente bonita, ouvindo Poolside, João Donato, Cashmere Cat e Frank Ocean”. Dentro desse novo conjunto de referências, Silva apresenta ao público um álbum que emula sensações litorâneas, premissa instalada nos samples de ondas e ruídos praianos que preenchem todo o álbum. Veranil, o disco usa dessa mesma sensação nostálgica como um mecanismo de composição para as faixas. Um estágio permanente que se divide entre a calmaria atual e a sensação de despedida que aos poucos se aproxima e rege a ambientação lírica das faixas.

Por vezes contradizendo o estágio de euforia anunciado pelo próprio criador, o novo álbum se apresenta como um mosaico de delicadas sensações – algumas felizes, outras naturalmente tristes. Um trabalho que sorri de forma evidente, mas amarga (de maneira quase inevitável) a futura separação. A julgar pelo detalhamento de faixas como Entardecer e É Preciso Dizer, Vista Pro Mar se faz como um trabalho marcado de forma expressiva pelo isolamento do músico. Gravado em Portugal, o disco não esconde a sensação de “última semana de férias”, como se o músico desfrutasse de todas as mordomias – sentimentais e físicas -, mas avistasse de perto o fim desse ambiente sabático.

Silva

Ainda que entristecido em diversos aspectos instrumentais e líricos, o presente álbum mantém firme o toque esperançoso que orquestra os sentimentos do cantor. Enquanto Claridão se revelava como um trabalho consumido pela saudade (Moletom), descrença (Cansei) e até uma estranha aceitação da morte (2012), Vista Pro Mar contorna a melancolia e suspira doces percepções. Basta a carga de sentimentos entusiasmados no interior de Janeiro (“A gente pode sem medo/ Se pertencer/ O amor é cego, mas hoje/ Eu posso ver tão bem”) para perceber que os rumos aqui são outros. Há tristeza (Volta) e constante amargura (É Preciso Dizer), mas a vontade de seguir em frente parece ainda maior.

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. Depois de surpreender com a obra-prima Bloom (2012), qual direção a dupla Beach House deve seguir? A julgar pela recém-lançada Saturn Song, o espaço parece ser a próxima parada do duo, que brinca com as emanações etéreas na nova criação. Parte da coletânea The Space Project, trabalho que já apresentou ótimas composições de Youth Lagoon e Spiritualized, a recente faixa brinca com as possibilidades da banda. Marcada pela colagem de pequenos ruídos, a composição usa da bases de sintetizadores e a voz de Victoria…Continue Reading “Beach House: “Saturn Song””

Miojo Indie

Depois de uma temporada de férias – janeiro dificilmente conta com boas novidades para uma coletânea -, chega a vez de apresentar a primeira Miojo Indie Mixtape de 2014: Synth Wave. Como o título logo entrega, trata-se de uma seleção com o melhor do Synthpop, Chillwave, Eletrônica e todas essas variantes musicais, mantendo nas harmonias leves de sintetizadores um ponto de aproximação.

São veteranos, como Spiritualized e Ceo, ou mesmo novatos, caso de Lowell, Saint Pepsi e Blood Cultures que brincam com pequenas variações do instrumento. Enquanto algumas composições seguem por uma trama ambiental, outras conversam de forma eficiente com as pistas, logo, não há uma mesma organização conceitual para o trabalho. Quem quiser pode baixar o registro logo abaixo, ou ouvir na versão online no nosso player, ao final do post.

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Por: Cleber Facchi

Souza, Costa, Santos e Silva. Em meio a tantos nomes pomposos da música nacional, o cantor Lúcio Silva Souza, de Vitória, Espirito Santo, resolveu escolher justamente o nome mais comum deles para intitular o projeto que vem desenvolvendo desde o começo de 2011. A “simplicidade” do título, entretanto, desaparece por completo tão logo as melodias delicadas do músico ganham formas.

Dono de um dos grandes lançamentos musicais de 2012, o agradável Claridão (Slap), o jovem artista conseguiu em pouco tempo um lugar de destaque dentro da presente cena nacional. Pervertendo as redundâncias da MPB e se aproximando da eletrônica de forma pacata, Silva conseguiu amarrar as pontas entre o Indie e o Pop, resultado que deve se repetir com a chegada de Vista Pro Mar, segundo e ainda inédito trabalho de estúdio do cantor.

Com lançamento previsto para o dia 17 de março, o disco de 11 faixas e participação da cantora Fernanda Takai (Pato Fu) inaugura um novo caminho para o músico. Com apresentação agendada para a edição 2014 do Lollapalooza Brasil, e depois de ter música escalada em trilha sonora de novela da Globo – Além do Horizonte -, conversamos com Silva por e-mail para saber o que esperar do novo álbum, a transição entre o independente e o mainstream, além, claro, da boa repercussão do músico em Portugal.

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. As melodias ocupam um lugar de destaque dentro da sonoridade assinada pelo capixaba Silva. Em busca de arranjos ainda mais acessíveis que os expostos no melancólico Claridão, de 2012, o jovem músico revela na singeleza do recém-lançado single Janeiro, a base para o que deve orientar o aguardado Vista Pro Mar (2014). Segundo registro em estúdio do músico, o disco previsto para o dia 17 de março aos poucos ganha formas acessíveis para se aproximar do grande público, tratamento autentico na leveza constante da…Continue Reading “Silva: “Janeiro””

. Assim como anunciado durante o lançamento da mística Worms, de Youth Lagoon, o selo norte-americano Lefse reserva para o Record Store Day uma coletânea de músicas feitas com sons “do espaço”. São variações eletromagnéticas emanadas por planetas, ruídos intergaláticos e uma série de elementos que ao serem posicionados de forma correta se transformam em música. Intitulada The Space Project, a seleção acaba de revelar mais um novo fragmento: Always Forgetting With You (The Bridge Song). Apresentada pelo britânico Spiritualized – sob o nome de…Continue Reading “Spiritualized: “Always Forgetting With You (The Bridge Song)””